{"id":3964,"date":"2015-09-12T14:15:49","date_gmt":"2015-09-12T21:15:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3964"},"modified":"2015-09-12T14:15:49","modified_gmt":"2015-09-12T21:15:49","slug":"guilherme-ines-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/09\/12\/guilherme-ines-entrevista\/","title":{"rendered":"Guilherme In\u00eas &#8211; Entrevista"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>7 de Dezembro de 1994<br \/>\nEM P\u00daBLICO<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>GUILHERME IN\u00caS *<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3966\" rel=\"attachment wp-att-3966\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/gi-300x210.jpg\" alt=\"gi\" width=\"300\" height=\"210\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3966\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/gi-300x210.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/gi-100x70.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/gi.jpg 496w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><strong>O seu percurso musical come\u00e7a pelos grupos pop, prolonga-se pelas sess\u00f5es de est\u00fadio e culmina na produ\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nA partir do momento em que um gajo come\u00e7a a fazer est\u00fadio, o meu interesse passou de um instrumento para a possibilidade de poder ter uma vis\u00e3o mais global e aberta do universo das grava\u00e7\u00f5es. A mudan\u00e7a teve in\u00edcio na grava\u00e7\u00e3o de \u201cSe C\u00e1 Nevasse\u201d, dos Salada de Frutas. A partir da\u00ed passei a entrar mais na \u00e1rea da produ\u00e7\u00e3o. No segundo disco da banda, \u201cCrime Perfeito\u201d, entrei um bocadinho ainda mais. Mas continuo a ser m\u00fasico, a tocar bateria, guitarra, piano. No \u00faltimo disco da Dulce, toc\u00e1mos praticamente os instrumentos todos.<\/p>\n<p><strong>Enquanto m\u00fasico e produtor, quais s\u00e3o as suas prefer\u00eancias?<\/strong><br \/>\nO meu \u201cbackground\u201d tem duas vertentes: a m\u00fasica popular portuguesa e o rock, com letra mai\u00fascula. Hoje em dia o que eu gosto de ouvir est\u00e1 um bocado ligado \u00e0s m\u00fasicas alternativas e aquilo a que se poder\u00e1 chamar \u201cworld music\u201d. Coisas que at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo nem sabia que existiam, m\u00fasica dos pigmeus do Gab\u00e3o, um basco chamado Tom\u00e1s San Miguel, um tipo vai chegando \u00e0 conclus\u00e3o que neste momento h\u00e1 um planeta, uma s\u00e9rie de pessoal que aparentemente n\u00e3o est\u00e1 relacionado com nada mas est\u00e1 no mesmo comprimento de onda, a fazer trabalhos de fus\u00e3o de culturas. Quando se procura as pr\u00f3prias ra\u00edzes, vai-se encontrar as ra\u00edzes dos outros. Quanto mais fundo se vai, mais para cima se vai. Chegando ao Peter Gabriel, para mim o fulano que faz m\u00fasica mais consensual.<\/p>\n<p><strong>Transp\u00f5e esses gostos para o trabalho de produ\u00e7\u00e3o ou aceita todas as solicita\u00e7\u00f5es de trabalho, pondo de lado essas mesmas prefer\u00eancias?<\/strong><br \/>\nNo esquema de produ\u00e7\u00e3o mais recente, apenas produzi o disco da Dulce Pontes, \u201cL\u00e1grimas\u201d. A minha outra \u00e1rea de trabalho \u00e9 a publicidade. No caso da Dulce, houve \u00e0 partida uma grande identifica\u00e7\u00e3o entre os dois, para onde \u00e9 que quer\u00edamos ir. \u00c1 partida, quando um artista escolhe um produtor, f\u00e1-lo porque reconhece no trabalho dele qualquer coisa que lhe diz respeito.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m de Dulce Pontes, tamb\u00e9m j\u00e1 produziu um disco da Dora. Para qeum diz situar-se perto das m\u00fasicas alternativas n\u00e3o acha um paradoxo?