{"id":3953,"date":"2015-09-09T07:19:00","date_gmt":"2015-09-09T14:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3953"},"modified":"2015-09-09T07:19:00","modified_gmt":"2015-09-09T14:19:00","slug":"margarida-antunes-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/09\/09\/margarida-antunes-entrevista\/","title":{"rendered":"Margarida Antunes &#8211; Entrevista"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>28 de Setembro de 1994<br \/>\nEM P\u00daBLICO<\/p>\n<p><strong>MARGARIDA ANTUNES *<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3954\" rel=\"attachment wp-att-3954\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cramol.jpg\" alt=\"cramol\" width=\"280\" height=\"171\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3954\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cramol.jpg 280w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cramol-100x61.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3955\" rel=\"attachment wp-att-3955\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cramol_large-300x300.jpg\" alt=\"cramol_large\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3955\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cramol_large-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cramol_large-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cramol_large-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cramol_large.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><strong>O que distingue o canto tradicional na voz das mulheres do campo desse mesmo canto na voz de mulheres da cidade, como \u00e9 o caso dos Cramol?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o seguramente diferentes. Quando se est\u00e1 a cantar a chamada can\u00e7\u00e3o popular ou tradicional no lugar pr\u00f3prio, a m\u00fasica tem que ver directamente com o trabalho, as folias, o contacto com a terra, com uma certa religiosidade fruto desse contacto directo com a natureza. H\u00e1 (ou havia, porque at\u00e9 isto se vai perdendo) uma autenticidade. Cantar \u00e9 para estas mulheres (e homens) algo t\u00e3o natural como andar ou falar. <com uma mulher na cidade, sem esse contacto directo, as coisas passam-se seguramente de maneira diferente. \u00c9 um processo intelectual e que exige trabalho, no sentido em que se torna necess\u00e1rio accionar mecanismos que permitam chegar a um som pr\u00f3ximo do original, no fundo, chegar a uma forma id\u00eantica de cantar. O que acontece, no que diz respeito ao Cramol, \u00e9, al\u00e9m de tudo isto, a exist\u00eancia de uma paix\u00e3o, uma descoberta. E uma procura cada vez mais fundo dentro desta paix\u00e3o. Inclusive em aspectos t\u00e9cnicos t\u00e3o simples como a coloca\u00e7\u00e3o da voz.\n\n<strong>Atrav\u00e9s de reprodu\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas tradicionais?<\/strong><br \/>\nSim. Tivemos a sorte de ter tido pessoas que nos ajudaram nesse aspecto, que aprenderam e nos transmitiram os seus conhecimentos. O Cramol raramente vai aos pr\u00f3prios locais ouvir, embora houvesse algumas de n\u00f3s que fizeram isso. Uma parte do nosso trabalho semanal \u00e9 precisamente a procura de um determinado som.<\/p>\n<p><strong>A pr\u00e1tica do canto tradicional reflecte-se de algum modo na sua viv\u00eancia do quotidiano citadino?<\/strong><br \/>\nTive a sorte de poder viajar pelo pa\u00eds e de contactar com as pessoas. Isso teve seguramente uma influ\u00eancia incr\u00edvel na minha forma de estar, de ver as coisas. Uma transforma\u00e7\u00e3o interior. N\u00e3o \u00e9 um escape. Num um ap\u00eandice. Foi algo que interiorizei.<\/p>\n<p><strong>Tendo a cidade e o campo os seus ritmos e viv\u00eancias pr\u00f3prios e contradit\u00f3rios entre si, a uni\u00e3o dessas duas perspectivas e pr\u00e1ticas opostas no seio de grupo implica, de algum modo, conflitos ou ang\u00fastia?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um facto. Inclusive ao aprender, por exemplo, uma certa t\u00e9cnica que leva a obter um determinado tom ou som, h\u00e1 sempre a tend\u00eancia de nos virarmos mais para o aspecto t\u00e9cnico da quest\u00e3o. O momento em que conseguimos alhear-nos desse aspecto e, de facto, sentir aquilo que se est\u00e1 a cantar \u00e9 que \u00e9 importante e \u00fanico.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que o p\u00fablico do campo, da prov\u00edncia, reage aos vossos espect\u00e1culos?<\/strong><br \/>\nBem. As pessoas sobretudo rev\u00eaem-se em n\u00f3s. V\u00eam ter connosco e dizem: \u201cCostumava cantar isso\u201d ou \u201cNa minha terra, cantava-se assim\u201d. E ficam contentes por ouvir cantar essas can\u00e7\u00f5es de maneira diferente.<\/p>\n<p><strong>No Cramol, existem 22 mulheres a cantar. Que tipo de dificuldades concretas surgem no grupo?<\/strong><br \/>\nAinda por cima, \u00e9 um grupo extremamente heterog\u00e9neo \u2013 na postura, em tudo. \u00c9 evidente que isso traz dificuldades. Algumas delas, se calhar, rid\u00edculas. Coisas t\u00e3o simples como a maneira de nos apresentarmos em p\u00fablico, por exemplo, n\u00e3o s\u00e3o nada, nada f\u00e1ceis. A \u00fanica coisa \u2013 \u00fanica entre aspas \u2013 que une estas pessoas \u00e9 o facto de gostarem deste tipo de m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>Qual a import\u00e2ncia desse aspecto, da maneira como se apresentam em p\u00fablico?