{"id":4301,"date":"2015-12-31T08:31:56","date_gmt":"2015-12-31T15:31:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4301"},"modified":"2015-12-31T08:34:33","modified_gmt":"2015-12-31T15:34:33","slug":"manuel-faria-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/12\/31\/manuel-faria-entrevista\/","title":{"rendered":"Manuel Faria &#8211; Entrevista"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>1 de Fevereiro de 1995<\/p>\n<p><strong>Manuel Faria exp\u00f5e-se<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>LIGADO \u00c0 CORRENTE<\/p>\n<p>Manuel Faria reconhece que o seu defeito \u00e9 esconder-se atr\u00e1s dos grupos. Por isso \u00e9 uma das mais influentes figuras da m\u00fasica portuguesa do nosso tempo e, no entanto, mal se d\u00e1 por ele. Nesta entrevista, sacode a timidez e tira do saco mais uma pilha de projectos, enquanto acerta contas com o passado dos Trovante.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4302\" rel=\"attachment wp-att-4302\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/K7MFaria-300x104.jpg\" alt=\"K7MFaria\" width=\"300\" height=\"104\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4302\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/K7MFaria-300x104.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/K7MFaria-768x267.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/K7MFaria-1024x356.jpg 1024w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/K7MFaria-100x35.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/K7MFaria.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Manuel Faria n\u00e3o gosta de dar nas vistas e n\u00e3o era seguramente a estrela dos Trovante. Mas, acabado o grupo, Manuel Faria produziu \u201cFilhos da Madrugada\u201d, a homenagem a Jos\u00e9 Afonso, trabalhou com Ricardo Pais em \u201cFados\u201d, produziu discos de artistas como Carlos Zel e os Entre Aspas, al\u00e9m de criar m\u00fasica para publicidade. Agora produz o \u00e1lbum de estreia dos Cramol, prepara-se para lan\u00e7ar o seu projecto musical sob o nome Sociedade Recriativa e fundar uma editora independente. Uff\u2026 Continua a n\u00e3o se dar muito por ele, mas Manuel Faria tornou-se um dos personagens centrais da m\u00fasica portuguesa, pelas m\u00e3os do qual passar\u00e3o certamente os seus destinos em 1995.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 Como se processou a sua passagem da cria\u00e7\u00e3o musical (Trovante) para a produ\u00e7\u00e3o?<br \/>\nMANUEL FARIA \u2013 No Trovante eu tamb\u00e9m exercia um bocado esse papel, ou seja, a experi\u00eancia que tenho da vida em grupo \u00e9 que, no in\u00edcio, os m\u00fasicos s\u00e3o todos muito parecidos e fazem tudo em conjunto. A pouco e pouco, por\u00e9m, v\u00e3o crescendo e cada um vai tendo mais jeito para umas coisas e menos para outras. No Trovante, era eu que tratava das rela\u00e7\u00f5es com o est\u00fadio e a produ\u00e7\u00e3o sempre me atraiu imenso. H\u00e1 outra condicionante no facto de eu ter uma forma\u00e7\u00e3o em engenharia electrot\u00e9cnica que me transporta muito para esse lado. Nos dois \u00faltimos anos do Trovante fui montando um pequeno est\u00fadio em casa e fui-me interessando pelo mercado da publicidade, algo que me d\u00e1 imenso prazer. Logo que o Trovante acabou, a minha actividade passou a ser a produ\u00e7\u00e3o; se n\u00e3o me engano a primeira que fiz foi a dos Entre Aspas. 1993 foi praticamente preenchido com a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o de \u201cFilhos da Madrugada\u201d. Como m\u00fasico lembro-me que toquei em Coimbra com os Sitiados.<br \/>\nP. \u2013 E depois dos \u201cFilhos da Madrugada\u201d?