{"id":4352,"date":"2016-01-19T11:59:42","date_gmt":"2016-01-19T18:59:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4352"},"modified":"2016-01-19T12:01:07","modified_gmt":"2016-01-19T19:01:07","slug":"4352","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/19\/4352\/","title":{"rendered":"Ronda Dos Quatro Caminhos &#8211; &#8220;Ronda Dos Quatro Caminhos&#8221; &#8211; S\u00e9rie: &#8220;Os Melhores De Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>22 de Fevereiro de 1995<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/p>\n<p>Ronda dos Quatro Caminhos<br \/>\nRonda dos Quatro Caminhos<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4353\" rel=\"attachment wp-att-4353\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rqc-300x225.jpg\" alt=\"rqc\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4353\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rqc-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rqc-100x75.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rqc.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tComo foi<\/strong><\/p>\n<p>Para V\u00edtor Reino, a estreia discogr\u00e1fica da Ronda dos Quatro Caminhos representou uma mudan\u00e7a. A recolha de temas folcl\u00f3ricos, se n\u00e3o desapareceu, passou para um plano secund\u00e1rio. At\u00e9 essa altura, Reino dedicara-se \u00e0 m\u00fasica tradicional \u201cnuma perspectiva coral, que tinha sido importante nos Almanaque, com cerca de vinte pessoas\u201d. \u201cEra uma heran\u00e7a dos velhos coros\u201d, diz Reino, para quem \u201cRonda dos Quatro Caminhos\u201d foi o primeiro disco a p\u00f4r essa perspectiva \u201cde lado\u201d. Para tr\u00e1s ficara o Almanaque, at\u00e9 ao \u00e1lbum \u201cDesfiando Cantigas\u201d, impulsionado por si e por Jos\u00e9 Alberto Sardinha, os fundadores do grupo.<br \/>\n\t\u201cO Almanaque seguia uma linha de tentar reproduzir as recolhas tais como as ouvia. Procurava cantar tal e qual. No primeiro disco da Ronda, houve a tentativa minha de ver a m\u00fasica tradicional como uma coisa mais din\u00e2mica. Tentei fazer uma reconstitui\u00e7\u00e3o. Muitas vezes da maneira como imaginava que certos temas teriam sido antigamente e n\u00e3o como os ouvia. Tamb\u00e9m comecei a compor, \u00e0 imagem das m\u00fasicas antigas.\u201d Um aspecto importante foi o desvelar alguns aspectos da m\u00fasica portuguesa que \u201cestavam encobertos, como aquelas ra\u00edzes mais c\u00e9lticas\u201d. Reino cita a prop\u00f3sito a faixa \u201cRomance da mineta\u201d, na qual fez um arranjo \u201cbaseado nesses sons\u201d de localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica mais vasta.<br \/>\n\tV\u00edtor Reino reconhece a import\u00e2ncia que tiveram, antes da Ronda, outros grupos. \u201cHouve dois que me marcaram um bocado, a Brigada Victor Jara e o Terra a Terra. \u00c9 curioso, porque estes grupos come\u00e7aram artisticamente mais avan\u00e7ados do que n\u00f3s, s\u00f3 que tinham um percurso totalmente diferente. Nunca fizeram recolha. Eram mais m\u00fasicos, at\u00e9, mas n\u00e3o possu\u00edam a viv\u00eancia de campo que eu tinha. Fiz um percurso muito mais lento. Comecei por ouvir as m\u00fasicas, em 1972, quando iniciei as recolhas, como eram cantadas nas v\u00e1rias zonas.