{"id":4349,"date":"2016-01-17T10:55:15","date_gmt":"2016-01-17T17:55:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4349"},"modified":"2016-01-17T10:55:15","modified_gmt":"2016-01-17T17:55:15","slug":"nuno-canavarro-plux-quba-musica-para-setenta-serpentes-serie-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/17\/nuno-canavarro-plux-quba-musica-para-setenta-serpentes-serie-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa\/","title":{"rendered":"Nuno Canavarro &#8211; &#8220;Plux Quba-M\u00fasica para Setenta Serpentes&#8221; &#8211; S\u00e9rie: &#8220;Os Melhores De Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>15 de Fevereiro de 1995<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/p>\n<p>Nuno Canavarro<br \/>\nPlux Quba-M\u00fasica para Setenta Serpentes<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4350\" rel=\"attachment wp-att-4350\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nc-300x300.jpg\" alt=\"nc\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4350\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nc-300x301.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nc-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nc-768x771.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nc-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nc.jpg 909w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t\t\t\t\t<strong>Como foi<\/strong><\/p>\n<p>\tExemplar \u00fanico, \u201cPlux Quba \u2013 M\u00fasica para Setenta Serpentes\u201d, de Nuno Canavarro. O disco surgiu logo ap\u00f3s o m\u00fasico ter regressado da Holanda, onde esteve a estudar composi\u00e7\u00e3o. \u201cEstive l\u00e1 dois anos, no Instituto de Sonologia, na Universidade de Utrecht. Havia uma movimenta\u00e7\u00e3o incr\u00edvel, em termos de concertos, exposi\u00e7\u00f5es, m\u00fasica electro-ac\u00fastica. N\u00e3o tinha a calma, aquela concentra\u00e7\u00e3o para fazer l\u00e1 qualquer coisa. Quando cheguei, quis logo trabalhar.\u201d Antes disso, Nuno Canavarro estudou arquitectura no Porto e em Lisboa, e fez a produ\u00e7\u00e3o de um disco dos Mler Ife Dada e, mais recentemente, dos Lobo Meigo. Tocou durante algum tempo, em 1988 e 89, com os Delfins, \u201cporque precisava de fazer alguma coisa\u201d.<br \/>\n\tO material para a grava\u00e7\u00e3o de \u201cPlux Quba\u201d n\u00e3o poderia ser mais simples: \u201cUm Ensonic Mirage, um \u2018sampler\u2019 de 8 bits, dos primeiros que houve, e um gravador de oito pistas, um Fostex. Hoje, quase nem acredito como \u00e9 que consegui fazer o disco.\u201d A esta precaridade meios contrap\u00f4s Nuno Canavarro a imagina\u00e7\u00e3o na forma como tirou partido das pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas: \u201cCom o gravador de oito pistas, \u00e9 aquele sistema de uma pessoa fazer um coisa qualquer num instrumento e partir para a cria\u00e7\u00e3o de uma estrutura a partir disso. Grava-se numa pista e, depois, vai-se adicionando outras coisas. Pode, por exemplo, gravar-se uma pista e depois outras seis ou sete \u00e0 volta dela e, por fim, apagar a primeira, aquele g\u00e9nero de truques. Ou p\u00f4r coisas ao contr\u00e1rio ou gravar a velocidades diferentes. Na altura, era isso.\u201d Nuno Canavarro utilizou no \u201csampler\u201d sons pr\u00e9-gravados, \u201cembora seja dif\u00edcil ouvir no disco sons que sejam reconhecidos como de um instrumento x ou y. Era tudo altamente modificado ou ent\u00e3o gravava mel\u00f3dicas, sons de televis\u00e3o ou fitas de m\u00fasica \u00e9tnica.\u201d<br \/>\n\tO disco foi gravado no est\u00fadio caseiro, na pr\u00f3pria casa do m\u00fasico. Saiu posteriormente com o selo Ama Romanta. \u201cNessa altura, tinha aparecido um concurso de m\u00fasica, ligado ao Centro Nacional de Cultura. Dei um concerto no Instituto Franco-Portugu\u00eas, juntamente com os outros cinco projectos que tinham ido \u00e0 final, e estava l\u00e1 o Jo\u00e3o Peste a ver. Gostou imenso e convidou-me para p\u00f4r aquilo em disco.\u201d N\u00e3o houve qualquer trabalho de p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, apenas o corte a partir da fita original, gravada num gravador de bobines de duas pistas. Custos de produ\u00e7\u00e3o ou assinatura de um contrato \u201cn\u00e3o houve\u201d. Nuno Canavarro n\u00e3o sabe o n\u00famero de exemplares vendidos: \u201cO Jo\u00e3o Peste fez quinhentos, acho que era o m\u00ednimo; depois, n\u00e3o fa\u00e7o ideia.