{"id":428,"date":"2009-05-18T04:49:53","date_gmt":"2009-05-18T11:49:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=428"},"modified":"2009-05-18T04:49:53","modified_gmt":"2009-05-18T11:49:53","slug":"dossier-alemanha-o-seculo-da-electronica-kraut","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2009\/05\/18\/dossier-alemanha-o-seculo-da-electronica-kraut\/","title":{"rendered":"Dossier Alemanha &#8211; O S\u00e9culo Da Electr\u00f3nica Kraut"},"content":{"rendered":"<p>Dossier Alemanha<br \/>\nO S\u00e9culo Da Electr\u00f3nica Kraut<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/kraftwerk.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/kraftwerk.jpg\" alt=\"kraftwerk\" title=\"kraftwerk\" width=\"425\" height=\"412\" class=\"alignnone size-full wp-image-429\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/kraftwerk.jpg 425w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/kraftwerk-300x290.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Existe um elo a unir a m\u00fasica electr\u00f3nica alem\u00e3 dos anos 70, 80 e 90. O krautrock cede o lugar \u00e0 \u201cneue deutsch welle\u201d e esta aos actuais magos do \u201cpowerbook\u201d. Os sonhos da \u201ckosmische muzik\u201d transformaram-se me pesadelos industriais e estes deram lugar a brincadeiras de crian\u00e7as. Mas h\u00e1 quem nunca tenha perdido a \u00faltima carruagem deste comboio. O P\u00daBLICO tra\u00e7ou o mapa dos principais m\u00fasicos, conceitos e movimentos que ao longo das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, na Alemanha, desenvolveram novas rela\u00e7\u00f5es entre o Homem e a m\u00e1quina.<\/p>\n<p><strong>Anos 70: O Sonho<\/strong><\/p>\n<p>T\u00ednhamos ficado em meados dos anos 70, na Alemanha (ver \u201cdossier\u201d sobre Krautrock na edi\u00e7\u00e3o do SONS de 7 de Maio de 1997). A electr\u00f3nica (pela via dos mestres \u201ceruditos\u201d, como Karlheinz Stockhausen e Oskar Sala ou do space-rock-psicad\u00e9lico excertado dos Pink Floyd de \u201cAtom Heart Mother\u201d e \u201cMeddle\u201d) mandava. Kraftwerk, Klaus Schulze, Tangerine Dream, Ashra, Faust, Can, Amon D\u00fc\u00fcl II, Popol Vuh, Harmonia, Cluster, Yatha Sidhra, Mythos, Agitation Free, Eiliff, Wallenstein, Dzyan, Eroc, Achim Reichel, Embryo, Sand, Annexus Quam, Cornucopia, Brainticket, Cosmic Jokers viajavam pelos novos espa\u00e7os abertos pelos osciladores e filtros LFO e VCF.<br \/>\nAs palavras de ordem eram: Kosmische, freakout, psicadelismo, planante, cogumelos m\u00e1gicos, jam, space rock, experimentalismo, zen, medita\u00e7\u00e3o, free rock, LSD, improvisa\u00e7\u00e3o, alucina\u00e7\u00e3o, sintetizadores gigantescos usados tamb\u00e9m como elementos est\u00e9tico\/decorativos, agit rock, romantismo, vida em comuna, underground, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u2026<br \/>\nEditoras principais: Ohr, Kosmische Muzik, Bacilus, Bellaphon, Brain, Kuckuck, Pilz, Sky.