{"id":3647,"date":"2015-05-15T10:26:39","date_gmt":"2015-05-15T17:26:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3647"},"modified":"2015-05-15T10:26:39","modified_gmt":"2015-05-15T17:26:39","slug":"neil-young-paz-depois-da-guerra-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/05\/15\/neil-young-paz-depois-da-guerra-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Neil Young: Paz Depois Da Guerra (artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>28 OUTUBRO 1992<\/p>\n<p><strong>Neil Young d\u00e1 confer\u00eancia de imprensa em Madrid<\/p>\n<p>\u201cPAZ DEPOIS DA GUERRA\u201d<\/p>\n<p>\u201cHarvest Moon\u201d, novo \u00e1lbum de Neil Young, editado em Portugal no dia 23 de Outubro, com o selo Warner Music, revisita o seu antepassado de 1972, \u201cHarvest\u201d. Os m\u00fasicos s\u00e3o os mesmos, os arranjos ac\u00fasticos remetem para os de h\u00e1 20 anos. S\u00e3o can\u00e7\u00f5es de amor, de ressaca, passado o del\u00edrio el\u00e9ctrico e o excesso de \u201cWeld\u201d, o \u00e1lbum anterior. Agora o autor de \u201cAfter the Gold Rush\u201d anda pela Europa a explicar que n\u00e3o se trata de qualquer acesso de nostalgia, apenas de um \u00e1lbum capaz de agradar a toda a gente. Um grupo de jornalistas convidados escutou as suas raz\u00f5es, numa confer\u00eancia de imprensa realizada na semana passada num hotel de Madrid. N\u00e3o s\u00e3o grandes raz\u00f5es as que o m\u00fasico apresentou. Neil Young fala pouco, preferindo deixar as opini\u00f5es sobre o seu trabalho para os cr\u00edticos e o p\u00fablico em geral. \u201cHarvest Moon\u201d \u00e9 um bom \u00e1lbum de can\u00e7\u00f5es, registadas num momento de pacifica\u00e7\u00e3o. O guerreiro em tempo de paz.<br \/>\n<\/strong><br \/>\nQue motivos levaram afinal Neil Young a este regresso a um passado distante? As respostas n\u00e3o foram claras, ficando uma s\u00e9rie de d\u00favidas a pairar no ar. Ele diz que foi quase por acaso: \u201cEscrevi as can\u00e7\u00f5es primeiro, depois escolhi os m\u00fasicos e s\u00f3 ent\u00e3o reparei que eram os mesmos [os Stray Gators], que tinham trabalhado comigo em \u2018Harvest\u2019.\u201d Pura coincid\u00eancia, portanto. Quanto aos arranjos, ac\u00fasticos como no \u00e1lbum de 1972, devem-se unicamente \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o de momento. \u201cForam escritos na guitarra ac\u00fastica. Ficavam melhor num registo \u2018soft\u2019.\u201d Poder-se-ia pensar numa repeti\u00e7\u00e3o de esquemas. Mas tamb\u00e9m aqui Neil Young se recusa a abrir o jogo, embora conceda: \u201cDurante muitos anos as pessoas pediram-me para fazer isto, mas n\u00e3o tinha as can\u00e7\u00f5es certas. N\u00e3o programo o tipo de can\u00e7\u00f5es que escrevo. Aconteceu agora e pronto.\u201d E pronto.<br \/>\nCerto \u00e9 que \u201cHarvest Moon\u201d n\u00e3o esconde a filia\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o n\u00e3o repetiria a palavra comum aos dois \u00e1lbuns. E compreende-se que a escolha tenha reca\u00eddo em \u201cHarvest\u201d, que foi, na altura do seu lan\u00e7amento, um dos que mais dividendos monet\u00e1rios trouxe ao seu autor e o projectou na cena rock internacional. Por outro lado conv\u00e9m n\u00e3o esquecer que a obra de Neil Young se organiza por avan\u00e7os e recuos sucessivos \u2013 \u201cVou a um extremo e depois regresso, para n\u00e3o haver perda de energia. Energia que \u00e9 mais forte quando toco com os Crazy Horse, vis\u00edvel em trabalhos como \u2018Ragged Glory\u2019, \u2018Weld\u2019 e \u2018Arc\u2019. Depois tenho de parar e tocar qualquer coisa mais suave\u201d \u2013, agrupando-se os \u00e1lbuns em n\u00facleos espec\u00edficos. \u00c9 verdade que \u201cHarvest Moon\u201d remete em primeiro lugar para \u201cHarvest\u201d, mas n\u00e3o \u00e9 menos verdade que tamb\u00e9m n\u00e3o anda longe do registo de \u201cComes a Time\u201d, de 1978. Da mesma maneira que \u201cWeld\u201d se poder\u00e1 inserir numa linha id\u00eantica \u00e0 de \u201cRagged Glory\u201d (1990) e \u201cRust never Sleeps\u201d (1979). Inten\u00e7\u00f5es declaradamente comerciais n\u00e3o existem: \u201c\u00c9 um \u00e1lbum sentido com o cora\u00e7\u00e3o. As pessoas podem dizer o que quiserem. N\u00e3o tenho de defender a minha m\u00fasica, apenas de a fazer.