{"id":4047,"date":"2015-10-08T06:48:02","date_gmt":"2015-10-08T13:48:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4047"},"modified":"2015-10-08T06:48:02","modified_gmt":"2015-10-08T13:48:02","slug":"hector-zazou-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/10\/08\/hector-zazou-entrevista\/","title":{"rendered":"Hector Zazou &#8211; entrevista"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>28 de Setembro de 1994<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>\u201cCOMO UM ESTUDO GEOL\u00d3GICO\u201d<\/p>\n<p>Hector Zazou regressa a Portugal. Desta vez, trazendo consigo Harold Budd e a ex-vocalista dos Passions, Barbara Gogan. Autor de uma obra diversificada, Hector Zazou explicou ao P\u00daBLICO o sei interesse por toda a esp\u00e9cie de mesti\u00e7agens musicais.<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4048\" rel=\"attachment wp-att-4048\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/hz-300x164.jpg\" alt=\"hz\" width=\"300\" height=\"164\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4048\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/hz-300x164.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/hz-100x55.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/hz.jpg 303w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><strong>P\u00daBLICO \u2013 Os seus primeiros discos \u2013 \u201cBarricades 3\u201d e \u201cTrait\u00e9 de Mecanique Populaire\u201d, com os ZNR \u2013 s\u00e3o bastante diferentes de tudo o que fez depois. Como encara hoje esses trabalhos?<\/strong><br \/>\nHECTOR ZAZOU \u2013 S\u00e3o dois discos um pouco desajeitados mas t\u00eam o seu \u201ccharme\u201d. O que se pode chamar obras de juventude. \u201cBarricades 3\u201d \u00e9 muito amador. Ao segundo ouvi-o recentemente e encontrei, l\u00e1 dentro, coisas interessantes mas que, em compara\u00e7\u00e3o com o que se fazia na \u00e9poca, soa demasiado ac\u00fastico e trabalhado.<br \/>\n<strong>P. \u2013 A entrada para a editora belga Made To Measure implicou mudan\u00e7as na sua direc\u00e7\u00e3o musical?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Os discos que gravei nessa editora [\u201cReivax au Bongo\u201d, \u201cG\u00e9ographies\u201d e \u201cG\u00e9ologies\u201d] s\u00e3o todos diferentes. \u201cG\u00e9ographies\u201d e \u201cG\u00e9ologies\u201d deveriam fazer parte de um tr\u00edptico cuja terceira parte n\u00e3o existe nem existir\u00e1. A ideia era partir dos instrumentos ac\u00fasticos para chegar \u00e0 electr\u00f3nica. Em \u201cG\u00e9ographies\u201d, praticamente n\u00e3o existem sintetizadores. \u201cG\u00e9ologies\u201d j\u00e1 mistura os sintetizadores com os instrumentos cl\u00e1ssicos. O terceiro volume deveria ser completamente electr\u00f3nico, com alguns, poucos, elementos cl\u00e1ssicos.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Nas capas de \u201cG\u00e9ographies\u201d e \u201cG\u00e9ologies\u201d, pode ler-se respectivamente \u00ab feito \u00e0 medida para eliminar a teoria do p\u00f3s-modernismo\u201d e \u201cfeito \u00e0 medida para um estudo de estratos de sentimentos\u201d. Estava a brincar ou a falar a s\u00e9rio?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u00c9 uma brincadeira em \u201cG\u00e9ographies\u201d e talvez algo mais s\u00e9rio em \u201cG\u00e9ologies\u201d. Gosto da palavra \u201cstrate\u201d, sin\u00f3nimo de \u201ccouche\u201d [\u201ccamada\u201d, \u201cleito\u201d] como num estudo geol\u00f3gico, quando nos apercebemos, ao escavar, de diferentes estratos do solo que permitem determinar a sua idade. Era isso que me interessava, ter uma camada de instrumentos ac\u00fasticos, uma camada de instrumentos electr\u00f3nicos e, desta maneira, escavar e penetrar um pouco no passado.<br \/>\n<strong>P. \u2013 H\u00e1 uma faceta cinematogr\u00e1fica no seu trabalho. Fellini, Antonioni\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Sim, embora n\u00e3o tenha qualquer rela\u00e7\u00e3o directa com o cinema. Adoraria ter composto m\u00fasica para Fellini mas ele j\u00e1 tinha o Nino Rota, que o fazia decerto melhor que eu\u2026 N\u00e3o h\u00e1 nenhum outro realizador que me fa\u00e7a desejar trabalhar com ele. Talvez o \u00fanico seja Hal Hartley, um jovem cineasta americano, algures entre Jim Jarmusch e Jean-Luc Godard.