<br \/>\nR. \u2013 Continuei a minha actividade como compositor e como director, com um s\u00f3cio meu, do est\u00fadio de publicidade. Comecei tamb\u00e9m a desenvolver um projecto antigo, Sociedade Recriativa. Um dos meus sonhos, ainda existia o Trovante, era produzir algo numa \u00e1rea diferente. Sem querer fazer uma autocr\u00edtica, nos \u00faltimos anos do grupo, o tipo de instrumenta\u00e7\u00e3o que o grupo usava, uma instrumenta\u00e7\u00e3o \u201cstandard\u201d \u2013 bateria, baixo, guitarra, piano, saxofone, voz \u2013, j\u00e1 n\u00e3o me satisfazia. Queria experimentar outro formato. Como \u00e9 que se comportaria um grupo com outro tipo de instrumentos?<br \/>\nP. \u2013 A Sociedade Recriativa ser\u00e1 o qu\u00ea?<br \/>\nR. \u2013 Para j\u00e1, \u00e9 um projecto pessoal, n\u00e3o \u00e9 um grupo. Nunca h\u00e1-de existir \u201cos\u201d Sociedade Recriativa. S\u00e3o pessoas [Manuel Paulo, Filipa Pais, M\u00e1rio Pacheco e um violinista russo de nome Gregori] com quem trabalhei e para quem imagino um universo musical tocado por elas. Embora eu tenha um defeito que me apontam os amigos mais pr\u00f3ximos, de me esconder atr\u00e1s de grupos, de n\u00e3o gostar muito de protagonizar, neste caso \u00e9 uma coisa pessoal. O disco ter\u00e1 temas se calhar s\u00f3 com piano e violino, outros com piano, trombone e violoncelo, sons que eu tenho descoberto a pouco e pouco. \u00c9 um projecto instrumental, talvez com uma ou duas can\u00e7\u00f5es, muito virado para o meu pr\u00f3prio gozo.<\/p>\n<p>O produtor discreto<\/p>\n<p>P. \u2013 Nos Trovante existia uma forte componente de m\u00fasica tradicional. Poder\u00e1 regressar a ela no novo projecto?<br \/>\nR. \u2013 O tradicional hoje em dia anda de m\u00e3os dadas com o ambiental. Por exemplo, uma das coisas em que trabalho muito \u00e9 com samples. J\u00e1 se perdeu um pouco aquele mito, que se tornou numa moda, no princ\u00edpio dos anos 90, que era o ac\u00fastico obrigat\u00f3rio. At\u00e9 me apetecia \u00e0s vezes fazer um disco chamado \u201cPlugged\u201d [\u201cligado \u00e0 corrente\u201d, por contraste com o programa \u201cUnplugged\u201d, ou seja, \u201cac\u00fastico\u201d, da MTV]. Interessa-me a \u00e1rea dos \u201cloops\u201d, dos samples, do ritmo hipn\u00f3tico, misturado com esse tipo de sonoridades.<br \/>\nP. \u2013 Outro projecto que tem neste momento em m\u00e3os \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o do primeiro disco dos Cramol\u2026<br \/>\nR. \u2013 O disco j\u00e1 est\u00e1 praticamente feito. O grupo tinha apresentado um projecto \u00e0 BMG. A primeira vez que o ouvi, achei fascinante. \u00c9 uma \u00e1rea que me interessa. Tenho discos de vozes corsas. H\u00e1 muita gente a interessar-se por v\u00e1rias \u00e1reas ao mesmo tempo. Veja por exemplo o Kronos Quartet, que \u00e9 muito irreverente na escolha dos parceiros com quem toca, como os cantores de Tuva que de repente aparecem em pe\u00e7as com eles, ou a m\u00fasica do Piazolla. No caso do Cramol, a m\u00fasica tradicional \u00e9 trabalhada com autenticidade e sabedoria. Elas t\u00eam uma coloca\u00e7\u00e3o de voz que, embora sendo popular, n\u00e3o \u00e9 a de um coro acad\u00e9mico. Com o Cramol \u00e9 simples. Aprendo o que n\u00e3o sei, como saber como aquele tipo de m\u00fasica \u00e9 feito. E dou-lhes aquilo que elas provavelmente n\u00e3o saber\u00e3o, como criar as infraestruturas para gravar um disco.<br \/>\nP. \u2013 Eis a sua faceta de organizador, de algu\u00e9m atento e preocupado com v\u00e1rios aspectos em simult\u00e2neo\u2026<br \/>\nR. \u2013 \u2026 Na posi\u00e7\u00e3o de aprender. N\u00e3o sou um produtor muito interveniente, nem acho que o produtor deva ser o centro de um trabalho. Se o som me interessa, aceito produzir e tento enquadrar-me o melhor poss\u00edvel, embora com certeza tenha e d\u00ea ideias. Mas n\u00e3o tento transportar o meu som. Quando a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 muito boa, n\u00e3o se nota. Para mim \u00e9 o conceito \u00faltimo de produ\u00e7\u00e3o. Prefiro isto ao Trevor Horn, por exemplo, onde tudo o que ele toca parece um disco seu. Prefiro ter mesmo o meu disco e p\u00f4r nele tudo o que tenho para dizer do que estar a servir-me de outro artista.