{"id":3650,"date":"2015-05-16T08:52:14","date_gmt":"2015-05-16T15:52:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3650"},"modified":"2015-05-16T08:52:14","modified_gmt":"2015-05-16T15:52:14","slug":"tori-amos-little-earthquakes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/05\/16\/tori-amos-little-earthquakes\/","title":{"rendered":"Tori Amos &#8211; &#8220;Little Earthquakes&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>15 JANEIRO 1992<\/p>\n<p>O SEXO DOS ANJOS<\/p>\n<p><strong>TORI AMOS<br \/>\nLittle Earthquakes<\/strong><br \/>\nLP\/CD, WEA, distri. Warner Music<\/p>\n<p>Partamos do princ\u00edpio que Kate Bush n\u00e3o existe. Admitindo que Kate Bush n\u00e3o existe, \u201cLittle Earthquakes\u201d \u00e9 um dos \u00e1lbuns mais originais, inspirados, perturbadores, ousados e requintados gravados por uma voz feminina nos \u00faltimos anos. Voz envolvente, capaz de percorrer uma escala alargada de tons e sentimentos. As can\u00e7\u00f5es de \u201cLittle Earthquakes\u201d abalam realmente, provocam arrepios na espinha, confundem, perturbam, levam-nos aos trope\u00e7\u00f5es por uma montanha russa e pelo comboio-fantasma de uma feira de emo\u00e7\u00f5es. Algumas falam de sexo. Quase todas de paix\u00e3o.<br \/>\nA quest\u00e3o sexual est\u00e1 sempre de alguma forma presente, nas espirais de orgasmo da voz, nos murm\u00farios, nas rouquid\u00f5es h\u00famidas que de s\u00fabito eclodem entre um salto de oitava e um salto emocional, na pureza perversa com que a cantora lan\u00e7a o seu feiti\u00e7o, desnudando-se por dentro e descobrindo o sexo dos anjos. Sexo e religi\u00e3o interligam-se num universo de prazer e pecado onde a l\u00f3gica n\u00e3o tem lugar. Imp\u00e9rio do sentir. Como Tori Amos sentiu, e de que maneira, aos 23 anos, na carne, sobretudo, e no esp\u00edrito, atrav\u00e9s de sucessivas infec\u00e7\u00f5es na bexiga (tamb\u00e9m 23, tem piada) provocadas por um intenso complexo de culpa devido aos ditos problemas do foro sexual. \u201cTodos os dedos do quarto apontam para mim\u201d \u2013 queixa-se ou entusiasma-se em \u201cCrucify\u201d. A frase \u00e9 amb\u00edgua, pode ser f\u00e1lica. Pode se assustadora.<br \/>\nVamos supor, como diz Tori, que \u201cn\u00e3o t\u00ednhamos corpos e que apenas libert\u00e1vamos pequenas energias luminosas, como cores, e que ent\u00e3o nos fund\u00edamos\u201d, para a cantora, \u201co verdadeiro significado de fazer amor\u201d. Sim, admitamos. O amor \u00e9 plat\u00f3nico, mas nem sempre. Em \u201cLeather\u201d, Tori canta nestes termos: \u201crepara, ergo-me nua diante de ti\/ n\u00e3o queres sen\u00e3o o meu sexo\/ posso gritar tanto com a \u00faltima\/ mas n\u00e3o posso pretender a inoc\u00eancia\u201d. Em \u201cMe and a gun\u201d, a voz solo descreve movimentos suspeitos no banco de tr\u00e1s de um autom\u00f3vel, incluindo pormenores de algu\u00e9m que \u201cdesaperta as cal\u00e7as\u201d. A espingarda n\u00e3o deve ser bem uma espingarda.<br \/>\nH\u00e1 fantasmas \u00e0 solta na m\u00fasica e na cabe\u00e7a de Tori Amos. S\u00e3o eles que d\u00e3o encanto ao disco. S\u00e3o eles que confundem e perturbam. Uma das can\u00e7\u00f5es chama-se \u201cHappy Phantom\u201d e inventa uma \u00f3pera universal em que Judy Garland leva Buda pela m\u00e3o. N\u00e3o quer dizer nada, mas faz-nos imaginar coisas.<br \/>\nClaro, continua a ser preciso fazer um esfor\u00e7o para n\u00e3o nos lembrarmos de Kate Bush e da semelhan\u00e7a de viv\u00eancias (exceptuando as infec\u00e7\u00f5es da bexiga) entre as duas cantoras, que de resto se aproximam ainda nas inflex\u00f5es vocais ou no modo como o corpo inteiro se assume como filtro das emo\u00e7\u00f5es. Can\u00e7\u00f5es como \u201cCrucify\u201d ou \u201cSilent all these years\u201d recordam tamb\u00e9m outra senhora, chamada Dalbello, canadiana que h\u00e1 muitos anos editou um disco intitulado \u201cWomanfoursays\u201d. N\u00e3o chega a constituir problema porque quase ningu\u00e9m conhece.<br \/>\nDepois, h\u00e1 a maneira de Tori tocar piano, como se este instrumento fosse uma grande caixa de m\u00fasica de onde se evolam notas estranhas, presentes nas afina\u00e7\u00f5es ex\u00f3ticas de \u201cPrecious Things\u201d ou \u201cMother\u201d. E h\u00e1 outros pequenos terramotos: \u201cragtimes\u201d fantasmag\u00f3ricos, Lili Marlene num clube de jazz, e medos maiores e mais profundos na assombra\u00e7\u00e3o final de \u201cLittle Earthquakes\u201d \u2013 \u201cdan\u00e7\u00e1mos em cemit\u00e9rios com vampiros at\u00e9 de madrugada\/ rimo-nos na cara dos reis, sem medo de nos queimarmos\/ odeio, odeio, odeio\/ a desintegra\u00e7\u00e3o espera por n\u00f3s\u201d. Tudo \u00e9 diferente em Tori Amos. Tudo seria ainda mais diferente se n\u00e3o existisse Kate Bush. (7)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/minhateca.com.br\/darkmemc\/MP3\/Tori+Amos\/*5b1992*5d+-+Tori+Amos+-+Little+Earthquakes,50693699.rar%28archive%29\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2JiZlWtYv7s\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 15 JANEIRO 1992 O SEXO DOS ANJOS TORI AMOS Little Earthquakes LP\/CD, WEA, distri. Warner Music Partamos do princ\u00edpio que Kate Bush n\u00e3o existe. Admitindo que Kate Bush n\u00e3o existe, \u201cLittle Earthquakes\u201d \u00e9 um dos \u00e1lbuns mais originais, inspirados, perturbadores, ousados e requintados gravados por uma voz feminina nos \u00faltimos anos. 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