{"id":4328,"date":"2016-01-07T08:43:34","date_gmt":"2016-01-07T15:43:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4328"},"modified":"2016-01-07T08:43:34","modified_gmt":"2016-01-07T15:43:34","slug":"maio-maduro-maio-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/07\/maio-maduro-maio-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Maio Maduro Maio &#8211; Artigo de Opini\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>7 de Junho de 1995<\/p>\n<p><strong>Os CINCO mais maduros de Maio<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4329\" rel=\"attachment wp-att-4329\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mmm-300x293.jpg\" alt=\"mmm\" width=\"300\" height=\"293\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4329\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mmm-300x293.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mmm-100x98.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mmm.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Em \u201cMaio Maduro Maio\u201d, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, Am\u00e9lia Muge e Jo\u00e3o Afonso, na companhia instrumental de Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Martins e Rui J\u00fanior, assinam a mais bela homenagem de sempre \u00e0 m\u00fasica de Jos\u00e9 Afonso. Vinte e cinco can\u00e7\u00f5es, entre as quais dois in\u00e9ditos e um tema de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, d\u00e3o corpo a uma vis\u00e3o simultaneamente pr\u00f3xima e distanciada da obra do autor de \u201cCantigas do Maio\u201d. Pr\u00f3xima pelos elos, art\u00edsticos, pessoais ou mesmo familiares, que unem Jos\u00e9 Afonso a cada um dos m\u00fasicos participantes. Distanciada porque l\u00facida e permeada de um esp\u00edrito de aventura que acrescenta outros dizeres \u00e0s palavras e notas do mestre.<br \/>\nFeita a recens\u00e3o das vinte e duas can\u00e7\u00f5es que se encontram espalhadas pela discografia do homenageado, fizemos estat\u00edstica, obtendo os seguintes resultados: \u201cFura Fura\u201d, de 1979, \u00e9 o \u00e1lbum que contribui com o maior n\u00famero de can\u00e7\u00f5es, quatro. Seguem-se \u201cVenham Mais Cinco\u201d (1973), \u201cCoro dos Tribunais\u201d (1974) e \u201cComo se Fora seu Filho\u201d (1983), todos com tr\u00eas can\u00e7\u00f5es, embora ao primeiro falta o t\u00edtulo-tema, que faz parte do espect\u00e1culo mas foi omitido no disco, por raz\u00f5es t\u00e9cnicas. \u201cCantares do Andarilho\u201d (1968) e \u201cContos Velhos, Rumos Novos\u201d (1969) figuram com duas can\u00e7\u00f5es cada. Com apenas uma can\u00e7\u00e3o escolhida est\u00e3o \u201cBaladas e Can\u00e7\u00f5es\u201d (1967), \u201cCantigas do Maio\u201d (1971), \u201cEnquanto H\u00e1 For\u00e7a\u201d (1978) e \u201cGalinhas do Mato\u201d (1985). Ou seja, n\u00e3o entram nesta lista \u201cTraz Outro Amigo Tamb\u00e9m\u201d (1970), \u201cEu Vou Ser como a Toupeira\u201d (1976) e \u201cFados de Coimbra\u201d (1981).<br \/>\nConclu\u00eddas as opera\u00e7\u00f5es de contabilidade, pedimos a Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, Am\u00e9lia Muge e Jo\u00e3o Afonso que fizessem a sua escolha individual, acompanhada dos respectivos coment\u00e1rios. Os resultados deram \u201cFura Fura\u201d e \u201cCantigas do Maio \u201c consensuais. \u201cCoro dos Tribunais\u201d (J.M.B. e A.M.) e \u201cComo se Fora seu Filho\u201d (J.A. e A.M.) receberam, cada um, duas cita\u00e7\u00f5es. Por fim, as escolhas mais personalizadas revelaram que \u201cVenham Mais Cinco\u201d est\u00e1 na frente das prefer\u00eancias de Jo\u00e3o