{"id":4310,"date":"2016-01-02T13:34:41","date_gmt":"2016-01-02T20:34:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4310"},"modified":"2016-01-02T13:34:41","modified_gmt":"2016-01-02T20:34:41","slug":"brigada-victor-jara-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/02\/brigada-victor-jara-entrevista\/","title":{"rendered":"Brigada Victor Jara &#8211; Entrevista"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>20 de Setembro de 1995<\/p>\n<p><strong>Brigada Victor Jara lan\u00e7a \u201cDan\u00e7as e Folias\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>\u201cDesconfiai de um Deus que n\u00e3o sabe dan\u00e7ar\u201d*<\/p>\n<p>O Deus da Brigada Victor Jara sabe dan\u00e7ar. \u201cDan\u00e7as e Folias\u201d, o novo \u00e1lbum desta banda coimbr\u00e3, representa desde j\u00e1 um marco na evolu\u00e7\u00e3o da nossa m\u00fasica da raiz tradicional. O violinista Manuel Rocha explica que h\u00e1 dan\u00e7as que j\u00e1 desaprend\u00earamos de dan\u00e7ar.<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4311\" rel=\"attachment wp-att-4311\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/bvj-300x248.jpg\" alt=\"bvj\" width=\"300\" height=\"248\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4311\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/bvj.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/bvj-100x83.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u00c9 a segunda idade de ouro da m\u00fasica portuguesa de inspira\u00e7\u00e3o tradicional, na continua\u00e7\u00e3o do \u201cboom\u201d dos anos 80. Depois de N\u00e9 Ladeiras ter escancarado a porta astral que d\u00e1 para Tr\u00e1s-os-Montes e numa altura em que est\u00e3o prestes a rebentar as estreias discogr\u00e1ficas dos realejo e dos Gaiteiros de Lisboa, a pioneira Brigada Victor Jara vem ocupar o trono que por direito lhe pertence. O violinista Manuel Rocha explicou ao P\u00daBLICO que existem maneiras de se dan\u00e7ar mais com os ouvidos do que com os p\u00e9s.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 Seis anos de intervalo entre \u201cMonte Formoso\u201d, o anterior disco da Brigada, e este \u201cDan\u00e7as e Folias\u201d \u00e9 muito tempo. A par da tal \u201cpregui\u00e7a\u201d j\u00e1 referida por Aur\u00e9lio Malva (ver entrevista no P\u00daBLICO do dia 1 deste m\u00eas), h\u00e1 outras raz\u00f5es que expliquem a demora?<br \/>\nMANUEL ROCHA \u2013 Realmente, a par dessa \u201cpregui\u00e7a\u201d em pegar no material h\u00e1 outras raz\u00f5es que envolvem um grupo que n\u00e3o tem uma ocupa\u00e7\u00e3o profissional enquanto tal. As pessoas neste grupo conservaram sempre os seus trabalhos. Por outro lado existem algumas quest\u00f5es do foro musical. Este disco at\u00e9 nasceu de uma forma curiosa. Normalmente os discos da Brigada nascem para ser tocados ao vivo. Este nasceu para ser um disco, com caracter\u00edsticas que envolviam logo \u00e1 partida a consulta e um pedido de participa\u00e7\u00e3o aos m\u00fasicos convidados.<br \/>\nP. \u2013 \u201cDan\u00e7as e Folias\u201d \u00e9 um disco conceptual?<br \/>\nR. \u2013 Inicialmente t\u00ednhamos a inten\u00e7\u00e3o de fazer um disco com os esp\u00e9cimes mais diversos de m\u00fasica tradicional. S\u00f3 que a alma do disco estava a sair muito triste. Numa certa altura pensou-se ent\u00e3o \u2013 o Aur\u00e9lio deu a ideia \u2013 em fazer um disco de dan\u00e7as. As nossas dan\u00e7as est\u00e3o muito mal-tratadas, foram associadas indevidamente a uma vers\u00e3o transformadora dos ranchos folcl\u00f3ricos em que de facto a dan\u00e7a permaneceu mas a m\u00fasica foi sendo corrompida. Pareceu-nos interessante pegar no aspecto propriamente musical da dan\u00e7a. Se se reparar bem, h\u00e1 muitos temas no disco em que n\u00e3o se percebe a caracter\u00edstica dan\u00e7ante\u2026<br \/>\nP. \u2013 Nos temas vocalizados?<br \/>\nR. \u2013 Exacto. Aquilo que privilegi\u00e1mos, sendo m\u00fasica de dan\u00e7a, foram as caracter\u00edsticas altamente modais da nossa m\u00fasica e, como tal, explor\u00e1-las no seu lado \u201cbonito\u201d, mais complexo, com arranjos que avan\u00e7am para o modalismo em vez de darem import\u00e2ncia \u00e0 quest\u00e3o da cad\u00eancia, do ritmo.<br \/>\nP. \u2013 Essa t\u00f3nica no modalismo levou a resultados como o tema \u201cO mineiro\u201d, tradicional da Estremadura, onde s\u00e3o espantosas as semelhan\u00e7as com a m\u00fasica da Bretanha\u2026<br \/>\nR. \u2013 \u00c9 engra\u00e7ado, porque temos em Portugal m\u00fasica que quebra a quadratura, isto \u00e9, em que o tempo \u00e9 arrevesado. \u00c9 como diz, de repente encontramos em Portugal sons que n\u00e3o t\u00eam a ver com aquilo que nos habitu\u00e1mos a ouvir.