{"id":4359,"date":"2016-01-21T08:08:40","date_gmt":"2016-01-21T15:08:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4359"},"modified":"2016-01-21T08:08:40","modified_gmt":"2016-01-21T15:08:40","slug":"rui-junior-o-o-que-som-tem-serie-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/21\/rui-junior-o-o-que-som-tem-serie-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa\/","title":{"rendered":"Rui J\u00fanior &#8211; &#8220;O \u00abO Que Som Tem?&#8221; &#8211; S\u00e9rie: &#8220;Os Melhores De Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>19 de Abril de 1995<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Rui J\u00fanior<br \/>\nO \u00d3, que som tem?<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4360\" rel=\"attachment wp-att-4360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rj-300x296.jpg\" alt=\"rj\" width=\"300\" height=\"296\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4360\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rj.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rj-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tComo foi<\/strong><\/p>\n<p>Rui J\u00fanior andou ausente nos \u00faltimos anos. Uma aus\u00eancia determinada por raz\u00f5es bastante traum\u00e1ticas para si e que se prendem com a destrui\u00e7\u00e3o, pouco depois da grava\u00e7\u00e3o de \u201cO \u00d3, que Som Tem?\u201d, de toda a sua colec\u00e7\u00e3o de percuss\u00f5es, provocada por uma inunda\u00e7\u00e3o da cave onde se encontrava este material. Nos \u00faltimos meses o percussionista regressou, de corpo e alma restaurados, para as sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o de \u201cTodos os Dias\u201d, de Am\u00e9lia Muge, e para integrar o projecto \u201cMaio Maduro Maio\u201d.<br \/>\n\u201cO \u00d3, que Som Tem?\u201d, o seu projecto de percuss\u00f5es, editado em 1983, representa a vis\u00e3o pessoal deste m\u00fasico, em cujo curr\u00edculo figuram os nomes de J\u00falio Pereira, Fausto, Jos\u00e9 Afonso, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, S\u00e9rgio Godinho, Janita Salom\u00e9, Vitorino, R\u00e3o Kyao, Jorge Palma, Ant\u00f3nio Pinho Vargas e a j\u00e1 citada Am\u00e9lia Muge, ou seja, a nata do que se convencionou chamar \u201cm\u00fasica popular portuguesa\u201d.<br \/>\nNa calha est\u00e1 a grava\u00e7\u00e3o do segundo cap\u00edtulo deste projecto, \u00fanico na cena musical portuguesa, e de um compacto did\u00e1ctico sobre percuss\u00f5es. Com os mesmos m\u00fasicos, entre eles Rui Vaz, Fernando Molina e Jos\u00e9 Salgueiro \u2013 \u201ctodos eles agora craques\u201d -, mas um esp\u00edrito diferente, \u201cde maior acalmia\u201d.<br \/>\n\u201cO \u00d3, que Som Tem?\u201d resultou, nas palavras do seu mentor, da \u201cnecessidade de poder compor e interpretar com instrumentos de percuss\u00e3o\u201d. Na altura, vai fazer doze anos, ningu\u00e9m tinha muita experi\u00eancia de est\u00fadio. \u201cningu\u00e9m sabia como seria meter percussionistas num est\u00fadio e gravar um disco.\u201d Para Rui J\u00fanior, \u201co Jos\u00e9 Fortes [engenheiro de som] foi muito \u00fatil em todo o trabalho\u201d, por estar \u201cmentalmente muito dispon\u00edvel\u201d, mas tamb\u00e9m por ter \u201cdisponibilizado o est\u00fadio\u201d.<br \/>\nRui J\u00fanior recorda que o grupo, na ocasi\u00e3o, encheu o ch\u00e3o com uma quantidade de canas. \u201cQuer\u00edamos um som de canas. Fomos a um canavial que havia l\u00e1 perto, cort\u00e1mos as canas, lev\u00e1mo-las para o est\u00fadio e fizemos v\u00e1rias experi\u00eancias, batendo com elas no ch\u00e3o. Depois \u00edamos buscar mais e volt\u00e1vamos a experimentar. Acabou por ficar tudo sujo.\u201d \u201cPor isso\u201d, acrescenta, \u201ch\u00e1 que louvar tamb\u00e9m a disponibilidade da senhora que fazia as limpezas!\u201d<br \/>\nA grava\u00e7\u00e3o representou para todos \u201cuma descoberta\u201d. \u201cEm est\u00fadio o som tem que ser tratado de outra maneira. Tivemos, em conjunto com o Jos\u00e9 Fortes, de proceder a experi\u00eancias ao n\u00edvel da capta\u00e7\u00e3o. Onde e como se deviam captar os bombos, por exemplo. Neste caso a ideia foi obter um som mais ou menos de ar livre, atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de uma sala muito grande, na maior parte das vezes com os microfones no ar, por cima de n\u00f3s e a uma certa dist\u00e2ncia.\u201d<br \/>\n\u201cO \u00d3, que Som Tem?\u201d demorou uma semana a ser gravado. Durante esse per\u00edodo, as coisas \u201ccorreram bem ao n\u00edvel da grava\u00e7\u00e3o, embora menos ao n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o\u201d. Rui J\u00fanior refere a este prop\u00f3sito a exist\u00eancia de \u201calgumas fa\u00edscas\u201d, entre ele e o produtor da Sassetti. \u201cA ideia deles era diferente da minha. O meu disco resultou de uma aposta da Sassetti, no seguimento do \u2018Cavaquinho\u2019, do J\u00falio Pereira, e do \u2018Por Este Rio Acima\u2019, do Fausto, dois discos em que participei.