{"id":3945,"date":"2015-09-07T04:58:24","date_gmt":"2015-09-07T11:58:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3945"},"modified":"2015-09-07T04:58:24","modified_gmt":"2015-09-07T11:58:24","slug":"edgar-nogueira-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/09\/07\/edgar-nogueira-entrevista\/","title":{"rendered":"Edgar Nogueira &#8211; Entrevista"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>12 FEVEREIRO 1994<br \/>\nEM P\u00daBLICO<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>EDGAR NOGUEIRA *<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3946\" rel=\"attachment wp-att-3946\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/edgar_nogueira-300x281.jpg\" alt=\"edgar_nogueira\" width=\"300\" height=\"281\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3946\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/edgar_nogueira.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/edgar_nogueira-100x94.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><strong>Quando come\u00e7ou a interessar-se e a tocar guitarra portuguesa?<\/strong><br \/>\nComecei aos 13, 14 anos, em Ansi\u00e3es de Amarante, a tocar violino, em v\u00e1rias reconstitui\u00e7\u00f5es de tunas. Mais tarde vi um instrumento que os velhotes de l\u00e1 admiravam muito, que era a guitarra. Comecei a ficar com o bichinho no ouvido. Um velhote ensinou-me algum fado corrido, num instrumento ainda com cinco cordas. Mais tarde acabei por p\u00f4r-lhe mais uma \u201cida\u201d de cordas [corda dupla], \u00e0 maneira da guitarra de Coimbra. Frequentei depois o Instituto Gregoriano durante um ano ou dois. Mas dedicar-me \u00e0 guitarra a s\u00e9rio foi s\u00f3 quando j\u00e1 era homem. Vim para Lisboa em 67 e a partir da\u00ed apaixonei-me de facto pela guitarra. Comecei a procurar escolas mas n\u00e3o as havia ou ent\u00e3o ningu\u00e9m sabia da guitarra portuguesa. Ningu\u00e9m dava aulas nessa altura, era um c\u00edrculo muito fechado, reduzido \u00e0s casas de fado. Fui obrigado a pegar nos discos \u2013 de Jos\u00e9 Nunes, o trio de Jorge Fontes, Jaime Santos, Francisco Carvalhinho, Carlos Paredes \u2013 e a ouvi-los para aprender. At\u00e9 conhecer Fernando Freitas, que me deu por fim algumas aulas. Mais tarde tive o prazer de conhecer o professor Martinho da Assun\u00e7\u00e3o, esse sim, grande conhecedor de m\u00fasica e do fado. O profissionalismo aconteceu s\u00f3 em 1974. Acompanhei todos os fadistas menos a Am\u00e1lia, que tinha o seu grupo privativo, e o Carlos do Carmo: Maria Velejo, Trist\u00e3o da Silva, Fernando Maur\u00edcio, a Cid\u00e1lia, Maria da F\u00e9\u2026 Mais tarde, no restaurante t\u00edpico Luso, toquei com o Francisco Jos\u00e9, Tony de Matos, Rui de Mascarenhas, etc.<\/p>\n<p><strong>Mas prefere a guitarra instrumental solista, n\u00e3o \u00e9 verdade?<\/strong><br \/>\nSempre me disseram que era bom a fazer varia\u00e7\u00f5es. Onde eu me sinto de facto eu \u00e9 como solista. No meu disco mais recente, todo instrumental, o CD \u201cAbril em Portugal\u201d, juntei o fado com temas cl\u00e1ssicos. Mas mesmo os fados t\u00eam sempre um pequeno arranjo. O pr\u00f3prio tema \u201cAbril em Portugal\u201d que l\u00e1 est\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o do Raul Ferr\u00e3o, mas o meu, embora o mote seja dele. Ao Cam\u00f5es tamb\u00e9m lhe deram motes para ele fazer redondilhas e n\u00e3o foi por isso que ele deixou de ser Cam\u00f5es. Agora, tenho uma profundidade maior, mas n\u00e3o nesse disco, que \u00e9 para o povo. Para o p\u00fablico mais sect\u00e1rio, mais erudito, tenho outros n\u00fameros, que j\u00e1 fizeram com que eu em tempos fosse chamado o \u201cPaganini portugu\u00eas\u201d da guitarra. Por exemplo, \u201cA Dor do Verbo\u201d, o verbo como um todo, Deus ou a natureza. S\u00f3 para pessoas j\u00e1 muito evolu\u00eddas.