{"id":4356,"date":"2016-01-20T08:12:39","date_gmt":"2016-01-20T15:12:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4356"},"modified":"2016-01-20T08:12:39","modified_gmt":"2016-01-20T15:12:39","slug":"corpo-diplomatico-musica-moderna-serie-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/20\/corpo-diplomatico-musica-moderna-serie-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa\/","title":{"rendered":"Corpo Diplom\u00e1tico &#8211; &#8220;M\u00fasica Moderna&#8221; &#8211; S\u00e9rie: &#8220;Os Melhores De Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>15 de Mar\u00e7o de 1995<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/p>\n<p>Corpo Diplom\u00e1tico<br \/>\nM\u00fasica Moderna<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4357\" rel=\"attachment wp-att-4357\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/cd-300x300.jpg\" alt=\"cd\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4357\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/cd-300x299.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/cd-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/cd-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/cd.jpg 560w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tComo foi<\/strong><\/p>\n<p>Ver\u00e3o de 1979. Os Fa\u00edscas, juntamente com os Aqui d\u2019El Rock e os Minas e Armadilhas, um dos poucos representantes do punk portugu\u00eas, tinham durado o tempo que uma chama demora a arder. Pedro Ayres e Paulo Pedro Gon\u00e7alves avan\u00e7aram o passo l\u00f3gico e criaram os Corpo Diplom\u00e1tico, um dos poucos grupos new wave surgidos na \u00e9poca devida em Portugal. Ant\u00f3nio S\u00e9rgio, na altura \u00e0 frente do programa Rota\u00e7\u00e3o, da R\u00e1dio Renascen\u00e7a, estava, como sempre, atento. Era amigo de alguns dos m\u00fasicos, passara os Fa\u00edscas no programa. Nos Corpo Diplom\u00e1tico encontrou \u201cuma atitude diferente da dos Tantras ou outros grupos afins\u201d que ent\u00e3o proliferavam. \u201cO report\u00f3rio tinha interesse, era bastante provocante. Lembro-me de uma letra, a de \u2018Amor de guichet\u2019, que \u00e9 um gozo ao empregadinho de escrit\u00f3rio, aquele ambiente um bocado podre dos not\u00e1rios, o tipo de ambientes que l\u00e1 fora o punk tamb\u00e9m atacava.\u201d<br \/>\n\tPara o popular locutor, os Corpo Diplom\u00e1tico eram \u201co espelho da nossa new wave, com uma atitude at\u00e9 bastante mais vincada que a de muitos outros casos que eram simplesmente pop, ou bubblegum pop.\u201d Ant\u00f3nio S\u00e9rgio cita at\u00e9 uma esp\u00e9cie de concorrente seu na altura, Lu\u00eds Filipe Barros, da R\u00e1dio Comercial: \u201cOuvia-o dizer que os Blondie eram new wave e eu passava-me de todo. Era um disparate de todo o tamanho.\u201d Por sua vez, Carlos Gon\u00e7alves, ou Ultravioleta, vocalista principal dos Corpo Diplom\u00e1tico, fala numa \u201cest\u00e9tica e abordagens diferentes\u201d, em paralelo com correntes musicais trazidas por nomes como The Normal, Human League ou Pere Ubu, na tentativa de \u201canular a \u2018d\u00e9calage\u2019 existente entre o que se passava em Portugal e l\u00e1 fora\u201d.<br \/>\n\tS\u00e9rgio, que nessa altura estava ligado \u00e0 Nova, editora discogr\u00e1fica respons\u00e1vel pela distribui\u00e7\u00e3o nacional dos cat\u00e1logos Stiff e Sire, entre outros, \u201ctinha uma f\u00e9 especial no tandem Paulo Pedro e Pedro Ayres\u201d. Para ele, tratava-se de \u201cuma dupla totalmente criativa\u201d. O passo seguinte foi convencer Hugo Louren\u00e7o, um dos respons\u00e1veis da editora, a fazer o disco. \u201cEst\u00e1vamos a ter muito \u00eaxito com o report\u00f3rio internacional, em que ele n\u00e3o acreditava muito. Quando ouviu os Ramones pela primeira vez, jurou para nunca mais, mas da\u00ed a uns tempos os Ramones n\u00e3o s\u00f3 estavam a vender na rua como a ser compradas por grosso, at\u00e9 pelo C\u00edrculo de Leitores.