<br \/>\nQuando o punk rebenta em Inglaterra o krautrock agonizava j\u00e1 com o rock sinf\u00f3nico e o hard rock FM de bandas como os Atlantis, Eloy, Birth Control, Message, Jane e Triumvirat. Os cl\u00e1ssicos que resistiram e prosseguiram carreira tra\u00e7avam o seu pr\u00f3prio caminho alheios aos movimentos e \u00e0s correntes de estilo: Tangerine Dream vendem milh\u00f5es e baptizam a new age; Klaus Schulze troca de equipamento e regula pela 346\u00aa vez os seus sintetizadores para tocar o mesmo tema na sua viagem sem fim pelo cosmos; os Can hipnotizam-se a eles pr\u00f3prios e Holger Czukay \u00e9 o \u00fanico que se mant\u00e9m acordado; os Popol Vuh meditam numa igreja; os Embryo descobrem o jazz e a world music; os Faust entram num per\u00edodo de hiberna\u00e7\u00e3o de 20 anos; os Kraftwerk transformam-se em rob\u00f4s e inventam o som da modernidade.<br \/>\nMas era necess\u00e1rio fazer a transi\u00e7\u00e3o do krautrock para os anos 80, acompanhando as novas revolu\u00e7\u00f5es da tecnologia, da sensibilidade e das ideias. Os principais transmissores do testemunho foram \u2013 depois da papinha ter sido toda feita pelos Neu!, punks \u201cavant la lettre\u201d \u2013 os La Dusseldorf, os Cluster e os D.A.F.. Os La Dusseldorf fizeram a adapta\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica da \u201cnew wave\u201d, a chamada \u201cneue deutsche welle\u201d, colando-lhe a batida electrorock conhecida por \u201cmotorika\u201d. Os Cluster abriram caminho ao \u201cdark ambient\u201d e ao industrialismo; os D.A.F. forma militantes do \u201cdisco\u201d na vers\u00e3o sadomaso \/ militarista, escancarando a porta da cultura das discotecas. Uma \u00faltima palavra de novo para os Cluster, que teriam de esperar mais uma d\u00e9cada para verem o sentido l\u00fadico da sua obra-prima, \u201cZuckerzeit\u201d, ser reconhecido como absolutamente fulcral para o desenvolvimento de grande parte da produ\u00e7\u00e3o electr\u00f3nica europeia dos nossos dias. N\u00e3o estavam s\u00f3s neste papel: Kurt Dahlke, enquanto Pyrolator ou com os Der Plan, fazia com dez anos de anteced\u00eancia a electr\u00f3nica brincalhona dos anos 90.<\/p>\n<p><strong>Anos 80: A Energia<\/strong><\/p>\n<p>Desbravando o territ\u00f3rio, o cinzento e o niilismo dos anos 80 abateram-se com viol\u00eancia sobre os novos \u201celectr\u00f3nicos\u201d alem\u00e3es. A m\u00fasica industrial (preconizada de forma exemplar na d\u00e9cada anterior pelos Kluster\/Cluster, em todos os \u00e1lbuns at\u00e9 \u201cCluster II\u201d, pelos Kraftwerk at\u00e9 rolarem na auto-estrada, e por Conrad Schnitzler na solid\u00e3o da sua obra a vermelho, em \u201cRot\u201d) foi rapidamente assimilada e posta em pr\u00e1tica, como sempre acontece com a maior parte dos m\u00fasicos alem\u00e3es, na sua vertente mais radical e experimentalista. Com os Einsturzende Neubauten e a sua declara\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es de destrui\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do rock como de toda a m\u00fasica em geral, \u00e0 frente de todos os outros. Ao lado deles, Dieter Moebius, em paralelo com o seu trabalho nos Cluster, punha igualmente em funcionamento a sua pr\u00f3pria ind\u00fastria de metalurgia, com o aux\u00edlio da emin\u00eancia parda Conny Plank.