{"id":3775,"date":"2015-06-30T07:52:32","date_gmt":"2015-06-30T14:52:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3775"},"modified":"2015-06-30T07:52:32","modified_gmt":"2015-06-30T14:52:32","slug":"quim-barreiros-no-algarve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/06\/30\/quim-barreiros-no-algarve\/","title":{"rendered":"Quim Barreiros &#8211; &#8220;No Algarve&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>POP ROCK<\/p>\n<p>4 AGOSTO 1993<br \/>\nREEDI\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>QUIM, \u201cTHE KING\u201d<\/p>\n<p>QUIM BARREIROS<br \/>\nNo Algarve<br \/>\nCD Sonovox<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3776\" rel=\"attachment wp-att-3776\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/qb-300x262.jpg\" alt=\"qb\" width=\"300\" height=\"262\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3776\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/qb.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/qb-100x87.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A presente reedi\u00e7\u00e3o reveste-se de transcendental import\u00e2ncia. Por v\u00e1rios motivos. Porque Quim Barreiros \u00e9 na actualidade um \u201centertainer\u201d de massas e um artista do mais alto gabarito e porque \u201cNo Algarve\u201d o apresenta no seu per\u00edodo anterior ao dos grandes cl\u00e1ssicos p\u00edcaros como \u201cQueres \u00e9 levar com o chouri\u00e7o\u201d, \u201cVou comer a sobra\u201d, \u201cCurso de dactilografia\u201d (\u201ca professora a ensinar e eu a bater por letra\u201d) e \u201cBacalhau \u00e0 portuguesa\u201d (\u201cMaria, deixa-me ir \u00e0 cozinha cheirar teu bacalhau\u201d), o da \u201cworld music\u201d, no caso presente um levantamento exaustivo do folclore algarvio, onde deixa patente a marca do seu g\u00e9nio.<br \/>\nSe a faceta de Quim Barreiros como \u201cvirtuose\u201d do acorde\u00e3o j\u00e1 nessa altura dera brado nos meios art\u00edsticos portugueses \u2013 faceta que o pr\u00f3prio aqui d\u00e1 a conhecer, numa s\u00e9rie de instrumentais de fus\u00e3o que inspiraram Peter Gabriel na cria\u00e7\u00e3o da editora Real World (diga-se de passagem que n\u00e3o h\u00e1 m\u00fasica mais \u201creal world\u201d, ou seja, \u201cterra a terra\u201d, que a de Quim Barreiros) \u2013, \u00e9 o lado po\u00e9tico do autor que neste caso despontava, fazendo antever obras posteriores mais elaboradas nas quais s\u00e3o exploradas ao m\u00e1ximo as possibilidades da rima inusitada e a arte, s\u00f3 ao alcance de alguns eleitos, de \u201ccomo ultrapassar mais ou menos o problema da m\u00e9trica recorrendo \u00e0s mudan\u00e7as de velocidade da voz\u201d.<br \/>\n\u00c9 assim que, ao longo de 25 pe\u00e7as antol\u00f3gicas, poss\u00edveis de saborear em todo o seu esplendor gra\u00e7as a uma t\u00e9cnica elaborada de grava\u00e7\u00e3o DDD, Quim Barreiros nos oferece deliciosos peda\u00e7os do mais genu\u00edno folclore, onde a palavra (melhor dizendo, o verbo) fulge com invulgar intensidade. Os t\u00edtulos s\u00e3o por vezes obscuros (\u201cIsto \u00e9 Algarve\u201d, \u201cAlgarvios d\u2019uma figa\u201d, \u201cMar algarvio\u201d, \u201cGuitarras do Algarve\u201d, \u201cFlores Algarvias\u201d), o que, se por um lado dificulta o trabalho do music\u00f3logo, por outro tem a vantagem de dar r\u00e9dea solta \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o do ouvinte menos preocupado com a an\u00e1lise estrutural do homem e da obra.<br \/>\nOs poemas, esses, s\u00e3o luminosos, b\u00ean\u00e7\u00e3o e refrig\u00e9rio para o esp\u00edrito. Sobre uma base minimal de corridinho ou baile mandado, elaborados pelo acorde\u00e3o e ferrinhos, Quim Barreiros funde com magistral per\u00edcia a po\u00e9tica tradicional na torrente de inspira\u00e7\u00e3o que sem parar jorra do interior da sua alma de artista torturado.<br \/>\nNo seu canto transfigura-se o sentido popular (mas tamb\u00e9m lit\u00fargico) de versos ancestrais que vibram no \u00edntimo da alma lusitana: \u201c\u00c0 primeira mijadela faz andar um barco \u00e0 vela\/quando faz outra mijinha, faz andar uma lanchinha\u201d ou \u201cSe tu visses o que eu vi, l\u00e1 na apanha da azeitona\/um macaco a fazer ninho nas bordas de um alguidar\u201d. Pontuados por interjei\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter ritual: \u201cai!\u201d, \u201cui!\u201d e \u201caguenta velho!\u201d. No primeiro caso \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o inspirada da rima, no segundo, uma sua pervers\u00e3o, nessa suspens\u00e3o, t\u00edpica do tantrismo, da s\u00edlaba vital, do cl\u00edmax org\u00e1stico-gramatical, que o faz substituir a rima certa, \u201calguidona\u201d, por \u201calguidar\u201d.<br \/>\nMas onde a veia po\u00e9tica de Quim Barreiros lateja at\u00e9 quase ao enfarte \u00e9 na simplicidade e, em particular, na vis\u00e3o po\u00e9tica, simultaneamente terna e sens\u00edvel, que tem do feminino. \u00c9 dif\u00edcil de conter uma l\u00e1grima de emo\u00e7\u00e3o quando o ouvimos cantar: \u201cai as meninas de agora t\u00eam muita presun\u00e7\u00e3o\/s\u00f3 andam de mini-saia\/que \u00e9 para mostrar o pern\u00e3o\u201d e \u2013 nunca o g\u00e9nio po\u00e9tico do homem se elevara t\u00e3o alto \u2013 \u201ctoda a mo\u00e7a que \u00e9 bonita tamb\u00e9m d\u00e1 o seu beijinho\/toda a mo\u00e7a que \u00e9 bonita tamb\u00e9m d\u00e1 o seu peidinho\u201d.<br \/>\nDepois, s\u00f3 nos resta a rendi\u00e7\u00e3o, quando o artista, com voz embargada, declama, apagando de um jacto a mem\u00f3ria de Villaret, a sua ode ao Algarve, em \u201cAlgarvios d\u2019uma figa\u201d: \u201cO meu Algarve \u00e9 um menino\/e o seu ber\u00e7o de embalar\/\u00e9 um barco onde o destino\/o atira \u00e0s ondas do mar\u201d e, mais \u00e0 frente, \u201cSob o sol, a h\u00f3stia de ouro [N.A.: na mesma o sol] que o cobre de alto esplendor\/seu perfil trigueiro e moiro\/ganha relevos de cor.\u201d<br \/>\nSil\u00eancio e recolhimento.<\/p>\n<p>Classifica\u00e7\u00e3o \u201cChunga\u201d: o verdadeiro artista \u00e9 o que faz mais flores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POP ROCK 4 AGOSTO 1993 REEDI\u00c7\u00c3O QUIM, \u201cTHE KING\u201d QUIM BARREIROS No Algarve CD Sonovox A presente reedi\u00e7\u00e3o reveste-se de transcendental import\u00e2ncia. 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