{"id":4341,"date":"2016-01-15T11:52:26","date_gmt":"2016-01-15T18:52:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4341"},"modified":"2016-01-15T11:52:26","modified_gmt":"2016-01-15T18:52:26","slug":"banda-do-casaco-coisas-do-arco-da-velha-serie-de-artigos-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/15\/banda-do-casaco-coisas-do-arco-da-velha-serie-de-artigos-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa\/","title":{"rendered":"Banda Do Casaco &#8211; &#8220;Coisas Do Arco Da Velha&#8221; &#8211; s\u00e9rie de artigos &#8220;Os Melhores De Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>18 de Janeiro de 1995<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Banda do Casaco<br \/>\nCoisas do Arco da Velha<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4342\" rel=\"attachment wp-att-4342\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/bdc-300x300.jpg\" alt=\"bdc\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4342\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/bdc-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/bdc-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/bdc-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/bdc.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t\t\t\t\t<strong>Como foi<\/strong><\/p>\n<p>\tEm plena euforia do p\u00f3s-25 de Abril e dos chamados cantores de interven\u00e7\u00e3o, um grupo com o estranho nome de Banda do Casaco lan\u00e7ava em 1976 uma obra inclassific\u00e1vel, com o t\u00edtulo, talvez um pouco \u201cd\u00e9mod\u00e9\u201d, sem d\u00favida bastante pouco \u201cengag\u00e9\u201d, \u201cCoisas do Arco da Velha\u201d. Nuno Rodrigues, autor das m\u00fasicas, e Ant\u00f3nio Pinho, autor dos textos, foram desde sempre considerados a dupla de c\u00e9rebros que deu vida ao projecto.<br \/>\n\tCelso de Carvalho, violoncelista, desmistifica por\u00e9m a opini\u00e3o corrente a apresenta a sua vers\u00e3o pessoal sobre os detentores do poder no seio do grupo (foi-nos imposs\u00edvel contactar tanto Nuno Rodrigues como Ant\u00f3nio Pinho). Segundo ele, passados 20 anos, \u201co que ressalta \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o exuberante do Armindo Neves, na guitarra, e a inova\u00e7\u00e3o de um violoncelo electrificado com pedal \u2018wah-wah\u2019, coisa que nunca tinha acontecido\u201d. Acha que \u201c20 anos n\u00e3o dilu\u00edram a ousadia que havia no disco\u201d, ao mesmo tempo que salienta \u201cos textos do Ant\u00f3nio Pinho, que atingiam o supra-sumo do trocadilho, apesar de seguirem sempre uma certa tradi\u00e7\u00e3o etnogr\u00e1fica\u201d. Celso de Carvalho recorda uma ocasi\u00e3o em que \u201couviu uma miudinha de sete anos cantar a \u2018Cantiga d\u2019embalar avozinhas\u2019\u201d, o que o fez ficar \u201csimultaneamente perturbado e feliz, por sentir que a Banda do Casaco atingira uma certa imortalidade\u201d.<br \/>\n\t\u201cCoisas do Arco da Velha\u201d apresentou uma forma\u00e7\u00e3o diferente da do anterior \u201cDo Benef\u00edcio dos Vendidos no Reino dos Bonif\u00e1cios\u201d. Na ficha t\u00e9cnica figura o nome de C\u00e2ndida Soares, que hoje as pessoas conhecem como C\u00e2ndida Branca-Flor, apelido art\u00edstico que a cantora aproveitou do t\u00edtulo do tradicional algarvio \u201cRomance da Branca-Flor\u201d. \u201cNa altura ela, v\u00e1 l\u00e1, n\u00e3o era bem \u2018groupie\u2019, mas fazia parte de um grupo de amigos que acompanhavam n\u00e3o s\u00f3 a Banda do Casaco como o Plexus, que nessa \u00e9poca trabalhava no bar Luisiana, em Cascais. N\u00e3o sei como, algu\u00e9m percebeu que tinha uma voz engra\u00e7ada.