<br \/>\nMas outros nomes emergem como pilares da electr\u00f3nica que vingou at\u00e9 aos nossos dias. Holger Hiller, vindo dos Palais Schaumburg, assina um trabalho, t\u00e3o pioneiro como genial, de manipula\u00e7\u00e3o dos samplers. Holger Czukay investe com mais modera\u00e7\u00e3o na mesma \u00e1rea que corta a golpes de \u201cdub\u201d. Asmus Tietchens e Peter Frohmader perfilam-se ao lado de Conrad Schnitzler na elabora\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas sombrias que combinam as arquitecturas e o imagin\u00e1rio g\u00f3tico com a maquinaria industrial e um ambientalismo do inferno que era o negativo da \u201ccosmic music\u201d. Michael Rother percorre a d\u00e9cada a desenhar modelos rom\u00e2nticos, adaptando a \u201cmotorika\u201d a um \u201cneo-easy listening\u201d que mal se adivinhava nos dois principais grupos a que pertencera, os Neu! e os Harmonia. O segundo Cluster, Hans-Joachim Roedelius, hesita entre o piano impressionista, o ambientalismo de Eno e sonoridades mais experimentais.<br \/>\nCom menor projec\u00e7\u00e3o internacional, mas representativos de uma originalidade assumida a cem por cento, destacan-se ainda: Klaus Kruger (considerado por alguns o Brian Eno alem\u00e3o), H.N.A.S. (Hirsche Nicht Aufs Sofa), Die Krupps, Die Todliche Doris (lan\u00e7aram uma edi\u00e7\u00e3o composta por sete min\u00fasculos discos de brinquedo e um gira-discos tamb\u00e9m de brinquedo, onde esses discos podiam ser tocados\u2026), Propeller Island, Hubert Bognermayer &#038; Harald Zuchrader, Camera Obscura, cranioclast, Michael Obst, Peter Schaefer, Strafe F\u00fcr Rebellion, J\u00f6rg Thomasius, Uludag, Harald Weiss, Die Vogel Europas.<br \/>\nPalavras de ordem: industrial, teatro, cabar\u00e9, maquilhagem, sint\u00e9tico, disciplina, uniforme, tecnologia, motor, bandeira, electricidade, metal, vida na cidade, hero\u00edna, bizarro, m\u00e1scara, homem-m\u00e1quina, sampler, apocalipse.<br \/>\nPrincipais editoras: Ata Tak, Badland, Erdenklang, Innovative Communications, Sky, Warning, Zick Zack.<\/p>\n<p><strong>Anos 90: O Prazer<\/strong><\/p>\n<p>Tudo se vai, literalmente, misturar, nos anos 90. Logo no in\u00edcio da d\u00e9cada, em 1991, os Kraftwerk cumprem pela \u00faltima vez o seu papel de profetas, com o lan\u00e7amento de \u201cThe Mix\u201d. Pela primeira vez na sua m\u00fasica, a electr\u00f3nica, que durante duas d\u00e9cadas fora ensinada a emancipar-se no seio da m\u00fasica popular, nasce do reprocessamento e reciclagem de material antigo. N\u00e3o \u00e9 um acto de pregui\u00e7a mas um acto de vis\u00e3o. Os Kraftwerk remisturavam os Kraftwerk. A m\u00fasica dos anos 90 remistura e remistura-se \u201cad infinitum\u201d. Ralf Hutter e Florian Schneider tinham completado a sua obra. A partir da\u00ed o futuro deixaria de lhes pertencer.<br \/>\nO computador, utens\u00edlio musical por excel\u00eancia da d\u00e9cada de 90, mostrava nesse \u00e1lbum o seu rosto de grande reciclador, produtor de clones infinitos, enumerador, arquivador, programador. A m\u00fasica abandonava o conceito de colagem (de que o sampler fora o derradeiro e absurdo instrumento musical humanista) para se abandonar \u00e0 ideia de s\u00edntese.<br \/>\nS\u00ednteses m\u00faltiplas de todas as m\u00fasicas e de todas as tradi\u00e7\u00f5es. \u00c9 a era das \u201cremixes\u201d, das fus\u00f5es outrora imposs\u00edveis, da aglutina\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias electr\u00f3nicas acumuladas nas quatro d\u00e9cadas anteriores. Trautoniums e theremins juntam-se aos Macs e PCs. O p\u00f3s-rock junta os Moogs e ARPs anal\u00f3gicos \u00e0s aparelhagens digitais. No fim, o powerbook (computador port\u00e1til) tudo domina e concentra nas suas m\u00e3os. Os grupos s\u00e3o alter-egos de um-m\u00fasico-s\u00f3. A electr\u00f3nica torna-se manipula\u00e7\u00e3o digital pura. Virtual. Mas haver\u00e1 quem resista.