<\/p>\n<p><strong>Quer comentar uma frase de Carlos Paredes, quando ele disse que a guitarra portuguesa era um instrumento moribundo?<\/strong><br \/>\nPois, em rela\u00e7\u00e3o ao Carlos Paredes, somos contr\u00e1rios. N\u00e3o na arte \u2013 sempre o admirei e vou continuar a admir\u00e1-lo \u2013 mas noutro aspecto. Ele disse sempre isso da guitarra, que era um instrumento moribundo e que s\u00f3 d\u00e1 para tocar a m\u00fasica que sai dos dedos. Eu j\u00e1 h\u00e1 anos que digo que n\u00e3o. E provei-o. Quando pus um \u201cVoo do Moscardo\u201d, uma \u201cMarcha Turca\u201d, umas \u201cCzardas\u201d ou um \u201cPara Elisa\u201d, todas estas m\u00fasicas que se d\u00e3o no Conservat\u00f3rio, no disco. A guitarra pode tocar as pautas. Gosto de tocar m\u00fasica cl\u00e1ssica com o cunho pr\u00f3prio da guitarra que tem a ver com o fado. Mas considero a guitarra um instrumento erudito por natureza. E que me toca o cora\u00e7\u00e3o. Tem muito a ver com o nosso corpo. Num disco como \u201cPe\u00e7as imortais\u201d, de 88, estudei pe\u00e7as de Mozart ou de Beethoven e dei-lhes uma forma nova.<\/p>\n<p><strong>\u201cA Dor do Verbo\u201d \u00e9 um t\u00edtulo que remete de imediato para um certo misticismo. Considera-se um m\u00edstico?<\/strong><br \/>\nEst\u00e1 a tocar num ponto que acho muito giro. Houve uma altura em que as pessoas se riram por eu ter dito que na \u201cMarcha Turca\u201d o Mozart me tinha autorizado a toc\u00e1-la na guitarra. Andava \u00e0s voltas com a adapta\u00e7\u00e3o da pauta para a guitarra, quando um dia tive um sonho. Sabe o que \u00e9 uma pessoa estar a dormir e ouvir uma pessoa, com a figura de Mozart \u2013 admito que possa ter sido uma imagem criada pelo c\u00e9rebro \u2013 a dizer assim: \u201cEh p\u00e1, p\u00f5e! Fica bem \u00e0 guitarra!\u201d n\u00e3o tem nada a ver com bruxaria. Tamb\u00e9m j\u00e1 estive \u00e0 beira do mar e tentar fazer um ex\u00e9rcito com os peixes. S\u00e3o experi\u00eancias. Na lagoa de Santo Andr\u00e9, ia para l\u00e1, despia-me, entrava na \u00e1gua e pensava no que Cristo dizia, que quem tem f\u00e9 faz tudo. Depois desisti. J\u00e1 fazia essas experi\u00eancias antes de aparecerem os livros do Rampa [Lobsang Rampa]. Senti-me uma ve deitado no ch\u00e3o e estar de fora a ver o m eu corpo de cima. Nessa altura tinha tido uma paix\u00e3o muito grande, estava s\u00f3, depois casei e deixei de ter tanto tempo para pensar nisso. De facto o pensamento humano \u00e9 incontrol\u00e1vel. Podemos ir muito longe.<\/p>\n<p><strong>Projecta todas essas cren\u00e7as e experi\u00eancias na m\u00fasica que faz?<\/strong><br \/>\nSabe como \u00e9 que saiu \u201cA Dor do Verbo\u201d? Relaciona-se com um tema meu antigo, \u201cCan\u00e7\u00e3o de amor\u201d, que o Artur Albarran nessa \u00e9poca passava na r\u00e1dio, num programa para os pescadores. Tinha acabado de conversar, logo a seguir ao 25 de Abril, sobre o MPLA e os acontecimentos de Angola. Comecei a ficar um bocado\u2026 como dizer, a arrefecer\u2026 Vi que as coisas n\u00e3o estavam a ser bem, bem aquilo que a gente desejava. Quando h\u00e1 uma muta\u00e7\u00e3o na sociedade, ela s\u00f3 pode ser considerada positiva se tudo for para melhor. Agora se for s\u00f3 numas coisas e as outras ficarem ainda piores, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a muta\u00e7\u00e3o perfeita. Nessa altura andava com uma espiritualidade muito avan\u00e7ada. Mas regressando \u00e0 hist\u00f3ria. Vinha de carro da Taberna d\u2019El Rey, a ouvir r\u00e1dio, quando comecei a sentir uma dor, psicol\u00f3gica