\u201d Entretanto Carlos Z\u00edngaro sa\u00edra, sendo substitu\u00eddo no violino por Mena Amaro, a convite de Nuno Rodrigues.<br \/>\n\tSe \u00e9 verdade que o \u00e1lbum demonstra uma harmonia e um equil\u00edbrio musicais not\u00e1veis, o facto \u00e9 que, segundo Celso de Carvalho, o ambiente que ent\u00e3o reinava n\u00e3o era o melhor. \u201cAs pessoas, devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es na forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se conheciam ainda bem e da\u00ed resultaram algumas fric\u00e7\u00f5es, sobretudo ao n\u00edvel musical.\u201d \u201cO problema maior\u201d era, para o violoncelista, \u201csobretudo o Pinho e o Nuno Rodrigues serem as cabe\u00e7as reinantes. Eram eles que tinham sempre a \u00faltima palavra, em qualquer tipo de decis\u00f5es. Nas capas vinha \u2018arranjos colectivos\u2019, o que era uma grande treta\u201d.<br \/>\n\tEsta situa\u00e7\u00e3o ter\u00e1 provocado alguns casos menos agrad\u00e1veis. De acordo com o m\u00fasico, \u201ctodos os que participaram desde sempre no projecto deveriam ter tido uma remunera\u00e7\u00e3o, isto em termos materiais, e um reconhecimento muito diferente do que tiveram. Houve sempre uma grande carolice, tudo muito na base do amor \u00e0 arte, mas a verdade \u00e9 que, vendo as coisas com distanciamento, fomos enrolados com aquela do \u2018eh p\u00e1, n\u00e3o h\u00e1 muitas garantias, n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es, v\u00e3os fazendo e tal, tudo bem\u2026\u201d<br \/>\n\tE continua: \u201cO pr\u00f3prio Jos\u00e9 Fortes [engenheiro de som], enquanto no primeiro disco foi de uma entrega total, de uma comunh\u00e3o de ideias absoluta, neste disco j\u00e1 estava menos paciente, por causa das questi\u00fanculas que havia, das tricas entre uns e outros. Havia mau ambiente. O Pinho tamb\u00e9m se tinha chateado com o Z\u00edngaro.\u201d A realidade \u00e9 que as tens\u00f5es existentes no seio do grupo \u2013 \u201cquest\u00f5es que o p\u00fablico n\u00e3o sabe a ainda bem\u201d \u2013 n\u00e3o transpareceram para a m\u00fasica, algo que Celso de Carvalho reconhece. Embora acrescente que, \u201ca partir da\u00ed, quando se come\u00e7aram a misturar outros problemas de ordem pessoal, a coisa j\u00e1 n\u00e3o fosse t\u00e3o boa\u201d.<br \/>\n\tCelso afirma que nessa altura chamava ao grupo \u201cBanda do Farrapo\u201d, \u201ctal era o ambiente que se vivia\u201d. E prossegue: \u201cO Pinho e o Nuno, muitas vezes, tomavam atitudes absolutamente precipitadas e desp\u00f3ticas. Uma vez pediram ao Mike Sargeant para fazer uma orquestra\u00e7\u00e3o para uma das m\u00fasicas, que n\u00e3o era absolutamente necess\u00e1ria. Para que \u00e9 que era preciso chamar uma pessoa de fora, que fazia aquele tipo de m\u00fasica ligeira que toda a gente sabe e que n\u00e3o tinha nada a ver com o resto de grupo? Depois entravam em choque com o resto do pessoal. J\u00e1 t\u00ednhamos ensaiado de outra maneira, era preciso remodelar tudo para ficar como os outros queriam.\u201d Atribula\u00e7\u00f5es de uma banda diferente de todas as outras. Talvez por isso a sua m\u00fasica, e em particular a de \u201cCoisas do Arco da Velha\u201d, seja diferente de todas as outras.