<br \/>\nAos grandes armaz\u00e9ns e f\u00e1bricas dos anos 90 vem substituir-se o escrit\u00f3rio. A electr\u00f3nica alem\u00e3, uma vez mais, vai t\u00e3o longe quanto pode. \u201cGrupos\u201d como os Oval e Microstoria tomam conta dos sistemas de ar condicionado, dos scanners e das fotocopiadoras para criarem a banda sonora, j\u00e1 n\u00e3o dos \u201cnovos edif\u00edcios em colapso\u201d dos Einsturzende Neubauten, mas de edif\u00edcios doentes, infectados pela polui\u00e7\u00e3o digital. Os su\u00ed\u00e7os The User tomam o conceito \u00e0 letra e comp\u00f5em uma sinfonia constru\u00edda a partir dos sons processados das entranhas de fotocopiadoras de agulha em funcionamento.<br \/>\nMas, \u00e0 semelhan\u00e7a do que aconteceu nas d\u00e9cadas de 70 e 80, a electr\u00f3nica alem\u00e3 diverge em v\u00e1rios ramos.<br \/>\nTr\u00eas editoras em particular representam outras tantas tend\u00eancias em vigor: a-musik, Mille Plateaux e mais recentemente Storage Secret Sounds. No site da Mille Plateaux encontramos cataloga\u00e7\u00f5es de estilo como \u201cclickhouse\u201d, \u201celectronic listening\u201d, \u201cabstract hip hop\u201d, \u201cElektroakustik\u201d, \u201cNoise\u201d e \u201cMusique concrete\u201d. Pratica-se uma est\u00e9tica abstracta, conceptual, sistem\u00e1tica. N\u00e3o sobram motivos de divers\u00e3o nem para sorrir mas, ao inv\u00e9s para sofrer e ter medo. \u00c9 a casa dos \u201cpowerbooks\u201d de cenho fechado, dos estalidos de est\u00e1tica, das frequ\u00eancias puxadas at\u00e9 ao limite do inaud\u00edvel, das programa\u00e7\u00f5es sem piedade. No seu cat\u00e1logo da net a m\u00fasica de um dos \u00e1lbuns dos \u201coperadores de escrit\u00f3rio\u201d Microstoria (de Markus Popp e Jan St. Werner) \u00e9 definida simplesmente como \u201cdigital processing\u201d, de resto um dos \u201cg\u00e9neros\u201d preferenciais desta editora. A m\u00fasica j\u00e1 n\u00e3o como obra composta mas como o pr\u00f3prio processo \u201ca priori\u201d. A Mille Plateaux tirou a camada de tinta de cima da \u201cMan Machine\u201d dos Kraftwerk at\u00e9 deixar \u00e0 vista apenas a estrutura de metal, como acontecia a Arnold Schwarzenegger em \u201cO Exterminador Implac\u00e1vel\u201d, t\u00edtulo que poderia bem aplicar-se aos prop\u00f3sitos ideol\u00f3gicos e musicais da Mille Plateaux.<br \/>\nPrincipais nomes desta editora: Microstoria, Curd Duca, Gas, Terre Thaemlitz, SND, Porter Ricks, Christian Vogel, Pluramon.<br \/>\nA este reino do terror contrap\u00f5e a a-musik, uma tend\u00eancia que amea\u00e7a tornar-se dominante. Aqui a electr\u00f3nica redescobre o prazer do som, das brincadeiras infantis, das programa\u00e7\u00f5es Lego, das \u201cprivate jokes\u201d, das car\u00edcias dos ritmos e das melodias de carrossel. E do prazer que deriva, n\u00e3o da manipula\u00e7\u00e3o, mas do \u201cvelho\u201d acto de \u201ctocar\u201d. Algu\u00e9m na a-musik tinha guardados em cas \u201cZuckerzeit\u201d dos Cluster e \u201cWonderland\u201d dos Pyrolator e com esses dois discos construiu um mundo.