{"id":3764,"date":"2015-06-26T02:38:59","date_gmt":"2015-06-26T09:38:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3764"},"modified":"2015-06-26T02:38:59","modified_gmt":"2015-06-26T09:38:59","slug":"luis-represas-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/06\/26\/luis-represas-entrevista\/","title":{"rendered":"Lu\u00eds Represas &#8211; Entrevista"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>3 NOVEMBRO 1993<br \/>\nEM P\u00daBLICO<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>LU\u00cdS REPRESAS *<\/p>\n<p>Por que raz\u00e3o escolheu Cuba como local de grava\u00e7\u00e3o para o seu primeiro \u00e1lbum a solo [\u201cRepresas\u201d]?<br \/>\nFundamentalmente, para ganhar uma distancia\u00e7\u00e3o suficiente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que tinha feito para tr\u00e1s, a todo o peso da carreira nos Trovante, \u00e0s pessoas que me envolveram durante estes \u00faltimos 17 anos. N\u00e3o numa de nega\u00e7\u00e3o, mas de combater a inseguran\u00e7a provocada por esta mudan\u00e7a.<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3765\" rel=\"attachment wp-att-3765\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rep.jpg\" alt=\"rep\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3765\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rep.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rep-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rep-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Que tipo de inseguran\u00e7a?<br \/>\nInseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que eu quero. De repente, vi-me sozinho. Eu n\u00e3o estive nos Trovante; eu vivi com os Trovante toda a minha vida enquanto m\u00fasico. Sempre em trabalho de equipa, altamente partilhado. Quando, de repente, pus a quest\u00e3o de fazer um disco sozinho, pensando-o e fazendo-o e reagindo em rela\u00e7\u00e3o aos meus pr\u00f3prios est\u00edmulos, evitando ao m\u00e1ximo ser influenciado por opini\u00f5es mais ou menos viciadas em rela\u00e7\u00e3o ao um contexto passado, isso levou-me n\u00e3o s\u00f3 a isolar-me \u2013 n\u00e3o no sentido daquele isolamento angustiado \u2013 como a trabalhar num terreno que me fosse familiar, agrad\u00e1vel e que respondesse \u00e0quilo que eu queria.<\/p>\n<p>E s\u00f3 em Cuba \u00e9 que se encontram todas essas condi\u00e7\u00f5es?<br \/>\n\u00c9 um pa\u00eds que eu visito regularmente h\u00e1 muitos anos, mais at\u00e9 do que Espanha, que est\u00e1 mesmo aqui ao lado, um pa\u00eds que tem m\u00fasicos que giram dentro de um meio que me \u00e9 familiar e da m\u00fasica que eu gosto de fazer, e que, \u00e0 partida, estavam dispon\u00edveis para trabalhar com algu\u00e9m que eles n\u00e3o conheciam. Ou seja, tamb\u00e9m aqui n\u00e3o ia haver leituras viciadas ou preconcebidas em rela\u00e7\u00e3o a mim.<\/p>\n<p>Curiosamente a influ\u00eancia cubana n\u00e3o est\u00e1 muito presente no disco\u2026<br \/>\nExactamente. Comecei, de repente, a aperceber-me disso quando vi as pessoas a ouvirem o disco e a respirarem de al\u00edvio\u2026 Se calhar, estavam com medo que eu fosse fazer um disco de turista, um disco de \u201csalsa\u201d, que eu n\u00e3o quis fazer, de todo. O que acontece \u00e9 que os m\u00fasicos cubanos bebem, de facto, a mesma \u00e1gua que eu.<\/p>\n<p>Que tipo de \u00e1gua?<br \/>\nA \u00e1gua de que o Trovante tamb\u00e9m bebia, ou seja, uma m\u00fasica que evita a rotulagem e o estereotipo, uma coisa que sempre me incomodou imenso. \u00c9 uma \u00e1gua onde existe muita m\u00fasica, desde o rock ao jazz e \u00e0 m\u00fasica popular. M\u00fasica do mundo, no fim de contas, os mesmos conceitos que levaram, por exemplo, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da \u201cnova trova cubana\u201d ou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da \u201cnova m\u00fasica popular brasileira\u201d. Uma gemina\u00e7\u00e3o, um encontro entre v\u00e1rias culturas.<\/p>\n<p>Como aconteceu a colabora\u00e7\u00e3o com Pablo Milan\u00e8s, no tema \u201cFeiticeira\u201d? Algo sentido ou tamb\u00e9m um chamariz comercial?<br \/>\n\u00c9 uma coisa sentida e que eu queria fazer h\u00e1 muito tempo. J\u00e1 tinha cantado antes com o Pablo, no Brasil, sou um profund\u00edssimo admirador dele e sempre quis trabalhar com ele em alguma coisa minha. Pus-lhe v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es \u00e0 frente e ele escolheu a \u201cFeiticeira\u201d. Agora n\u00e3o nego que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o em espanhol e a uma poss\u00edvel edi\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina e em Espanha, o nome dele n\u00e3o seja um valent\u00edssimo empurr\u00e3o. Assim como ele tamb\u00e9m n\u00e3o nega que o facto de cantar comigo, para ele, \u00e9 um valent\u00edssimo empurr\u00e3o em Portugal.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco, referiu-se a est\u00edmulos. Quais foram os que o levaram de novo a compor e a gravar?