{"id":4344,"date":"2016-01-16T11:28:53","date_gmt":"2016-01-16T18:28:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4344"},"modified":"2016-01-16T11:29:13","modified_gmt":"2016-01-16T18:29:13","slug":"fausto-por-este-rio-acima-serieos-melhores-de-sempre-musica-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/16\/fausto-por-este-rio-acima-serieos-melhores-de-sempre-musica-portuguesa\/","title":{"rendered":"Fausto &#8211; &#8220;Por Este Rio Acima&#8221; &#8211; S\u00e9rie:&#8221;Os Melhores De Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>8 de Fevereiro de 1995<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fausto<br \/>\nPor Este Rio Acima<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4345\" rel=\"attachment wp-att-4345\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/fausto.jpg\" alt=\"fausto\" width=\"225\" height=\"225\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4345\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/fausto.jpg 225w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/fausto-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/fausto-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t\t\t\t\t<strong>Como foi<\/strong><\/p>\n<p>\tNasceu no teatro um dos discos que marcam a hist\u00f3ria da m\u00fasica popular feita em Portugal neste s\u00e9culo. Mais concretamente no teatro de A Barraca, que h\u00e1 mais de uma d\u00fazia de anos tinha em cena a pe\u00e7a \u201cPeregrina\u00e7\u00e3o\u201d, baseada nas cr\u00f3nicas de Fern\u00e3o Mendes Pinto, as mesmas que serviriam de inspira\u00e7\u00e3o ao disco. Os autores da m\u00fasica eram Fausto e Zeca Afonso. Para J\u00falio Pereira, m\u00fasico convidado em \u201cPor Este Rio Acima\u201d e que ent\u00e3o fazia parte da companhia, \u201ca pr\u00f3pria vivacidade do disco, onde se encontra algum teatro, entre aspas, como nos coros, adv\u00e9m de a m\u00fasica j\u00e1 ter tido uma grande rodagem no grupo de teatro\u201d. Ele e Fausto costumavam encontrar-se num restaurante situado no pr\u00e9dio ao lado. \u201cEra a\u00ed que cant\u00e1vamos e toc\u00e1vamos temas que viriam a fazer parte do disco\u201d. \u201cA maioria, sen\u00e3o mesmo todos os temas da \u2018Peregrina\u00e7\u00e3o\u2019\u201d, diz J\u00falio Pereira, \u201centram no \u00e1lbum\u201d.<br \/>\n\tEm \u201cPor Este Rio Acima\u201d, J\u00falio Pereira toca segunda guitarra, braguesa e cavaquinho, instrumento no qual recentemente se notabilizara, no c\u00e9lebre \u00e1lbum com o seu nome. O convite que Fausto lhe dirigiu surgiu de forma natural. \u201cO Fausto era um fulano que se baseava muito numa r\u00edtmica \u00e0 qual eu era particularmente sens\u00edvel, ritmos feitos em caixas, ou com bombos, quer baseados no Lavacolhos ou em Tr\u00e1s-os-Montes.\u201d Al\u00e9m disso, devido \u00e0 pr\u00f3pria tem\u00e1tica da obra, \u201cmuitos temas eram baseados na parte litoral do pa\u00eds\u201d, o que implicava a utiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos dessa zona, sendo deste modo a escolha de J\u00falio Pereira a mais \u00f3bvia, uma vez que este j\u00e1 nessa altura \u201cestava ligado a instrumentos de corda, em particular os do Minho\u201d.