<br \/>\nA a-musik surgiu na sequ\u00eancia da fus\u00e3o de dois projectos: o colectivo de m\u00fasica industrial Kontakta, do qual faziam parte Christiab Schulz e Frank Dommert, dos H.N.A.S., e a editora Erflog, fundada, entre outros, por Schulz, Dommert e Marcus Schmicker, dos Oval. Com a inten\u00e7\u00e3o de fazer \u201cm\u00fasica industrial sem as imagens de atrocidade\u201d, \u201ctechno sem o funk\u201d, \u201cnew wave sem os penteados rid\u00edculos\u201d e \u201celectro-ac\u00fastica sem a ac\u00fastica\u201d.<br \/>\nPrincipais nomes desta editora: F.X. Randomiz, Holosud, L@n, Sator Rotas, Schlammpeitziger, Felix Kubin.<br \/>\nEsta faceta l\u00fadica \u00e9 levada \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias na Storage Secret Sounds, no seio da qual artistas como Felix Kubin (fica aqui melhor instalado do que na a-musik\u2026), Nova Huta e Mikron 64 se deliciam a brincar numa cerca para beb\u00e9s com plasticina, ursos de peluche e carrinhos de corda, e a ler hist\u00f3rias aos quadradinhos. A \u00fanica regra \u00e9 a do passeio pela feira popular. Felix Kubin faz desenhos animados ac\u00fasticos, hist\u00f3rias de BD para os ouvidos. Os Nova Huta (de Oleg Kostrow que n\u00e3o \u00e9 alem\u00e3o mas russo\u2026) embrulham o easy-listening na banda sonora de um filme negro e acompanham com uma orquestra sinf\u00f3nica. Os Mikron 64 apanham o autom\u00f3vel da technopop e programam melodias infantis em microcomputadores de primeira gera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOutros nomes importantes: Arovane, Atom Heart, Bernd Friedmann, Bluthsiphon, Fetisch Park, Funkst\u00f6rung, Konrad Kraft, Pole, Rechenzentrum, Sack &#038; Blumm, Scneider TM, Sciss, Soul Center, Tele:Funken, Thomas K\u00f6ner, Tied + Ticked Trio, Workshop.<br \/>\nNa \u00c1ustria cabe um papel importante aos Orchestra 33 1\/3, agora separado nas suas duas principais parcelas: Christian Fennesz e Christof Kurzmann, este \u00faltimo sob o pseud\u00f3nimo B. Fleischmann. A editora que fundaram, a Plag Dich Nicht, transformou-se na Charizma, para onde tamb\u00e9m gravam os Shabotinski.<br \/>\nNo meio da confus\u00e3o, alguns dos \u201cvelhos\u201d continuam imperturb\u00e1veis: os Faust, ressuscitados pela m\u00e3o de Jim O\u2019Rourke, tornaram-se ainda mais os maus da fita, destruindo e incendiando os palcos por onde passam. Moebius prossegue nos Ersatz o seu percurso inigual\u00e1vel. Roedelius comp\u00f5e sinfonias de electr\u00f3nica bizarra. Os Neu! E os La Dusseldorf fundiram-se na entidade colectiva dirigida por Klaus Dinger sob o gen\u00e9rico La! Neu?, Holger Czukay continua a esburacar. O esp\u00edrito do \u201ckrautrock\u201d revive nos Space Explosion, supergrupo formado por Moebius (Cluster), Mani Neumeier (Guru Guru), J\u00fcrgen Engler (Die Krupps), Chris Karrer (Amon D\u00fc\u00fcl II) e Zappi Diermaier e Jean-Herv\u00e9 Peron (ambos dos Faust). Quanto aos Einsturzende Neubauten, garantem que o sil\u00eancio \u00e9 sexy e comp\u00f5em can\u00e7\u00f5es de amor\u2026<\/p>\n<p><strong>Rococ\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/torococorot.