<br \/>\nP. \u2013 Em Portugal ou no seio transmutador da Brigada?<br \/>\nR. \u2013 Em Portugal! Em particular esse tema que refere foi tocado na sua forma original num instrumento de cana [sevina] por um tocador da Estremadura. N\u00e3o tem nada a ver com aquilo que geralmente identificamos com um som portugu\u00eas. O que nos faz ao fim e ao cabo pensar na origem t\u00e3o diversificada das nossas m\u00fasicas. Acontece tamb\u00e9m que em Portugal, ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses, n\u00e3o tivemos a possibilidade de explorar aquilo que \u00e9 mais \u201cbizarro\u201d no caminho do aperfei\u00e7oamento. Houve a clivagem musical dos anos 60 e 70, em que o acorde\u00e3o funcionou como instrumento monopolizador, quer da tonalidade quer da sonoridade. A tal m\u00fasica mais \u201cestranha\u201d nunca foi explorada.<br \/>\nP. \u2013 Em compara\u00e7\u00e3o com discos mais antigos, como \u201cContraluz\u201d ou \u201cMonte Formoso\u201d, obras que se podem considerar de fus\u00e3o, \u201cDan\u00e7as e Folias\u201d aposta no regresso a um certo classicismo.<br \/>\nR. \u2013 Apesar de ser um disco, como disse, feito com arranjos preparados pelo Ricardo Dias e o Aur\u00e9lio Malva, acaba por apontar para esse classicismo, para um regresso \u00e0 can\u00e7\u00e3o enquanto can\u00e7\u00e3o, com princ\u00edpio, meio e fim. Enquanto que em \u201cContraluz\u201d, por exemplo, a can\u00e7\u00e3o se encontrava dissimulada no ambiente musical geral.<br \/>\nP. \u2013 N\u00e3o ser\u00e1 tamb\u00e9m uma defesa vossa, no sentido em que \u00e9 menos percept\u00edvel uma identidade pr\u00f3pria, um som imediatamente reconhec\u00edvel como pertencendo \u00e0 Brigada?<br \/>\nR. \u2013 Isso \u00e9 uma caracter\u00edstica do grupo. Ent\u00e3o se pegarmos na sua hist\u00f3ria discogr\u00e1fica ainda se nota mais, j\u00e1 que cada disco \u00e9 diferente dos outros. Tem a ver, por exemplo, com a dispers\u00e3o dos elementos do grupo, enquanto ouvintes e assimiladores de m\u00fasica. \u00c9 uma heterogeneidade que acaba por se reflectir no trabalho do grupo. N\u00e3o h\u00e1 um \u201csom Brigada\u201d. A nossa grande preocupa\u00e7\u00e3o tem sido, at\u00e9, de alguma forma, de complicar as coisas\u2026<br \/>\nP. \u2013 Complicar como?<br \/>\nR. \u2013 Ir ao encontro da complexidade da m\u00fasica portuguesa e, cada vez mais, estudar para chegar l\u00e1. Al\u00e9m de que o encontro com os m\u00fasicos convidados que tocam neste disco, acabou por ser para n\u00f3s muito enriquecedor, na medida em que nos \u201ccomplicou\u201d tamb\u00e9m a vida\u2026 Por exemplo, o Ant\u00f3nio Pinto a trabalhar nas harmonias ou o Tom\u00e1s Pimentel a tocar um solo lind\u00edssimo permitiram descobrir novos caminhos que uma melodia pode ter dentro de uma harmonia que \u00e9 subvertida.<br \/>\nP. \u2013 Complexidade e profundidade que se tornaram not\u00f3rias na imensa riqueza de \u201cDan\u00e7as e Folias\u201d\u2026<br \/>\nR. \u2013 Pois, a nossa m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 como a de grupos que d\u00e3o \u00eanfase \u00e0s chulas ou ao vira. Se queremos fazer um trabalho sobre a m\u00fasica portuguesa, na extens\u00e3o territorial daquilo a que chamamos Portugal, chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que \u00e9 preciso pegar no seu lado \u201cinc\u00f3modo\u201d, o seu modalismo e a sua polirritmia.<br \/>\nP. \u2013 A alegria e a diversidade de registos que percorrem \u201cDan\u00e7as e Folias\u201d podem ser uma resposta ao cinzentismo que se est\u00e1 a instalar numa fac\u00e7\u00e3o da nossa m\u00fasica popular?<br \/>\nR. \u2013 Deve haver alguma reac\u00e7\u00e3o a esse cinzentismo que acaba por desenterrar outra vez os valores do c\u00e9u carregado de nuvens e dos pescadores que se arrastam pela estrada de costas vergadas a puxar o barco. Na m\u00fasica dita de inspira\u00e7\u00e3o tradicional n\u00e3o precisamos de pegar nesse lado negro. Isso seria lustrar uma s\u00f3 faceta da nossa pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>* Friedrich Nietzsche, em \u201cAssim Falava Zaratustra\u201d<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VIqFBUNaCf4\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 20 de Setembro de 1995 Brigada Victor Jara lan\u00e7a \u201cDan\u00e7as e Folias\u201d \u201cDesconfiai de um Deus que n\u00e3o sabe dan\u00e7ar\u201d* O Deus da Brigada Victor Jara sabe dan\u00e7ar. \u201cDan\u00e7as e Folias\u201d, o novo \u00e1lbum desta banda coimbr\u00e3, representa desde j\u00e1 um marco na evolu\u00e7\u00e3o da nossa m\u00fasica da raiz tradicional. 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