{"id":3979,"date":"2015-09-16T04:56:31","date_gmt":"2015-09-16T11:56:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3979"},"modified":"2015-09-16T04:56:31","modified_gmt":"2015-09-16T11:56:31","slug":"guardar-castidade-nas-palavras-e-nas-obras-artigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/09\/16\/guardar-castidade-nas-palavras-e-nas-obras-artigo\/","title":{"rendered":"Guardar Castidade Nas Palavras E Nas Obras &#8211; artigo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>11 de Maio de 1994<\/p>\n<p><strong>GUARDAR CASTIDADE NAS PALAVRAS E NAS OBRAS<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3980\" rel=\"attachment wp-att-3980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/ee.jpg\" alt=\"ee\" width=\"193\" height=\"262\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3980\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/ee.jpg 193w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/ee-74x100.jpg 74w\" sizes=\"auto, (max-width: 193px) 100vw, 193px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Quem pensa que Quim Barreiros \u00e9 o rei incontestado da ordinarice desengane-se. Ele \u00e9 t\u00e3o simplesmente o v\u00e9rtice de uma pir\u00e2mide cuja base parece n\u00e3o ter fundo. O \u201cbacalhau\u201d, o \u201cbater por letra\u201d e \u201cChupa Teresa\u201d s\u00e3o gongorismos po\u00e9ticos comparados com o pantanal de palavr\u00f5es que se estende da\u00ed para baixo at\u00e9 ao infinito. Convidamos o leitor a descer connosco ao submundo da rasquice mais imunda, \u00e0 piada mais rasteira, ao verso mais indigno. Sintam connosco o fr\u00e9mito da repugn\u00e2ncia. Tenham nojo, tenham muito nojo! O espect\u00e1culo de horror vai come\u00e7ar.<br \/>\n\tA leitura do artigo que se segue \u00e9 desaconselh\u00e1vel a menores de 18 anos. De resto, o mesmo aviso que aparece colado nas \u201cAnedotas Malandrecas\u201d de Canty, o \u201cCantiflas portugu\u00eas\u201d. Um exemplo, logo na entrada: \u201cNum bailarico, uma tipa dan\u00e7ava com um tipo durante v\u00e1rias semanas. Ele notou que ela andava sempre de luvas. Um dia diz-lhe ele: Oi\u00e7a l\u00e1 menina Henriqueta, por que \u00e9 que usa sempre as luvas? Diz ela: Ah, ah, ai o senhor j\u00e1 reparou? Sabe, eu uso luvas para manter as minhas m\u00e3os sempre branquinhas. Diz ele: Oh que merda esta, at\u00e3o eu uso cal\u00e7as h\u00e1 tantos anos e tenho os colh\u00f5es t\u00e3o pretos?!\u201d [Ru\u00eddo de gargalhadas.]<br \/>\n\tCarreg\u00e1mos na tecla de \u201cstop\u201d. Continuam a seguir-nos neste t\u00fanel de horrores? Paremos um bocadinho para descansar e reflectir. Em nome de qu\u00ea existem coisas destas \u00e0 venda? Quem compra, quem ouve e quem se diverte a ouvir as anedotas de Canty ou as \u201ccan\u00e7\u00f5es\u201d de Artur Gon\u00e7alves ou do duo Ele e Ela? Muitos milhares de pessoas por esse pa\u00eds fora, sem d\u00favida.<br \/>\n\tCanty n\u00e3o quer chocar com a sua linguagem grosseira, mas sim dar voz \u00e0s puls\u00f5es reprimidas ou \u00e0s frustra\u00e7\u00f5es de vidas sem sentido. O tr\u00e1gico \u00e9 que h\u00e1 quem se divirta. Portugal, pa\u00eds de sonhadores e poetas, esconde trevas hediondas onde o comum dos mortais com um m\u00ednimo de sensibilidade perde a raz\u00e3o. Ainda t\u00eam coragem de prosseguir? N\u00e3o digam que n\u00e3o vos avis\u00e1mos! A hist\u00f3ria \u00e9 pr\u00f3diga em casos de homens e mulheres de bem que se perderam no lodo da corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tEle e Ela, Jos\u00e9 Crispim e Lena Silva, s\u00e3o um duo da ordinarice apadrinhado pela crueldade humor\u00edstica de Herman Jos\u00e9. Uma das suas cassetes intitula-se \u201cA Cabra e o Bode\u201d e tem narra\u00e7\u00e3o de V\u00edtor de Sousa. Aqui, a ordinarice tem \u201cm\u00fasica\u201d de acompanhamento e uma introdu\u00e7\u00e3o algo desconexa em espanhol. \u201cNi\u00f1as, ni\u00f1os, se\u00f1oras, se\u00f1ores, para ustedes una mui preciosa historia de humor, que se pasa com los artistas Ele e Ela. Ele tiene un bode, ela tiene una cabra. Asi estes animales hacen parte de un espect\u00e1culo de humor.\u201d De imediato seguida pela entrada triunfante da primeira can\u00e7\u00e3o, sobre ritmo disco: \u201cVamos a ela, \u00e0 cabra da minha mulher! Um, dois, tr\u00eas, ela j\u00e1 n\u00e3o os tem\u201d e \u201cO bode do meu marido \u00e9 que nunca mais c\u00e1 vem\u201d. Escolhemos ao acaso uma faixa pelo t\u00edtulo: \u201cMeu gato n\u00e3o me come a rata\u201d. At\u00e9 \u00e9 suave: \u201cAi que rata t\u00e3o bela! Mas o meu Z\u00e9 gato quando a v\u00ea ao lado perde o aparato e n\u00e3o fica assanhado.