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Sempre na contracorrente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tend\u00eancias dominantes no meio musical portugu\u00eas, a Banda do Casaco criou para si uma est\u00e9tica \u00e0 margem. Em plena \u00e9poca do PREC, da explos\u00e3o das ideologias de esquerda e do regresso festico dos cantores da resist\u00eancia, Nuno Rodrigues e Ant\u00f3nio Pinho, principais mentores e estrategos do projecto, assumiram um movimento contr\u00e1rio, apontando no presente as li\u00e7\u00f5es da tradi\u00e7\u00e3o e enunciando para a m\u00fasica popular portuguesa uma modernidade sem profetas nem bandeiras. Com antecedentes na estreia \u201cDO Benef\u00edcio dos Vendidos no Reino dos Bonif\u00e1cios\u201d ou, mais atr\u00e1s, no radical sarcasmo da Filarm\u00f3nica Faude (como \u00e9 o caso de \u201cA mulher do regedor\u201d), \u201cCoisas do Arco da Velha\u201d logrou atingir o equil\u00edbrio perfeito entre as duas escritas. Uma, a dos textos de Ant\u00f3nio Pinho, saborosos exerc\u00edcios onde cabiam ao mesmo tempo a veia sat\u00edrica, herdada das antigas can\u00e7\u00f5es de esc\u00e1rnio e maldizer, e a musicalidade dos jogos fon\u00e9ticos. A esta riqueza dos textos justap\u00f4s Nuno Rodrigues uma est\u00e9tica sonora de orienta\u00e7\u00e3o mais difusa, assente numa ambiguidade por vezes provocat\u00f3ria e, n\u00e3o poucas vezes, no paradoxo. Escutem-se neste particular a solenidade lit\u00fargica do \u00f3rg\u00e3o em \u201cVirgolino faz o pino\u201d, a baralhar as acrobacias do texto, ou a utiliza\u00e7\u00e3o de um registo orquestral na can\u00e7\u00e3o de embalar transmontana que encerra o disco, solu\u00e7\u00e3o na apar\u00eancia despropositada para um texto onde o significado das palavras se reduz \u00e0 sua express\u00e3o mais simples. Em \u201cCoisas do Arco da Velha\u201d sente-se a pulsa\u00e7\u00e3o sincronizada de dois tempos, o que permitiu \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o musical portuguesa enquadrar-se em novas formas de fazer e de dizer. Nas harmonias vocais riqu\u00edssimas, no aproveitamento inovador das percuss\u00f5es rurais, na utiliza\u00e7\u00e3o pioneira de um violoncelo electrificado, por Celso de Carvalho, ou na revela\u00e7\u00e3o de um grande guitarrista que injustamente caiu no esquecimento, Armindo Neves. \u201cCanto de amor e trabalho\u201d e \u201c\u00c9 triste n\u00e3o saber ler\u201d s\u00e3o magistrais paradigmas de uma outra MPP, elaborada na compreens\u00e3o de que a evolu\u00e7\u00e3o e a for\u00e7a de um protesto t\u00eam ra\u00edzes mais fundas do que as de um manifesto ou um punho erguido. Um disco sem idade.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/btuX1hUGgNg\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 18 de Janeiro de 1995 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa Banda do Casaco Coisas do Arco da Velha Como foi Em plena euforia do p\u00f3s-25 de Abril e dos chamados cantores de interven\u00e7\u00e3o, um grupo com o estranho nome de Banda do Casaco lan\u00e7ava em 1976 uma obra inclassific\u00e1vel, com o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1155,1162,179,229,44,24,16,10,68],"tags":[1090],"class_list":["post-4341","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1995","category-criticas-1995","category-etno","category-mpp","category-pop","category-portugueses","category-progressivo","category-rock","category-world","tag-banda-do-casaco"],"views":2215,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4341"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4341\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4343,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4341\/revisions\/4343"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}