\u201d<br \/>\n\tNa Nova olhavam para S\u00e9rgio \u201cum bocado como se fosse maluco\u201d, embora reconhecessem que \u201chavia na maluqueira dele coisas que funcionam\u201d. Acabaram por aceitar. Ant\u00f3nio S\u00e9rgio seguiu para est\u00fadio na companhia dos m\u00fasicos e de um segundo produtor, Jo\u00e3o Henrique, com cr\u00e9ditos firmados na \u00e1rea do can\u00e7onetismo.<br \/>\n\tDurante as grava\u00e7\u00f5es Ant\u00f3nio S\u00e9rgio funcionou como \u201ccatalisador\u201d. Dos dois produtores dos disco, era ele quem \u201cconseguia contactar\u201d com os m\u00fasicos, para quem \u201co Jo\u00e3o Henrique era um gajo velho, de uma escola velha\u201d. \u201cTanto o Paulo Pedro, na altura ainda o conhec\u00edamos por Paulo Canadiano, como o Pedro Ayres [Dedos Aires, nos Corpo Diplom\u00e1tico, depois de ter sido Dedos Tubar\u00e3o nos Fa\u00edscas] eram a flor da rebeldia.\u201d S\u00e9rgio \u201cconhecia-lhes a linguagem, sabia a atitude deles, o que \u00e9 que podia ficar num disco\u201d. Jo\u00e3o Henrique \u201ctinha s\u00f3 a no\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es de est\u00fadio e das poupan\u00e7as\u201d.<br \/>\n\tEm paralelo com o lan\u00e7amento do \u00e1lbum, foi editado um single de coleccionador, com os temas \u201cFesta\u201d e \u201cEngrenagem\u201d, de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, numa vers\u00e3o com \u201cru\u00eddos de maquinismos\u201d na qual, segundo Carlos Gon\u00e7alves, o pr\u00f3prio autor na altura reconheceu existir uma caracter\u00edstica \u201cque ele pr\u00f3prio tinha tentado dar sem o conseguir\u201d. Deste disco foram editados mil exemplares, \u201csem capa inteira\u201d. \u201cEra outro gozo, do tipo \u2018Holidays in the sun\u2019, dos Pistols, inspirado naquela ideia do turista parvo que anda a explorar a pobreza dos outros para fazer roteiros.\u201d De \u201cM\u00fasica Moderna\u201d fizeram-se igualmente mil exemplares, dos quais se ter\u00e3o vendido, segundo Ant\u00f3nio S\u00e9rgio, \u201ccerca de metade\u201d.<br \/>\n\tPara a hist\u00f3ria fica ainda uma ocasi\u00e3o c\u00e9lebre, que S\u00e9rgio recorda: \u201cQuando contrat\u00e1mos a Stiff, fizemos ua festinha num \u2018ferry boat\u2019, ali no Tejo. A banda convidada foram os Corpo Diplom\u00e1tico. Vieram pessoas da Stiff, incluindo um dos m\u00fasicos da editora, o Wreckless Eric, al\u00e9m do \u2018staff\u2019 todo. Estavam curiosos em ouvir a banda tocar. Instal\u00e1mos o grupo no tombadilho, com um PAzinho. Come\u00e7aram com um instrumental qualquer e os gajos at\u00e9 pararam de comer e de beber, sintoma de que estavam a ouvir. S\u00f3 que a seguir entrou o Ultra Violeta, ou \u2018urubu\u2019, como lhe cham\u00e1vamos, o vocalista [Carlos Gon\u00e7alves]. O homem estava entusiasmado por ver os gajos ingleses. Ent\u00e3o desatou a dan\u00e7ar e a cantar de uma maneira tal que pontapeava os cabos constantemente, desligando os instrumentos, uma guitarra, o amplificador\u2026 Foi um caldinho daquele tamanho. N\u00e3o havia tema nenhum que chegasse a meio. Desaparecia sempre qualquer instrumento ou at\u00e9 mesmo a voz dele. Pontapeava tudo com umas botas em bico, estilo Joe Jackson. A partir de certa altura cheg\u00e1mos \u00e0 conclus\u00e3o de que o melhor era p\u00f4r a banda sonora que j\u00e1 t\u00ednhamos, uma cassete gravada com m\u00fasica da Stiff e da Sire.