{"id":3770,"date":"2015-06-28T09:02:22","date_gmt":"2015-06-28T16:02:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3770"},"modified":"2015-06-28T09:02:22","modified_gmt":"2015-06-28T16:02:22","slug":"conceptual-em-portugal-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/06\/28\/conceptual-em-portugal-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Conceptual em Portugal &#8211; artigo de opini\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>14 JULHO 1993<\/p>\n<p><strong>CONCEPTUAL EM PORTUGAL<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>\t\u201cSer Maior\u201d \u00e9 o primeiro disco de rock portugu\u00eas a perder a vergonha de ser desmesurado nos meios e nas inten\u00e7\u00f5es. Para tr\u00e1s ficaram preconceitos e uma tradi\u00e7\u00e3o de \u201cconceptuais\u201d onde os exemplos escasseiam. Os Delfins poder\u00e3o ter inaugurado a era da mania das grandezas.<\/strong><\/p>\n<p>\tComecemos por distinguir entre \u00e1lbum conceptual e \u00f3pera-rock. Ambos partem de uma ideia original (ou de um conceito, da\u00ed o termo conceptual), de uma tem\u00e1tica aglutinadora \u00e0 qual a estrutura total se submete. A diferen\u00e7a est\u00e1 nos meios utilizados. Enquanto o \u00e1lbum conceptual apenas difere do longa-dura\u00e7\u00e3o (termo que os novos formatos digitais vieram tornar obsoleto) vulgar pelo lado ideol\u00f3gico, chamemos-lhe assim, a \u00f3pera-rock \u00e9 uma esp\u00e9cie de superprodu\u00e7\u00e3o que opera segundo uma l\u00f3gica de novo-riquismo que visa em primeiro lugar a ostenta\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tEm Portugal, pelas mesmas raz\u00f5es, e pela negativa, devido \u00e0 proverbial pobreza da ind\u00fastria discogr\u00e1fica nacional, n\u00e3o houve uma \u00f3pera-rock digna desse nome, exceptuando talvez \u201cO Nazareno\u201d, de Frei Hermano da C\u00e2mara, vers\u00e3o fado-eclesi\u00e1stica de \u201cJesus Christ Superstar\u201d e por tal motivo afastada de uma est\u00e9tica rock propriamente dita. Quer dizer: em Portugal, quem quiser ouvir \u00f3pera que v\u00e1 ao S\u00e3o Carlos.<br \/>\n\t\u00c1lbuns conceptuais houve alguns, n\u00e3o muitos, que procuraram seguir um dos modelos mais em voga dos anos 70. O primeiro disco conceptual produzido em Portugal, na \u00e1rea da m\u00fasica pop, tem a assinatura de Jos\u00e9 Cid e chama-se \u201cDez mil anos depois entre V\u00e9nus e Marte\u201d. Nele, o ent\u00e3o membro do Quarteto 1111 fez como se fazia na \u00e9poca no estrangeiro, escrevendo na ficha t\u00e9cnica os nomes de todos os instrumentos de teclas utilizados (quanto mais melhor, mais \u201cprogressivo\u201d e \u201csinf\u00f3nico\u201d era o \u00e1lbum\u2026), sendo de bom tom virem mencionados o mellotron e o \u201cmoog synthesizer\u201d. \u201cDez mil anos depois\u2026\u201d inspirou-se na fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e \u00e9 um dos primeiros discos de m\u00fasica popular feita em Portugal onde a electr\u00f3nica ocupa um lugar destacado.<br \/>\n\tJ\u00e1 no ocaso da d\u00e9cada, os Tantra procuraram imitar os Genesis, na efabula\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio fant\u00e1stico, com direito a representa\u00e7\u00e3o teatral nas apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo, feitas de muitas m\u00e1scaras, fumos e efeitos a granel, em \u201cMist\u00e9rios e Maravilhas\u201d. Mais tarde, Manuel Cardoso, guitarrista e mentor espiritual da banda, encarnou no seu primeiro \u00e1lbum a solo, um Frodo de cabe\u00e7a pontiaguda, numa muta\u00e7\u00e3o monstruosa da personagem central da trilogia \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d, do escritor ingl\u00eas J. R. Tolkien.