{"id":3792,"date":"2015-07-07T06:28:02","date_gmt":"2015-07-07T13:28:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3792"},"modified":"2015-07-07T06:28:02","modified_gmt":"2015-07-07T13:28:02","slug":"kate-bush-o-fruto-amadurecido-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/07\/07\/kate-bush-o-fruto-amadurecido-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Kate Bush &#8211; &#8220;O Fruto Amadurecido&#8221; (artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>27 OUTUBRO 1993<\/p>\n<p><strong>O FRUTO AMADURECIDO<\/p>\n<p>No princ\u00edpio era a voz e uma presen\u00e7a que provocavam arrepios, de uma adolescente de 19 anos a voar na vertigem do \u201cMonte dos Vendavais\u201d (\u201cWuthering Heights\u201d), das irm\u00e3s Bront\u00eb. Com a passagem dos anos, Kate Bush cresceu e desceu do alto do monte. As dan\u00e7as er\u00f3ticas de fada deram lugar \u00e0 possess\u00e3o por um par de sapatos vermelhos. Em \u201cThe Red Shoes\u201d, o novo \u00e1lbum, o fruto proibido abriu-se em fruto amadurecido.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3793\" rel=\"attachment wp-att-3793\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/kb-300x300.jpg\" alt=\"kb\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3793\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/kb-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/kb-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/kb-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/kb.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Passaram 15 anos desde que Kate Bush espantou o mundo com um \u00e1lbum de estreia avassalador, \u201cThe Kick Inside\u201d, considerado por muitos uma das obras marcantes do final dos anos 70. Nele impressionava em primeiro lugar a voz, aguda e sensual, de uma jovem que projectava a imagem t\u00edpica da mulher-crian\u00e7a, ao mesmo tempo inocente e perversa. De \u201cThe Kick Inside\u201d emanava uma aura perturbante de sexualidade, que, de faixa para faixa, se manifestava desde a alus\u00e3o po\u00e9tica mais ou menos camuflada, a uma linguagem expl\u00edcita dos corpos e das suas puls\u00f5es.<br \/>\nFoi sempre assim e cada vez com mais for\u00e7a, pelos \u00e1lbuns seguintes. Junte-se esta energia que sa\u00eda directamente do corpo e dos seus movimentos \u2013 da voz \u00e0 express\u00e3o corporal, que Kate Bush sempre desenvolveu \u2013 a uma capacidade de experimenta\u00e7\u00e3o com os sons rara numa artista da sua idade e teremos a media exacta dos eu talento.<br \/>\n\u201cLionheart\u201d e \u201cNever for Ever\u201d, respectivamente de 1978 e 1980, enveredavam por um lado mais misterioso e on\u00edrico, tipicamente ingl\u00eas, influenciado pelos poetas rom\u00e2nticos e pela mitologia celta, povoada de seres fant\u00e1sticos \u2013 fadas, duendes e todo um besti\u00e1rio de monstros, que conviviam sem problemas com os humanos. Kate Bush transfigurava-se e adquiria as formas do le\u00e3o, em \u201cLionheart\u201d, enquanto em \u201cNever for Ever\u201d entrava directamente no cen\u00e1rio da f\u00e1bula uma \u201cLucy in the sky\u201d, buc\u00f3lica e misteriosa, a acenar de dentro de um sonho.<\/p>\n<p><strong>Arqu\u00e9tipos do feminino<\/strong><\/p>\n<p>Em \u201cThe Dreaming\u201d, \u00e1lbum de 1982, Kate Bush assina, quanto a n\u00f3s, o seu melhor trabalho de sempre. Obra de m\u00faltiplas experi\u00eancias, quer ao n\u00edvel formal, quer ao n\u00edvel emocional, nela a cantora usa a voz da mesma maneira que uma actriz, encenando com min\u00facia cada can\u00e7\u00e3o, fazendo assomar \u00e0 superf\u00edcie os medos, os desejos e os arqu\u00e9tipos de uma feminilidade que, \u00e1lbum ap\u00f3s \u00e1lbum, se tem vindo a declarar de forma cada vez mais expl\u00edcita.