{"id":3627,"date":"2015-05-08T10:44:02","date_gmt":"2015-05-08T17:44:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3627"},"modified":"2015-05-08T10:44:02","modified_gmt":"2015-05-08T17:44:02","slug":"o-lugar-dos-mortos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/05\/08\/o-lugar-dos-mortos\/","title":{"rendered":"O Lugar Dos Mortos"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>8 JANEIRO 1992<\/p>\n<p><strong>O LUGAR DOS MORTOS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3628\" rel=\"attachment wp-att-3628\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/mh-300x216.jpg\" alt=\"mh\" width=\"300\" height=\"216\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3628\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/mh-300x216.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/mh-100x72.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/mh.jpg 419w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tem-se insistido muito na tese de que 1991 ter\u00e1 sido um ano negro no que diz respeito \u00e0 elevada percentagem de passamentos no campo da m\u00fasica rock. Vis\u00e3o pessimista que peca por falta de rigor. As estat\u00edsticas n\u00e3o mentem: durante o ano que findou h\u00e1 a contabilizar \u2013 e estamos a referir-nos apenas aos dados relativos \u00e0 Europa \u2013 675.341 artistas vivos (incluindo 388 nacionais) e em actividade, contra 17 mortos (nenhum nacional) com nenhuma ou quase nenhuma actividade. Convenhamos que o balan\u00e7o \u00e9 positivo.<br \/>\n\t1991 n\u00e3o passou afinal de mais um ano como qualquer outro, tendo-se procedido ao c\u00edclico reajustamento de for\u00e7as. E, depois, h\u00e1 aquele fasc\u00ednio m\u00f3rbido dos \u201cmedia\u201d pela morte, que nos leva a encher p\u00e1ginas de necrologia. Algu\u00e9m se lembrou de apontar as datas de nascimento das celebridades vindas ao mundo o ano passado? Costuma dizer-se que os her\u00f3is, como as \u00e1rvores, morrem de p\u00e9. N\u00e3o foi bem o caso. Proceda-se ent\u00e3o \u00e0 cronologia dos principais \u00f3bitos.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>Buck Ram<\/strong><br \/>\n1 de Janeiro (84 anos)<\/p>\n<p>\tMorreu velhinho o fundador de uma das bandas mais c\u00e9lebres dos anos 50, os Platters. \u00c9 o autor de \u201cOnly you\u201d, o tema imortal dos namorados, bem como \u201cThe great pretender\u201d que Freddy Mercury recuperou no \u00e1lbum de estreia dos Queen. Bryan Ferry fez o mesmo com \u201cSmoke gets in your eyes\u201d. \u201cRock around the clock\u201d \u2013 nunca mais.<\/p>\n<p><strong>Steve Clark<\/strong><br \/>\n8 de Janeiro<\/p>\n<p>\tA ingest\u00e3o de uma mistura de \u00e1lcool, morfina e Valium liquidou o guitarrista da banda de heavy metal Def Leppard, que, como quase todas do g\u00e9nero, se notabilizou pelo elevado teor decib\u00e9lico que conseguia produzir. N\u00e3o h\u00e1 organismo que resista.<\/p>\n<p><strong>Serge Gainsbourg<\/strong><br \/>\n2 de Mar\u00e7o (62)<\/p>\n<p>\tO P\u00daBLICO chamou-lhe o \u201chomem com cabe\u00e7a de couve\u201d, t\u00edtulo de um dos seus \u00e1lbuns. Foi encontrado morto em casa, de morte natural. \u00c9 pouco prov\u00e1vel. Seria o maior paradoxo para quem, como ele, fumava cinco ma\u00e7os de tabaco por dia e que dos suspiros de uma sess\u00e3o amorosa fez um \u00eaxito de vendas, com Jane Birkin, em \u201cJe t\u2019aime, moi non plus\u201d, o disco proibido que todos os adolescentes queriam ouvir. Escreveu can\u00e7\u00f5es para Bardot, Gr\u00e9co, Petula Clark e para a \u201cpoup\u00e9e de cire\u201d France Gall. Contracenou com Joe Dalessandro, um dos \u201cqueridos\u201d de Andy Warhol, e poucos anos antes de morrer dirigiu a filha Charlotte, em \u201cCharlotte for ever\u201d, num filme sobre o incesto. Fez da sua vida um esc\u00e2ndalo constante e dizia \u201cn\u00e3o pertencer a este mundo\u201d, ele, um \u201cpoeta assassinado pela sociedade de consumo\u201d que detestava a lucidez. Por isso Boris Vian gostava dele. A cabe\u00e7a de couve era por ter as orelhas muito separadas. Serge Gainsbourg foi tudo menos um vegetal.