{"id":3640,"date":"2015-05-13T09:39:16","date_gmt":"2015-05-13T16:39:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3640"},"modified":"2015-05-13T09:39:16","modified_gmt":"2015-05-13T16:39:16","slug":"sex-pistols-xeque-ao-reino-artigo-de-fundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/05\/13\/sex-pistols-xeque-ao-reino-artigo-de-fundo\/","title":{"rendered":"Sex Pistols: Xeque Ao Reino (artigo de fundo)"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>21 OUTUBRO 1992<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>\u201cGod save the queen: The fascist regime (\u2026) There is no future, in England\u2019s dreaming! No future for you, no future for you, no future for you!\u201d<\/p>\n<p>Sex Pistols, \u201cGod save the queen\u201d\t\t<\/p>\n<p><strong>XEQUE AO REINO<\/p>\n<p>H\u00e1 quinze anos, durante as comemora\u00e7\u00f5es do \u201cJubileu\u201d, a anarquia instalou-se no Reino Unido. A bordo do Queen Elizabeth, em pleno rio Tamisa, os Sex Pistols saudavam \u00e0 sua maneira, com \u00f3dio e impreca\u00e7\u00f5es, a rainha. Num concerto que simbolizou o destino que j\u00e1 ent\u00e3o marcava quantos ousaram rebelar-se: raiva e solid\u00e3o. No passado s\u00e1bado o projecto reviveu, com novo passeio previsto pelo rio, a coincidir com a reabertura do parlamento brit\u00e2nico.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3641\" rel=\"attachment wp-att-3641\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/sp-300x292.jpg\" alt=\"sp\" width=\"300\" height=\"292\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3641\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/sp-300x292.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/sp-100x97.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/sp.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Junho, 1977. Uma Inglaterra \u00e0 beira da histeria preparava-se para celebrar o \u201cJubileu\u201d de comemora\u00e7\u00e3o dos 25 anos passados desde a subida ao trono da rainha Isabel. Os ingleses deixavam-se embalar no sonho depois do Imp\u00e9rio, n\u00e3o desistindo de deitar cartas na Europa, com um baralho \u00e0 partida viciado. Junho, 1977, o movimento \u201cpunk\u201d atingia o auge e os Sex Pistols, seus principais arautos, preparavam-se para detonar uma bomba, entre as massas hipnotizadas e o banho de \u201cconfettis\u201d.<br \/>\n\u201cGod save the queen\u201d era o grito de sauda\u00e7\u00e3o prestes a irromper de milh\u00f5es de gargantas sequiosas de uma imagem cor-de-rosa que fizesse esquecer o preto e branco da realidade presente. \u201cGod save the queen\u201d, repetiam os Sex Pistols, na can\u00e7\u00e3o do mesmo nome que, nessa altura, ia tomando os \u201ccharts\u201d de assalto. O poder e a imprensa oficial agitavam-se, ligeiramente incomodados. Quem eram estes violadores da ordem estabelecida? Anarquistas? Comunistas? Talvez at\u00e9 membros da National Front mais excit\u00e1veis?<br \/>\nNa revista \u201cNoise\u201d, Jacques Attali escrevia ent\u00e3o: \u201cM\u00fasica \u00e9 profecia. Os seus estilos e economia pr\u00f3pria est\u00e3o \u00e0 frente do seu tempo porque exploram, muito mais rapidamente que a realidade material, a gama completa de possibilidades contidas num determinado c\u00f3digo. A m\u00fasica torna aud\u00edvel o mundo novo, n\u00e3o s\u00f3 as apar\u00eancias como os seus aspectos essenciais. Por esta raz\u00e3o os m\u00fasicos s\u00e3o oficialmente considerados perigosos, agitadores e subversivos.\u201d Os Sex Pistols n\u00e3o s\u00f3 eram tudo isto como at\u00e9 se propunham destruir o rock\u2019n\u2019roll. Pior que apelidar o governo de fascista e a rainha de \u201catrasada mental\u201d \u2013 afinal os ingleses sempre foram, at\u00e9 certo ponto, tolerantes \u2013, era algu\u00e9m atrever-se a gritar que n\u00e3o havia um futuro. Para esta heresia n\u00e3o havia perd\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Anarquia a bordo<\/strong><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o deteriorava-se a um ritmo acelerado. Para o dia 9 de Junho estava previsto um desfile da rainha pelo Tamisa. Malcolm McLaren e os Pistols antecipavam-se o seu para dois dias antes, a 7 de Junho. Uma fita presa \u00e0 embarca\u00e7\u00e3o anunciava: \u201cA rainha Isabel d\u00e1 as boas-vindas aos Sex Pistols.\u201d \u201cQueen Elizabeth\u201d era o nome do barco.