{"id":3643,"date":"2015-05-14T07:55:18","date_gmt":"2015-05-14T14:55:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3643"},"modified":"2015-05-14T07:56:13","modified_gmt":"2015-05-14T14:56:13","slug":"philip-glass-circulos-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/05\/14\/philip-glass-circulos-do-tempo\/","title":{"rendered":"Philip Glass: C\u00edrculos do Tempo (artigo)"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>28 OUTUBRO 1992<\/p>\n<p><strong>OS C\u00cdRCULOS DO TEMPO<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Em \u201cThe Voyage\u201d, Philip Glass celebra o quinto centen\u00e1rio da descoberta da Am\u00e9rica, por Crist\u00f3v\u00e3o Colombo. A \u00f3pera estreou-se no passado dia 12, na Metropolitan Opera House, em Nova Iorque, com lota\u00e7\u00f5es esgotadas e transmiss\u00e3o radiof\u00f3nica, em directo para os Estados Unidos, em diferido para a Europa. Seguem-se Vasco da Gama e os Descobrimentos portugueses, em \u201cThe White Raven\u201d, e o mais que vier por encomenda.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3644\" rel=\"attachment wp-att-3644\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/pg-300x300.jpg\" alt=\"pg\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3644\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/pg-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/pg-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/pg-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/pg.jpg 355w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em simult\u00e2neo com este novo trabalho, volta \u00e0 cena \u201cEinstein on the Beach\u201d, a sua primeira \u00f3pera, escrita em 1976, de parceria com Robert Wilson, numa \u201ctourn\u00e9e\u201d mundial que culminar\u00e1 na Academia de M\u00fasica de Brooklyn. Entretanto, \u201cThe White Raven\u201d, \u201cOrph\u00e9e\u201d e \u201cLow\u201d encontram-se em fila de espera. \u201cThe White Raven\u201d \u00e9 a \u00f3pera encomendada pela Comiss\u00e3o dos Descobrimentos Portugueses, com \u201clibretto\u201d da escritora Lu\u00edsa Costa Gomes e estreia prevista para 1994, em Lisboa ou em Bona, que aborda numa perspectiva metaf\u00edsica (id\u00eantica \u00e0 de \u201cThe Voyage\u201d as viagens do navegador portugu\u00eas Vasco da Gama.<br \/>\n\tEm \u201cOrph\u00e9e\u201d, Philip Glass faz a adapta\u00e7\u00e3o oper\u00e1tica do filme realizado por Jean Cocteau, em 1949. Finalmente, \u201cLow\u201d, uma sinfonia que recria temas instrumentais do disco hom\u00f3nimo de David Bowie, gravado em 1977, tem estreia prevista para o pr\u00f3ximo m\u00eas e contar\u00e1 com as colabora\u00e7\u00f5es de pr\u00f3prio Bowie e de Brian Eno. A sinfonia sair\u00e1 em disco com o selo Point Music, criado recentemente por Glass. Na calha est\u00e3o j\u00e1 cinco novas \u00f3peras\u2026<br \/>\n\tPhilip Glass, aos 55 anos de idade, n\u00e3o tem pois m\u00e3os a medir. Ele \u00e9 sem d\u00favida o compositor contempor\u00e2neo mais solicitado pelas institui\u00e7\u00f5es oficiais. A todas as encomendas, Glass responde com quil\u00f3metros de pauta e notas musicais fotocopiadas, de maneira a fazer render ao m\u00e1ximo a mina do minimalismo, termo que h\u00e1 muito deixou de fazer sentido e para o qual o pr\u00f3prio compositor admite estar-se nas tintas. \u201cThe Voyage\u201d, por exemplo, pouco ou nada tem que ver com a atitude pioneira de quem, nos anos 60, ao lado de nomes como LaMonte Young, Steve Reich e Terry Riley, ousou lutar contra a ortodoxia que acorrentava a m\u00fasica contempor\u00e2nea \u00e0s regras do tempo linear.