<\/p>\n<p><strong>Doc Pomus &#038; Mort Shuman<\/strong><br \/>\n29Mar\u00e7o (66)\/ 2 de Novembro (52)<\/p>\n<p>\tFormaram durante anos uma parelha insepar\u00e1vel de autores de rhythm\u2019n\u2019blues. Nem a morte conseguiu separar a dupla rival de Leiber &#038; Stoller, com os quais ali\u00e1s por diversas vezes chegaram a colaborar. Morreram no mesmo ano, ambos v\u00edtimas de cancro. S\u00e3o da sua autoria cl\u00e1ssicos como \u201cSave the last dance for me\u201d (interpretada pelos Drifters), \u201cSweets for my sweet\u201d (The Searchers) e \u201cHis latest flame\u201d (Elvis Presley). A morte de Pomus motivou Lou Reed, de quem era amigo, para a grava\u00e7\u00e3o do recente \u201cMagic and loss\u201d. Quanto a Shuman nem o apelido conseguiu evitar  que escrevesse as can\u00e7\u00f5es \u201ccor-de-rosa\u201d sopeira que o celebrizavam.<\/p>\n<p><strong>Martin Hannett<\/strong><br \/>\n18 de Abril (42)<\/p>\n<p>\tProdutor dos Joy Division, Durutti Column e Cabaret Voltaire. Um dos homens fortes da Factory. Ajudou a criar o som e o estilo depressivos da escola de Manchester e a moda das olheiras e gabardinas negras. Antigo estudante de Qu\u00edmica, talvez por isso passou a vida a experimentar os efeitos das mais variadas subst\u00e2ncias alucinog\u00e9neas, experi\u00eancias que n\u00e3o ter\u00e3o servido para aumentar os seus conhecimentos de farmacologia, mas que transformaram a sua vida num inferno. Nunca se libertou do complexo de culpa motivado pela morte, por enforcamento de Ian Curtis, ao qual ficou para sempre ligado desde o tr\u00e1gico \u201cCloser\u201d. Morreu de um ataque card\u00edaco, durante o sono.<\/p>\n<p><strong>Steve Marriott<\/strong><br \/>\n20 de Abril (44)<\/p>\n<p>\tDiz-se que o tabaco pode ser prejudicial \u00e0 sa\u00fade e \u00e9 verdade. Um cigarro bastou para provocar a morte do antigo vocalista e guitarrista da banda \u201cmod\u201d dos anos 60 Small Faces e, anos mais tarde, dos Humble Pie. Um simples cigarro que incendiou a \u201ccottage\u201d do s\u00e9c. XVI onde vivia, retirado e de forma pacata, com a esposa. Algu\u00e9m ainda se lembra de \u201cTin soldier\u201d e \u201cLazy Sunday\u201d? Eram os tempos da \u201cSwingin London\u201d, psicad\u00e9lico e vibrante.<\/p>\n<p><strong>Johnny Thunders<\/strong><br \/>\n23 de Abril (38)<\/p>\n<p>\tA morte cl\u00e1ssica: \u201coverdose\u201d \u2013 provocada pela mistura de coca\u00edna e metadona. O cen\u00e1rio da morte, tamb\u00e9m cl\u00e1ssico: um quarto de hotel, perdido na noite de Nova Orle\u00e3es. E os rumores, como j\u00e1 acontecera com Jim Morrison, de que teria morrido assassinado ou de ataque card\u00edaco. Foi dos que levou a imagem m\u00edtica do \u201crock &#038; roll hero\u201d at\u00e9 ao fim. Antes de formar a sua pr\u00f3pria banda, Heartbreakers, fez parte das \u201cbonecas\u201d New York Dolls, uma mistura de rock, \u201cpunk\u201d, \u201cthrash\u201d e \u201cglamour\u201d que Malcolm McLaren apadrinhou e dos quais viria a nascer o conceito e a bomba Sex Pistols.