\u201d<br \/>\n\tNel Mix e os seus \u201cSucessos\u201d de \u201cM\u00fasica p\u2019ra pular\u201d de gen\u00e9rico \u201cA revolta dos maridos\u201d deram o mote para outras duas duplas cujo denominador comum \u00e9 Tony Moreira. Uma delas com Deolinda Maria, intitulada \u201cDesgarradas \u2013 Batota nas Bordas\u201d, e outra com Rosa Oliveira, mo\u00e7oila corada com trajes de minhota que aparece na capa a fazer uns cornos porque o disco se chama \u201cOs Cornos do Diabo\u201d.<br \/>\n\tA ordinarice junta-se aqui ao satanismo numa alian\u00e7a duplamente perigosa. Sentimos curiosidade. Estariam aqui os percursores do \u201cworld metal\u201d portugu\u00eas? Era preciso ouvir, com muitas cautelas e amuletos, para ter a certeza. Sobre um fundo de folclore empastado de acorde\u00f5es, chulas do princ\u00edpio ao fim, t\u00e3o ao gosto do bom povo portugu\u00eas. N\u00e3o encontr\u00e1mos palavr\u00f5es. Afinal \u00e9 gente educada. Para al\u00e9m dos \u201ccornos\u201d ditos e reditos na descri\u00e7\u00e3o de um \u201caffaire\u201d marital desenrolado intra e al\u00e9m-fronteiras, nada de especialmente chocante h\u00e1 a assinalar. Ali\u00e1s, talvez devido a um trauma qualquer, Tony Moreira tem uma fixa\u00e7\u00e3o naqueles ap\u00eandices \u00f3sseos. A segunda das suas cassetes com Rosa Oliveira chama-se \u201cUm Par de Cornos\u201d e afina pelo mesmo diapas\u00e3o de matreirice camuflada, enquanto com Deolinda Maria h\u00e1, por sua vez, um tema chamado \u201cOs cornos do caracol\u201d. Ser\u00e1 que a infidelidade grassa por essa prov\u00edncia fora e que o Portugal real reage a este tipo de est\u00edmulos? Tratar-se-\u00e1 da pornografia dos pobres?<br \/>\n\tUm dos temas de \u201cBatota nas Bordas\u201d \u00e9 mais \u201chard\u201d e tem por t\u00edtulo \u201cFressura na panela\u201d. Nele h\u00e1 o seguinte di\u00e1logo: \u201cOl\u00e1 menina do talho, tens a fressura molhada, se eu te apanho essa carne, hei-de com\u00ea-la \u00e0 manada.\u201d Responde ela: \u201cA minha carne n\u00e3o comes, ela custa bom dinheiro, e tu a fazeres panelas \u00e9 um fraco paneleiro.\u201d Riposta ele (ofendido): \u201cFa\u00e7o panelas e pratas, sou um artista de primeira, se eu te apanho a fressura, ferro-lhe o dente \u00e0 maneira.\u201d Ela insiste nas ofensas \u00e0 sua virilidade: \u201cS\u00f3 vendo isso no talho, nota bem \u00f3 comil\u00e3o, falas tanto na fressura, mas s\u00f3 comes salpic\u00e3o!\u201d e \u201cS\u00f3 vendo carne de talho, toda a gente sabe disso, mete na tua panela um paio ou um chouri\u00e7o.\u201d Ele defende-se, ela ataca, deixamos \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o do leitor o crescendo de ignom\u00ednias conducentes a um desenlace que se adivinha tr\u00e1gico.<br \/>\n\tN\u00e3o nos atrevemos a voltar a Canty e \u00e0 bo\u00e7alidade das suas pilh\u00e9rias. N\u00e3o \u00e9 \u201cS\u00f3 malandrice\u201d comos e diz noutra das suas cassetes, mas qualquer coisa de verdadeiramente obsceno muito al\u00e9m do simples teor escatol\u00f3gico ou sexual de palavras que agridem em primeiro lugar a intelig\u00eancia. \u00c9 poss\u00edvel que este e outros \u201cartistas\u201d da mesma igualha que milhares de cidad\u00e3os an\u00f3nimos consomem de forma mais ou menos ing\u00e9nua retratem no fundo as puls\u00f5es sem tino nem destino de portugueses perdidos dentro de si mesmos, abandonados num pa\u00eds entregue \u00e0s m\u00e3os de uma estupidez mais profunda e mais perigosa do que qualquer rima pornogr\u00e1fica. Uma estupidez sem consci\u00eancia, incrustada na alma inexistente de gente ainda mais feia do que o \u201cCantiflas portugu\u00eas\u201d. Uma estupidez perversa oculta sob m\u00e1scaras, gravatas e pastas de executivo que, \u00e0s escondidas, se rebola de riso alarve com as anedotas \u201cmuito picantes\u201d de Canty. V\u00edcios privados, p\u00fablicas virtudes de quem n\u00e3o guarda castidade nem nas palavras nem nas obras.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wufuzaOQ5vk\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 11 de Maio de 1994 GUARDAR CASTIDADE NAS PALAVRAS E NAS OBRAS Quem pensa que Quim Barreiros \u00e9 o rei incontestado da ordinarice desengane-se. Ele \u00e9 t\u00e3o simplesmente o v\u00e9rtice de uma pir\u00e2mide cuja base parece n\u00e3o ter fundo. 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