<br \/>\n\tEnt\u00e3o, Glass era um revolucion\u00e1rio. Hoje, \u00e9 um acad\u00e9mico. As microdivis\u00f5es tonais aprendidas com os mestres indianos deram lugar a outro g\u00e9nero de n\u00fameros e divis\u00f5es. \u201cThe Voyage\u201d, talvez ainda influenciado pelo ritmo que levou Philip Glass a escrever m\u00fasica para os \u00faltimos Jogos Ol\u00edmpicos de Barcelona, at\u00e9 bateu recordes \u2013 \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3pera mais cara de sempre, com um or\u00e7amento inicial de 325 mil d\u00f3lares, mas cujas despesas finais dever\u00e3o rondar os dois milh\u00f5es de d\u00f3lares, derrubando a anterior marca, detida h\u00e1 longo tempo pelo conhecido Giuseppi Verdi, com \u201cA\u0457da\u201d, que, feitas as devidas equipara\u00e7\u00f5es e c\u00e2mbio monet\u00e1rio, alcan\u00e7ou na \u00e9poca (em 1870) a marca not\u00e1vel de 225 mil d\u00f3lares.<\/p>\n<p><strong>\u00c0 descoberta do continente humano<\/strong><\/p>\n<p>\t\u201cThe Voyage\u201d \u00e9 uma grande \u00f3pera, na senda das n\u00e3o menos grandes \u201cEinstein on the Beach\u201d, \u201cSatyagraha\u201d e \u201cAkhnaten\u201d, j\u00e1 para n\u00e3o falar da sequ\u00eancia intermin\u00e1vel de \u201cMusic in 12 parts\u201d. Alguns dados adicionais sobre este trabalho: tem tr\u00eas horas e meia de dura\u00e7\u00e3o e o \u201clibretto\u201d leva a assinatura de David Henry Hwang (autor dos textos do \u201cmusic-hall\u201d \u201cMadame Butterfly\u201d levado \u00e0 cena na Brodway em 1988 e com quem Glass j\u00e1 trabalhara em \u201c1000 Aeroplanes on the Roof\u201d). Entre os int\u00e9rpretes, contam-se Timothy Noble, Tatiana Troyanos e Douglas Perry. A cenografia, a cargo de Robert Israel, inclui adere\u00e7os como uma colagem de um quadro de Van Gogh, uma pir\u00e2mide transparente, uma cabe\u00e7a gigantesca da est\u00e1tua da liberdade e um foguet\u00e3o. N\u00e3o se pode dizer que haja muitos pontos em comum com \u201cO Barbeiro de Sevilha\u201d ou a \u201cFlauta M\u00e1gica\u201d\u2026<br \/>\n\tO argumento parece ser, \u00e0 partida, interessante: a explora\u00e7\u00e3o dos meandros mentais do \u201chomo sapiens\u201d. Crist\u00f3v\u00e3o Colombo serve de pretexto. E a Am\u00e9rica simboliza o continente desconhecido do inconsciente humano. A hist\u00f3ria come\u00e7a com um pr\u00f3logo narrado por um cientista preso a uma cadeira de rodas, numa alus\u00e3o directa ao f\u00edsico Stephen Hawking (tamb\u00e9m ele \u2013 considerado por muitos o \u201cnovo Einstein\u201d \u2013 na praia?). Refira-se a prop\u00f3sito que Philip Glass esteve para escrever a partitura de um filme de Erroll Morris \u2013 na sequ\u00eancia do que j\u00e1 fizera antes em \u201cThe Thin Blue Line\u201d, deste mesmo realizador \u2013 intitulado \u201cA Brief History of Time\u201d, baseado no livro com o mesmo t\u00edtulo, escrito em 1988 por aquele astrof\u00edsico.<br \/>\n\tTudo funciona para al\u00e9m das apar\u00eancias e da Hist\u00f3ria. O primeiro acto, passado nos prim\u00f3rdios da humanidade, decorre na Idade do Gelo e apresenta os extraterrestres como nossos progenitores, segundo a teoria dos deuses astronautas que vieram \u00e0 Terra procriar. O que, diga-se de passagem, soa bastante menos comprometedor que descender dos macacos.<br \/>\n\tO terceiro e \u00faltimo acto transporta-nos ao ano 2092 e mostra esses mesmos extraterrestres a abandonarem pela calada o nosso planeta, aparentemente arrependidos do trabalhinho que arranjaram. Coisa m\u00edtica, como se v\u00ea. \u00c9 o regresso \u00e0 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de Philip Glass, que, numa \u00f3pera menos conhecida, j\u00e1 encenara a novela de Doris Lessing, \u201cThe Making of the Representative for Planet 8\u201d. Entre Colombo, Vasco da Gama e os homenzinhos verdes, Philip Glass l\u00e1 vai facturando \u00e0 conta do vazio que se instalou no cora\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.filefactory.com\/file\/c3d4d00\/n\/GlassVoyage.rar\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/csVo-Yt9BzE\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 28 OUTUBRO 1992 OS C\u00cdRCULOS DO TEMPO Em \u201cThe Voyage\u201d, Philip Glass celebra o quinto centen\u00e1rio da descoberta da Am\u00e9rica, por Crist\u00f3v\u00e3o Colombo. 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