<\/p>\n<p><strong>Gene Clarck<\/strong><br \/>\n24 de Maio (49)<\/p>\n<p>\tEra considerado o compositor mais interessante dos Byrds, inventores, nos anos 60, da country espacial. Os R.E.M., como toda a gente sabe, devem-lhes muito, em particular aquela maneira especial de tocar guitarra, capaz de fazer subir cada um \u201c8 miles high\u201d. <\/p>\n<p><strong>Vince Taylor<\/strong><br \/>\n27 de Agosto<\/p>\n<p>\t\u201cRocker\u201d franc\u00eas, alucinado e decadente. Viveu no excesso e do excesso, entre a companhia do \u00e1lcool, os medalh\u00f5es foleiros, peri\u00f3dicas crises de misticismo e a paran\u00f3ia. Quis ser uma grande estrela do rock\u2019n\u2019roll. Em Fran\u00e7a \u00e9 dif\u00edcil. Chamaram-lhe o \u201cSat\u00e3 do Rock\u201d. Costumavam encontr\u00e1-lo morto de b\u00eabedo, em caixotes do lixo. \u201cLe rock c\u2019est \u00e7a\u201d \u2013 cantava. Morreu na Su\u00ed\u00e7a, o pa\u00eds mais limpo do mundo.<\/p>\n<p><strong>Rob Tyner<\/strong><br \/>\n17 de Setembro (46)<\/p>\n<p>\tMais um ataque de cora\u00e7\u00e3o. O cora\u00e7\u00e3o dos \u201crockers\u201d parece ser fraco e, portanto, conv\u00e9m n\u00e3o abusar. Tyner, como tantos outros, n\u00e3o ligou aos conselhos de Fernando P\u00e1dua \u2013 de levar uma vida regrada \u2013 e isso foi-lhe fatal. Embora neste caso a aut\u00f3psia n\u00e3o revelasse vest\u00edgios no organismo das subst\u00e2ncias do costume. Rob Tyner integrou, no in\u00edcio dos anos 70, os MC (Motor City 5), banda de Detroit, precursora do heavy que aliava a linguagem revolucion\u00e1ria \u00e0 brutalidade sonora, que, em \u00e1lbuns como \u201cKick out the Jams\u201d ou \u201cBack in the USA\u201d, provocaram, \u00e0 \u00e9poca, na Am\u00e9rica, algyma confus\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Bill Graham<\/strong><br \/>\n25 de Outubro (60)<\/p>\n<p>\tLend\u00e1rio promotor de concertos. Morreu de uma queda de helic\u00f3ptero provocada pelo embate com um cabo de electricidade, quando regressava da Calif\u00f3rnia, onde assistira a um espect\u00e1culo de Huey Lewis. Promoveu, ao longo dos anos 60 e 70, concertos dos Grateful Dead, Doors, Jefferson Airplane, Jimi Hendrix, Rolling Stones, The Who e Bob Dylan. Criou em S\u00e3o Francisco o c\u00e9lebre Fillmore West e, pouco tempo depois, o Fillmore East, em Manhattan, ambos encerrados em 1971. J+a na d\u00e9cada seguinte esteve ligado \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do Live Aid em Filad\u00e9lfia e a alguns megaconcertos de apoio \u00e0 Amnistia Internacional, realizados nos Estados Unidos. Devia ser boa pessoa.<\/p>\n<p><strong>Freddy Mercury<\/strong><br \/>\n24 de Novembro (45)<\/p>\n<p>\tS\u00f3 na v\u00e9spera da morte o vocalista dos Queen reconheceu publicamente sofrer de sida. Vinte e quatro horas depois, numa noite de domingo, a \u201crainha\u201d morria como uma sombra de si pr\u00f3pria, de uma bronco-pneumonia. Aquela \u201ccrazy little thing called love\u201d foi-lhe fatal. A \u201craps\u00f3dia da bo\u00e9mia\u201d \u2013 uma vez organizou uma festa com bailarinas nuas, dan\u00e7ando em recipientes cheios de bocado de f\u00edgado, e coca\u00edna servida em bandejas de prata, debaixo de fogo-de-artif\u00edcio \u2013 chegava ao fim. Freddie tinha sentido de humor: gostava dos irm\u00e3os Marx (dois dos \u00e1lbuns dos Queen t\u00eam por t\u00edtulos \u201cA Night at the Opera\u201d e \u201cA Day at the Races\u201d) e convidou a \u201cprimadonna\u201d Monserrat Caball\u00e9 para cantarem juntos. Disse um dia que os Queen haviam de ser os Cecil B. de Mille do rock. No \u00faltimo teledisco fazia de louco.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XI-w7LjSNi4\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 8 JANEIRO 1992 O LUGAR DOS MORTOS Tem-se insistido muito na tese de que 1991 ter\u00e1 sido um ano negro no que diz respeito \u00e0 elevada percentagem de passamentos no campo da m\u00fasica rock. Vis\u00e3o pessimista que peca por falta de rigor. 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