\u201d<br \/>\n\tAs mudan\u00e7as operadas na passagem do Almanaque para a Ronda assinalam n\u00e3o s\u00f3 uma necessidade est\u00e9tica pessoal como tamb\u00e9m uma leitura diferente sobre a melhor maneira de a m\u00fasica tradicional portuguesa poder evoluir. Reino define mesmo como \u201cum pouco infantil\u201d e \u201cacad\u00e9mica\u201d a perspectiva do Almanaque, citando a prop\u00f3sito, de novo, a Brigada, cuja estreia em disco, \u201cEito Fora\u201d, enaltece. \u201cUm disco espectacular ao n\u00edvel de execu\u00e7\u00e3o e de t\u00e9cnica\u201d. A grava\u00e7\u00e3o, em 1984, do primeiro \u00e1lbum da Ronda encerra algumas hist\u00f3rias. V\u00edtor Reino recorda o recurso a duas pessoas naturais da sua aldeia, Monsanto, que cantam no disco. Uma delas canta em \u201cCravo roxo\u201d: \u201cEra uma senhora que depois apareceu no primeiro disco do Maio Mo\u00e7o a cantar o \u2018Quando eu era pequenino\u2019. A Maria da Encarna\u00e7\u00e3o Portugal. Cham\u00e1vamos-lhe Maria costureira, como alcunha.\u201d A outra voz feminina pertence \u201ca uma senhora muito velha, na altura com os seus oitenta e tal anos\u201d, que canta no \u201cEntrudo\u201d. No est\u00fadio, V\u00edtor Reino e os seus companheiros decidiram \u201cfazer uma brincadeira\u201d com esta \u00faltima, na verdade uma \u201ctentativa de reproduzir as brincadeiras antigas\u201d daquela \u00e9poca de folia. \u201cGrav\u00e1mos ru\u00eddos estranhos, de chocalhos, de pessoas a rir ou a fugir. Ainda me lembro da reac\u00e7\u00e3o da senhora, quando os ouviu enquanto estava a cantar.\u201d Noutro tema, numa \u201ccantiga de malha\u201d de Tr\u00e1s-os-Montes \u201cque era apenas de homens e tinha uma letra at\u00e9 um bocado \u2018vermelha\u2019, como eles dizem l\u00e1 em cima, no sentido de \u2018er\u00f3tica\u2019 e n\u00e3o pol\u00edtico\u201d, o grupo usou \u201cuma s\u00e9rie de coisas para imitar o ru\u00eddo da palha, palhas artificiais, pap\u00e9is, e com o som de pessoas a conversar, em fundo\u201d.<br \/>\n\tV\u00edtor Reino j\u00e1 n\u00e3o se recorda exactamente de quanto tempo o grupo permaneceu em est\u00fadio para a grava\u00e7\u00e3o do disco, embora tenha a certeza de que \u201cfoi um n\u00famero de sess\u00f5es elevado\u201d, ao contr\u00e1rio do que acontecera nos discos anteriores. \u201cNa altura do Almanaque, pertenc\u00edamos \u00e0 Valentim de Carvalho, davam-nos uma sess\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o quando lhes apetecia. Era muito dif\u00edcil. T\u00ednhamos de gravar depressa. Na Ronda n\u00e3o. Deram ordem para termos pelo menos umas vinte sess\u00f5es, de quatro horas cada, o que j\u00e1 permitiu uma certa calma.\u201d<br \/>\n\tNuma \u00e9poca em que os grupos desta \u00e1rea primavam pelo elevado n\u00famero de elementos, V\u00edtor Reino refere a \u201cdiminui\u00e7\u00e3o\u201d, para dez pessoas, do Almanaque para a Ronda. N\u00famero que, mesmo assim, permitia uma utiliza\u00e7\u00e3o em for\u00e7a das vozes, incluindo as de quatro mulheres. \u201cAinda se conseguia cantar uma cantiga da Beira Baixa com adufes e vozes femininas, ou seja, \u2018a vozes\u2019, algo que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer agora, nos grupos actuais, que, por raz\u00f5es econ\u00f3micas, acabaram por ter que reduzir ainda mais as suas forma\u00e7\u00f5es. Nesse tempo, na Ronda, n\u00e3o havia ainda preocupa\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas. At\u00e9 os espect\u00e1culos