\u201d<\/p>\n<p><strong>Uma pausa e promo\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Fica de imediato afastado qualquer paralelo com uma estrat\u00e9gia semelhante, por exemplo, \u00e0 de \u201cTubular Bells II\u201d. Nem a integridade art\u00edstica sempre mantida pelo autor o permitiria. Desde os tempos long\u00ednquos de \u201cEverybody Knows this Is nowehere\u201d que Neil Young recusa a seguran\u00e7a de um estilo ou de uma f\u00f3rmula que se revele rent\u00e1vel. Ele \u00e9 por natureza um explorador, algu\u00e9m que se recusa a parar. Do rockabilly \u00e0 country, do rock nos mais diversos matizes ao esc\u00e2ndalo que em 1983 causou a aventura electr\u00f3nica de \u201cTrans\u201d, \u00e9 todo um percurso em que constantemente tem procurado novas solu\u00e7\u00f5es. Por tudo isto tamb\u00e9m espanta a pausa que \u201cHarvest Moon\u201d significa. E \u00e9 de facto de uma pausa que se trata. Se \u201cWeld\u201d e a sua extens\u00e3o de puro caos e \u201cfeedback\u201d que \u00e9 \u201cArc\u201d \u2013 \u201cnas discotecas utilizam-no em blocos de 10 segundos entre as can\u00e7\u00f5es para dan\u00e7ar e na r\u00e1dio costuma servir de separador\u201d \u2013, gravados durante a guerra do Golfo, representam, nas suas palavras, algo parecido com \u201cestados alterados, como o ar que se transforma em vapor\u201d ou \u201cuma fronteira limite, o princ\u00edpio de algo novo, um tiro no escuro\u201d, \u201cHarvest Moon\u201d, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 \u201ca calma depois da tempestade\u201d e \u201ca paz a seguir \u00e0 guerra\u201d.<br \/>\nQuanto \u00e0s actividades promocionais em que, pela primeira vez em 25 anos de carreira, se v\u00ea envolvido, devem-se a directivas dos patr\u00f5es da editora, que viram em \u201cHarvest Moon\u201d um \u00e1lbum com um potencial comercial razo\u00e1vel: \u201cEm Los Angeles sentaram-me numa cadeira e disseram-me: \u2018Temos de fazer isto, sen\u00e3o ningu\u00e9m saber\u00e1 que tens um novo \u00e1lbum.\u2019\u201d Neil Young acedeu e parece que n\u00e3o se tem dado mal com a mudan\u00e7a: \u201cAgora posso viajar pela Europa, por cidades maravilhosas, frequentar bons restaurantes\u2026\u201d A quest\u00e3o \u00e9 que, se, como ele diz, os f\u00e3s \u201chard core\u201d n\u00e3o precisam de refer\u00eancias para adquirir o \u00e1lbum, j\u00e1 o mesmo n\u00e3o acontece com uma franja de p\u00fablico novo que, de outro modo, n\u00e3o teria acesso a saber da exist\u00eancia do disco \u2013 \u201c\u00c9 um tipo de m\u00fasica que a r\u00e1dio n\u00e3o passa, nos dias de hoje.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00cddolos da Am\u00e9rica<\/strong><\/p>\n<p>Em \u201cHarvest Moon\u201d, Neil Young escreve e canta sobre o amor e a loucura. Ele prefere que sejam os outros a tirar conclus\u00f5es. Questionado quanto \u00e0 tem\u00e1tica de algumas can\u00e7\u00f5es, de novo se escudou num quase mutismo: \u201cUm verso de \u2018Dreamin\u2019 Man\u2019 diz algo como \u2018sou um sonhador\u2019. Tem sido esse o meu problema.\u201d Problema que Neil Young reduz a \u201calgu\u00e9m que n\u00e3o consegue adaptar-se \u00e0 realidade\u201d, sem adiantar outros pormenores: \u201cTentar explicar as can\u00e7\u00f5es \u00e9 trair essas can\u00e7\u00f5es.\u201d Um ponto de vista defens\u00e1vel, por muito que custe \u00e0 curiosidade jornal\u00edstica. Noutra can\u00e7\u00e3o, \u201cFrom Hank to Hendrix\u201d, refere explicitamente, al\u00e9m das duas personagens citadas no t\u00edtulo \u2013 Hank Williams, nome lend\u00e1rio da m\u00fasica country, e Jimi Hendrix \u2013, os nomes de Marilyn Monroe e Madonna. Neste caso, forneceu algumas explica\u00e7\u00f5es extra, talvez por incidirem numa tem\u00e1tica de teor n\u00e3o autobiogr\u00e1fico: \u201cHank e Hendrix s\u00e3o p\u00f3los positivos da Am\u00e9rica. As pessoas gostam de ouvi-los, porque s\u00e3o ambos grandes m\u00fasicos. Marilyn e Madonna fazem pensar em coisas diferentes\u2026 As pessoas ainda n\u00e3o t\u00eam uma opini\u00e3o definitiva sobre a sua qualidade.