{"id":4388,"date":"2016-02-01T09:00:30","date_gmt":"2016-02-01T16:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4388"},"modified":"2016-02-01T09:00:30","modified_gmt":"2016-02-01T16:00:30","slug":"gac-pois-cante-serieos-melhores-de-sempre-musica-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/02\/01\/gac-pois-cante-serieos-melhores-de-sempre-musica-portuguesa\/","title":{"rendered":"GAC &#8211; &#8220;Pois Cant\u00e9!&#8221; &#8211; S\u00e9rie:&#8221;Os Melhores De Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>6 de Dezembro de 1995<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/p>\n<p>GAC<br \/>\n\u201cPois Cant\u00e9!\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4389\" rel=\"attachment wp-att-4389\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gac-300x300.png\" alt=\"gac\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4389\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gac-300x300.png 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gac-150x150.png 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gac-100x100.png 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gac.png 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tComo foi<\/strong><\/p>\n<p>O GAC-Grupo de Ac\u00e7\u00e3o Cultural, nasceu das cinzas do CAC-Colectivo de Ac\u00e7\u00e3o Cultural. O CAC formou-se seis dias depois do golpe de Estado do 25 de Abril, mais precisamente na madrugada do 1\u00ba de Maio. Ou, mais precisamente, \u201cno dia 30 de Abril, \u00e0 noite, no dia em que cheguei de Fran\u00e7a, na casa, salvo erro, do Jos\u00e9 Jorge Letria\u201d \u2013 recorda Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco. O antifascismo estava na ordem do dia, do minuto, do segundo. Um primeiro manifesto foi subscrito por todos os que se situavam \u00e0 esquerda do antigo regime. Mas as diverg\u00eancias surgiram cedo \u2013 por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas. \u201cEntre os PC e a extrema-esquerda e mesmo alguns PS como o Manuel Alegre\u201d. O GAC, desde o in\u00edcio, assumiu-se como frente musical da UDP. Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, mao\u00edsta e militante do partido, foi o seu mentor, no per\u00edodo anterior a \u201cE Vira Bom\u201d e \u201cRonda da Alegria\u201d. Era ele o mais velho, comparado com \u201ca malta que viera da Juventude Musical Portuguesa\u201d.<br \/>\n\u201cPois Cant\u00e9!\u201d aparece dois anos depois do conflito ideol\u00f3gico que determinou a extin\u00e7\u00e3o do CAC. Antes fora j\u00e1 editada a colect\u00e2nea de \u201csingles\u201d dispersos, \u201cA Cantiga \u00e9 uma Arma\u201d, composta por \u201ccantigas essencialmente her\u00f3icas, hinos\u2026\u201d Em rela\u00e7\u00e3o a \u201cPois Cante!\u201d (o t\u00edtulo original leva dois pontos de exclama\u00e7\u00e3o, mas opt\u00e1mos pela poupan\u00e7a de caracteres), Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco fala em \u201cfus\u00e3o\u201d: \u201cDevido \u00e0 nossa pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o musical, \u00e0s nossas origens e \u00e0 influ\u00eancia dos mentores do que foi a resist\u00eancia do canto popular em Portugal. Al\u00e9m da linha do Jos\u00e9 Afonso, o que havia era a linha do Lopes Gra\u00e7a e do Giacometti. Acontece que esse canto ideol\u00f3gico \u2013 que est\u00e1 nos prim\u00f3rdios do GAC no \u2018A Cantiga \u00e9 uma Arma\u2019 \u2013 \u00e9 muito marcado por toda a tradi\u00e7\u00e3o do canto ideol\u00f3gico, com as cantigas her\u00f3icas do Gra\u00e7a mas tamb\u00e9m pela experi\u00eancia que ter\u00e1 havido em mim, fruto do contacto com o Eisler, o Kurt Weill e o canto her\u00f3ico brechtiano.\u201d<br \/>\nMas \u201cPois Cant\u00e9!\u201d transcende a simples afirma\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. A presen\u00e7a da m\u00fasica tradicional j\u00e1 se fazia sentir: \u201cAlguns de n\u00f3s, como o Lu\u00eds Pedro [Lu\u00eds Pedro Faro, actual director musical do grupo coral feminino Cramol], tinham uma forma\u00e7\u00e3o nesse campo, da etnomusicologia.