<br \/>\n\tEduardo Paes Mamede foi o produtor e arranjador de \u201cPor Este Rio Acima\u201d. Conheceram-se no Grupo de Ac\u00e7\u00e3o Cultural (GAC) do qual fizeram ambos parte e com o qual gravaram juntos os primeiros discos do grupo. A liga\u00e7\u00e3o de ambos refor\u00e7ou-se mais tarde numa digress\u00e3o em Londres, com o percussionista Pintinhas, e, posteriormente, noutra, em Espanha, com elementos dos Trovante. Fausto tinha entretanto abandonado a editora Arnaldo Trindade, onde gravara em 1979 o \u00e1lbum \u201cHist\u00f3rias de Viajeiros\u201d e pensava lan\u00e7ar-se em novos projectos. Uma simbiose perfeita que se prolongaria por mais dois \u00e1lbuns, \u201cO Despertar dos Alquimistas\u201d e \u201cPara Al\u00e9m das Cordilheiras\u201d. \u201cEst\u00e1vamos de acordo em rela\u00e7\u00e3o a alguns conceitos sobre a evolu\u00e7\u00e3o da m\u00fasica popular portuguesa\u201d, diz Eduardo Paes Mamede, \u201cach\u00e1vamos que s\u00f3 fazia sentido se houvesse dentro da pr\u00f3pria estrutura da m\u00fasica algo que se identificasse com a nossa tradi\u00e7\u00e3o\u201d. Fausto falou-lhe em fazer um \u00e1lbum duplo. \u201cEstava apaixonad\u00edssimo por aquilo [o texto da \u201cPeregrina\u00e7\u00e3o\u201d]. Mostrou-me algumas coisas que j\u00e1 tinha. Fiquei maluco\u201d, conta o produtor.<br \/>\n\tO trabalho teve in\u00edcio. \u201cEle trazia as m\u00fasicas, que compunha na guitarra, e eu escrevia-as. Escrevia as melodias e cifrava-as com a harmonia dele. N\u00e3o tinha que trabalhar muito neste aspecto porque as can\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de a melodia ser rica eram-no igualmente em termos de harmonia. Depois discut\u00edamos passo a passo uma ideia. Sobre uma melodia ou um texto. Perspectiv\u00e1vamos os ambientes sonoros. Ele confiava perfeitamente em mim.\u201d<br \/>\n\tUma confian\u00e7a que de resto se manifestou na inteira liberdade concedida a Eduardo Paes Mamede na elabora\u00e7\u00e3o dos arranjos. \u201cEle n\u00e3o sabia. Podia dizer-lhe: vou meter aqui umas trompas, ou uma percuss\u00e3o, podia fazer um desenho ou cantarolar, mas \u00e9 evidente que ele n\u00e3o podia ouvir. N\u00e3o t\u00ednhamos ainda na altura os instrumentos que temos hoje, como os samplers. Era um trabalho de grande confian\u00e7a.\u201d<br \/>\n\tDemorou cerca de um m\u00eas em est\u00fadio, \u201cquase um recorde\u201d, a fazer \u201cPor Este Rio Acima\u201d. \u201cNunca houve nada feito de afogadilho. Planeei bastante bem o disco e os tempos de est\u00fadio, al\u00e9m de que o Fausto tamb\u00e9m \u00e9 bastante met\u00f3dico.\u201d Apenas as vozes custaram mais a gravar. \u201cO tempo de meter as vozes tem de ser mais liberal porque exige um certo estado de esp\u00edrito. At\u00e9 porque, para os cantores, a altura de p\u00f4r a voz \u00e9 uma coisa definitiva, que fica para sempre. \u00c9 preciso ter muito cuidado.\u201d<br \/>\n\tEmbora reconhecendo que logo na altura teve consci\u00eancia de que \u201cPor Este Rio Acima\u201d \u201cera um disco que ficaria para sempre na nossa m\u00fasica\u201d, Eduardo Paes Mamede lamenta que a produ\u00e7\u00e3o tivesse sido \u201cbaix\u00edssima\u201d. \u201cPensava fazer o disco com uma orquestra, mas s\u00f3 houve dinheiro para um quarteto de cordas mais uns sopros. Nomeadamente na parte da minha responsabilidade, h\u00e1 certas faixas que precisavam mesmo de uma orquestra, com mais cordas. Por exemplo, a \u00faltima, \u2018Quando \u00e0s vezes ponho diante dos olhos\u2019, necessitava de uma orquestra, pelo menos com uns doze instrumentistas. Infelizmente o dinheiro n\u00e3o chegou. At\u00e9 porque entrou muita gente, entre a qual alguns m\u00fasicos mais caros, com \u2018cachet\u2019 mais alto, como o Pedro Caldeira Cabral e o J\u00falio Pereira. S\u00f3 mais tarde, no disco seguinte, \u00e9 que a CBS me deu uma orquestra.