{"id":4362,"date":"2016-01-22T11:53:10","date_gmt":"2016-01-22T18:53:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4362"},"modified":"2016-01-22T11:53:10","modified_gmt":"2016-01-22T18:53:10","slug":"sergio-godinho-os-sobreviventes-serie-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/22\/sergio-godinho-os-sobreviventes-serie-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa\/","title":{"rendered":"S\u00e9rgio Godinho &#8211; &#8220;Os Sobreviventes&#8221; &#8211; S\u00e9rie: &#8220;Os Melhores De Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>10 de Maio de 1995<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Godinho<br \/>\nOs Sobreviventes<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4363\" rel=\"attachment wp-att-4363\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/sg.jpg\" alt=\"sg\" width=\"223\" height=\"226\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4363\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/sg.jpg 223w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/sg-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 223px) 100vw, 223px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>\t\t\t\t\tComo foi<\/strong><\/p>\n<p>Nove anos no estrangeiro, tr\u00eas dos quais passados em Paris, de finais de 1967 at\u00e9 71, o contacto com outras m\u00fasicas e culturas, serviram de bagagem para a rela\u00e7\u00e3o com a l\u00edngua portuguesa que se haveria de seguir e fazer de S\u00e9rgio Godinho um dos compositores-int\u00e9rpretes portugueses mais importantes deste s\u00e9culo. \u201cQuando aterrei em Paris\u201d, conta o autor, \u201cj\u00e1 cantava, mas em franc\u00eas; uma das minhas preocupa\u00e7\u00f5es era encontrar uma voz pr\u00f3pria: soava-me tudo ou a Zeca Afonso ou a poetas que eu admirava. Nessa altura, a presen\u00e7a musical do Zeca bloqueava-me.\u201d<br \/>\n\tO encontro, na capital francesa, com Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, com quem inicia uma colabora\u00e7\u00e3o musical ass\u00eddua, vem a revelar-se decisiva no desencadeamento de nova fase da sua carreira. Entretanto, a par da sua participa\u00e7\u00e3o na vers\u00e3o parisiense de \u201cHair\u201d, d\u00e1-se aquilo a que S\u00e9rgio Godinho chama uma quase revela\u00e7\u00e3o, \u201cuma esp\u00e9cie de desbloqueamento em rela\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas\u201d. \u201cPara a\u00ed metade\u201d das can\u00e7\u00f5es de \u201cOs Sobreviventes\u201d foi composta nesta altura, num \u201ccurto per\u00edodo de tempo\u201d. Os est\u00edmulos desta mudan\u00e7a s\u00e3o v\u00e1rios. \u201cCuriosamente, a pr\u00f3pria cidade de Paris, o \u2018Hair\u2019, uma multiplicidade de viv\u00eancias, aproximaram-me da minha l\u00edngua em vez de me afastarem. Talvez fosse uma necessidade de voltar \u00e0s minhas ra\u00edzes e ao som que as palavras tinham na minha inf\u00e2ncia.\u201d<br \/>\n\tA par de Paris, tamb\u00e9m o interesse pelo que se estava a passar em Portugal, com o agudizar da guerra colonial e a decad\u00eancia do regime\u201d faz o m\u00fasico desejar o reencontro com a realidade portuguesa. \u201cO facto de n\u00e3o poder vir a Portugal, de ser refract\u00e1rio, de estar com gente com uma consci\u00eancia pol\u00edtica que eu tinha tamb\u00e9m, foi igualmente importante.\u201d Embora o cantor j\u00e1 nessa altura tenha outro tipo de preocupa\u00e7\u00f5es, al\u00e9m das pol\u00edticas: \u201cA minha motiva\u00e7\u00e3o primeira para ir para fora foi sempre muito vivencial. A necessidade de conhecer outras culturas, de correr mundo, de vagabundear, no sentido filos\u00f3fico do termo.\u201d Mais forte que tudo \u00e9, por\u00e9m, \u201ca vontade de escrever em portugu\u00eas\u201d.<br \/>\n\tJ\u00e1 com \u201cuma m\u00e3o cheia de can\u00e7\u00f5es\u201d, falta apenas a grava\u00e7\u00e3o. \u201cJos\u00e9 M\u00e1rio Branco tinha j\u00e1 contactado a Sasseti, a quem eu j\u00e1 enviara fitas. Fiz uma maqueta tamb\u00e9m para a Arnaldo Trindade mas foi a Sasseti que me deu uma resposta mais entusi\u00e1stica e as melhores condi\u00e7\u00f5es.