Afonso, \u201cCantares do Andarilho\u201d \u00e9 um dos preferidos de Am\u00e9lia Muge, tendo Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco optado por \u201cGalinhas do Mato\u201d, em segunda escolha, uma vez que a primeira, \u201cFados de Coimbra\u201d, n\u00e3o contou, por n\u00e3o figurar na lista de \u201cMaio Maduro Maio\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFura Fura\u201d<br \/>\nJos\u00e9 M\u00e1rio Branco: \u00c9 o disco mais bonito do Zeca, o que mais me encheu as medidas em termos de riqueza mel\u00f3dica, po\u00e9tica e harm\u00f3nica. Com um trabalho espantoso do J\u00falio Pereira, com um bom-gosto incr\u00edvel nos arranjos. Foi o grande salto em frente do J\u00falio, o contacto com o Zeca. Um disco que n\u00e3o me canso de ouvir. Uma can\u00e7\u00e3o: \u201cDe sal de linguagem feita\u201d.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Am\u00e9lia Muge: Pondo o mesmo entusiasmo que o Jos\u00e9 M\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho do J\u00falio, \u00e9 o disco onde se sente mais aquele fervilhar da can\u00e7\u00e3o tradicional, de terreiro. \u201cFura Fura\u201d \u00e9 um disco de terreiro e de taberna. Onde o Zeca mais faz aquilo que considero muito importante em termos de tradi\u00e7\u00e3o, que \u00e9 repegar nas coisas populares e acrescentar-lhes versos ou fazer m\u00fasicas a partir de versos populares. \u00c9 tamb\u00e9m um disco de teatro baseado nas \u201cGuerras do Alecrim e da Manjerona\u201d e no \u201cZ\u00e9 do Telhado\u201d. Esse lado est\u00e1 muito vivo.<br \/>\nUma can\u00e7\u00e3o: \u201cSenhora que o velho\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Afonso: Excelente trabalho do J\u00falio Pereira. Tem m\u00fasicas meio surrealistas, como \u201cDe n\u00e3o saber o que me espera\u201d, uma grande vis\u00e3o sobre a vida.<br \/>\nUma can\u00e7\u00e3o: \u201cDe n\u00e3o saber o que me espera\u201d.<\/p>\n<p>\u201cCantigas do Maio\u201d<br \/>\nJos\u00e9 M\u00e1rio Branco: Disco hist\u00f3rico. Mas h\u00e1 raz\u00f5es muito pessoais para esta escolha, al\u00e9m de raz\u00f5es que t\u00eam a ver com a Hist\u00f3ria do meu pa\u00eds. Foi a primeira vez que pude trabalhar com o Zeca a s\u00e9rio, que descobri a riqueza incr\u00edvel que est\u00e1 debaixo dos temas dele. N\u00e3o me \u00e9 poss\u00edvel separar este disco do que eu vivi a faz\u00ea-lo. Algo de empolgante e importante para a minha vida toda.<br \/>\nUma can\u00e7\u00e3o: \u201cCantar alentejano\u201d.<\/p>\n<p>Am\u00e9lia Muge: Tem uma coisa espantosa que \u00e9 logo o seu come\u00e7o, em que come\u00e7a e n\u00e3o come\u00e7a. Mesmo se n\u00e3o fosse preciso mais nada, h\u00e1 ali uma enorme li\u00e7\u00e3o que tem a ver com as marcas de um trabalho e que mostra que um disco \u00e9 algo mais do que uma s\u00famula de can\u00e7\u00f5es. Por outro lado, j\u00e1 para n\u00e3o falar nos arranjos do Z\u00e9 M\u00e1rio, &#8211; um dos seus trabalhos mais extraordin\u00e1rios a esse n\u00edvel -, \u00e9 um disco onde o lado feminino do Zeca (espero que as pessoas n\u00e3o me interpretem mal) est\u00e1 mais patente. H\u00e1 um lado masculino e um lado feminino que est\u00e3o em n\u00f3s. Ele soube t\u00e3o bem mostrar isso, em \u201cMulher da erva\u201d, \u201cCantar alentejano\u201d, at\u00e9 mesmo em \u201cAs filhas do maraj\u00e1, com patilhas de beber o ch\u00e1\u201d, onde h\u00e1 um lado muito feminino, ligado ao pr\u00f3prio m\u00eas de Maio. H\u00e1 um lado comovente, sem ser lamechas, que tem muito a ver com a intui\u00e7\u00e3o feminina.