\u201d<br \/>\n\tEduardo Paes Mamede conta ainda um epis\u00f3dio curioso ocorrido durante a grava\u00e7\u00e3o do tema \u201cO romance de Diogo Soares\u201d, \u201cuma can\u00e7\u00e3o muito bonita, circular, sem grandes p\u00f3los e com muito texto, que n\u00e3o foi tocada muitas vezes na estrada porque o Fausto se esquecia geralmente da letra\u201d. \u201cPara esta can\u00e7\u00e3o\u201d, conta, \u201cfui buscar umas raparigas do nosso grupo, o GAC, s\u00f3 que na altura eram todas vozes baixas, contraltos e meio-tenores e o Fausto queria cantar noutro tom, melhor para ele, um bocadinho agudo de mais para elas. Como n\u00e3o conseguimos chegar a uma afina\u00e7\u00e3o justa, resolvemos utilizar o truque de baixar as vozes meio tom no gravador. O que alterou um bocadinho o timbre. Deu um efeito engra\u00e7ado mas n\u00e3o apreciam as vozes delas. Ficou registado na ficha como o \u2018coro dos meninos do meio tom\u2019\u201d.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Sobre esta obra h\u00e1 quem diga que saiu antes de tempo. Que o seu autor nunca conseguir\u00e1 vencer o estigma de ter feito um disco perfeito, como se isso fosse uma maldi\u00e7\u00e3o e Fausto estivesse condenado a que tudo o que fez depois fosse sujeito a uma compara\u00e7\u00e3o impiedosa. Que \u00e9 um marco da hist\u00f3ria da m\u00fasica popular portuguesa. Tudo isto \u00e9 verdade e bom seria que o seu autor, em vez de contemplar os feitos do passado, optasse pela ruptura e arriscasse novas partidas. Porque \u201cPor Este Rio Acima\u201d \u00e9 um objecto \u00fanico e irrepet\u00edvel. Raramente tantos factores positivos se conjugaram de maneira a resultar num \u00e1lbum onde \u00e9 imposs\u00edvel detectar falhas. Tudo nele bate certo. Em primeiro lugar, o \u00e1lbum faz a s\u00edntese coerente da m\u00fasica tradicional portuguesa com a modernidade. \u201cPor Este Rio Acima\u201d constr\u00f3i-se, nos temas mais balanceados, sobre as funda\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas das chulas, do corridinho, at\u00e9 do fado. E sobre outros ch\u00e3os onde Portugal deixou sementes, em \u00c1frica, no Oriente, no Brasil. Mas o que se ouve \u00e9 algo de original que se projecta no futuro e numa atitude puro experimentalismo, no sentido de pesquisa de novas formas e sonoridades. Depois \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria viva, na maneira como Fausto transformou a \u201cPeregrina\u00e7\u00e3o\u201d de Fern\u00e3o Mendes Pinto em qualquer coisa que toca de perto e com muita for\u00e7a na sociedade portuguesa actual. H\u00e1 a aventura mas tamb\u00e9m a mis\u00e9ria. O tom \u00e9pico e a farsa. O sonho e a mordacidade cr\u00edtica. \u201cPor Este Rio Acima\u201d \u00e9 uma viagem pelos mares, mas tamb\u00e9m, como se diz no disco, por cima dos pensamentos\u201d. Saga her\u00f3ica onde a vis\u00e3o interior serve de b\u00fassola, como mostra a bela ilustra\u00e7\u00e3o da capa. \u00c9 um disco imbu\u00eddo de felicidade, onde tudo encaixa de maneira natural, fruto, em parte, da rodagem anterior \u00e0 grava\u00e7\u00e3o e do extremo cuidado posto nos aspectos t\u00e9cnicos. E se hoje a maior parte das pessoas trauteia as melodias irresist\u00edveis de \u201cO barco vai de sa\u00edda\u201d e \u201cNavegar, navegar\u201d, a verdade \u00e9 que s\u00e3o os temas mais lentos, como o psicadelismo oriental de \u201cPorque n\u00e3o me v\u00eas\u201d, a dor solit\u00e1ria de \u201cO que a vida me deu\u201d ou a antol\u00f3gica cena de \u201cinteriores\u201d que \u00e9 \u201cComo um sonho acordado\u201d, que deixam marcas mais profundas. Um \u00e1lbum de infinitas descobertas.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mKGuQyxaXuo\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 8 de Fevereiro de 1995 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa Fausto Por Este Rio Acima Como foi Nasceu no teatro um dos discos que marcam a hist\u00f3ria da m\u00fasica popular feita em Portugal neste s\u00e9culo. 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