{"id":4319,"date":"2016-01-05T08:34:54","date_gmt":"2016-01-05T15:34:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4319"},"modified":"2016-01-05T08:34:54","modified_gmt":"2016-01-05T15:34:54","slug":"vitor-rua-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/05\/vitor-rua-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"V\u00edtor Rua &#8211; Artigo de Opini\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>POP ROCK<\/p>\n<p>29 de Mar\u00e7o de 1995<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>VERSIFERO REZENTAL E OS RECHINOS*<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4323\" rel=\"attachment wp-att-4323\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/vr-300x225.jpg\" alt=\"vr\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4323\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/vr-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/vr-100x75.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/vr.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>O humor e as estrat\u00e9gias do acaso desempenham pap\u00e9is importantes no mais recente projecto musical de V\u00edtor Rua, os Ressoadores, dos quais acabou de ser lan\u00e7ado, com selo Ananana, o CD \u201cScratch\u201d. Os Ressoadores s\u00e3o alunos de um semin\u00e1rio de guitarra, leccionado pelo m\u00fasico dos Telectu, que no ano passado deu origem a um espect\u00e1culo ao vivo. \u201cDesta vez, al\u00e9m das quinze pessoas que participaram no semin\u00e1rio, reuni os convidados Paulo Eno, Ant\u00f3nio Duarte e Fernando Guiomar\u201d, diz Rua, referindo-se \u00e0 grava\u00e7\u00e3o, objectivo principal desta segunda fase do projecto.<br \/>\n\tPouco vulgar \u00e9 o m\u00ednimo que se poder\u00e1 dizer dos m\u00e9todos utilizados para a feitura de \u201cScratch\u201d, cuja direc\u00e7\u00e3o est\u00e9tica \u00e9 da inteira responsabilidade de Rua. Os t\u00edtulos, por exemplo, foram escolhidos por Jorge Lima Barreto, que retirou ao acaso de um dicion\u00e1rio palavras com iniciais iguais \u00e0s dos nomes dos v\u00e1rios participantes. Assim, o tema tocado por Jos\u00e9 Guilherme chama-se \u201cJ\u00fapiter genitor\u201d e o de Nuno Silva, \u201cNebelina sociauxia\u201d. Encontram-se ainda \u201cFacial galiambo\u201d, \u201cPingo apotr\u00f3pio\u201d, \u201cGoliardo favila\u201d e \u201cOx\u00edtono hoje muvuga\u201d, entre outras designa\u00e7\u00f5es bizarras. \u201cN\u00e3o foi por pretensiosismo\u201d, garante V\u00edtor Rua, a rir.<br \/>\n\tAl\u00e9m dos t\u00edtulos, tamb\u00e9m o pr\u00f3prio corpo musical surgiu a partir de procedimentos do mesmo estilo. Um dos casos mais \u201cradicais\u201d, segundo o guitarrista, \u00e9 o tema \u201cGeada flavo\u201d, interpretado por Gon\u00e7alo Freitas. Dada a aus\u00eancia for\u00e7ada de um dos participantes \u2013 necessariamente dezoito,- um para cada faixa -, foi preciso arranjar um substituto. V\u00edtor Rua conta que telefonou para Gon\u00e7alo Falc\u00e3o, guitarrista e produtor executivo do projecto, que trabalha numa empresa de \u201cdesign gr\u00e1fico\u201d, dizendo-lhe que \u201ctinha um problema\u201d. \u201cMeio a s\u00e9rio, meio a brincar, perguntei-lhe se n\u00e3o haveria algu\u00e9m no escrit\u00f3rio interessado em participar. Ele levantou o telefone e gritou para tr\u00e1s: \u2018Algu\u00e9m quer entrar num disco?\u2019 Ouviu-se uma voz ao fundo a dizer \u2018sim!\u2019. Perguntei o que \u00e9 que tocava. \u2018Assobios!\u2019, respondeu a voz, ainda a pensar que era brincadeira. Assobios? \u00d3ptimo! Disse para aparecer no dia seguinte \u00e0s dez da manh\u00e3 para fazer a grava\u00e7\u00e3o!\u201d E assim foi, com o an\u00f3nimo executante a ser creditado em \u201cScratch\u201d com uma \u201cwhistle guitar\u201d\u2026 \u201c\u00c9 um dos temas que mais gosto\u201d, concluiu V\u00edtor Rua.<br \/>\n\tTodos estes epis\u00f3dios constituem, pela atitude, uma forma original de V\u00edtor Rua manifestar a sua discord\u00e2ncia de um certo pretensiosismo que, segundo ele, afecta o meio art\u00edstico nacional: \u201cH\u00e1 uns tempos, podia dizer-se que havia grupos de rock portugu\u00eas maus e bons. No caso da m\u00fasica improvisada, ou das novas m\u00fasicas, eram t\u00e3o poucas as pessoas a fazerem-na \u2013 o Z\u00edngaro, Telectu, Miso Ensemble\u2026 &#8211; que n\u00e3o fazia sequer sentido fazer compara\u00e7\u00f5es valorativas. De repente, hoje, qualquer pessoa, sobretudo se tiver um pai rico, grava um disco e, como n\u00e3o tem jeito, vai para a m\u00fasica improvisada. Como n\u00e3o consegue fazer tr\u00eas acordes, j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 para ir para o rock. Ent\u00e3o p\u00f5e uns paus entre a guitarra, compra tr\u00eas discos do Derek Bailey e est\u00e1 a gravar, com uma teoria qualquer na capa do disco, do tipo a dizer \u2018polirritmia\u2019 ou express\u00f5es como \u2018work in progress\u2019 ou \u2018politonalidade\u2019\u2026\u201d V\u00edtor Rua fez quest\u00e3o que \u201cScratch\u201d n\u00e3o tivesse qualquer texto explicativo, fazendo acompanhar essa aus\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o com uma estrutura musical onde coabitam os ressoadores, desde principiantes a professores de guitarra. \u201cQuase como se as pessoas, nem todas, fossem um instrumento em si, que eu estivesse a tocar\u201d, diz Rua, assumindo por inteiro a sua condi\u00e7\u00e3o de manipulador. \u201cA ideia foi criar para cada pessoa, ou cada situa\u00e7\u00e3o, um eco-sistema metodol\u00f3gico de maneira que pouco importava o que cada um iria fazer. \u00c0 partida estava tudo pr\u00e9-determinado.\u201d<\/p>\n<p>\t* t\u00edtulo inventado segundo a mesma l\u00f3gica de \u201cScratch\u201d, com as mesmas iniciais de \u201cV\u00edtor Rua e os Ressoadores\u201d.<\/p>\n<p><center><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-N6et2JaLtE\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POP ROCK 29 de Mar\u00e7o de 1995 VERSIFERO REZENTAL E OS RECHINOS* O humor e as estrat\u00e9gias do acaso desempenham pap\u00e9is importantes no mais recente projecto musical de V\u00edtor Rua, os Ressoadores, dos quais acabou de ser lan\u00e7ado, com selo Ananana, o CD \u201cScratch\u201d. 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