<br \/>\nUma can\u00e7\u00e3o: \u201cMulher da erva\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Afonso: Destaco a direc\u00e7\u00e3o do Z\u00e9 M\u00e1rio, o surrealismo de \u201cRonda das mafarricas\u201d, do Ant\u00f3nio Quadros, a maravilha que \u00e9 \u201cMulher da erva\u201d. Um disco de arrepiar, com uma imagin\u00e1rio riqu\u00edssimo. \u00c9 uma fantasia.<br \/>\nUma can\u00e7\u00e3o: \u201cMulher da erva\u201d.<\/p>\n<p>\u201cGalinhas do Mato\u201d<br \/>\nJos\u00e9 M\u00e1rio Branco: Aqui \u00e9 de destacar mais a genialidade do Zeca como autor-compositor. Como se sabe, \u00e9 um disco em que o Zeca praticamente j\u00e1 n\u00e3o canta, o pouco que aparece cantado por ele s\u00e3o restos do disco anterior. O Zeca interv\u00e9m como autor-compositor e como produtor musical. Aten\u00e7\u00e3o \u2013 ele est\u00e1 presente em todos os momentos deste trabalho, no est\u00fadio, a fazer a direc\u00e7\u00e3o dos cantores e dos m\u00fasicos. Tem temas geniais.<br \/>\nUma can\u00e7\u00e3o: \u201cBenditos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cCantares do Andarilho\u201d<br \/>\nAm\u00e9lia Muge: Um disco onde o Zeca est\u00e1 sozinho com a sua viola e o seu \u201cpathos\u201d. Um disco das origens. Tem uma ideia de come\u00e7o mas ao mesmo tempo tamb\u00e9m de um Zeca despojado de tudo o resto, de tal maneira caseiro que quase tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que se tocassem \u00e0 porta ele deixava de cantar.<br \/>\nUma can\u00e7\u00e3o: \u201cCantares do andarilho\u201d.<\/p>\n<p>\u201cVenham Mais Cinco\u201d<br \/>\nJo\u00e3o Afonso: N\u00e3o podia deixar de escolher este, por causa do \u201cRedondo voc\u00e1bulo\u201d, de facto uma aut\u00eantica pintura, uma m\u00fasica surreal. Gosto muito das letras meio estranhas e dif\u00edceis de entender. Tanto em \u201cVenham mais Cinco\u201d como em \u201cCoro dos Tribunais\u201d, o Zeca conseguiu colher influ\u00eancias africanas, embora meio \u201cajazzeadas\u201d. Mas n\u00e3o as assumia em bruto, por exemplo n\u00e3o cantava como um negro. Transformava essas influ\u00eancias, personalizava-as. Quando n\u00e3o era moda a m\u00fasica africana na Europa, o Zeca apareceu com \u201cL\u00e1 no Xepangara\u201d e \u201cAil\u00e9, ail\u00e9\u201d\u2026<\/p>\n<p>\u201cCoro dos Tribunais\u201d<br \/>\nAm\u00e9lia Muge: \u2026 \u00c9 importante falar do \u201cCoro dos Tribunais\u201d. \u00c9 o primeiro disco que sai depois do 25 de Abril. A sensa\u00e7\u00e3o que tenho \u00e9 que daqui a dez anos vou ter raz\u00f5es se calhar ainda mais fortes para gostar dele. \u00c9 o disco em que assume particular import\u00e2ncia a ideia de express\u00e3o, do direito \u00e0 palavra, e de toda a responsabilidade que isso implica em termos de julgamento. S\u00e3o as duas grandes correntes do disco: a quest\u00e3o do julgamento, ligada \u00e0 liberdade e ao direito \u00e0 palavra, e a pr\u00f3pria ideia de anima\u00e7\u00e3o, com \u201cO que faz falta\u201d ou \u201cO brado da terra\u201d. Um disco ainda por descobrir. Por essa carga toda e por ser tamb\u00e9m um disco ligado ao Fausto, que aqui cria ritmos a ambi\u00eancias fabulosas.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/E-e_V2mw7ps\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 7 de Junho de 1995 Os CINCO mais maduros de Maio Em \u201cMaio Maduro Maio\u201d, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, Am\u00e9lia Muge e Jo\u00e3o Afonso, na companhia instrumental de Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Martins e Rui J\u00fanior, assinam a mais bela homenagem de sempre \u00e0 m\u00fasica de Jos\u00e9 Afonso. 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