\u201d<br \/>\n\tSobre a m\u00fasica de \u201cPlux Quba\u201d, Nuno Canavarro acha que esta resultou, \u201cem parte por ter sido um trabalho totalmente isolado\u201d. \u201cO T\u00f3 Z\u00e9 Ferreira tinha viajado para a Holanda, o Nuno Rebelo tinha ido viver para Lisboa. Fechei-me no est\u00fadio a fazer aquilo\u201d, diz. \u201cPor outro lado, a pr\u00f3pria limita\u00e7\u00e3o de meios t\u00e9cnicos, neste caso, acho que funcionou a favor, porque puxou pela criatividade. Chegava a utilizar os pr\u00f3prios defeitos, a n\u00edvel de \u2018software\u2019 do sampler. Era um aparelho muito inst\u00e1vel, havia coisas bestiais que, obrigando-o a trabalhar muito, respondia de maneira um bocado imprevis\u00edvel. Era bestial para o g\u00e9nero de m\u00fasica que eu queria fazer.\u201d O t\u00edtulo, esse, permanece um enigma. \u201cFoi para tornar a coisa ainda mais esquisita.\u201d<br \/>\n\tPara j\u00e1, \u201cPlux Quba \u2013 M\u00fasica para Setenta Serpentes\u201d existe apenas em vinilo, estando neste momento esgotado e fora do mercado. Nuno Canavarro n\u00e3o sabe do paradeiro das \u201cmasters\u201d: \u201cJ\u00e1 n\u00e3o me lembro se ficou o Jo\u00e3o Peste com elas ou se fiquei eu\u201d. Enquanto n\u00e3o forem encontradas as fitas, fica afastada a possibilidade de passagem para compacto. Para Canavarro, a ideia \u201cera fazer, dentro de dois ou tr\u00eas anos, um compacto com, al\u00e9m de \u2018Plux Quba\u2019, alguma m\u00fasica que tinha feito antes, ainda mais esquisita, uma terceira parte com alguns temas do disco feito com o Carlos Maria Trindade [\u201cMr. Wollogallu\u201d] que acabaram por n\u00e3o sair\u201d. O CD teria ainda uma quarta parte, com temas novos que Nuno Canavarro mostrou, para j\u00e1, \u00e0 Ananana. \u201cTudo junto, compilado num CD de para a\u00ed setenta minutos, \u00e9 capaz de mostrar um processo engra\u00e7ado.\u201d Setenta, tantos como as serpentes.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Um daqueles discos que passou despercebido na altura em que foi gravado mas que os anos obrigam a revisitar, como se crescesse com o tempo. Nuno Canavarro fez um \u00e1lbum que tem escola. Com Jon Hassell e Brian Eno a leccionarem. \u201cPlux Quba \u2013 M\u00fasica para Setenta Serpentes\u201d pode ser definido como uma obra de m\u00fasica electr\u00f3nica acusm\u00e1tica (sons ac\u00fasticos gravados e manipulados electronicamente), entre o ambiental e exotismo \u201cnew age world\u201d que viria a ser assumido, anos mais tarde, na companhia de Carlos Maria Trindade em \u201cMr. Wollogallu\u201d \u2013 um g\u00e9nero que conta, entre os seus cultores, com o genial Steve Moore, numa obra como \u201cA Quiet Gathering\u201d, com a qual estas serpentes t\u00eam pontos de contacto. Ao contr\u00e1rio do que acontece num disco lan\u00e7ado em simult\u00e2neo com este, \u201cM\u00fasica de Baixa Fidelidade\u201d, de T\u00f3 Z\u00e9 Ferreira, companheiro de aventuras de Canavarro na aprendizagem dos m\u00e9todos e t\u00e9cnicas de composi\u00e7\u00e3o por computador, a m\u00fasica de \u201cPlux Quba\u201d evolui de forma mais intuitiva, tirando partido das pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es do \u201chardware\u201d e \u201csoftware\u201d ent\u00e3o dispon\u00edveis, jogando com o erro e o acaso, um pouco \u00e0 maneira do que fazia Eno com as suas \u201cestrat\u00e9gias obl\u00edquas\u201d. M\u00fasica org\u00e2nica, n\u00e3o sistem\u00e1tica, em constante movimento de auto-revela\u00e7\u00e3o\/oculta\u00e7\u00e3o. Nuno Canavarro jogou aqui na indefini\u00e7\u00e3o e no segredo, na escritura de s\u00edmbolos musicais e po\u00e9ticos com forte poder de sugest\u00e3o, deixando \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o do auditor a tarefa de organizar o enredo do filme, ao ponto de existirem temas sem t\u00edtulo, quadros s\u00f3nicos dispostos segundo l\u00f3gicas de cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o nomeadas. Canavarro recomenda a audi\u00e7\u00e3o \u201ccom a colunas\/monitores o mais poss\u00edvel afastadas entre si\u201d e, \u201ca baixo n\u00edvel\u201d a partir do \u00faltimo tema do primeiro lado e at\u00e9 ao fim do disco. Recomenda\u00e7\u00f5es id\u00eanticas \u00e0s de Brian Eno, em \u201cDiscreet Music\u201d. \u201cPlux Quba\u201d permanece at\u00e9 hoje um mist\u00e9rio. O tempo fez-lhe justi\u00e7a, mas n\u00e3o lhe retirou o v\u00e9u.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bllBibU5Cf4\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 15 de Fevereiro de 1995 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa Nuno Canavarro Plux Quba-M\u00fasica para Setenta Serpentes Como foi Exemplar \u00fanico, \u201cPlux Quba \u2013 M\u00fasica para Setenta Serpentes\u201d, de Nuno Canavarro. 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