\u201d \u00c0 semelhan\u00e7a de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco e de Jos\u00e9 Afonso, S\u00e9rgio Godinho vai gravar no famoso est\u00fadio do Ch\u00e2teau d\u2019 H\u00e9rouville. \u201cFomos praticamente inaugurar aquilo, com condi\u00e7\u00f5es privilegiadas.\u201d O som pretendido \u201ctinha uma componente de banda, com uma abordagem \u2018pop\u2019\u201d, algo que logo nessa altura afasta S\u00e9rgio Godinho da vaga dos chamados baladeiros. N\u00e3o s\u00f3 nunca fui um baladeiro\u201d, diz \u201ccomo, de certo modo, era at\u00e9 cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o ao que de negativo tinha esse termo.\u201d S\u00e9rgio recorda, a prop\u00f3sito, que o an\u00e1tema lan\u00e7ado nessa altura sobre aquele termo foi dirigido em brande parte \u201ccontra o Zeca e o Adriano, de uma maneira muito injusta\u201d.<br \/>\n\tCom Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco a funcionar em est\u00fadio um pouco como o \u201csupervisor\u201d, a m\u00fasica toma forma a partir de um colectivo. \u201cBasicamente, aquilo que eu tinha na cabe\u00e7a era uma estrutura de guitarra, baixo el\u00e9ctrico e bateria \u2013 um som \u2018rock\u2019 como o do tema \u2018Mar\u00e9 alta\u2019 \u2013 aqui e ali com a pontua\u00e7\u00e3o de outros instrumentos, algo que ensaiei mais tarde noutros discos\u201d. S\u00e9rgio Godinho v\u00ea hoje \u201cOs Sobreviventes\u201d como um disco \u201cexuberante e denso\u201d, onde quis \u201cmeter muita coisa\u201d, se bem que n\u00e3o o satisfa\u00e7a muito \u201cvocalmente\u201d: \u201cTive medo de soltar a voz. \u00c9 um disco onde canto \u00e0 defesa. Certinho mas sem o tipo de liberdade interpretativa que tive noutros discos e que, inclusivamente, j\u00e1 era de certo modo capaz na altura. Tamb\u00e9m senti problemas de garganta, laringite. N\u00e3o sei se de origem psicossom\u00e1tica ou n\u00e3o\u2026\u201d O cantor cita, sobre este aspecto, o tema \u201cO charlat\u00e3o\u201d, composto por Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, que poderia ter \u201cmais energia\u201d.<br \/>\n\tO outro dos dois temas escritos pelo autor de \u201cMargem de Certa Maneira\u201d, \u201cCantiga da velha m\u00e3e e dos seus dois filhos*\u201d, tem uma hist\u00f3ria curiosa: \u201cA letra foi feita para a m\u00fasica do \u2018Maio Maduro Maio\u2019, de Jos\u00e9 Afonso. O Zeca tinha uma vez chegado a Paris e disse-me que n\u00e3o era capaz de escrever uma letra para ela. Eu ofereci-me para o fazer. Ele, entretanto, foi para Portugal e eu fiz mesmo a letra. Fiquei eu com uma letra pendurada. Foi ent\u00e3o a vez do Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco se oferecer para fazer uma m\u00fasica. Aconteceu uma esp\u00e9cie de pingue-pongue.\u201d<br \/>\n\tOutra can\u00e7\u00e3o, \u201cPaula\u201d, teve uma primeira letra em franc\u00eas antes da vers\u00e3o final em portugu\u00eas. \u201cRomance de um dia na estrada\u201d foi escolhido para um EP, \u201crar\u00edssimo de encontrar\u201d, que surgiu antes de o LP sair. \u201cPodia ser, de certo modo, um t\u00edtulo alternativo para o \u00e1lbum. Era um tema que reflectia o lado vivencial que eu, nessa altura, prezava muito e que continuou como imagem de marca. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o de percurso, uma can\u00e7\u00e3o de revela\u00e7\u00f5es.\u201d O outro lado, \u201cmais pol\u00edtico\u201d, est\u00e1 presente numa can\u00e7\u00e3o como \u201cSenhor marqu\u00eas\u201d: \u201cCantei-a pela primeira vez para o Zeca, quando ele estava em Paris. Ficou muito entusiasmado. \u2018Isto \u00e9 que \u00e9 a linguagem que eu devia estar a fazer!\u201d, exclamou ele. Eu contrapunha: \u201cTu \u00e9s maluco! Eu \u00e9 que queria fazer a linguagem que tu est\u00e1s a fazer!