{"id":4335,"date":"2016-01-12T14:16:53","date_gmt":"2016-01-12T21:16:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4335"},"modified":"2016-01-12T14:16:53","modified_gmt":"2016-01-12T21:16:53","slug":"tocar-de-cruz-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/12\/tocar-de-cruz-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Tocar De Cruz &#8211; Artigo De Opini\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>8 de Novembro de 1995<br \/>\nOpinar<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>TOCAR DE CRUZ<strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4336\" rel=\"attachment wp-att-4336\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/m.jpg\" alt=\"m\" width=\"273\" height=\"184\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4336\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/m.jpg 273w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/m-100x67.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 273px) 100vw, 273px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t Portugal assistiu nos \u00faltimos anos ao aparecimento de duas correntes musicais, opostas e complementares, que se autonomizaram e fizeram escola. A primeira nasceu das teoriza\u00e7\u00f5es de Pedro Ayres Magalh\u00e3es e ganhou corpo nos Madredeus. A segunda tem nos Sitiados o seu mais popular e aguerrido paradigma. Caracterizam-se ambas por um nacionalismo intr\u00ednseco, na medida em que veiculam e reproduzem valores tipicamente portugueses.<br \/>\n\tOs primeiros propagandeiam o fado, a saudade, o quinto imp\u00e9rio coberto por um sud\u00e1rio. S\u00e3o elitistas. Os segundos defendem ideais mais prosaicos e fazem a apologia do arraial, dos copos e do futebol. S\u00e3o populistas. Enquanto os Madredeus faziam a banda-sonora da Lisboa existencial observada atrav\u00e9s de c\u00e2mara de Wim Wenders, os Sitiados chamavam nomes \u00e0 sogra e cobriam de rid\u00edculo a figura de Cavaco. Os Madredeus est\u00e3o crucificados num violoncelo. Os Sitiados dan\u00e7am ao som de um acorde\u00e3o.<br \/>\n\tEstaria tudo conforme e na paz dos anjos se o que na origem se afirmou como o exerc\u00edcio saud\u00e1vel de duas alternativas originais no panorama pop portugu\u00eas n\u00e3o se tivesse transformado num pretexto para o conformismo e a estagna\u00e7\u00e3o. Tanto os Madredeus como os Sitiados inventaram (?) e exploraram um conceito. Seria absurdo critic\u00e1-los por isso. O problema surge quando os disc\u00edpulos ou, pior, os imitadores saem das tocas e p\u00f5em o nariz no ar a ver para que lado sopra o vento.<br \/>\n\tE assim cheg\u00e1mos, n\u00e3o ao quinto imp\u00e9rio, mas ao quintal; n\u00e3o \u00e0 grande festa popular, mas ao estado de s\u00edtio. S\u00e3o os filhos de Deus, os primos de Deus, os sobrinhos de Deus, os enteados de Deus, que se vestem de negro e arvoram a pose fatalista de um Portugal que se esgota entre os caf\u00e9s de Alc\u00e2ntara e o Bairro Alto, de um lado. S\u00e3o a chusma do palavr\u00e3o e da pilh\u00e9ria bo\u00e7al, uma excita\u00e7\u00e3o, aos encontr\u00f5es no baile pind\u00e9rico do provincianismo que cabe no Centro Comercial do Martim Moniz, do outro.<br \/>\n\tNo meio destes dois loda\u00e7ais sufoca-se. Entre dois estere\u00f3tipos do \u201cser portuga\u201d, a m\u00fasica portuguesa corre o risco de cegueira e da asfixia. O nosso fado tem sido desde sempre o de deitar tudo a perder, quando se tem o tesouro e o poder nas m\u00e3os. Seria tr\u00e1gico que os novos m\u00fasicos portugueses se deixassem iludir pelo brilho da fancaria e baixassem o cacha\u00e7o ao afago dos falsos profetas. Chega de \u201cfado\u201d e de pimba!<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SzHHsbJ_LyM\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 8 de Novembro de 1995 Opinar TOCAR DE CRUZ Portugal assistiu nos \u00faltimos anos ao aparecimento de duas correntes musicais, opostas e complementares, que se autonomizaram e fizeram escola. A primeira nasceu das teoriza\u00e7\u00f5es de Pedro Ayres Magalh\u00e3es e ganhou corpo nos Madredeus. 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