<br \/>\n<strong>P. \u2013 \u201cReivax au Bongo\u201d \u00e9 a mais estranha das suas experi\u00eancias com a m\u00fasica africana\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u00c9, de novo, um disco de misturas \u2013 no fundo, o que me interessa: a mesti\u00e7agem. Encontrar portas de comunica\u00e7\u00e3o. Em \u201cReivax\u201d, tratou-se de misturar \u201cNoir et Blanc\u201d e \u201cG\u00e9ographies\u201d, num lado, e, no outro, a m\u00fasica electr\u00f3nica, algo na linha do que poderia ser a terceira parte da tal trilogia, com uma cantora cl\u00e1ssica.<br \/>\n<strong>P. \u2013 N\u00e3o acha que, em compara\u00e7\u00e3o com esse ou \u201cNoir et Blanc\u201d, dois dos discos que gravou com Boni Bikaye, \u201cGuilty\u201d, um disco de m\u00fasica de dan\u00e7a, soa bastante maia vulgar?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u00c9 preciso ter em conta que a dupla Zazou-Bikaye come\u00e7ou por um acaso. \u201cNoir et Blanc\u201d \u00e9 um disco totalmente espont\u00e2neo. Em seguida, Zazou-Bikaye tornou-se um grupo com actua\u00e7\u00f5es ao vivo. Verific\u00e1mos que as pessoas se levantavam e dan\u00e7avam. O grupo come\u00e7ou progressivamente a incorporar ritmos cada vez mais evidentes na m\u00fasica, que, deste modo, se foi tornando progressivamente menos interessante. Por essa raz\u00e3o, decidi que o grupo devia terminar. \u201cGuilty\u201d \u00e9 um disco que deve muito a artistas como Prince, que, nessa \u00e9poca, tinha acabado de editar \u201cSign of the Time\u201d, um disco que adoro. Tentei encontrar na produ\u00e7\u00e3o um som e texturas parecidas\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Como conseguiu juntar tanta gente importante no projecto \u201cNouvelles Polyphonies Corses\u201d e, posteriormente, em \u201cSahara Blue\u201d [a lista \u00e9 intermin\u00e1vel: Cale, Sakamoto, Jon Hassell, Ivo Papasov, Manu Dibango, Sammy Birnbach, Khaled, Tim Simenon, Bill Laswell, Sussan Deyhim, etc]?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Estavam todos interessados e j\u00e1 conheciam a minha m\u00fasica. Nas polifonias corsas, em que a regra \u00e9 o canto \u201ca capella\u201d, toda essa gente quis participar a acrescentar v\u00e1rios acompanhamentos instrumentais. Dei-lhes toda a confian\u00e7a.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Como nasceu a ideia de musicar Rimbaud, em \u201cSahara Blue\u201d?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Foi uma proposta do Minist\u00e9rio da Cultura, que organizou uma exposi\u00e7\u00e3o no cent\u00e9simo anivers\u00e1rio da morte de Rimbaud. A partir da\u00ed, comecei a trabalhar com Ryuichi Sakamoto e David Sylvian. Quando a exposi\u00e7\u00e3o terminou, como gost\u00e1mos bastante do que t\u00ednhamos feito, pergunt\u00e1mo-nos: \u201cPorque n\u00e3o continuar e fazer um disco com mais gente?\u201d<br \/>\n<strong>P. \u2013 A troca de David Sylvian pelos Dead Can Dance, por raz\u00f5es contratuais, na segunda vers\u00e3o de \u201cSahara Blue\u201d foi uma solu\u00e7\u00e3o de recurso?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o! Tenho uma lista de todas as pessoas com quem quero trabalhar!<br \/>\n<strong>P. \u2013 Harold Budd faz, evidentemente, parte dela?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Claro! Vai tocar piano e dizer poemas. V\u00e3o estar comigo tamb\u00e9m um saxofonista e clarinetista, Renault Pion, e a cantora Barbara Gogan, que far\u00e1 sozinha a primeira parte e, na segunda, ir\u00e1 cantar provavelmente dois temas de \u201cSahara Blue\u201d.<\/p>\n<p>DIA 30, Aula Magna, Lisboa, 22h<br \/>\nDIA 1, Cinema do Ter\u00e7o, Porto, 22h<br \/>\nPrimeira parte: Barbara Gogan<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xOrT4KwmS-0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 28 de Setembro de 1994 \u201cCOMO UM ESTUDO GEOL\u00d3GICO\u201d Hector Zazou regressa a Portugal. Desta vez, trazendo consigo Harold Budd e a ex-vocalista dos Passions, Barbara Gogan. Autor de uma obra diversificada, Hector Zazou explicou ao P\u00daBLICO o sei interesse por toda a esp\u00e9cie de mesti\u00e7agens musicais. 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