<\/strong><br \/>\nMas tamb\u00e9m fiz um trabalho com a Lena d\u2019\u00c1gua, sobre temas do Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es, um disco que passou completamente ao lado das pessoas mas onde j\u00e1 havia um desvio para essa \u00e1rea. E quando digo m\u00fasicas alternativas n\u00e3o estou a dizer que elas n\u00e3o sejam comerciais. O que decididamente n\u00e3o me interessa s\u00e3o coisas como a \u201chouse\u201d, a m\u00fasica de dan\u00e7a ou, na generalidade, a dos tops. N\u00e3o a ou\u00e7o, n\u00e3o tenho discos, n\u00e3o me interessam enquanto \u00e1rea de trabalho. Interessa-me cada vez mais uma \u00e1rea onde possa pesquisar, fazer coisas que ainda n\u00e3o fiz. Por outro lado, tenho neste momento um projecto para um disco a solo, algo que tenho na cabe\u00e7a h\u00e1 dez anos, sobretudo desde que andei um ano e meio em digress\u00e3o com Jos\u00e9 Afonso, uma pessoa para mim decisiva em termos de influ\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Como se processa o seu trabalho enquanto compositor e produtor de \u201cjingles\u201d publicit\u00e1rios?<\/strong><br \/>\nTenho a sorte de estar em est\u00fadio consecutivamente. Neste momento e de h\u00e1 dez anos para c\u00e1, todos os dias estou em est\u00fadio. Isto permite-me ir burilando o meu pr\u00f3prio trabalho. Vou ouvindo muita asneira que fa\u00e7o. \u00c9 uma escola de disciplina e de despojamento muito boa, porque de facto aquilo que vai numa pe\u00e7a publicit\u00e1ria de 30 segundos \u00e9 o estritamente necess\u00e1rio. Nada a mais nem a menos. Ali n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o nem tempo a perder. Desenvolve-se um poder se s\u00edntese \u2013 que rem\u00e9dio! \u2013 e de an\u00e1lise grandes. E um poder de microscopia. Divide-se o segundo em 25 partes e cada uma delas \u00e9 crucial. O c\u00e9rebro tem uma capacidade limitada de assimilar informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode sobrecarreg\u00e1-lo. Por exemplo, num filme publicit\u00e1rio, n\u00e3o pode haver excesso de informa\u00e7\u00e3o, sob pena que a mensagem n\u00e3o passe. Outra coisa importante nesta \u00e1rea \u00e9 o sentido de se trabalhar numa equipa, desde os fulanos da ag\u00eancia que concebem a campanha at\u00e9 ao texto, \u00e0 m\u00fasica e \u00e1 parte gr\u00e1fica. Toda a gente trabalha para uma finalidade.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o existe o perigo de o artista se transformar num simples t\u00e9cnico?<\/strong><br \/>\nEsse risco existe. H\u00e1 vezes em que tenho liberdade de cria\u00e7\u00e3o quase total e outras em que h\u00e1 grandes restri\u00e7\u00f5es. A\u00ed vem o factor disciplina ao de cima. Quando se est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o de total liberdade, vamos imaginar um halterofilista que treina com pesos de 40 quilos e de repente lhe atiram com um cinzeiro que pesa 200 gramas. Para o segurar nas m\u00e3os, veja l\u00e1 a agilidade que ele tem! \u00c9 um pouco isto. \u00c9 um pouco como potenciar toda a energia que est\u00e1 acumulada.<\/p>\n<p><strong>Em est\u00fadio e enquanto produtor, j\u00e1 lhe aconteceu entrar em conflito com os m\u00fasicos? De que maneira lida com essas situa\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nLido mal. Para j\u00e1 n\u00e3o gosto de conflitos. Se calhar \u00e9 por ser um bocado pregui\u00e7oso. Geralmente prefiro ceder. Depois, h\u00e1 artistas que s\u00e3o improduz\u00edveis, conhe\u00e7o dois, que se produzem a si pr\u00f3prios. N\u00e3o vale a pena tentar o nosso contributo. Esses artistas n\u00e3o deviam contratar produtores. O produtor para eles \u00e9 uma est\u00e1tua que est\u00e1 ali para p\u00f4r o nome no disco: \u201cProduzido por\u201d. Ora eu quando ponho \u201cproduzido por\u201d, gosto de sentir e ouvir que est\u00e1 l\u00e1 alguma coisa minha. Que h\u00e1 uma responsabilidade minha. Se for mau, \u00e9 mau; se for bom, \u00e9 bom. Eu sou o trabalho que fa\u00e7o. Por exemplo, no disco da Dulce, ou\u00e7o-me l\u00e1. Sou uma pessoa com grande tend\u00eancia para a nostalgia. N\u00e3o para a tristeza. Nem \u00e9 saudosismo mas uma certa nostalgia que me liga a coisas como o amanhecer num rio, como o Z\u00eazere, o cheiro dos eucaliptos.<\/p>\n<p><strong>Referiu h\u00e1 pouco que est\u00e1 quase permanentemente em est\u00fadio. N\u00e3o sente necessidade do sil\u00eancio? De parar?<\/strong><br \/>\nSim. Ent\u00e3o quando chega o Ver\u00e3o!