<br \/>\n\u201cQuando lhes falei no novo projecto, pensaram logo em mais uma coisa dentro do mesmo estilo, m\u00fasica popular, tum tum tum, isto vai ser canja. Quando se come\u00e7aram a aperceber que n\u00e3o ia ter os mesmos ingredientes, com sintetizadores, uns coros, umas coisas bonitas e tal, \u00e9 que foi pior. A ideia deles era limar, uniformizar, para obter um som que pudesse ser mais vend\u00e1vel. Por isso fiz muita quest\u00e3o que a \u2018master\u2019 n\u00e3o fosse tocada por ningu\u00e9m. O produtor praticamente n\u00e3o teve influ\u00eancia. Tive que me impor para impedir que houvesse mudan\u00e7as.\u201d<br \/>\nO que, por outras palavras, significa que Rui J\u00fanior sempre se regeu e continua a reger exclusivamente por crit\u00e9rios de ordem est\u00e9tica e nunca de ordem comercial. \u201cGuio-me pelo meu gosto pessoal, como \u00fanica forma de coer\u00eancia.\u201d Sobre este aspecto o percussionista cita o tema de abertura do \u00e1lbum, \u201cRecolhimento\u201d, onde mistura coros gregorianos com adufes. \u201cHoje j\u00e1 se ouve os mesmos c\u00e2nticos gregorianos sobre uma batida funk\u2026 Eu fiz isso dez anos antes, porque gostava, talvez por influ\u00eancia da minha m\u00e3e, que cantava nas igrejas, \u2018Av\u00e9s-Marias\u2019, essas coisas. Achei que n\u00e3o havia liga\u00e7\u00e3o mais bonita que a dos cantos com aquele ritmo.\u201d<br \/>\nE, afinal de contas, o \u00f3, que som tem? \u201c\u00c9 um jogo de sons que me foi sugerido pelo meu pai, a prop\u00f3sito de uma das brincadeiras que tinha, quando era pequenino. Um mi\u00fado voltava-se para outro e perguntava: \u2018O \u00f3, que som tem?\u2019 O outro respondia: \u2018Ora de \u00f3, ora de u.\u2019 Uma esp\u00e9cie de miniladainha.\u201d<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 sabido que as percuss\u00f5es, na m\u00fasica tradicional portuguesa, n\u00e3o primam pela subtileza. \u00c9 mais bombos e foguet\u00f3rio, p\u00e9s bem assentes na terra e gritar muito de baixo para o alto. \u00c9 certo que no Minho ou nas Beiras h\u00e1 quem bata com m\u00e3o mais ligeira o adufe, como a j\u00e1 m\u00edtica Catarina Chitas, de Penha Garcia. S\u00f3 que depois ouvimos todas aquelas senhoras da Galiza a manejarem as pandeiretas como se estas tivessem asas, e olhamos desconsolados para o nosso descomunal umbigo em forma de bombo.<br \/>\nRui J\u00fanior achou que n\u00e3o tinha que ser necessariamente assim. Armou-se de um grupo de amigos \u2013 e de percuss\u00f5es \u2013 e decidiu inverter o processo. Nas suas m\u00e3os e nas dos seus companheiros, as peles, os sinos, os tubos, as madeiras, as pinhas, as canas, at\u00e9 os bombos, transformaram-se em utens\u00edlios nobres, para a constru\u00e7\u00e3o de polirritmias que devem tanto \u00e0 m\u00fasica portuguesa como a \u00c1frica, ao Brasil e \u00e0 \u00cdndia, quando n\u00e3o a batimentos ainda mais primevos.<br \/>\n\u201cO \u00d3, que Som Tem?\u201d representa n\u00e3o s\u00f3 a emancipa\u00e7\u00e3o e dignifica\u00e7\u00e3o de uma classe de instrumentos, as percuss\u00f5es, como a instaura\u00e7\u00e3o de uma est\u00e9tica que hoje \u00e9 cultivada em todo o mundo mas que em Portugal n\u00e3o teve seguidores. Para Rui J\u00fanior, as percuss\u00f5es, do simples tambor \u00e0s canas que chocam contra o ch\u00e3o, devem cantar uma melodia, ter um discurso pr\u00f3prio para al\u00e9m da simples marca\u00e7\u00e3o de tempos. Raz\u00e3o pela qual o m\u00fasico se veio a especializar anos mais tarde nas \u201ctablas\u201d indianas, instrumento de grande riqueza crom\u00e1tica, capaz de, com as suas alturas variadas, fazer o que ele lhes pede, isto \u00e9, cantar.<br \/>\nNo disco, que muito em breve e em boa hora ter\u00e1 uma continua\u00e7\u00e3o, \u00e9 vis\u00edvel esta conjuga\u00e7\u00e3o entre, por um lado, a estiliza\u00e7\u00e3o da linguagem percussiva e, por outro, a liga\u00e7\u00e3o aos alicerces r\u00edtmicos tradicionais, n\u00e3o s\u00f3 portugueses, como j\u00e1 foi dito. Emblem\u00e1tico desta dial\u00e9ctica entre o apego \u00e0s ra\u00edzes e o desejo de renova\u00e7\u00e3o \u00e9 o tema de abertura, \u201cRecolhimento\u201d, onde a fus\u00e3o do canto gregoriano e da gaita-de-foles com os adufes, o vibrafone e os sinos lhe confere uma dimens\u00e3o de religiosidade que hoje \u00e9 apregoada por muitos e aviltada por alguns.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Hi2WlEE5K5c\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 19 de Abril de 1995 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa Rui J\u00fanior O \u00d3, que som tem? Como foi Rui J\u00fanior andou ausente nos \u00faltimos anos. 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