{"id":4307,"date":"2016-01-01T07:07:29","date_gmt":"2016-01-01T14:07:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4307"},"modified":"2016-01-01T07:07:29","modified_gmt":"2016-01-01T14:07:29","slug":"uhf-antonio-manuel-ribeiro-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/01\/01\/uhf-antonio-manuel-ribeiro-entrevista\/","title":{"rendered":"UHF \/ Ant\u00f3nio Manuel Ribeiro &#8211; Entrevista"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>3 de Maio de 1995<\/p>\n<p><strong>C\u00ednicos ou m\u00edsticos?<\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Manuel Ribeiro e os UHF est\u00e3o cheios. Agora, como no in\u00edcio de carreira, recusam a posi\u00e7\u00e3o c\u00f3moda de se deixarem ir sem fazer ondas. Continuam a reivindicar o estatuto de \u201cbanda de Almada\u201d e o seu l\u00edder promete cinismo, caso o disco consiga penetrar nos mercados da Europa. Se assim acontecer, a Europa ter\u00e1 que se haver com eles e com as letras das can\u00e7\u00f5es, que ser\u00e3o traduzidas para ingl\u00eas. \u201cCheio\u201d \u00e9 o t\u00edtulo do novo disco dos UHF, uma colect\u00e2nea de vers\u00f5es de temas antigos \u00e0s quais se juntam cinco originais. A grava\u00e7\u00e3o teve lugar no Convento dos Capuchos, na Costa da Caparica, o que, entre outras consequ\u00eancias, acrescentou uma costela de misticismo ao l\u00edder da banda. O P\u00daBLICO foi entrevist\u00e1-lo ao interior do templo.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4308\" rel=\"attachment wp-att-4308\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/AMR-200x300.jpg\" alt=\"AMR\" width=\"200\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4308\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/AMR-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/AMR-768x1155.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/AMR-681x1024.jpg 681w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/AMR-300x451.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/AMR-67x100.jpg 67w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/AMR.jpg 1064w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>P\u00daBLICO \u2013 Em que medida \u00e9 que este novo \u00e1lbum poder\u00e1 significar um desejo vosso de controlar o fundo de cat\u00e1logo do grupo, sobre o qual n\u00e3o tem controlo e que ser\u00e1 em breve reeditado em CD por outras editoras?<br \/>\nANT\u00d3NIO MANUEL RIBEIRO \u2013 Pois, em termos contratuais n\u00e3o h\u00e1 hip\u00f3tese. \u00c9 um dado adquirido que as editoras em causa t\u00eam o direito contratual de fazerem edi\u00e7\u00f5es quando quiserem, desde que paguem os direitos\u2026 Gostar\u00edamos, com este disco, de dar a conhecer \u00e0s pessoas um panorama da m\u00fasica dos UHF para tr\u00e1s da \u201cSanta Loucura\u201d e, em particular, da vers\u00e3o da \u201cMenina est\u00e1s \u00e0 janela\u201d. Com esse disco, abrimos um leque de malta jovem que n\u00e3o conhece o report\u00f3rio antigo. Eles sabem l\u00e1 o que \u00e9 os \u201cCavalos de corrida\u201d!<br \/>\nP. \u2013 As novas vers\u00f5es indicam que n\u00e3o est\u00e3o satisfeitos com as grava\u00e7\u00f5es originais?<br \/>\nR. \u2013 Obviamente que n\u00e3o. Porque \u00e9 que regrav\u00e1mos os temas? Porque h\u00e1 coisas que est\u00e3o feitas para tr\u00e1s de forma muito rudimentar. Porque entretanto os est\u00fadios portugueses evolu\u00edram muito, nomeadamente nos \u00faltimos sete anos. Cheguei a gravar em condi\u00e7\u00f5es que hoje d\u00e3o vontade de rir. Tenho agora um est\u00fadio em casa melhor do que alguns onde gravei. Quisemos pois dar uma integridade t\u00e9cnica \u00e0s can\u00e7\u00f5es do passado, com um som de 95. A \u201cRua do Carmo\u201d, por exemplo, tem uma vers\u00e3o completamente diferente. Neste contexto, foi quase tocado como m\u00fasica de c\u00e2mara, com a reverbera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da sala. Por outro lado, cheg\u00e1mos \u00e0 conclus\u00e3o que os UHF mais do que um quinteto sempre foi afinal como um quarteto com mais um convidado. Como o Renato J\u00fanior ou o novo guitarrista fixo, o Rui Padinha, que gravaram agora connosco.