e no corpo todo. Trazia a guitarra no carro \u2013 foi numa altura em que estava casado s\u00f3 com a guitarra \u2013, parei o carro e foi ent\u00e3o que ouvi o Artur Albarran apresentar a tal minha \u201cCan\u00e7\u00e3o de amor\u201d. Peguei na guitarra e consolei-me a mi pr\u00f3prio. Pus-lhe a m\u00e3o como nunca tinha posto e saiu-me um tema de jacto. Cheguei a casa, voltei a toc\u00e1-lo e gravei-o logo. Era aquilo. Toda a dor que tinha desapareceu. Dormi descansado. Em segundos tinha-me sido transmitida uma ideia que depois me levou cinco minutos a desenvolver. Na altura houve que pusesse a hip\u00f3tese de ter sido a influ\u00eancia de um esp\u00edrito do ar que andasse por ali.<\/p>\n<p><strong>Acredita em Deus? Quem \u00e9 Deus para si?<\/strong><br \/>\nEst\u00e1 a fazer a pergunta a um indiv\u00edduo que tamb\u00e9m sabe algumas coisas de ci\u00eancia. Mas que acredita num ser \u00fanico que comanda. Mas claro, o meu Deus n\u00e3o ser\u00e1 aquele Deus com uma chibata para nos bater. Est\u00e1 a falar com um crist\u00e3o. Acredito em Cristo, por aquilo que ele disse, continuo a acreditar que ele det\u00e9m tudo. Acredito nele, n\u00e3o porque tenha falado comigo, embora gostasse de o ter conhecido na sua \u00e9poca. Acredito nele como filho de Deus, o \u00fanico que venceu a morte. S\u00f3 por isso ele \u00e9 o verdadeiro her\u00f3i, filho do todo. Mas \u00e9 \u00f3bvio que se Deus disse a Mois\u00e9s que era superior ao sol, e que ele nem o podia ver, mandando-lhe enterrar o rosto na areia para n\u00e3o o ver passar, n\u00e3o posso sequer imagin\u00e1-lo como ser. Ele \u00e9 que fez a natureza, que n\u00f3s pensamos que dominamos, quando afinal somos \u00e9 dominados. Acredito em Deus, mas n\u00e3o sei como defini-lo.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que o sente?<\/strong><br \/>\nAh, como o sinto, sim! Sinto-o e obede\u00e7o-lhe sempre nos momentos cr\u00edticos. E tento que ele, o esp\u00edrito, me oi\u00e7a. Sou um pecador, mas, como costumo dizer, um pecador ameno. Cumpro as leis da humanidade. Acho que Deus nunca me tem abandonado. N\u00e3o vou atr\u00e1s de fanatismos \u2013 essas novas igrejas aparecem s\u00f3 por causa da solid\u00e3o \u2013, estou muito seguro no aspecto teol\u00f3gico, religioso. Com isto n\u00e3o quero dizer que sou o mais perfeito de todos, mas sou muito seguro. S\u00f3 acredito em Cristo, n\u00e3o nesse malucos que v\u00e3o aparecendo por a\u00ed. Quando vier um homem \u00e0 Terra que, na altura em que um russo ou um americano quiserem carregar num bot\u00e3o para lan\u00e7ar bombas de neutr\u00f5es, s\u00f3 com o dedo fizer desaparecer tudo \u2013 esse ser\u00e1 o Cristo. Est\u00e1 escrito que ele aparecer\u00e1 de novo. N\u00e3o acredito \u00e9 nos milagres e nos milagreiros de agora. A tamb\u00e9m acredito no homem. Se estiver doente, vou a um bom m\u00e9dico. Porque acho que Cristo s\u00f3 n\u00e3o cura. Aqui parece que fiquei um bocado sem f\u00e9, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p><strong>* Int\u00e9rprete, compositor e professor de guitarra portuguesa. Autor de tr\u00eas \u00e1lbuns e um CD, \u201cAbril em Portugal\u201d, editado no ano passado pela Metrosom.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DuwumezTy_g\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 12 FEVEREIRO 1994 EM P\u00daBLICO EDGAR NOGUEIRA * Quando come\u00e7ou a interessar-se e a tocar guitarra portuguesa? Comecei aos 13, 14 anos, em Ansi\u00e3es de Amarante, a tocar violino, em v\u00e1rias reconstitui\u00e7\u00f5es de tunas. Mais tarde vi um instrumento que os velhotes de l\u00e1 admiravam muito, que era a guitarra. 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