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/torococorot.jpg\" alt=\"torococorot\" title=\"torococorot\" width=\"425\" height=\"588\" class=\"alignnone size-full wp-image-430\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/torococorot.jpg 425w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/torococorot-216x300.jpg 216w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Come\u00e7ou por ser o nome de uma galeria de arte de Berlim, dirigida pelos irm\u00e3os Ronald e Robert Lippok, antes de se tornar o nome de um dos grupos mais interessantes e criativos da nova electr\u00f3nica alem\u00e3: To Rococo Rot. Os dois decidiram come\u00e7ar a fazer m\u00fasica chamando um terceiro elemento, Stefan Schneider, de outra banda rec\u00e9m-formada, neste caso oriunda de Dusseldorf, os Kreidler. Da primeira sess\u00e3o realizada pelos tr\u00eas resultou o \u00e1lbum \u201cCD\u201d, de 1995, uma colec\u00e7\u00e3o de sons electr\u00f3nicos plenos de for\u00e7a e originalidade, onde eram detect\u00e1veis as influ\u00eancias dos Can e de Dieter Moebius, dos Cluster. Ronald Lippok integrava ao mesmo tempo os Tarwater enquanto o seu irm\u00e3o se dedicava a trabalhos de remistura e djing. Em \u201cVeiculo\u201d, segundo \u00e1lbum dos To Rococo Rot, o som e as batidas tornam-se mais suaves, numa transi\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 dos Kraftwerk, de \u201cRalf and Florian\u201d para \u201cAutobahn\u201d. Colabora\u00e7\u00f5es com Move D, da Source Records, e D, da Soul Static, culminam na participa\u00e7\u00e3o do DJ I-Sound numa das faixas do terceiro \u00e1lbum da banda, \u201cThe Amateur View\u201d.<\/p>\n<p><strong>Marcianos<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/mouseonmars.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/mouseonmars.jpg\" alt=\"mouseonmars\" title=\"mouseonmars\" width=\"425\" height=\"745\" class=\"alignnone size-full wp-image-431\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/mouseonmars.jpg 425w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/mouseonmars-171x300.jpg 171w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Entre os in\u00fameros nomes da nova escola electr\u00f3nica alem\u00e3 destaca-se o dos Mouse on Mars, dupla composta por Andi Toma (natural de Col\u00f3nia) e Jan St. Werner (Dusseldorf). Cedo abandonaram a cena techno para se concentrarem na produ\u00e7\u00e3o de sonoridades electr\u00f3nicas mais abstractas mas n\u00e3o menos desprovidas de \u201cGroove\u201d que alternam o paisagismo alucinado e programa\u00e7\u00f5es ora raivosas ora subliminares, nas quais s\u00e3o percept\u00edveis as marcas deixadas pelos Cluster e pelos Kraftwerk. Eles gostam de citar igualmente os Can e os Neu!, com os quais dizem ter aprendido a \u201cusar instrumentos \u2018vivos\u2019 como a guitarra, o baixo e a bateria\u201d. Mas quem j\u00e1 os viu actuar ao vivo pode verificar que os instrumentos \u201cvivos\u201d que Andi e Jan utilizam est\u00e3o mais de acordo com o esp\u00edrito dos anos 90: um emaranhado de circuitos e dispositivos electr\u00f3nicos dispostos sobre uma mesa de trabalho a partir dos quais os dois alem\u00e3es constroem uma barreira s\u00f3nica que vai da hipnose ao massacre, do minimalismo brutal a cad\u00eancias \u201cclusterianas\u201d em suspens\u00e3o. Para ouvir com urg\u00eancia s\u00e3o os \u00e1lbuns \u201cVulvaland\u201d, as dan\u00e7as mentais do novo \u201cNiun Niggung\u201d e, sobretudo, o disco que entrar\u00e1 para os anais do novo electrokraut, \u201cIaora Tahiti\u201d.