\u201d<br \/>\n\tDepois disso o projecto \u201centrou num limbo\u201d. Sobraram tr\u00eas m\u00fasicos, Pedro Ayres, Paulo Pedro Gon\u00e7alves e Carlos Maria Trindade, para a cria\u00e7\u00e3o dos Her\u00f3is do Mar.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>\u201cM\u00fasica Moderna\u201d, desde o t\u00edtulo \u00e0 est\u00e9tica da capa, uma reprodu\u00e7\u00e3o de um cartaz de propaganda do Partido Comunista Chin\u00eas, procurou ser um manifesto de diferen\u00e7a e de ruptura contra, por um lado, o niilismo violento e, por vezes, sem nexo do \u201cPunk\u201d e, por outro, o lastro dos \u201csinf\u00f3nicos\u201d, que em Portugal sobreviveram para al\u00e9m do tempo devido na pessoa dos Tantra.<br \/>\nDos Corpo Diplom\u00e1tico pode-se dizer que foram um dos poucos grupos aos quais a classifica\u00e7\u00e3o \u201cnew wave\u201d se aplicava com justi\u00e7a. \u00c0 energia e irrever\u00eancia do \u201cpunk\u201d, acrescentaram uma atitude diferente, de maior distanciamento e com outro tipo de linguagem, que os fazia identificarem-se com a chamada \u201ccold wave\u201d ou \u201cafterpunk\u201d, para utilizar o termo ent\u00e3o inventado por Yves Adrien nas p\u00e1ginas da \u201cRock &#038; Fok\u201d. Uma est\u00e9tica que viria rapidamente a bifurcar-se em dois extremos opostos, a m\u00fasica industrial (Throbbing Gristle, Cabaret Voltaire) e a electropop (Orchestral Manouevres in the Dark, Depeche Mode).<br \/>\nOs Corpo Diplom\u00e1tico, sem terem tido tempo para optar por um dos lados, fizeram a transposi\u00e7\u00e3o poss\u00edvel da linguagem dos \u201cafterpunks\u201d europeus para um contexto nacional. A terminologia t\u00edpica destes, marcada pela utiliza\u00e7\u00e3o de referentes tecnol\u00f3gicos inseridos numa vis\u00e3o c\u00ednica e apocal\u00edptica da realidade, foi utilizada pelo grupo portugu\u00eas para fazer cr\u00edtica social a personagens e situa\u00e7\u00f5es da vida nacional. As associa\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas dos textos nascem de conceitos como \u201ctelevis\u00e3o\u201d, \u201ccaixa neur\u00f3tica clorof\u00f3rmio el\u00e9ctrico\u201d, \u201cespantalhos autom\u00e1ticos\u201d ou \u201cum bot\u00e3o no meu c\u00e9rebro\u201d, e o som est\u00e1 repleto de desfasagens e intromiss\u00f5es electr\u00f3nicas do sintetizador, mas toda esta parafern\u00e1lia serve aos Corpo Diplom\u00e1tico para apontarem as baterias a uma \u201cMaria\u201d ou, como em \u201cAmor de guichet\u201d, a uma rela\u00e7\u00e3o amorosa entre empregados de escrit\u00f3rio que s\u00e3o bem portugueses.<br \/>\n\u00c9 esta dicotomia entre a modernidade de um discurso europeizado em confronto com o provincianismo saloio caracter\u00edstico da mentalidade portuguesa que torna \u201cM\u00fasica Moderna\u201d num disco cuja descend\u00eancia s\u00f3 anos mais tarde os Ocaso \u00c9pico, de Farinha, viriam a continuar. Como sempre acontece por estas bandas, ningu\u00e9m foi atingido e \u201cM\u00fasica Moderna\u201d foi arrumado na gaveta das loucuras inconsequentes.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/14ncGKadnSE\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 15 de Mar\u00e7o de 1995 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa Corpo Diplom\u00e1tico M\u00fasica Moderna Como foi Ver\u00e3o de 1979. Os Fa\u00edscas, juntamente com os Aqui d\u2019El Rock e os Minas e Armadilhas, um dos poucos representantes do punk portugu\u00eas, tinham durado o tempo que uma chama demora a arder. 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