{"id":3701,"date":"2015-06-04T04:36:45","date_gmt":"2015-06-04T11:36:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3701"},"modified":"2015-06-04T04:37:32","modified_gmt":"2015-06-04T11:37:32","slug":"john-moran-the-manson-family-an-opera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/06\/04\/john-moran-the-manson-family-an-opera\/","title":{"rendered":"John Moran &#8211; &#8220;The Manson Family &#8211; an opera&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>28 OUTUBRO 1992<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>A \u00d3PERA DO DIABO<\/strong><\/p>\n<p><strong>JOHN MORAN<br \/>\nThe Manson Family \u2013 an opera (8)<\/strong><br \/>\nCD, Point Music, import. Contraverso<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3702\" rel=\"attachment wp-att-3702\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jm-300x300.jpg\" alt=\"jm\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3702\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jm-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jm-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jm-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jm.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cThe Manson Family\u201d, contraponto de horror, negativo das grandes vis\u00f5es minimais\/cosmol\u00f3gicas de Philip Glass, \u00e9 o retrato a negro e vermelho do Inferno, disfar\u00e7ado sob a capa do surrealismo. O ponto de partida \u00e9 a \u201cfam\u00edlia\u201d Manson, respons\u00e1vel, no final dos anos 60, por uma s\u00e9rie de assass\u00ednios rituais que culminaram no da actriz Sharon Stone e chocaram os Estados Unidos de Gerald Ford. Charles Manson, l\u00edder espiritual da seita, foi preso e condenado \u00e0 pena m\u00e1xima, mais tarde revogada, sem que se soubessem bem os motivos\u2026<br \/>\nJohn Moran, um compositor pouco conhecido e apreciador de temas que aliam o m\u00f3rbido e o horror \u00e0s teorias sobre o homem novo, de prefer\u00eancia com chifres e cauda bifurcada \u2013 mais um Cronenberg da m\u00fasica a engrossar a lista dos fabricantes de monstruosidades \u2013, gostou da hist\u00f3ria e com ela fez uma \u00f3pera, que Philip Glass acolheu na sua novel editora. A pol\u00e9mica estalou de imediato, caindo sobre o autor amea\u00e7as e acusa\u00e7\u00f5es de v\u00e1ria ordem, inclusive a de fazer a apologia do criminoso Manson. Antes Moran assinara outros trabalhos de \u00edndole obscura, como \u201cHospital (Night Nurse)\u201d, \u201cHaunted House\u201d e \u201cSolar System\u201d.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 em \u201cThe Manson Family\u201d ju\u00edzos morais. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 \u201cbons\u201d de um lado e \u201cmaus\u201d do outro. Moran n\u00e3o defende um ponto de vista acusat\u00f3rio contra o assassino. A sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentar um panorama mais vasto, situando as diversas personagens envolvidas nos acontecimentos de 1969 (o mesmo ano da trag\u00e9dia de Alatamon, terminando em sangue a d\u00e9cada do \u201cVer\u00e3o do amor\u201d), permitindo-lhes criar como que realidades alternativas possuidoras de uma l\u00f3gica pr\u00f3pria e \u201cnatural\u201d, segundo os princ\u00edpios do sonho enunciados por Breton nos seus \u201cManifestos do Surrealismo\u201d. Perspectiva amb\u00edgua que, em \u00faltima an\u00e1lise, coincide com a subjectividade total, quando Moran afirma que \u201cThe Manson Family\u201d acaba por ser mais sobre o seu autor (que na estreia da \u00f3pera, h\u00e1 dois anos, em Nova Iorque, no Lincoln Center\u2019s Serious Fun, escolheu para si o papel de Chrales Manson\u2026) e menos sobre o assunto tratado.<br \/>\nEm termos conceptuais, joga-se pois nos terrenos da ambiguidade. Os di\u00e1logos e a ac\u00e7\u00e3o descolam do tempo, mantendo-se numa esp\u00e9cie de imponderabilidade narrativa. Apesar do aviso \u201ccont\u00e9m linguagem que pode ser considerada ofensiva\u201d afixado na capa, sobra uma impress\u00e3o de se estar para al\u00e9m de qualquer moral, num arrojo nietzschiano de teor provocat\u00f3rio. Tudo se confunde num \u201cpuzzle\u201d de significados e remet\u00eancias que ao ouvinte cabe organizar. Os Beatles na qualidade dos quatro cavaleiros do Apocalipse ou Iggy Pop, s\u00edmbolo da rebeldia Pop, no papel de advogado de acusa\u00e7\u00e3o, Vincent Bugliosi, s\u00e3o apenas dois exemplos de um jogo de espelhos infinito onde a no\u00e7\u00e3o de \u201creal\u201d acaba por perder todo o sentido. \u00c9 isso que John Moran pretende, quando p\u00f5e Charles Manson a dizer: \u201cN\u00e3o podem provar nada do que aconteceu ontem [o crime] \u2018agora\u2019 \u00e9 a \u00fanica coisa real. Podem tentar provar que Colombo navegou por um oceano\u2026 mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o mesmo oceano\u2026\u201d. Apologia do momento e da ac\u00e7\u00e3o pura. Nietzsche de novo, puxado para o lado perigoso. Nesta perspectiva, Hitler e o holocausto poderiam ter uma raz\u00e3o de ser.<br \/>\n\u00c9 o horror total, o puxar do tapete debaixo dos p\u00e9s. Tudo \u00e9 l\u00edcito, visto que o direito legal n\u00e3o passa de um mero produto que visa manter um \u201cstatus quo\u201d social. Nega-se, \u00e9 evidente, a exist\u00eancia de um direito de outra ordem, transcendente, ou seja, a lei divina. Obviamente, John Moran, e Manson, e a mentalidade ocidental que aos poucos vai vendendo a sua alma, acreditam mais no diabo do que em Deus. Manson, como Hitler, como Gilles de Rais, como todos os grandes criminosos da Hist\u00f3ria, levou esta filosofia at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias.<br \/>\n\u201cThe Manson Family\u201d \u00e9 ainda a psicadelia voltada do avesso e a transgress\u00e3o completa de uma narrativa oper\u00e1tica convencional. As vozes podem ser \u201csampladas\u201d dos Beatles do \u00e1lbum branco ou grava\u00e7\u00f5es originais da voz de Manson, de modo a acentuar uma dimens\u00e3o ultratemporal. A electr\u00f3nica assume o papel, n\u00e3o de niveladora, \u00e0 semelhan\u00e7a por exemplo do que acontece nas \u00f3peras de Robert Ashley ou do pr\u00f3prio Philip Glass, mas de criadora, tamb\u00e9m ela, de desequil\u00edbrios e desfocagens v\u00e1rias, aproximando-se, neste aspecto, \u201cThe Manson Family\u201d de estrat\u00e9gias t\u00edpicas dos Negativland ou de Chris Burke, no \u00e1lbum \u201cIdioglossia\u201d. Um pesadelo sem fim.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mediafire.com\/download\/ro55rgr99crj3vv\/The+Manson+Family_+An+Opera.zip\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZXzlZy6lrgs\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 28 OUTUBRO 1992 A \u00d3PERA DO DIABO JOHN MORAN The Manson Family \u2013 an opera (8) CD, Point Music, import. 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