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3771\" rel=\"attachment wp-att-3771\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/tantra-300x271.jpg\" alt=\"tantra\" width=\"300\" height=\"271\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3771\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/tantra.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/tantra-100x90.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\tNos anos 80, os \u00e1lbuns conceptuais deixaram de estar na moda. Paradoxalmente, foi nesta d\u00e9cada que Fausto gravou aquele que at\u00e9 \u00e0 data permanece como paradigma do g\u00e9nero, \u201cPor este Rio acima\u201d, obra com princ\u00edpio, meio e fim, onde o compositor apresenta a sua leitura dos descobrimentos portugueses, com um talento, uma imagina\u00e7\u00e3o e uma originalidade que nem o pr\u00f3prio, em obras posteriores, conseguiu igualar. Na mesma d\u00e9cada os Her\u00f3is do Mar agitaram as ondas do marasmo lusitano, as bandeiras e os fantasmas do nacionalismo no \u00e1lbum de estreia \u201cHer\u00f3is do Mar\u201d, embarcando mais tarde na aventura orientalista, em \u201cMacau\u201d.<br \/>\n\tJ\u00e1 na presente d\u00e9cada, o termo \u201cconceptual\u201d funcionou num n\u00edvel diferente, j\u00e1 n\u00e3o ao n\u00edvel da m\u00fasica mas do m\u00e9todo de forma\u00e7\u00e3o dos grupos. \u00c9 o per\u00edodo das superbandas, com os m\u00fasicos de maior nomeada em constante rota\u00e7\u00e3o de uma para outra forma\u00e7\u00e3o e as editoras numa busca desenfreada de \u201cnovas\u201d propostas, segundo uma estrat\u00e9gia de reciclagem que veio p\u00f4r a nu a escassez, entre n\u00f3s, de ideias realmente inovadoras. \u00c9 neste sentido que surgem nos \u00faltimos anos em Portugal \u201cconceitos\u201d como Moby Dick, LX-90 ou Piratas do Sil\u00eancio, sendo o mais consistente e o que maior sucesso obteve em termos de venda os Resist\u00eancia. Mesmo assim, ainda houve quem se desse ao trabalho de procurar um tema que desse pano para mangas \u00e0 cria\u00e7\u00e3o musical. J\u00falio Pereira andou pelas galerias a ver quadros, escolheu os que mais gostou e fez um \u00e1lbum onde as cores e as imagens se confundem com os sons: \u201cJanelas Verdes\u201d. Menos trabalho teve Rui Veloso, que se limitou a compor, por encomenda da Comiss\u00e3o dos Descobrimentos, o seu \u201cAuto da Pimenta\u201d, obra subordinada \u00e0 mesma tem\u00e1tica de \u201cPor este Rio acima\u201d, mas que teve a vantagem de levar a chancela \u201coficial\u201d. Trabalho de monta, e com resultados altamente positivos, teve o letrista Carlos T\u00ea, a quem devem ser endere\u00e7ados os maiores louvores pela adapta\u00e7\u00e3o e recria\u00e7\u00e3o dos textos originais.<br \/>\n\tOutro exemplo, \u00faltimo at\u00e9 ao presente, no qual os textos funcionaram como motor e ponto de partida do trabalho criativo \u00e9 o disco de Vitorino (autor cujo \u00e1lbum, mais antigo, \u201cLeitaria Garrett\u201d, estava j\u00e1 pr\u00f3ximo de um trabalho conceptual, neste caso uma s\u00e9rie de recorda\u00e7\u00f5es ligadas ao estabelecimento referido no t\u00edtulo) composto sobre textos de Lobo Antunes: \u201cEu que me Comovo por tudo e por nada.\u201d Para al\u00e9m dos casos apontados, o \u201cconceito\u201d dominante tem sido o do deserto. De ideias e de argumentos.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CBN_ChI5O30\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 14 JULHO 1993 CONCEPTUAL EM PORTUGAL \u201cSer Maior\u201d \u00e9 o primeiro disco de rock portugu\u00eas a perder a vergonha de ser desmesurado nos meios e nas inten\u00e7\u00f5es. Para tr\u00e1s ficaram preconceitos e uma tradi\u00e7\u00e3o de \u201cconceptuais\u201d onde os exemplos escasseiam. Os Delfins poder\u00e3o ter inaugurado a era da mania das grandezas. 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