{"id":4375,"date":"2016-01-27T14:42:37","date_gmt":"2016-01-27T21:42:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4375"},"modified":"2016-01-27T14:42:37","modified_gmt":"2016-01-27T21:42:37","slug":"ne-ladeiras-alhur-serie-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/27\/ne-ladeiras-alhur-serie-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa\/","title":{"rendered":"N\u00e9 Ladeiras &#8211; &#8220;Alhur&#8221; &#8211; S\u00e9rie: &#8220;Os Melhores De Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>26 de Julho de 1995<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>N\u00e9 Ladeiras<br \/>\nAlhur<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4376\" rel=\"attachment wp-att-4376\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nl-300x150.jpg\" alt=\"nl\" width=\"300\" height=\"150\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4376\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nl-300x150.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nl-624x312.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nl-100x50.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nl.jpg 680w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><strong>\t\t\t\t\tComo foi<\/strong><\/p>\n<p>A \u201cAlhur\u201d fica longe daqui. \u201cSempre tive ideia de fazer uma coisa que falasse do lado de l\u00e1.\u201d N\u00e9 Ladeiras explica desta forma a g\u00e9nese deste seu maxi-single onde as refer\u00eancias usuais da m\u00fasica pop fazem pouco ou nenhum sentido. \u201cCostumava dizer que tinha prometido a mim pr\u00f3pria faz\u00ea-lo, na outra dimens\u00e3o\u201d. O disco surgiu na sequ\u00eancia de viagens por outras terras e, muito provavelmente, de caminhadas de outro tipo. Quando regressou da Su\u00e9cia, um dos pa\u00edses por onde andara, trazia um sonho no corpo de viagem. Foi na mesma altura em que os Her\u00f3is do Mar provocavam por c\u00e1 um tremor de terra nos meios musicais, com o sei disco de estreia, dos hinos de saudade e de bandeiras. \u201cQuando cheguei, o Nuno Rodrigues [antigo companheiro de N\u00e9 na Banda do Casaco] mostrou-me o disco. Adorei o trabalho deles. J\u00e1 tinha assinado contrato com a Valentim de Carvalho, disse-lhes que o Miguel Esteves Cardoso estava a fazer as letras e que eu j\u00e1 escolhera os m\u00fasicos: os Her\u00f3is do Mar. Lembro-me do Pedro de Vasconcelos me perguntar se eles tinham alguma coisa a ver com a minha m\u00fasica. Respondi-lhe que sim, que tinham tudo a ver. A come\u00e7ar pelo esp\u00edrito em si.\u201d Com Miguel Esteves Cardoso, o encontro foi casual, nas escadas da sede da Valentim. Apresentaram-se, simplesmente. Exprimiram uma admira\u00e7\u00e3o m\u00fatua. E partiram \u00e0 aventura.<br \/>\nN\u00e9 Ladeiras recorda das p\u00e1ginas do seu di\u00e1rio o primeiro dia de grava\u00e7\u00f5es: \u201cO ponto de encontro foi na R\u00e1dio Comercial, \u00e0s dezoito horas. S\u00f3 eu, o Paulo Gon\u00e7alves e o Ricardo Camacho \u00e9 que comparecemos no \u2018local do crime\u2019. O Miguel j\u00e1 se encontrava l\u00e1 para dar o tiro de partida. Os outros encontraram-se connosco no Ouri\u00e7o, um restaurante em frente \u00e0 esta\u00e7\u00e3o da CP de Pa\u00e7o de Arcos. Cheg\u00e1mos ao est\u00fadio j\u00e1 passava das oito da noite. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o fez muita diferen\u00e7a, porque o t\u00e9cnico chegou com meia hora de atraso mas cheio de boa disposi\u00e7\u00e3o. \u00daltimos preparativos para daqui a pouco arrancarmos para o primeiro alvo: \u2018Holoteta\u2019\u2026\u201d<br \/>\nAs sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o duraram \u201ca\u00ed uns quinze dias\u201d. Quinze dias para imprimir no vinilo quatro esta\u00e7\u00f5es de um rito de passagem. No est\u00fadio, criou-se um ambiente especial. \u201cHavia alturas em que o Pedro de Vasconcelos queria torn\u00e1-lo mais \u00edntimo. Ent\u00e3o ou apagava as luzes por completo ou deixava acesa s\u00f3 uma. N\u00e3o havia rigidez na postura dos m\u00fasicos. Lembro-me de o Paulo estar a tocar acorde\u00e3o, de Pedro Ayres estar a tocar baixo, pareciam figuras retiradas de livros, de desenhos, muito et\u00e9reos.\u201d<br \/>\nAs can\u00e7\u00f5es de \u201cAlhur\u201d, no esp\u00edrito dos sons e dos textos, respiram com um ritmo pr\u00f3prio, dos prim\u00f3rdios da vida, se calhar. \u201cQuis dar uma ideia \u00e0s pessoas de como tudo isto se inicia. No \u2018H\u00famus verde\u2019, o tema das \u00e1guas, pretendi mostrar algo que \u00e9 verdade, que n\u00f3s todos iniciamos a nossa vida num saco de \u00e1guas, dentro do ventre das nossas m\u00e3es. S\u00f3 que as coisas passam-se antes, somos n\u00f3s que escolhemos em que saco de \u00e1guas \u00e9 que queremos viver durante aqueles nove meses. \u00c9 um mundo muito aqu\u00e1tico, um mundo que, em termos sonoros e de movimentos, deve ser muito calmo. Quando mergulhamos numa piscina, os sons que sentimos do exterior v\u00eam todos amplificados de uma outra forma. \u00c9 assim que os mestres dizem que os sons e os movimentos s\u00e3o feitos \u2013 do lado de l\u00e1. Quando os b\u00e9b\u00e9s nascem, nem sequer sabem respirar pelos pulm\u00f5es. \u00c9 preciso dar-lhes aquela palmadinha!&#8230;\u201d<br \/>\n\u201cAlhur\u201d d\u00e1 essa palmada, na passagem de um meio para outro. \u00c9 um disco que fala das \u00e1guas, todas as \u00e1guas, das \u00e1guas-r\u00e9gias do pensamento \u00e0s \u00e1guas salgadas dos oceanos e das l\u00e1grimas. E h\u00e1 uma fada chamada \u201cHoloteta\u201d que N\u00e9 Ladeiras foi buscar a um livro de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica com o t\u00edtulo \u201cO Baile das Estrelas\u201d. \u201c\u00c9 o nosso anjo da guarda ou a fada da Luz, do Caminho do Bem. Mas \u00e9 assim uma fada j\u00e1 bastante evolu\u00edda. N\u00f3s temos a ideia da fada com umas vestes compridas e uma varinha de cond\u00e3o. Provavelmente poder\u00e1 ter um computador \u00e0 frente.\u201d<br \/>\nA capa do disco \u2013 considerada, em 1982, \u201ccapa do ano\u201d \u2013 aponta o caminho que se deve seguir para chegar a \u201cAlhur\u201d: uma imagem de um postal dos anos 20, do Caramulo ao p\u00f4r-do-sol. \u201cComprei-a num alfarrabista na Rua do Alecrim. Andava \u00e0 procura de uma imagem que pudesse ser sugestiva para aquilo que acho que vai ser a passagem daqui para l\u00e1. H\u00e1 pessoas que dizem que \u00e9 um t\u00fanel. Eu acho que \u00e9 antes um caminho assim, com curvas e muitas nuvens. Foi reproduzida tal e qual.\u201d Passados 13 anos sobre a edi\u00e7\u00e3o do disco, de que lado estamos, afinal? N\u00e9 Ladeiras est\u00e1 j\u00e1 do outro lado. Atr\u00e1s dos montes. A falar uma l\u00edngua diferente.