<br \/>\nP. \u2013 Num ambiente destes, sentiram-se \u201ccheios\u201d de qu\u00ea?<br \/>\nR. \u2013 \u00c9 uma provoca\u00e7\u00e3o! Estou cheio disto tudo \u00e0 minha volta. Estou cheio de ser portugu\u00eas, o fregu\u00eas que estende a m\u00e3o e recebe o subs\u00eddio da Europa. Acho que o pa\u00eds nos \u00faltimos anos tornou-se de tal forma dependente e deficit\u00e1rio que me chateia! Estou cheio do sucesso que dizem que existe e cheio do fracasso que vivemos todos os dias. Acho que escrevo muitos textos anti-sebasti\u00e2nicos. Este \u00e1lbum \u00e9 talvez o mais pol\u00edtico dos UHF. Por exemplo, recuper\u00e1mos a can\u00e7\u00e3o \u201cCa\u00e7ada\u201d, no original, o lado B do \u201cJorge morreu\u201d, o primeiro EP dos UHF, de 69, que fala da carga da pol\u00edcia de choque, algo que continua muito actual. Hoje, como ent\u00e3o, h\u00e1 causas. Estou em Set\u00fabal, n\u00e3o posso ser indiferente ao que se passa na rua.<br \/>\nP. \u2013 N\u00e3o se sentiram influenciados pela atmosfera de religiosidade do local?<br \/>\nR. \u2013 Bastante. Acho que se sente isso no disco. H\u00e1 uma zona m\u00edstica neste disco. Curiosamente, foi o primeiro que gravei em que primeiro saiu o t\u00edtulo. Neste momento, j\u00e1 n\u00e3o lhe chamava \u201cCheio\u201d, mas outra coisa qualquer. Houve algo que senti aqui nestas paredes. Nas conversas, nas esperas, nos azulejos com n\u00e3o sei quantos s\u00e9culos. Senti-me aqui muito perante Deus.<br \/>\nP. \u2013 Continuam a considerar-se acima de tudo um grupo de Almada. Em termos de exporta\u00e7\u00e3o, esse regionalismo vai um pouco contra a corrente universalista e nost\u00e1lgica dominante\u2026<br \/>\nR. \u2013 Se eu acredito na pol\u00edtica portuguesa, torno-me cada vez mais regional. Daqui a uns tempos, s\u00f3 vamos poder exportar cultura e identidade pr\u00f3pria. \u00c9 este ano que os UHF est\u00e3o a pensar dar o salto internacional. Queremos vender os UHF l\u00e1 fora.<br \/>\nP. \u2013 Em que termos \u00e9 que pensam dar esse salto?<br \/>\nR. \u2013 Bastam as can\u00e7\u00f5es. \u201cBrincar com o fogo\u201d, por exemplo, foi uma can\u00e7\u00e3o que os espanh\u00f3is quiseram editar. Penso que a produ\u00e7\u00e3o dos UHF se possa orientar n\u00e3o no sentido do internacionalismo, mas sim de levar a parte regional para o estrangeiro. Se calhar, vou cantar em ingl\u00eas, ou em espanhol\u2026 Uma can\u00e7\u00e3o como \u201cSarajevo\u201d \u00e9 universal.<br \/>\nP. \u2013 Afinal, n\u00e3o \u00e9 totalmente contra a CEE?<br \/>\nR. \u2013 Vou levar, no fundo, aquilo que neste momento a CEE gosta de consumir. A CEE quando consome Madredeus est\u00e1 a consumir aquilo que lhe falta e s\u00f3 se produz em Portugal.<br \/>\nP. \u2013 N\u00e3o h\u00e1 a\u00ed uma certa dose de cinismo?<br \/>\nR. \u2013 \u00c9 um cinismo, claro que sim! Eles v\u00eam c\u00e1 fazer o qu\u00ea? Emporcalhar-nos as praias, n\u00f3s que temos a areia mais s\u00f3lida da Europa. N\u00e3o compare a areia da Caparica com a areia de Torremolinos. J\u00e1 nem \u00e9 preciso ir para a areia do Mar do Norte\u2026<br \/>\nP. \u2013 Os UHF n\u00e3o perderam a raiva que tinham quando cantavam \u201cJorge morreu\u201d? Ou, pelo contr\u00e1rio, com a idade tornaram-se diplomatas?<br \/>\nR. \u2013 Essa raiva n\u00e3o desapareceu de foram alguma. Ali\u00e1s, recomendo a audi\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es \u201cCheio\u201d ou \u201cQuero um whisky\u201d [dois dos cinco originais, juntamente com \u201cDesolhados\u201d, \u201cToca-me\u201d e \u201cPor ti e por n\u00f3s dois\u201d]. Um \u201cwhisky\u201d que se bebe ao princ\u00edpio e no fim, para acabar a noite.<br \/>\nP. \u2013 Nem como deputado [A.M.R. exerce actualmente estas fun\u00e7\u00f5es, como independente na lista do PSD, por Almada]?<br \/>\nR. \u2013 Voto sempre contra! Muitas vezes contra a pr\u00f3pria orienta\u00e7\u00e3o da minha bancada. Ali\u00e1s, nem sei qual ela \u00e9!<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Cmm-MQRPLts\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 3 de Maio de 1995 C\u00ednicos ou m\u00edsticos? Ant\u00f3nio Manuel Ribeiro e os UHF est\u00e3o cheios. 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