<br \/>\nP. \u2013 N\u00e3o haver\u00e1 um risco quando a op\u00e7\u00e3o \u00e9, como parece ser o seu caso, pela desmultiplica\u00e7\u00e3o de actividades?<br \/>\nR. \u2013 Isto \u00e9 um pa\u00eds muito pequeno e h\u00e1 aqui tamb\u00e9m um lado financeiro. \u00c9 muito dif\u00edcil uma pessoa viver s\u00f3 duma actividade, em que h\u00e1 altos e baixos. N\u00e3o se pode fazer mais do que disco por ano, como autor, e eu tentei encontrar v\u00e1rios caminhos que me dessem prazer e nos quais sou competente. Por exemplo, produzi um disco de fado, do Carlos Zel, algo que nunca tinha feito antes. A primeira coisa que ouvi dizer, de um dos guitarristas, foi: \u201cO que \u00e9 que este gajo est\u00e1 aqui a fazer, que n\u00e3o percebe nada de fado?\u201d Respondi que percebia de discos. Grav\u00e1mos o disco como se fosse um quarteto de c\u00e2mara, todos ao mesmo tempo, uma coisa que, desde que existem gravadores multipistas em Portugal, estava ultrapassada, mas que acabou por acrescentar uma sonoridade bastante mais interessante. Na altura n\u00e3o sabia nada de fado, tive que aprender. Depois fiz o disco em que trabalhei com o Ricardo Pais [\u201cFados\u201d, espect\u00e1culo deste encenador levado \u00e0 cena no CCB].<\/p>\n<p>\u201cAgora o pai morreu\u201d<\/p>\n<p>P. \u2013 Com o conhecimento acumulado que tem hoje, se pudesse voltar atr\u00e1s, faria algumas modifica\u00e7\u00f5es na m\u00fasica dos Trovante?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o sei se poderia ter sido diferente. Sei que at\u00e9 87 n\u00e3o mudaria nada. At\u00e9 87 fomos um grupo de facto, com uma identidade musical pr\u00f3pria. Era rara a ideia que um de n\u00f3s dava e os outros n\u00e3o gostassem. Depois come\u00e7\u00e1mos a divergir musicalmente, e talvez humanamente, e passou a haver uma coisa muito s\u00e9ria que s\u00e3o os jogos de poder. \u00c0s vezes eu, o Lu\u00eds e o Gil, por brincadeira, dizemos: \u201cPronto, agora o pai morreu, j\u00e1 podemos ser amigos outra vez.\u201d Deixou de existir a estrutura da qual \u00e9ramos todos filhos e nos obrigava aos tais constantes jogos de poder.<br \/>\nP. \u2013 Aceitaria produzir um disco de algum dos seus antigos companheiros?<br \/>\nR. \u2013 O Lu\u00eds represas prop\u00f4s-me ser produtor do disco dele [\u201cRepresas\u201d], mas tinha que ser ele a faz\u00ea-lo sozinho. Se eu entrasse, ia voltar a levar com a minha vis\u00e3o musical e os meus arranjos. N\u00e3o ia ser t\u00e3o Lu\u00eds Represas como foi. At\u00e9 porque, enquanto as bandas t\u00eam os seus pr\u00f3prios arranjos, o produtor de um artista a solo tem uma posi\u00e7\u00e3o mais determinante sobre o produto final. Depende dele a escolha de tudo, dos m\u00fasicos, do arranjador, o protagonismo \u00e9 muito maior. No caso do Lu\u00eds, estava ainda tudo muito fresco, incluindo a dissolu\u00e7\u00e3o ainda recente do Trovante. Teria sido uma asneira. Mas se fosse hoje talvez aceitasse\u2026<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/N_kW8N2BU6c\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 1 de Fevereiro de 1995 Manuel Faria exp\u00f5e-se LIGADO \u00c0 CORRENTE Manuel Faria reconhece que o seu defeito \u00e9 esconder-se atr\u00e1s dos grupos. Por isso \u00e9 uma das mais influentes figuras da m\u00fasica portuguesa do nosso tempo e, no entanto, mal se d\u00e1 por ele. 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