{"id":4371,"date":"2016-01-26T07:41:54","date_gmt":"2016-01-26T14:41:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4371"},"modified":"2016-01-26T07:42:42","modified_gmt":"2016-01-26T14:42:42","slug":"4371","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/26\/4371\/","title":{"rendered":"J\u00falio Pereira &#8211; &#8220;Braguesa&#8221; &#8211; S\u00e9rie: &#8220;Os Melhores De Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>12 de Julho de 1995<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/p>\n<p>J\u00falio Pereira<br \/>\nBraguesa<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4372\" rel=\"attachment wp-att-4372\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/jp-299x300.jpg\" alt=\"jp\" width=\"299\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4372\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/jp.jpg 299w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/jp-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/jp-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tComo foi<\/strong><\/p>\n<p>\u201cTive que adiar o est\u00fadio por tr\u00eas meses porque parti duas unhas na Holanda.\u201d N\u00e3o podia ter principiado de pior maneira a grava\u00e7\u00e3o de \u201cBraguesa\u201d, o \u00e1lbum de J\u00falio Pereira que haveria de suceder ao muit\u00edssimo aclamado \u201cCavaquinho\u201d. De novo com as unhas crescidas e de fora, J\u00falio Pereira n\u00e3o se lembra de ter acontecido durante as grava\u00e7\u00f5es \u201cnada de especial\u201d. \u201cNormalmente distancio-me dos meus discos mal acabo de os fazer.\u201d Em concreto, o m\u00fasico lembra-se da \u201cdificuldade\u201d que sentiu \u201cpor causa do enorme \u00eaxito\u201d do seu antecessor: \u201cLembro-me de ainda estar a gravar e ir com o Jos\u00e9 Fortes a uma pastelaria que havia ao lado do est\u00fadio, e durante dois ou tr\u00eas dias vermos nos jornais pr\u00e9mios que ainda estavam a sair, relacionados com o \u00abCavaquinho\u2019.\u201d<br \/>\n\t\u201cSe eu tive tanto \u00eaxito com esse disco, o mais normal seria gravar outro com o mesmo instrumento, s\u00f3 que nunca vou pela maneira mais f\u00e1cil.\u201d \u00c9 a sua explica\u00e7\u00e3o para ter passado do cavaquinho para a braguesa. \u201cSe me dediquei a um instrumento e curti ao m\u00e1ximo as suas caracter\u00edsticas, e o que se podia fazer com ele, acabei por pensar \u2018porque \u00e9 que n\u00e3o fa\u00e7o isso com outro? \u2018 At\u00e9 porque quando fiz o \u2018Cavaquinho\u2019 j\u00e1 tinha algum contacto com a viola braguesa.\u201d J\u00falio Pereira descobriu este instrumento \u201cquando ia l\u00e1 acima ter com o construtor, Domingos Machado\u201d. Ainda na altura em que estava a fazer o \u2018Cavaquinho\u2019, comprei uma braguesa. A\u00ed decidi atirar-me a um projecto novo, \u00e0 descoberta de um instrumento novo\u201d, conta o instrumentista que reconhece ter sido este seu segundo trabalho, e ao contr\u00e1rio do seu antecessor, sobretudo do agrado \u201c de alguns eruditos que o consideraram mais interessante que o pr\u00f3prio \u2018Cavaquinho\u2019\u201d, um \u00e1lbum que, pelas limita\u00e7\u00f5es e condicionalismos deste pequeno instrumento de cordas, o pr\u00f3prio autor define como o mais \u201cregionalista\u201d de toda a sua discografia. \u201cDe resto, j\u00e1 a atmosfera da primeira parte de \u2018Cantar galego\u2019 era feita com a braguesa, j\u00e1 com outra sonoridade.\u201d Entre os que manifestaram a sua prefer\u00eancia por \u201cBraguesa\u201d, contavam-se Jos\u00e9 Afonso e o etn\u00f3logo dr. Ernesto veiga de Oliveira, ambos j\u00e1 falecidos.