<br \/>\nOs Trovante tiveram uma fase, depois da sa\u00edda do Gil e do Jos\u00e9 Salgueiro, de tentativa de continuar. Essa tentativa n\u00e3o resultou e nunca foi minha inten\u00e7\u00e3o abandonar a m\u00fasica, que sempre foi o tronco fundamental da minha vida. Estive um bocado \u00e0 espera da altura certa, n\u00e3o do momento comercial, mas do momento em que eu me sentisse dispon\u00edvel, suficientemente tranquilo, assumindo a minha inseguran\u00e7a, para depois recuperar a seguran\u00e7a necess\u00e1ria para fazer este trabalho.<\/p>\n<p>Sentiu algum medo na passagem de um trabalho em equipa para um trabalho solit\u00e1rio?<br \/>\nQuando uma pessoa se empurra a si pr\u00f3pria para essa decis\u00e3o, de ser ela s\u00f3 a decidir, \u00e9 complicado. \u00c9 a mesma coisa que estar-se habituado a tomar banho no mar com os amigos todos e, de repente, ficar-se pela primeira vez sozinho. Sabe-se nadar na mesma mas as primeiras bra\u00e7adas s\u00e3o complicadas.<\/p>\n<p>O que separa este disco a solo da m\u00fasica dos Trovante? H\u00e1 um acr\u00e9scimo ou uma ruptura?<br \/>\nPara haver um acr\u00e9scimo, teria que haver uma manuten\u00e7\u00e3o de muita coisa dos Trovante. Em \u201cRepresas\u201d, n\u00e3o h\u00e1 acr\u00e9scimos, embora haja influ\u00eancias e pontos de coincid\u00eancia com os Trovante, porque foi a m\u00fasica que eu gostei de fazer a vida toda e continuo a gostar de fazer. O que me fez mais feliz neste disco foi ter conseguido fazer exactamente o que queria. N\u00e3o se trata, sequer, de qualquer conquista de liberdade \u2013 para isso, j\u00e1 teria abandonado os Trovante h\u00e1 mais tempo. Mas \u00e9 sempre dif\u00edcil uma separa\u00e7\u00e3o total. Se se tirasse o Mick Jagger dos Rolling Stones e se se pusesse, em seu lugar, o Paul McCartney, as pessoas pensariam logo que se tratava dos Beatles\u2026<\/p>\n<p>P\u00f5e a hip\u00f3tese de, no futuro, vir de novo a fazer parte de um grupo?<br \/>\nN\u00e3o, nunca mais. Quando digo \u201cnunca mais\u201d, quero dizer que n\u00e3o vou voltar a andar \u00e1 procura de fazer uma banda. Mas se, alguma vez, aparecer um grupo de gente para fazer qualquer coisa pontual, at\u00e9 \u00e9 prov\u00e1vel que aceite.<\/p>\n<p>Isso tem a ver com a idade, com uma fase de maturidade?<br \/>\nProvavelmente. Acho que h\u00e1 uma idade de se formarem os grupos, a idade de se descobrir as coisas juntos, de compartilhar, uma idade em que, de facto, ainda n\u00e3o h\u00e1, da parte de cada um, uma sabedoria adquirida que permita come\u00e7ar a andar sozinho. De facto, passados todos estes anos, apetece-me ficar sozinho.<\/p>\n<p>De uma vez por todas, que papel desempenhou Milton Nascimento no seu estilo de cantar?<br \/>\nGosto muito da maneira de cantar dele. O Milton Nascimento faz parte do leque das vozes que s\u00e3o refer\u00eancias para mim. Tal como a Simone, o Fausto \u2013 uma grande refer\u00eancia enquanto parceria, m\u00fasica-palavra. O Fausto e tamb\u00e9m o S\u00e9rgio ensinaram-me a respeitar o texto enquanto texto e a l\u00edngua enquanto comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Considera-se uma pessoa tranquila e ponderada ou \u00e9 s\u00f3 apar\u00eancia?<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 minha personalidade, ela n\u00e3o \u00e9 serena. Mas sou sereno mas tento s\u00ea-lo. No entanto, na parte da composi\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o lutar pela inspira\u00e7\u00e3o, se me sento para tocar ou escrever e as coisas n\u00e3o saem, largo rapidamente e vou fazer outra coisa. N\u00e3o sofro com as moment\u00e2neas faltas de criatividade. Largo tudo e vou-me embora: tomar banho, ver televis\u00e3o, fazer o primeiro disparate que me apete\u00e7a. N\u00e3o sou nada disciplinado nesse aspecto.<\/p>\n<p>Aceita a imagem que algumas pessoas t\u00eam de si, de \u201cbon vivant\u201d?<br \/>\nGosto das coisas boas da vida. N\u00e3o fa\u00e7o cerim\u00f3nia nenhuma. N\u00e3o confundir as coisas boas da vida com outras coisas que parecem boas mas que acabam por n\u00e3o o ser tanto como isso, que a gente vai provando e deitando fora. Vamo-nos tornando selectivos.<\/p>\n<p>* Compositor, pianista, guitarrista e vocalista dos Trovante, grupo entretanto j\u00e1 extinto. Gerente e propriet\u00e1rio do bar Chafarix. O seu primeiro \u00e1lbum a solo, intitulado \u201cRepresas\u201d, ser\u00e1 lan\u00e7ado, nesta semana, pela EMI-VC.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/minhateca.com.br\/arsmoby\/Galeria\/Music\/Europa\/Portugal\/Luis+Represas\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IeCmQy3t8_o\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 3 NOVEMBRO 1993 EM P\u00daBLICO LU\u00cdS REPRESAS * Por que raz\u00e3o escolheu Cuba como local de grava\u00e7\u00e3o para o seu primeiro \u00e1lbum a solo [\u201cRepresas\u201d]? 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