que faz\u00edamos n\u00e3o eram para ganhar dinheiro. No m\u00e1ximo, davam para cobrir as despesas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Grande parte do historial mais nobre da m\u00fasica portuguesa de raiz tradicional passou, nas d\u00e9cadas de 70 e 80, por V\u00edtor Reino, denominador comum dos grupos Almanaque, Ronda dos Quatro Caminhos e Maio Mo\u00e7o. Os primeiros representaram a tentativa, conseguida, de recria\u00e7\u00e3o \u2013 com um m\u00e1ximo de fidelidade e m\u00ednimo de sofistica\u00e7\u00e3o formal \u2013 da m\u00fasica coral. Os Maio Mo\u00e7o, pelo contr\u00e1rio, trabalharam no sentido de transpor o report\u00f3rio tradicional para um registo modernizado, recorrendo, inclusive, a instrumenta\u00e7\u00e3o electr\u00f3nica. Op\u00e7\u00e3o que obteve os melhores resultados em toda a primeira fase do grupo, mas que, depois, acreditamos que por imposi\u00e7\u00f5es de ordem n\u00e3o exclusivamente musicais, acabou por decair, num aligeiramento que ter\u00e1 trazido \u00e0 banda, pelo menos, alguns dividendos materiais. A Ronda foi outra coisa. Este seu primeiro trabalho rompe, a v\u00e1rios n\u00edveis, com o passado. Se a m\u00fasica coral ainda marca com for\u00e7a or arranjos, nomeadamente nas harmoniza\u00e7\u00f5es, excelentes na maneira como conseguem extrair das polifonias tradicionais toda a sua riqueza crom\u00e1tica e expressiva, \u00e9, contudo, j\u00e1 not\u00f3rio outro tipo de preocupa\u00e7\u00f5es. O trabalho de recolha, embora servindo ainda de principal base de trabalho, passa a ser objecto de polimento e encarado como ve\u00edculo para novas formas de express\u00e3o, mais contempor\u00e2neas. Com \u201cRonda dos Quatro Caminhos\u201d e, de forma ainda mais vincada, no \u00e1lbum seguinte, \u201cCantigas do Sete-Estrelo\u201d, \u00faltimo da banda onde Reino participa, a m\u00fasica tradicional portuguesa sa\u00eda do seu obscuro recanto \u2013 pasto de del\u00edcias para os puristas -, para se inserir numa comunidade universal. Um som e uma atitude mais abertas, capazes de tocar franjas de auditores de outras \u00e1reas musicais, da m\u00fasica erudita \u00e0 pop. Faixas como \u201cRomance da mineta\u201d \u2013 um marco na arte do \u201cTrad. Arr.\u201d -, com as suas colora\u00e7\u00f5es medievais e toda a for\u00e7a que o canto pode ter, ou \u201cEntrudo\u201d, em que a utiliza\u00e7\u00e3o de voz de uma idosa cantora tradicional antecipava uma est\u00e9tica de justaposi\u00e7\u00e3o de \u00e9pocas distintas \u2013 que o aparecimento dos \u201csamplers\u201d viria a democratizar, mas tamb\u00e9m a descontextualizar -, situaram a Ronda na mesma fam\u00edlia de grupos como os Malicorne, abrindo caminho a quantos no futuro, em Portugal, apostar\u00e3o em reorientar a tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nota:<br \/>\na parte a carregado pode, em<br \/>\ncaso de necessidade,<br \/>\nser cortada.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fiaNZqYTyWA?list=PLWUKr32JwM-VI_vO4TLxvtZOAAQ7wxVlL\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 22 de Fevereiro de 1995 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa Ronda dos Quatro Caminhos Ronda dos Quatro Caminhos Como foi Para V\u00edtor Reino, a estreia discogr\u00e1fica da Ronda dos Quatro Caminhos representou uma mudan\u00e7a. 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