\u201d Estavam criadas as condi\u00e7\u00f5es para se criar a tal \u201cfus\u00e3o\u201d: \u201cD\u00e1-se um encontro entre uma atitude que se poderia dizer \u2018de can\u00e7\u00e3o\u2019, que era a minha, do S\u00e9rgio Godinho ou do Zeca, com uma atitude de \u2018canto her\u00f3ico\u2019 e uma atitude de \u2018canto etnogr\u00e1fico\u2019, imitativo, reprodutor de t\u00e9cnicas tradicionais de canto e toque de instrumentos.\u201d<br \/>\nEncontros que Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco define como \u201cum correr de risco\u201d: \u201cN\u00e3o quer\u00edamos cometer leviandades, encarar levianamente a fus\u00e3o desses elementos.\u201d Este respeito estendia-se \u201c\u00e0 ideologia, aos princ\u00edpios revolucion\u00e1rios perfilhados\u201d. Para ele, \u201ca situa\u00e7\u00e3o social portuguesa obrigou, serviu de motiva\u00e7\u00e3o, para experimentar coisas extremamente diferentes do que era habitual\u201d. \u201cFomos para a rua, para as f\u00e1bricas, para os campos, pusemos a quest\u00e3o da utilidade, da efic\u00e1cia imediata do canto para fins sociais.\u201d<br \/>\nMais pessimista, ou realista, o autor de \u201cSer Solid\u00e1rio\u201d acaba por reconhecer que \u201ca pr\u00f3pria indisciplina do movimento social\u201d, que motivava o grupo e sobre o qual \u201ctudo se apoiava\u201d \u2013 uma indisciplina \u201cse traduzia tamb\u00e9m nas estruturas pol\u00edticas\u201d e, for\u00e7osamente, \u201cno grupo\u201d \u2013 \u201clevou a que certos objectivos n\u00e3o tivesse dado resultado, ali\u00e1s, como tudo o resto da revolu\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m n\u00e3o deu resultado\u201d.<br \/>\n\u201cPois Cant\u00e9!\u201d foi um \u00e1lbum revolucion\u00e1rio at\u00e9 no sistema de produ\u00e7\u00e3o (pr\u00f3pria) e distribui\u00e7\u00e3o: \u201cUma distribui\u00e7\u00e3o paralela por vias das organiza\u00e7\u00f5es das colectividades, dos sindicatos e da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a que o GAC esteve ligado, a UDP.\u201d A seguir, vem a parte pior: \u201cMas depois fic\u00e1mos sem o dinheiro, nunca mais vinha, era uma indisciplina total. Tudo faliu por esse lado.\u201d<br \/>\nJos\u00e9 M\u00e1rio Branco, enquanto homem pol\u00edtico \u2013 \u201chavia uma consci\u00eancia do movimento social que tomou totalmente conta de mim\u201d -, n\u00e3o impediu a afirma\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco enquanto m\u00fasico. O que significa que a arte n\u00e3o ficou assim t\u00e3o desvalorizada, por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica, como as afirma\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do grupo quiseram fazer crer. \u201cPois, o que nos separava n\u00e3o era a quest\u00e3o art\u00edstica, mas sim a de estarmos ao \u2018servi\u00e7o de qu\u00ea\u2019. O GAC definiu-se completamente de uma forma partid\u00e1ria, ao contr\u00e1rio, por exemplo, do Zeca, que nunca se definiu como tal.\u201d<br \/>\nNeste ponto Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco embrenhou-se na evoca\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas que o separaram, na altura, de Jos\u00e9 Afonso e de Fausto, nomeadamente a prop\u00f3sito do problema de Angola e dos partidos angolanos na luta anticolonial e p\u00f3s-independ\u00eancia daquele territ\u00f3rio. \u201cComiss\u00e1rio pol\u00edtico do GAC\u201d, ao servi\u00e7o da UDP, como a si pr\u00f3prio se definia nessa altura, do mesmo modo que os Almanaque eram a extens\u00e3o musical do MRPP, reconheceu por fim o car\u00e1cter da m\u00fasica propriamente dita, t\u00e3o ou mais revolucion\u00e1ria, para a \u00e9poca, que a mensagem ideol\u00f3gica e partid\u00e1ria. \u201cPois Cant\u00e9!