<br \/>\nFeminista no sentido profundo do termo, na descoberta do ponto interior onde o \u201cfeminino\u201d transcende a dualidade dos sexos, Kate Bush canta, em met\u00e1foras por vezes demasiado conotadas com uma perspectiva psicanal\u00edtica, (as figuras do pai \u2013 sobretudo em \u201cThe Dreaming\u201d \u2013 e da m\u00e3e, cuja morte recente ensombra \u201cThe Red Shoes\u201d, est\u00e3o quase sempre presentes, o que, de resto, ela n\u00e3o esconde), o amor em todas as suas variantes poss\u00edveis: o amor-paix\u00e3o, o amor-amizade, o amor plat\u00f3nico, o amor filial, o amor fraternal, o \u201camor\u201d em solit\u00e1rio\u2026<br \/>\n\u201cHounds of love\u201d, com a fotografia dos c\u00e3es que se imagina libidinosos, e \u201cThe Sensual World\u201d, inspirado numa novela de James Joyce, prolongam e definem a imagem de uma artista empenhada em decifrar os mais \u00edntimos mist\u00e9rios da sua alma, que, como se sabe ou deveria saber, numa mulher anda por natureza ligada ao corpo. S\u00f3 assim se compreendendo, de resto, a import\u00e2ncia concedida desde sempre por Kate Bush \u00e0 dan\u00e7a, ao movimento corporal que, em simult\u00e2neo, desencadeia os movimentos da \u201canima\u201d. Nesse rodopio total, em espiral, se tem desenvolvido o percurso evolutivo da int\u00e9rprete. E quanto mais o corpo e a alma rodopiam, mais o fogo da sensualidade vem ao de cima.<br \/>\nO ritmo, o batuque e o transe ganham terreno nestes dois discos. A este aumento da pulsa\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea n\u00e3o \u00e9 alheio o encontro com Peter Gabriel, com quem Kate encetou desde 1986 uma colabora\u00e7\u00e3o regular. Como ela, tamb\u00e9m o ex-Genesis procura a natureza andr\u00f3gina perdida. Veja-se, sob esta luz, os corpos dos dois, enla\u00e7ados num amplexo que dura o tempo de um eclipse, nesse original e estranh\u00edssimo v\u00eddeo que \u00e9 \u201cDon\u2019t give up\u201d. Repare-se ainda no que Gabriel diz em \u201cBlood of Eden\u201d, uma das can\u00e7\u00f5es do seu disco mais recente, \u201cUs\u201d\u2026<br \/>\nAli\u00e1s, \u00e9 preciso dizer que a m\u00fasica de ambos se assemelha cada vez mais. Aproxima\u00e7\u00e3o rec\u00edproca que, num e noutro, parece infelizmente caminhar no sentido da normaliza\u00e7\u00e3o. \u201dThe Red Shoes\u201d, n\u00e3o o escondamos, padece deste sintoma.<\/p>\n<p><strong>Enganar o tempo<\/strong><\/p>\n<p>Por outro lado, acentuou-se o apelo antigo pela coreografia das imagens e dos sentimentos. Kate Bush encena-se a si pr\u00f3pria, \u00e0s suas hist\u00f3rias e obsess\u00f5es, desmultiplicando-se em \u201cclips\u201d que mostram as transforma\u00e7\u00f5es que o tempo inscreveu no seu corpo. Ao mesmo tempo que as iludem, num simulacro de eternidade. O cinema, pois claro, essa fantasia do diabo que altera, para melhor manipular, os fluxos do real. Como a m\u00e1quina de \u201cCloudbursting\u201d, com Donald Sutherland, que altera os padr\u00f5es do c\u00e9u. E o que haver\u00e1 para ver no v\u00eddeo que acompanha o novo \u00e1lbum, \u201cA Lion, A Cross and A Curve\u201d, contando com as interpreta\u00e7\u00f5es de Miranda Richardson e Lindsay Kemp.<br \/>\nSe em \u201cThe Sensual World\u201d Kate Bush ainda dan\u00e7a livremente entre as florestas e as criaturas da noite, em \u201cThe Red Shoes\u201d a dan\u00e7a, da qual a cantora se manteve afastada durante alguns anos, parece for\u00e7ada, resultante do encantamento de um par de sapatos vermelhos, numa alus\u00e3o directa ao filme do mesmo nome, realizado em 1948 pelo cineasta brit\u00e2nico Michael Powell. O mist\u00e9rio de outrora perdeu-se. Diz-se que a adolesc\u00eancia \u00e9 a fase da vida em que o sonho se cruza com a realidade. Em que os esp\u00edritos tomam o lugar e a voz dos indiv\u00edduos. Em que os planos se confundem. Assim aconteceu com Kate Bush. Aos 35 anos de idade, essa magia perdeu-se ficando em seu lugar uma respeit\u00e1vel matrona inglesa, a fazer exerc\u00edcios de gin\u00e1stica aer\u00f3bica com a mem\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 27 OUTUBRO 1993 O FRUTO AMADURECIDO No princ\u00edpio era a voz e uma presen\u00e7a que provocavam arrepios, de uma adolescente de 19 anos a voar na vertigem do \u201cMonte dos Vendavais\u201d (\u201cWuthering Heights\u201d), das irm\u00e3s Bront\u00eb. Com a passagem dos anos, Kate Bush cresceu e desceu do alto do monte. 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