\u201d<br \/>\n\t\u201cOs Sobreviventes\u201d teria, depois, outras hist\u00f3rias para contar, mas essa pertencem j\u00e1 a uma hist\u00f3ria mais triste que estava prestes a acabar. O disco recebeu o pr\u00e9mio \u201cmelhor autor de letra\u201d pela Casa da Imprensa (ao lado de obras de Jos\u00e9 Afonso e Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco) mas foi retirado das lojas pela censura, para, pouco tempo depois, regressar aos escaparates. Algo que reflectia a desorienta\u00e7\u00e3o de um regime que agonizava. O \u00e1lbum, esse, sobreviveu para a posteridade.<\/p>\n<p>* Em vez de \u201cfilhos\u201d, no original lia-se \u201cdiscos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Afinal, \u00e9 mesmo verdade que as cegonhas trazem os beb\u00e9s de Fran\u00e7a. Em Paris, h\u00e1 24 anos, nascia uma das rela\u00e7\u00f5es mais fortes e duradouras da m\u00fasica com a l\u00edngua portuguesa. S\u00e9rgio Godinho trazia na mochila a m\u00fasica francesa, brasileira e inglesa, e quil\u00f3metros de viagem nas pernas e na alma. As primeiras hist\u00f3rias contam-se, por vezes, com alguma timidez e a ajuda de amigos. Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, j\u00e1 nessa altura bord\u00e3o e fonte de ensinamentos, n\u00e3o s\u00f3 assinou dois temas como inspirou o ambiente geral de uma composi\u00e7\u00e3o como \u201cA-E-I-O-U\u201d. Os Beatles, com algumas notas de \u201cMichelle\u201d, insinuam-se por sua vez em \u201cdescansa a cabe\u00e7a (estalajadeira)\u201d.<br \/>\nSe \u00e9 verdade que a riqueza metaf\u00f3rica que caracteriza toda a obra posterior do autor se encontra aqui ainda na sua fase embrion\u00e1ria, n\u00e3o \u00e9 menos verdade que \u201cOs Sobreviventes\u201d \u00e9 hoje um \u00e1lbum que envelheceu bem, n\u00e3o surgindo de modo algum datado. Temas como \u201cPaula\u201d ou \u201cFarto de voar\u201d, em toda a sua pureza, soam hoje rodeados de um estranho fasc\u00ednio, enquanto, em can\u00e7\u00f5es como \u201cQue bom que \u00e9\u201d e \u201cSenhor marqu\u00eas\u201d, est\u00e3o j\u00e1 presentes todas as caracter\u00edsticas que marcariam a obra de S\u00e9rgio Godinho: a n\u00e3o linearidade do desenvolvimento tem\u00e1tico, a sobreposi\u00e7\u00e3o de registos vocais, a altern\u00e2ncia de tonalidades, a import\u00e2ncia da fon\u00e9tica, do que se esconde e revela no simples som que as palavras t\u00eam \u2013 o prazer, em suma, de dan\u00e7ar com as palavras e os seus significados.<br \/>\n\u201cRomance de um dia na estrada\u201d perspectiva uma das vertentes de sempre do universo po\u00e9tico-musical do autor: a introspec\u00e7\u00e3o, o conceito de percurso, nunca numa perspectiva abstractizante, antes romanceada em forma de situa\u00e7\u00f5es arrancadas a um quotidiano ficcional ou n\u00e3o. E se a \u00e9poca era de luta, entre \u201cQue for\u00e7a \u00e9 essa\u201d e \u201cMar\u00e9 alta\u201d, os dois temas onde \u00e9 mais acentuado o cariz intervencionista, era j\u00e1 no fluxo de emo\u00e7\u00f5es e das pequenas e grandes descobertas interiores que o caminho de S\u00e9rgio Godinho se desenhava. Um \u201cprimeiro dia\u201d, sempre.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5QTHTrya9YU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 10 de Maio de 1995 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa S\u00e9rgio Godinho Os Sobreviventes Como foi Nove anos no estrangeiro, tr\u00eas dos quais passados em Paris, de finais de 1967 at\u00e9 71, o contacto com outras m\u00fasicas e culturas, serviram de bagagem para a rela\u00e7\u00e3o com a l\u00edngua portuguesa que se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1155,138,1162,229,24],"tags":[592],"class_list":["post-4362","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1995","category-cantautor","category-criticas-1995","category-mpp","category-portugueses","tag-sergio-godinho"],"views":1935,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4362"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4364,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4362\/revisions\/4364"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}