<br \/>\n\tDepois do cavaquinho e da braguesa, seguir-se-ia, anos mais tarde, o bandolim. Uma inconst\u00e2ncia, ou falta de fidelidade, para a qual J\u00falio Pereira encontra uma justifica\u00e7\u00e3o: \u201cNunca serei uma esp\u00e9cie de Carlos Paredes, porque uma coisa natural que tenho \u00e9 jeito para tocar v\u00e1rios instrumentos de corda. Tenho a certeza de que nunca me irei dedicar apenas a um. N\u00e3o h\u00e1 nada a fazer quanto a isso.\u201d<br \/>\n\tComparando com \u201cCavaquinho\u201d, as sess\u00f5es de \u201cBraguesa\u201d foram \u201cmais dif\u00edceis\u201d: \u201cJ\u00e1 era uma grava\u00e7\u00e3o que utilizava muitas pistas, ou seja, 24 pistas, uma mesa praticamente nova, isto no Angel Studio 1, que foi o est\u00fadio idealizado e gerido pelo Jos\u00e9 Fortes.\u201d Est\u00fadio que, pelas suas caracter\u00edsticas inovadoras, representou o ponto de partida para as \u201cmelhores grava\u00e7\u00f5es nacionais, o que est\u00e1 amplamente demonstrado em discos\u201d. \u201cBraguesa\u201d foi a \u201csegunda experi\u00eancia\u201d a\u00ed realizada. \u201cS\u00f3 foi um bocado complicado porque j\u00e1 tinha talvez pistas a mais.\u201d L\u00e1 dentro, \u201calguns temas eram tocados parcelarmente ao vivo, quer dizer, podiam tocar tr\u00eas m\u00fasicos ao mesmo tempo, e noutro tocar s\u00f3 um\u201d. Rodagem para o disco, j\u00e1 tinha sido feita. \u201cEnsaiei com os m\u00fasicos todos, ali\u00e1s, nessa altura tinha um grupo do qual faziam parte o Janita, o Serginho [S\u00e9rgio Mestre], o Z\u00edngaro e o Rui J\u00fanior.\u201d Com uma excep\u00e7\u00e3o: \u201cEm dois ou tr\u00eas dos meus discos costumava fazer um tema final fora do contexto geral, onde houvesse uma onda mais ou menos de improvisa\u00e7\u00e3o e sobretudo algo que fosse mais contempor\u00e2neo do que antigo. Neste caso foi \u2018Quatro elementos\u2019, onde entrava a Am\u00e9lia [N.R.: Am\u00e9lia Muge, ent\u00e3o uma ilustra desconhecida, que J\u00falio Pereira conheceu em Mo\u00e7ambique, quando a cantora andava em digress\u00e3o com Jos\u00e9 Afonso] e o Edgar Caramelo, embora inicialmente estivesse prevista a presen\u00e7a do R\u00e3o Kyao. S\u00f3 que o R\u00e3o Kyao teve uma atitude esquisita, mandando o \u2018manager\u2019 dizer que eu queria ganhar quatro vezes mais do que os restantes m\u00fasicos. Claro que n\u00e3o permiti isso, como \u00e9 \u00f3bvio.\u201d<br \/>\n\tPuxando um pouco mais pela mem\u00f3ria, J\u00falio Pereira recorda que nesse ano, 1983, devia ser \u201co \u00fanico m\u00fasico neste pa\u00eds que tinha computador\u201d. \u201cJ\u00e1 estava informatizado\u201d, garante. Uma faceta explorada ainda de forma embrion\u00e1ria em \u201cBraguesa\u201d, mas que viria a ser aprofundada nos \u00e1lbuns seguintes. \u201cA braguesa estava muito ligada a uma regi\u00e3o. Isso implicava ir l\u00e1, conhecer pessoas, ouvi-las tocar, tocar com elas.\u201d Uma \u201cexperi\u00eancia demasiado absorvente\u201d para que o m\u00fasico pudesse dedicar nessa altura mais aten\u00e7\u00e3o aos sons sintetizados.<br \/>\n\tPara J\u00falio Pereira, \u201cBraguesa\u201d fica ainda como o \u00e1lbum que lhe deu a oportunidade de conhecer as duas filhas de Janita Salom\u00e9, Catarina e Marta, \u201cent\u00e3o duas gaiatas\u201d, que cantam em \u201cOlha a triste viuvinha\u201d e com quem viria a trabalhar mais tarde no derradeiro \u00e1lbum de Jos\u00e9 Afonso, \u201cGalinhas do Mato\u201d. J\u00falio Pereira salienta por fim que \u201cBraguesa\u201d foi o disco que mais o fez \u201crebuscar coisas, em termos de material did\u00e1ctico\u201d. \u201cNunca rebusquei tanto em bibliotecas ou em arquivos, nem nunca fiz tantas viagens.