&#8230; Todos os anos, felizmente, h\u00e1 per\u00edodos de paragem. Quando eu digo n\u00e3o parar, \u00e9 sobretudo mentalmente, n\u00e3o ficar desligado. Embora haja alturas em que tenho que desligar e p\u00f4r uma folha em branco \u00e0 frente. Comer um marisco, olhar para o mar, nadar\u2026 Costumo fazer isto quando vou para Ferreira do Z\u00eazere. Vou limpando as baterias.<\/p>\n<p><strong>O termo \u201cnew age\u201d diz-lhe alguma coisa?<\/strong><br \/>\nDiz. Englobo a \u201cnew age\u201d na \u201cworld music\u201d, embora num outro plano, mais sensorial e impressionista.<\/p>\n<p><strong>Diga o nome de produtores que considere revolucion\u00e1rios.<\/strong><br \/>\nBrian Eno\u2026 na cria\u00e7\u00e3o de sinergias entre a pessoa e o que ela est\u00e1 a fazer. Umas vezes \u00e9 a pessoa que puxa a criatividade, noutras \u00e9 aquilo que se faz que puxa a pessoa. \u00c9 esse o sentido do erro e do aproveitamento desse erro. Ir atr\u00e1s do erro e interagir com ele. Malcolm McLaren n\u00e3o me diz grande coisa. Phil Spector, um galo que criou um som. H\u00e1 coisas que mal se ouvem e v\u00ea-se logo que \u00e9 Phil Spector. O \u201cwall of sound\u201d e aquelas cenas todas. George Martin, com os Beatles. Grande profissional, ainda por cima lutando contra grandes dificuldades tecnol\u00f3gicas. Peter Gabriel, em termos de concep\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um tipo que fez completamente discos de produtor que \u00e9 o Trevor Horn, que trabalhou com os Frankie Goes To Hollywood e foi teclista dos Yes. Em termos de manipula\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, \u00e9 um tipo perfeitamente pop.<\/p>\n<p><strong>Os Kraftwerk e a sua no\u00e7\u00e3o de est\u00fadio como instrumento musical?<\/strong><br \/>\nInteressante. T\u00eam uma perspectiva curiosa que \u00e9 n\u00e3o rejeitar a tecnologia, assumi-la a cem por cento e humaniz\u00e1-la, perspectiv\u00e1-la e d\u00e1-la \u00e0s pessoas no seu lado humano. Eu falo com as m\u00e1quinas com que trabalho. N\u00e3o estou a brincar. Vou ter com o \u201cFairlight\u201d e digo-lhe \u201choje est\u00e1s mal disposto!\u201d.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o sente a ang\u00fastia de ter que escolher entre infinitas possibilidades de cria\u00e7\u00e3o postas \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o num est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 o factor da criatividade e sensibilidades pr\u00f3prias. A\u00ed reajo absolutamente por instinto. Em geral, primeiro ou\u00e7o o som e depois \u00e9 que vou \u00e1 procura dele. Imagine que olha para uma parede em branco e \u201cv\u00ea\u201d l\u00e1 um quadro. Depois de \u201cver\u201d o quadro \u00e9 que o vai pintar. N\u00e3o \u00e9 o contr\u00e1rio. O fundamental \u00e9 que o que se ouve esteja correcto com o instinto e as emo\u00e7\u00f5es do momento. Como nas fotografias. Quando se tira uma fotografia n\u00e3o se pode voltar atr\u00e1s. \u00c9 um paral\u00edtico no tempo. Esse segundo, essa frac\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existe mais. Nunca. H\u00e1 alguns de som que dizem que sou uma pessoa um bocado ansiosa, porque acho que determinadas coisas t\u00eam que ser feitas depressa. Para se aproveitar o jorro criativo. As m\u00e1quinas t\u00eam de estar ali para nos servir. Como escravas. O que eu procuro \u00e9 captar as magias, as fa\u00edscas que saltam em determinado momento. Isso \u00e9 que tem de ficar gravado.<\/p>\n<p>* m\u00fasico e produtor. Fez parte, nos anos 60 e 70, de grupos como os Chinchilas, Objectivo, Zoom e Salada de Frutas. Tocou ao vivo e como m\u00fasico de est\u00fadio, entre outros, com Jos\u00e9 Afonso. Vitorino, Fausto e S\u00e9rgio Godinho. Recentemente produziu o \u00e1lbum a solo de Dulce Pontes, \u201cL\u00e1grimas\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/yadi.sk\/d\/ajv_qLPRgQPXk\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QnMtR7B0LbU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 7 de Dezembro de 1994 EM P\u00daBLICO GUILHERME IN\u00caS * O seu percurso musical come\u00e7a pelos grupos pop, prolonga-se pelas sess\u00f5es de est\u00fadio e culmina na produ\u00e7\u00e3o. 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