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>O outro lado existe. Fica \u201cAlhur\u201d na curva de um caminho. No alto de uma serra que pode ser no Caramulo, mas, melhor ainda, de Sintra. N\u00e9 Ladeiras curvou esse caminho, subiu essa serra, colou asas de \u00e1gua na terra em fogo. \u201cAlhur\u201d fica invis\u00edvel quando nele se procura uma b\u00fassola ou a rosa-dos-ventos. Porque a direc\u00e7\u00e3o e o mapa variam e de cada vez levam-nos para lugares diferentes, para onde os impelem os textos de Miguel Esteves Cardoso (MEC) e os sons da pr\u00f3pria N\u00e9. Mais invis\u00edvel fica quando o queremos comparar com o que, por c\u00e1, se tinha feito antes e se fez depois na m\u00fasica popular. \u201cAlhur\u201d n\u00e3o encaixa em lugar nenhum. Escorre como areia entre os dedos. Ou \u00e1gua da chuva que n\u00e3o se deixa beber. Ouve-se como a um sil\u00eancio. Vai-se por l\u00e1. \u201cH\u00famus-verde\u201d chora nas \u00e1guas-furtadas sem janelas onde MEC o fez desaguar. Do outro lado fica o c\u00e9u. Do outro lado do disco. \u201cHoloteta\u201d voa nas asas de uma fada-borboleta. Nos saltos altos das percuss\u00f5es. \u201cEss\u00eancia\u201d \u00e9 a ess\u00eancia de uma can\u00e7\u00e3o. Das que se sonham em azul num cabar\u00e9 vazio no meio das estrelas. Com um acorde\u00e3o gemendo de aonde? De \u201cAlhur\u201d, por certo, o tema final que est\u00e1 al\u00e9m. Onde as amarras do tempo se rompem e a voz de N\u00e9 nasce e flui sem precisar de palavras. Estendendo a m\u00e3o e a alma aos cantares tradicionais do Norte, para os levar como a uma crian\u00e7a para o lado de l\u00e1 dos montes, a um futuro que n\u00e3o existe porque, para uma crian\u00e7a, apenas h\u00e1 e conta o presente. No texto de promo\u00e7\u00e3o distribu\u00eddo na \u00e9poca aos meios de informa\u00e7\u00e3o, um excerto da \u201cChronologia ou Report\u00f3rio dos Tempos\u201d, do cap\u00edtulo \u201cDo som e estrondo, ou m\u00fasica, que cuidar\u00e3o os antiguos ser causado com o movimento dos ceos\u201d, pode ler-se o seguinte: \u201cMuito deu que cuidar aos philosophos antiguos se por ventura os ceos com seu movimento causav\u00e3o algum som e doce conson\u00e2ncia a armonia de m\u00fasica, porque consideravam que como o som se causa do tocamento movimento tardo, ou apressado, com que dous corpos se ro\u00e7\u00e3o hum com outro, donde nace neste concertado acidente, que chamamos som, o qual recebido no ar como em subjecto se vai multiplicando por elle, at\u00ea nossos ouvidos, que s\u00e3o os org\u00e3os com que a alma percebe o tal objecto e se faz aquillo que chamamos ouvir\u201d. \u201cAlhur\u201d \u00e9 esse \u201cconcertado acidente\u201d dos \u201cceos\u201d.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8F3XL-emDsA\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 26 de Julho de 1995 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa N\u00e9 Ladeiras Alhur Como foi A \u201cAlhur\u201d fica longe daqui. \u201cSempre tive ideia de fazer uma coisa que falasse do lado de l\u00e1.\u201d N\u00e9 Ladeiras explica desta forma a g\u00e9nese deste seu maxi-single onde as refer\u00eancias usuais da m\u00fasica pop fazem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1155,138,1162,179,229,107,44,24,105,10,68],"tags":[1173],"class_list":["post-4375","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1995","category-cantautor","category-criticas-1995","category-etno","category-mpp","category-new-wave","category-pop","category-portugueses","category-post-punk","category-rock","category-world","tag-ne-ladeiras"],"views":2020,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4375"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4375\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4377,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4375\/revisions\/4377"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}