\u201d Para conhecer a braguesa, o seu report\u00f3rio e a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>O sucesso com que foi acolhido \u201cCavaquinho\u201d, um \u00e1lbum que deixou marcas no modo de sentir e fazer m\u00fasica tradicional portuguesa, fez aumentar as responsabilidades de J\u00falio Pereira, curiosamente um m\u00fasico sa\u00eddo da escola do rock. \u201cBraguesa\u201d constituiu a melhor resposta ao imediatismo e apelo popular do \u00e1lbum anterior, for\u00e7ado a obedecer \u00e0s exig\u00eancias de um instrumento, o cavaquinho, demasiado arreigado \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o minhota com as suas caracter\u00edsticas de vincada extrovers\u00e3o. A braguesa, pelo contr\u00e1rio, de sonoridade menos cerrada, permitiu a J\u00falio Pereira libertar-se para uma vis\u00e3o mais pessoal e experimentalista do universo tradicional. N\u00e3o foram s\u00f3 os horizontes geogr\u00e1ficos que se alargaram, agora num roteiro que descia de Tr\u00e1s-os-Montes ao Alentejo: a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00e3o incorporou novos conceitos e possibilidades estil\u00edsticas, e come\u00e7ar pelo enriquecimento das estruturas r\u00edtmicas populares, desde sempre uma das particularidades formais da obra deste autor. A isso acrescentou-se uma diversifica\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o t\u00edmbrica, que em \u201cMilho Verde\u201d anunciava j\u00e1 as futuras incurs\u00f5es no tratamento computorizado dos sons e em \u201c\u00d3 Aninhas \u00f3 Aninhas\u201d e \u201cMurinheira\u201d, dois tradicionais transmontanos, se manifestava num conhecimento, n\u00e3o apenas intuitivo, no primeiro caso, das cad\u00eancias que neste s\u00e9culo andam associadas \u00e0 m\u00fasica antiga e, em \u201cMurinheira\u201d, de algumas das premissas hoje seguidas na chamada \u201cworld music\u201d. Dois extremos que ilustram, ao n\u00edvel dos arranjos, toda uma atitude demonstrada por um m\u00fasico que chegou a estar enredado nas malhas de um estilo inconfund\u00edvel, sem, contudo, deixar de manter a necess\u00e1ria dist\u00e2ncia de si pr\u00f3prio, de maneira a, nas alturas devidas, romper com o passado e dar o salto seguinte na escala da sua evolu\u00e7\u00e3o pessoal. \u201cBraguesa\u201d, no perfeito equil\u00edbrio que estabelece entre a voz popular e a erudi\u00e7\u00e3o do perfeccionista (sintetizado de modo exemplar num tema como \u201cOlha a triste viuvinha\u201d), representa a matriz dessa evolu\u00e7\u00e3o que vem caminhando dos espa\u00e7os rasgados do nosso folclore, para os espa\u00e7os milim\u00e9tricos e labir\u00ednticos que s\u00e3o os da arte, pessoal e intransmiss\u00edvel, de J\u00falio Pereira, aqui desenhados sem preconceitos de qualquer esp\u00e9cie no tema final, \u201cQuatro elementos\u201d.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-hljhUGyUIE\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 12 de Julho de 1995 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa J\u00falio Pereira Braguesa Como foi \u201cTive que adiar o est\u00fadio por tr\u00eas meses porque parti duas unhas na Holanda.\u201d N\u00e3o podia ter principiado de pior maneira a grava\u00e7\u00e3o de \u201cBraguesa\u201d, o \u00e1lbum de J\u00falio Pereira que haveria de suceder ao muit\u00edssimo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1155,1162,179,229,24,68],"tags":[1101],"class_list":["post-4371","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1995","category-criticas-1995","category-etno","category-mpp","category-portugueses","category-world","tag-julio-pereira"],"views":1418,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4371","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4371"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4371\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4374,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4371\/revisions\/4374"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}