<br \/>\nSegunda-feira, o dia fat\u00eddico, chegou finalmente. Sobre o conv\u00e9s do Queen Elizabeth, onde fora montado um palco de ocasi\u00e3o, os Sex Pistols estavam a postos para invectivar o reino de sua majestade e cuspir sobre o mundo a sua ira. Beckton, a Chelsea Bridge, Westminster, os pontos, ao longo do Tamisa, marcados nos roteiros tur\u00edsticos, passavam a integrar a rota do \u00f3dio. A aparelhagem sonora parecia partilhar da tens\u00e3o reinante e n\u00e3o parava de fazer \u201cfeedbacks\u201d que a custo rompiam o \u201cfog\u201d londrino.<br \/>\nNo momento em que o barco passava diante do edif\u00edcio do Parlamento, explodiram as primeiras notas de \u201cAnarchy in the UK\u201d. John Lydon (ent\u00e3o Johnny Rotten), Sid Vicious, Steve Jones e Paul Cook, apertados contra a assist\u00eancia convidada, davam o concerto das suas vidas. \u201cNo feelings\u201d, \u201cPretty vacant\u201d, \u201cI wanna be me\u201d, hinos de uma gera\u00e7\u00e3o frustrada e \u00e0 beira do abismo, anunciavam o fim de qualquer coisa sem que se pudesse adivinhar uma sa\u00edda. \u201cNo future! No future! No future!\u201d<br \/>\nAs lanchas da pol\u00edcia estavam a caminho, prontas para abalroar, suprema ironia, o Queen Elizabeth. \u201cNo fun [o grito aprendido com os Stooges, de Iggy Pop], I\u2019m alone, no fun! I\u2019m alive! I\u2019m alone! I\u2019m alive!\u201d \u2013 gritava Lydon, no meio dos poucos ingleses vivos, entre milh\u00f5es de son\u00e2mbulos que, tal como as abelhas, alimentavam a rainha. E por estarem vivos, estavam s\u00f3s. Os \u201cbobbies\u201d subiram a bordo, procurando impedir que o concerto prosseguisse. H\u00e1 quem tenha medo e procure regressar a terra. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m quem permane\u00e7a at\u00e9 ao fim, levando o desafio at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. John Lydon n\u00e3o p\u00e1ra de berrar \u201cno fun!\u201d a plenos pulm\u00f5es, apoiado pelo ritmo de Paul Cook. H\u00e1 provoca\u00e7\u00f5es m\u00fatuas. O ambiente \u00e9 de caos e confus\u00e3o total. Algu\u00e9m grita para a pol\u00edcia \u201cyou fucking fascist bastards\u201d. Era o pretexto esperado para a carga da autoridade. S\u00e3o feitas pris\u00f5es. A pol\u00edcia espanca uma rapariga que aparentemente parece n\u00e3o sentir dor. O \u00e1lcool ingerido serve de anest\u00e9sico.<\/p>\n<p><strong>\u201cCastiguem os \u2018punks\u2019!\u201d<\/strong><\/p>\n<p>No dia seguinte os jornais apresentaram uma vers\u00e3o truncada dos acontecimentos da v\u00e9spera, reduzindo-os \u00e0 dimens\u00e3o de ligeiros dist\u00farbios provocados por \u201cpunks\u201d. \u201cGod save the queen\u201d, a can\u00e7\u00e3o, aumentava entretanto o seu n\u00famero de vendas e chegava a n\u00famero um dos tops no fim-de-semana em que as comemora\u00e7\u00f5es oficiais atingiam o auge. Era de mais para a ind\u00fastria, uma extens\u00e3o do poder, que respondeu falsificando os tops e colocando na frente das vendas um disco de Rod Stewart.<br \/>\nAs vozes do poder repunham a coroa no lugar e lan\u00e7avam a sua senten\u00e7a de morte sobre os Pistols e o movimento \u201cpunk\u201d em geral, chamando-lhes \u201cdoentes\u201d e \u201csinistros\u201d e acusando-os de \u201cuma conspira\u00e7\u00e3o contra o modo de vida ingl\u00eas\u201d. O \u201cSunday Mirror\u201d incitava na primeira p\u00e1gina: \u201cCastiguem os \u2018punks\u2019!\u201d<br \/>\nMarcus Lipton, deputado trabalhista, n\u00e3o podia ser mais claro: \u201cSe a m\u00fasica pop vai ser usada para destruir as nossas institui\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o ter\u00e1 de ser destru\u00edda primeiro.\u201d A m\u00fasica pop n\u00e3o foi destru\u00edda, claro. Abra\u00e7aram-na e trouxeram-na de volta para o lado dos bons. Assim se instaurando um mundo melhor, sem viol\u00eancia nem confronta\u00e7\u00f5es \u2013 o admir\u00e1vel mundo novo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/minhateca.com.br\/omesmojairo\/Galeria\/M*c3*basicas\/sele*c3*a7*c3*a3o\/a_Celular\/Sex+Pistols+-+God+Save+The+Queen,37651886.mp3%28audio%29\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yqrAPOZxgzU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 21 OUTUBRO 1992 \u201cGod save the queen: The fascist regime (\u2026) There is no future, in England\u2019s dreaming! No future for you, no future for you, no future for you!\u201d Sex Pistols, \u201cGod save the queen\u201d XEQUE AO REINO H\u00e1 quinze anos, durante as comemora\u00e7\u00f5es do \u201cJubileu\u201d, a anarquia instalou-se no Reino Unido. 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