<\/strong><br \/>\n\u00c9 importante para o p\u00fablico e para n\u00f3s. Se calhar, as mulheres do campo n\u00e3o t\u00eam, ou t\u00eam menos, essa preocupa\u00e7\u00e3o. A forma como nos costumamos vestir depende do s\u00edtio onde vamos. O importante \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que se cria com as pessoas, nesses s\u00edtios. H\u00e1 vezes em que n\u00e3o temos preocupa\u00e7\u00e3o nenhuma, cada uma vai como bem lhe aprouver. Noutras, achamos que deve haver um elemento comum, uma cor, de terra por exemplo. \u00c9 algo que tem dado algumas chatices e discuss\u00f5es. Mas acabamos sempre por chegar a consensos.<\/p>\n<p><strong>Sem qualquer ajuda exterior?<\/strong><br \/>\nTemos um director art\u00edstico que, neste momento, \u00e9 o Lu\u00eds Pedro Faro. Est\u00e1 connosco h\u00e1 tr\u00eas anos. \u00c9 ele que trabalha todo o aspecto t\u00e9cnico. E nos transmite as suas experi\u00eancias fruto das recolhas que fez. \u00c9 uma colabora\u00e7\u00e3o que funciona nos dois sentidos, uma vez que, \u00e0s vezes, somos n\u00f3s a propor uma determinada direc\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um aspecto importante que distingue o Cramol dos outros coros. \u00c9 que, no nosso caso, n\u00e3o h\u00e1 um maestro \u00e0 frente a dirigir. No nosso caso, apresentamo-nos em palco sem nenhum maestro. Cantamos sozinhas. O facto de n\u00e3o haver ningu\u00e9m a dirigir implica uma determinada responsabilidade e cumplicidade. Quando se est\u00e1, por exemplo, a cantar um canto polif\u00f3nico, essa cumplicidade tem mesmo que existir. Outra pessoa que foi extremamente importante para a forma de estar do grupo \u00e9 o Rui Vaz [que faz parte, actualmente, do Grupo de Gaiteiros de Lisboa], que esteve connosco durante quase onze anos.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 constitu\u00eddo o vosso report\u00f3rio?<\/strong><br \/>\nEssencialmente coisas portuguesas, embora tamb\u00e9m alguns temas da Galiza; polifonias das Beiras, Douro Litoral e Minho. \u00c9 engra\u00e7ado que o canto polif\u00f3nico, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o do Alentejo, seja no resto do pa\u00eds, s\u00f3 \u00e9 interpretado por mulheres. Tamb\u00e9m com a excep\u00e7\u00e3o de alguns c\u00e2nticos rituais entoados por homens nas Beiras Baixa e Litoral. Mas n\u00e3o contamos s\u00f3 polifonias. Por exemplo, fizemos um espect\u00e1culo de comemora\u00e7\u00e3o do nosso d\u00e9cimo anivers\u00e1rio em que, na primeira parte, cant\u00e1mos can\u00e7\u00f5es de embalar. Al\u00e9m disso, experimentamos combina\u00e7\u00f5es com um n\u00famero maior ou menos de vozes.<\/p>\n<p><strong>Am\u00e9lia Muge costuma referir que o estilo e orienta\u00e7\u00e3o de um cantor devem fazer parte de um processo mais lato onde, em \u00faltima an\u00e1lise, os meios se identificam com os resultados que se pretende atingir. No fundo, a interioriza\u00e7\u00e3o de um processo coerente que dever\u00e1 determinar as suas pr\u00f3prias formas de express\u00e3o. Quer comentar?<\/strong><br \/>\nConcordo. H\u00e1 grupos a fazerem a chamada m\u00fasica popular, ou de raiz tradicional que v\u00e3o pela facilidade, sem procurarem essa interioriza\u00e7\u00e3o. \u00c9, ali\u00e1s, uma quest\u00e3o que vem na linha do que eu dizia h\u00e1 pouco, relativa \u00e0 interioriza\u00e7\u00e3o. Eu fa\u00e7o isso. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o indescrit\u00edvel quando se consegue e, ao mesmo tempo, nos apercebemos de que n\u00e3o estamos sozinhas. No meio de 22 pessoas, \u00e9-se um pauzinho; mas, quando se sente que todas as outras pessoas est\u00e3o igualmente a interiorizar com toda a for\u00e7a, \u00e9 de arrepiar.<\/p>\n<p><strong>Nunca teve vontade de experimentar o canto num contexto diferente?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, nunca senti. Durante muito tempo, n\u00e3o sei se por timidez, por achar que n\u00e3o tinha voz, aquelas coisas, n\u00e3o gostava de cantar sozinha. Pensava sempre que estar juntamente com n\u00e3o sei quantas mais me dilu\u00eda, n\u00e3o sobressa\u00eda nem ningu\u00e9m me notava. At\u00e9 que, pela primeira vez, cantei sozinha, num grupo chamado Bago de Milho. A princ\u00edpio, at\u00e9 nos ensaios tinha vergonha de cantar. Mas, uma vez, tive mesmo que cantar uma can\u00e7\u00e3o sozinha e, de repente, ultrapassado o nervosismo, aquele medo, uma coisa terr\u00edvel, senti uma sensa\u00e7\u00e3o \u00f3ptima. Estar perante uma plateia, a cantar em frente de um n\u00famero enorme de pessoas. Voltei a repetir a experi\u00eancia no Cramol mas n\u00e3o tenho isso como objectivo. E voltava a repetir se me convidassem para outro grupo e eu gostasse do projecto. E se fosse capaz [risos].<\/p>\n<p>* Vocalista do Cramol, grupo coral com d\u00e9cada e meia de exist\u00eancia, composta por 22 mulheres com uma paix\u00e3o comum: a m\u00fasica vocal tradicional portuguesa.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/87eSWceFQdk\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 28 de Setembro de 1994 EM P\u00daBLICO MARGARIDA ANTUNES * O que distingue o canto tradicional na voz das mulheres do campo desse mesmo canto na voz de mulheres da cidade, como \u00e9 o caso dos Cramol? S\u00e3o seguramente diferentes. 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