{"id":4091,"date":"2015-10-22T07:39:27","date_gmt":"2015-10-22T14:39:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4091"},"modified":"2015-10-22T07:39:27","modified_gmt":"2015-10-22T14:39:27","slug":"nick-cave-the-bad-seeds-let-love-in","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/10\/22\/nick-cave-the-bad-seeds-let-love-in\/","title":{"rendered":"Nick Cave &#038; The Bad Seeds &#8211; &#8220;Let Love In&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>13 ABRIL 1994<\/p>\n<p><strong>O DIABO ATR\u00c1S DA PORTA<\/p>\n<p>NICK CAVE &#038; THE BAD SEEDS<br \/>\nLet Love In<\/strong><br \/>\nMute, distri. BMG<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4092\" rel=\"attachment wp-att-4092\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/nc-300x300.jpg\" alt=\"nc\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4092\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/nc-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/nc-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/nc-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/nc.jpg 560w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Em quatro dos dez novos temas de \u201cLet Love in\u201d, sem contar com o t\u00edtulo, aparece a palavra \u201cAmor\u201d: \u201cDo you love me\u201d, \u201cLoverman\u201d, \u201cI let love in\u201d e \u201cDo you love me, part 2\u201d. Quer isto dizer que o ex-vocalista dos Birthday party se converteu ao rock sentimental\u00e3o e ao mesmo tempo se arrependeu dos seus pecados e excessos do passado?<br \/>\nNuma miniestrevista passada recentemente na MTV, Cave afirmava \u2013 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber com que dose de cinismo \u2013 que se fartara de lixar a cabe\u00e7a alheias, que entrara na fase de reconvers\u00e3o e de mudan\u00e7a: em suma, que se tornara uma boa pessoa. \u00c9 um facto que a f\u00faria dos Birthday Party ou dos primeiros \u00e1lbuns a solo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a mesma e que o australiano foi desenvolvendo ao longo dos anos outras formas de inocular o veneno. De \u201cc\u00e3o raivoso\u201d passou progressivamente a uma esp\u00e9cie de \u201ccrooner\u201d luciferino, que disfar\u00e7a o niilismo demon\u00edaco dos temas num embrulho de falso romantismo que s\u00f3 enganar\u00e1 os mais ing\u00e9nuos.<br \/>\nNick Cave \u00e9 um estratega do cinismo. \u201cLet love in\u201d n\u00e3o esmaga pelo lado do horror e da cacofonia, como acontece por exemplo com a m\u00fasica de um dos seus amigos, Blixa Bargeld, dos berlinenses Einstuerzende Neubauten, e com Mick Harvey, elemento de primordial import\u00e2ncia no som dos Bad Seeds. Pelo contr\u00e1rio, o cantor veste-se com os veludos, os cetins e n\u00e9ons do \u201cshowbiz\u201d, ou ent\u00e3o deixa-se envolver pelos fumos de cabar\u00e9, para do lado de dentro das falsas can\u00e7\u00f5es de amor nos atirar \u00e0 cara a mesma desesperan\u00e7a de sempre.<br \/>\nO universo actual de Cave, passado \u2013 pelo menos na apar\u00eancia \u2013 o fasc\u00ednio pelo Brasil (embora o m\u00fasico continue a n\u00e3o esconder a admira\u00e7\u00e3o por este pa\u00eds, onde se desloca com frequ\u00eancia), encontra-se com as \u201cindustrial cowboy songs\u201d de Frank Tovey, ali\u00e1s Fad Gadget, como \u201cI let love in\u201d e \u201cRed right hand\u201d, o desestruturalismo dos Neubauten, a ideologia de autoflagela\u00e7\u00e3o de Clint Ruin, ali\u00e1s Foetus, ali\u00e1s Jim Thirlwell e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, com Jim Morrison, dos Doors. Em \u201cJangling Jack\u201d, o maligno revela o seu rosto real, numa torrente de \u00e1cido de guitarras saturadas, que, em paralelo com a rouquid\u00e3o alucinada da voz, recorda de forma surpreendente as primeiras experi\u00eancias empreendidas pelos \u201cindustriais\u201d de Sheffield, Cabaret Voltaire, de \u201cMix-Up\u201d e \u201cRed Mecca\u201d.