\u201d Sobre a autora de \u201cSex\u201d e \u201cErotica\u201d, contudo, Neil Young tem uma opini\u00e3o formada, por sinal positiva, j\u00e1 que considera que \u201calguma da sua m\u00fasica \u00e9 boa\u201d e \u00e0 escandalosa \u201cuma cantora com potencial\u201d, que \u201cfar\u00e1 m\u00fasica mais aventurosa no futuro\u201d.<\/p>\n<p><strong>A queda de Colombo<\/strong><\/p>\n<p>Neil Young, que j\u00e1 sofreu na carne os efeitos da censura, em Espanha, onde lhe cortaram o texto da can\u00e7\u00e3o \u201cCortez the Killer\u201d (do \u00e1lbum \u201cZuma\u201d) sente-se mais \u00e0 vontade quando questionado sobre os outros ou sobre assuntos de ordem menos pessoal, ou \u00edntima. A prop\u00f3sito da descoberta da Am\u00e9rica por Crist\u00f3v\u00e3o Colombo, da qual se comemora este ano o quinto centen\u00e1rio, assunto que mant\u00e9m excitados os nossos vizinhos espanh\u00f3is, Neil Young deitou um balde de \u00e1gua fria sobre os \u00e2nimos de \u201cnuestros hermanos\u201d: \u201cColombo? \u00c9 uma anedota. Um \u00eddolo ca\u00eddo. Passados 500 anos, j\u00e1 ningu\u00e9m fala da descoberta, mas do exterm\u00ednio dos nativos americanos. H\u00e1 um mal-estar geral. Durante s\u00e9culos, Colombo foi um her\u00f3i. Agora, o seu tempo terminou.\u201d<br \/>\nEntre os projectos actuais do m\u00fasico, conta-se o regresso ao cinema (na lista dos seus realizadores preferidos figuram Scorsese, o Godard das origens, Fellini e Alan Rudolph), atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de um filme centrado sobre a hist\u00f3ria, lida num livro, de \u201cuma senhora franco-canadiana que afirmou ter encontrado uma cura para o cancro\u201d. Enquanto isso continua a apoiar v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de aux\u00edlio a crian\u00e7as deficientes, uma para doentes e seropositivos da sida, outra de ensino da fala com o aux\u00edlio de computadores.<br \/>\nDe Bob Dylan, ao lado de quem tocou recentemente no concerto do 30\u00ba anivers\u00e1rio de carreira daquele compositor, diz ser uma \u201cpersonalidade \u00fanica e fascinante\u201d e um grande poeta (\u201ctal como Shakespeare\u201d), cuja m\u00fasica \u201csabe falar \u00e0 sua gera\u00e7\u00e3o\u201d. Vai mais longe ao afirmar que \u201cas palavras ganham um novo sentido quando saem da sua boca\u201d. Instado a pronunciar-se sobre as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos, Neil Young ficou-se por um lac\u00f3nico: \u201cSou canadiano!\u201d<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.4shared.com\/rar\/yyO3IVe4\/_3__Harvest_Moon.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/n2MtEsrcTTs\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 28 OUTUBRO 1992 Neil Young d\u00e1 confer\u00eancia de imprensa em Madrid \u201cPAZ DEPOIS DA GUERRA\u201d \u201cHarvest Moon\u201d, novo \u00e1lbum de Neil Young, editado em Portugal no dia 23 de Outubro, com o selo Warner Music, revisita o seu antepassado de 1972, \u201cHarvest\u201d. Os m\u00fasicos s\u00e3o os mesmos, os arranjos ac\u00fasticos remetem para os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[959,10],"tags":[200],"class_list":["post-3647","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1992","category-rock","tag-neil-young"],"views":1806,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3647","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3647"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3647\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3648,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3647\/revisions\/3648"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3647"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3647"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3647"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}