\u201d, explica, \u00e9 uma express\u00e3o beir\u00e3, trazida para o grupo por Fernando Laranjeira, que significa \u2018Ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1-de ser?!\u2019. Afirma\u00e7\u00e3o forte. Sem maneiras.<br \/>\nComo a \u201cCantiga sem maneiras\u201d, na voz feminina de Toinas (Maria Ant\u00f3nia Vasconcelos), a prop\u00f3sito da qual Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco recordou a presen\u00e7a, em 1975, do GAC no Festival da Can\u00e7\u00e3o, com \u201cAlerta!\u201d: \u201cFizemos uma declara\u00e7\u00e3o de voto a dizer que n\u00e3o participar\u00edamos na palha\u00e7ada de Estocolmo. Como, nessa altura, o j\u00fari do festival eram os pr\u00f3prios autores e compositores, demos zero a todas as cantigas concorrentes e a n\u00f3s a pontua\u00e7\u00e3o m\u00e1xima [risos]. O S\u00e9rgio nunca me perdoou. Ele estava l\u00e1, a concorrer com uma can\u00e7\u00e3o, \u2018A boca do lobo\u2019. Nem o Tinoco, que tamb\u00e9m concorreu. Foi uma declara\u00e7\u00e3o de voto completamente marxista-leninista!\u201d<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNo calor da luta, forja-se a uni\u00e3o, rebenta a f\u00faria de esmagar as cadeias para sempre\u2026\u201d \u00c9 o \u201cleitmotiv\u201d deste manifesto marxista-leninista-mao\u00edsta que, dois anos ap\u00f3s o golpe de Abril, abalou a m\u00fasica popular portuguesa e permitiu a explos\u00e3o de projectos como Almanaque, Ra\u00edzes e Brigada Victor Jara. No interior da capa, a toda a largura, o grafito \u201cLiberdade, paz, p\u00e3o, terra, independ\u00eancia\u201d sintetiza a mensagem pol\u00edtica veiculada por este projecto nascido das cinzas do anterior e ef\u00e9mero Colectivo de Ac\u00e7\u00e3o Cultural (CAC). Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, o seu mentor, assumia-se ent\u00e3o como \u201ccomiss\u00e1rio pol\u00edtico do GAC\u201d, representante da UDP, numa altura em que a pol\u00edtica se sobrepunha \u00e0 est\u00e9tica nos objectivos do grupo. Mas se \u201cmais pol\u00edtica e menos arte\u201d era o mote, tal n\u00e3o impediu que \u201cPois Cant\u00e9!\u201d se preocupasse com o rigor formal, resultado, ali\u00e1s, de centenas de sess\u00f5es de \u201ccanto livre\u201d realizadas ao vivo logo a seguir ao 25 de Abril de 1974. Ombreando com os corais colectivos onde o mais importante era o grito de alerta ao povo, destacam-se temas como \u201cPois cant\u00e9!\u201d, com sopros arranjados por Lu\u00eds Pedro Faro e voz de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, \u201cCantiga sem maneiras\u201d, vocalizado por Toinas sobre um \u201cronco\u201d de gaita-de-foles, \u201cCantiga do trabalho\u201d e \u201cCoro dos trabalhadores emigrados\u201d, todos da lavra de J.M.B., e o bel\u00edssimo \u201cIr e vir\u201d, composto e vocalizado por Jo\u00e3o L\u00f3io. \u201cPois Cant\u00e9!\u201d abriu ainda o caminho para a integra\u00e7\u00e3o da m\u00fasica tradicional num contexto mais socializado, de bra\u00e7o dado com o canto revolucion\u00e1rio. O \u00e1lbum sucede a \u201cA Cantiga \u00e9 uma Arma\u201d, primeiro disco de longa dura\u00e7\u00e3o do grupo, onde est\u00e3o recolhidos todos os temas dispersos at\u00e9 essa altura em \u201csingles\u201d. E se disparos po\u00e9ticos como \u201cCasas sim! Barracas n\u00e3o! As casas s\u00e3o do povo! Abaixo a explora\u00e7\u00e3o!\u201d dificilmente atingem hoje o alvo, n\u00e3o \u00e9 menos verdade que nenhum outro grupo, antes e depois do GAC, teve a coragem e a frontalidade de o dizer.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/r6uY7xpIfgQ\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 6 de Dezembro de 1995 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa GAC \u201cPois Cant\u00e9!\u201d Como foi O GAC-Grupo de Ac\u00e7\u00e3o Cultural, nasceu das cinzas do CAC-Colectivo de Ac\u00e7\u00e3o Cultural. 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