<br \/>\nO diabo d\u00e1 inequivocamente a cara e o discurso em \u201cLoverman\u201d, talvez o tema emblem\u00e1tico do que Cave tem hoje para nos dizer \u2013 \u201cthere\u2019s a devil waiting outside your door\u201d \u2013, em que de novo os sinos (os sinos que aparecem logo na entrada, \u201cDo you love me\u201d, os mesmos sinos que assombraram Lou Reed, ainda os mesmos sinos subliminares que gelam \u201cAn \u00edndex of metals\u201d, de Fripp e Eno, um dos temas, se n\u00e3o \u201co tema\u201d que na \u201cm\u00fasica popular\u201d melhor deixa passar o vento da loucura e do dem\u00f3nio para o lado de c\u00e1) anunciam a trag\u00e9dia. Arredada ficou tamb\u00e9m a religiosidade invertida \u2013 por muito que Cave cite num dos temas, \u201cNobody\u2019s baby now\u201d, a B\u00edblia e Jesus como fontes de salva\u00e7\u00e3o \u2013 que caracterizava uma \u00e1lbum como \u201cThe Good Son\u201d, incondicionalmente aberto \u00e0 influ\u00eancia do \u201cgospel\u201d. O \u201cbom filho\u201d deixou cair a m\u00e1scara mas n\u00e3o o enorme talento para perturbar o mostrar o lado oculto e escuro da vida \u201creal\u201d, pintada com as mesmas cores que David Lynch utilizou para colorir a \u201crealidade\u201d de superf\u00edcie, de \u201cVeludo Azul\u201d.<br \/>\nO que faz afinal aquilo que \u00e9 ao mesmo tempo a unidade e a pulveriza\u00e7\u00e3o dessa unidade, na m\u00fasica dos Bad Seeds? Que o explica \u00e9 Mick Harvey, guitarrista e companheiro de longa data de Cave, com quem alinhou nos Birthday Party: \u201cOs Bad Seeds dependem dos aspectos idiossincr\u00e1ticos de cada m\u00fasico individualmente. N\u00e3o s\u00e3o um grupo regular no sentido vulgar do termo. Tudo depende muito da maneira como Thomas Wydler toca bateria ou Blixa Bargeld a guitarra. A personalidade do grupo define a globalidade de som, em que cada um trabalha a sua pr\u00f3pria participa\u00e7\u00e3o nas can\u00e7\u00f5es. \u00c9 o que nos distingue das outras bandas. O grupo desenvolve as suas diferen\u00e7as e o modo como cada um de n\u00f3s estimula e se inspira na sonoridade dos outros.\u201d<br \/>\nNada disto resultaria, como \u00e9 evidente, se n\u00e3o existissem as palavras e a perspectiva, sempre focada, do vocalista. Juntos, palavras, ru\u00eddos e \u201crock and roll\u201d, formam um \u201ccocktail\u201d que mistura doses proporcionais de mistifica\u00e7\u00e3o, deformidade e espect\u00e1culo de variedades. Teatro da crueldade, onde, como profetizava Artaud, vida e representa\u00e7\u00e3o de confundiam. Paradigma desta est\u00e9tica de dramatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a faixa atr\u00e1s citada, \u201cLoverman\u201d, na qual tr\u00eas partes distintas, correspondentes a outras tantas personalidades fict\u00edcias, se conglomeram num todo que confere a um termo como \u201csoul music\u201d significa\u00e7\u00f5es iguais a dor, medo, tortura, desespero e morte.<br \/>\nId\u00eantica desoculta\u00e7\u00e3o ocorre em \u201cThirsty dog\u201d, dil\u00favio de guitarras e gritos enraivecidos, que recuam aos tempos \u00e9picos de fogo dos Birthday Party \u2013 conota\u00e7\u00e3o a que decerto n\u00e3o \u00e9 alheio o regresso de Tony Cohen, antigo produtor dos Birthday aos comandos do actual grupo. \u00c9pico de outra maneira volta a ser \u201cAin\u2019t gonna rain anymore\u201d, em que Cave, por um momento, se deixa comover por algo parecido com o amor. Para voltar a vestir o h\u00e1bito do monge em \u201cLay me low\u201d, um espiritual tingido de sangue, em que efabula sobre o pr\u00f3prio funeral, sobre coros e um \u00f3rg\u00e3o da igreja dos danados. A calma assassina desce, a mesma calma assassina que desde nos momentos mais escuros da obra de Leonard Cohen ou John Cale, no tema final, segunda parte de \u201cDo you love me\u201d, ardil e mote daquele que \u00e9 um dos grandes discos de Cave at\u00e9 ao presente. Quem ama afinal Nick Cave? Quem se atreve a enla\u00e7ar este filho do filho das trevas? <strong>(8)<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/minhateca.com.br.80bola.com\/Adriano.CB\/M*c3*basicas\/*23N\/%28Nick+Cave+*26+The+Bad+Seeds%29\/08-Let+Love+In+%281994%29\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5UwwRYxKdiA\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 13 ABRIL 1994 O DIABO ATR\u00c1S DA PORTA NICK CAVE &#038; THE BAD SEEDS Let Love In Mute, distri. 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