<\/p>\n<p><strong>10 \u00c1lbuns dos anos 80<\/strong><br \/>\nD.A.F. Gold und Liebe (1981)<br \/>\nEINTURZENDE NEUBAUTEN Halber Mensch (1985)<br \/>\nHOLGER CZUKAY On the Way to the Peak of Normal (1980)<br \/>\nHOLGER HILLER Oben im Eck (1986)<br \/>\nKRAFTWERK Computer World (1981)<br \/>\nMOEBIUS &#038; PLANK En Route (1986)<br \/>\nDER PLAN Es Ist ein Fremde und Seltsame Welt (1987)<br \/>\nPROPELLER ISLAND The Secret Convention (1988)<br \/>\nPYROLATOR Wonderland (1984)<br \/>\nDIE VOGEL EUROPAS Best Before (1989)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/dossieralemanha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/dossieralemanha-98x300.jpg\" alt=\"dossieralemanha\" title=\"dossieralemanha\" width=\"98\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-432\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/dossieralemanha-98x300.jpg 98w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/dossieralemanha-336x1024.jpg 336w\" sizes=\"auto, (max-width: 98px) 100vw, 98px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/78774029\/Kraftwerk-Computer_world_lp_1981.rar\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(Kraftwerk &#8211; Computer World)<br \/>\n<a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/109048558\/Kreidler_-_Appearance_And_The_Park.rar\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(Kreidler &#8211; Appearance and the Park)<br \/>\n<a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/100154608\/Mouse_On_Mars_-_Iaora_Tahiti.part1.rar\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(Mouse on Mars &#8211; Iaora Tahiti &#8211; parte 1)<br \/>\n<a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/100156746\/Mouse_On_Mars_-_Iaora_Tahiti.part2.rar\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(Mouse on Mars &#8211; Iaora Tahiti &#8211; parte 2)<\/p>\n<p><strong>20 \u00c1lbuns dos anos 90<\/strong><br \/>\nB. FLEISCHMANN Pop Loops for Breakfast (999)<br \/>\nERSATZ Ersatz II (1992)<br \/>\nFUNKSTORUNG Appetite for Destruction (2000)<br \/>\nF.X. RANDOMIZ Goflex (1997)<br \/>\nHANS-JOACHIM ROEDELIUS Sinfonia Contempora No. 1 (1994)<br \/>\nHOLOSUD Fijnewas Afpompen (1998)<br \/>\nKONRAD KRAFT Alien Atmospheres (1996)<br \/>\nKREIDLER Appearance and the Park (1998)<br \/>\nL@N L@n (1996)<br \/>\nMICHAEL ROTHER \u2013 Esperanza (1996)<br \/>\nMOUSE ON MARS Iaora Tahiti (1995)<br \/>\nORCHESTER 33 1\/3 Orchester 33 1\/3 (1997)<br \/>\nSCHLAMMPEITZIGER Spacerockmountainrutschquartier (1997)<br \/>\nSCHNEIDER TM Moist (1998)<br \/>\nSHABOTINSKI (B)ypass (K)ill (1999)<br \/>\nTELE:FUNKEN A Collection of Ice Cream Vans vol. 2 (2000)<br \/>\nTHOMAS KONER Nunatak Gongamour (1990)<br \/>\nTIED &#038; TICKED TRIO E!1 EA2 (1999)<br \/>\nTO ROCOCO ROT CD (1996)<br \/>\nWORKSHOP Meiguiweisheng Xiang (1997)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dossier Alemanha O S\u00e9culo Da Electr\u00f3nica Kraut Existe um elo a unir a m\u00fasica electr\u00f3nica alem\u00e3 dos anos 70, 80 e 90. O krautrock cede o lugar \u00e0 \u201cneue deutsch welle\u201d e esta aos actuais magos do \u201cpowerbook\u201d. Os sonhos da \u201ckosmische muzik\u201d transformaram-se me pesadelos industriais e estes deram lugar a brincadeiras de crian\u00e7as. 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