{"id":3623,"date":"2015-05-07T04:01:09","date_gmt":"2015-05-07T11:01:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3623"},"modified":"2015-05-07T04:01:09","modified_gmt":"2015-05-07T11:01:09","slug":"urban-sax-os-saxofones-do-apocalipse-concerto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/05\/07\/urban-sax-os-saxofones-do-apocalipse-concerto\/","title":{"rendered":"Urban Sax &#8211; Os Saxofones do Apocalipse (concerto)"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>27 MAIO 1992<\/p>\n<p><strong>OS SAXOFONES DO APOCALIPSE<\/p>\n<p>As Festas da Cidade come\u00e7am ao ritmo do Fim, do Apocalipse. Com o espect\u00e1culo multim\u00e9dia, no Rossio, dos Urban Sax, agrupamento de saxofones sinf\u00f3nico-minimal que redimensiona o espa\u00e7o (arquitect\u00f3nico e mental) de actua\u00e7\u00e3o em teatro cosmol\u00f3gico das cidades em agonia.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3624\" rel=\"attachment wp-att-3624\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/us-300x153.jpg\" alt=\"us\" width=\"300\" height=\"153\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3624\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/us-300x153.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/us-100x51.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/us.jpg 956w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>1 de Junho \/ 22h00 \/ Rossio<\/p>\n<p>\tUrban Sax \u00e9 a projec\u00e7\u00e3o c\u00e9nico-musical de um pesadelo. Em \u201ctechnicolor\u201d, uma superprodu\u00e7\u00e3o nascida do cruzamento de Cecil B. de Mille com David Lynch. Os Urban Sax s\u00e3o cerca de meia centena de saxofonistas mascarados, umas vezes mais, outras menos, criadores da sinfonia de Babel. A cidade, com as suas paran\u00f3ias, os seus gritos, os seus jogos de gente, mais do que palco, \u00e9 elemento participativo da m\u00fasica e da encena\u00e7\u00e3o dos Urban Sax. Eles s\u00e3o a cidade. O maestro presidente da C\u00e2mara \u00e9 Gilbert Artman. Os outros m\u00fasicos podem ser quem imaginarmos. Figuras abstractas, monstros de forma humana, mutantes envergando escafandros p\u00f3s-nucleares, ligados entre si por conex\u00f5es electr\u00f3nicas que permitem a sincroniza\u00e7\u00e3o e a dissemina\u00e7\u00e3o dos seus estertores pelo espa\u00e7o circundante.<br \/>\n\tNo Rossio n\u00e3o se sabe bem como vai ser. Mas pode-se fazer conjecturas a partir da anterior e memor\u00e1vel actua\u00e7\u00e3o do grupo, na Central Tejo, em 1987. Haver\u00e1 m\u00fasicos espalhados pelos telhados da Pra\u00e7a. Outros surgir\u00e3o do subsolo. Dois ou tr\u00eas poder\u00e3o estar mesmo atr\u00e1s das nossas costas e ro\u00e7ar o nosso medo sem pedir licen\u00e7a para o sobressalto. Fogo de artif\u00edcio, bombas e sirenes contribuir\u00e3o para fazer subir o n\u00edvel de adrenalina e de excita\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tA m\u00fasica \u00e9 mais previs\u00edvel: um cont\u00ednuo abrasivo de saxofones, ora pr\u00f3ximo do trov\u00e3o ora do sussurro de ang\u00fastia. Um sopro \u00fanico multiplicado e distribu\u00eddo por dezenas de vias. No\u00e7\u00e3o de continuidade, de obra intemporal, de uma matriz e de uma torrente sonora sem in\u00edcio nem fim, que a obra em disco testemunha. Uma s\u00f3 pe\u00e7a, obrigada a dividir-se \u2013 pela insufici\u00eancia temporal da \u201cdura\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 por quatro \u00e1lbuns, qualquer deles imprescind\u00edvel: \u201cUrban Sax\u201d, \u201cUrban Sax 2\u201d, \u201cFraction sur le temps\u201d (t\u00edtulo elucidativo do que atr\u00e1s foi dito) e \u201cSpiral\u201d, este \u00faltimo distribu\u00eddo em Portugal pela Dargil.<br \/>\n\tDecerto que a actua\u00e7\u00e3o dos Urban Sax no Rossio n\u00e3o ser\u00e1 menos espectacular do que muitas outras realizadas noutros locais por esse mundo fora: Veneza, em g\u00f4ndolas e suspensos sobre os canais. Na Expo 86, em Paris, na Bastilha, em Barcelona, em todo o lado, sempre com a for\u00e7a de um circo sobre-humano, sempre perante o espanto e o assombro de dezenas de milhares de pessoas, atra\u00eddas pelo ins\u00f3lito da apresenta\u00e7\u00e3o, pela hipnose do som ou simplesmente pelo abismo.<br \/>\n\tGilbert Artman, antigo membro da banda francesa de \u201cfree rock\u201d, Lard Free, explica que a inten\u00e7\u00e3o e as motiva\u00e7\u00f5es dos Urban Sax s\u00e3o \u201ca cria\u00e7\u00e3o de m\u00fasica mec\u00e2nica, m\u00fasica do mundo moderno\u201d. Saxofone Urbano? \u201cO saxofone reflecte a vida urbana melhor do que qualquer outro instrumento, mas s\u00f3 a multiplicidade combinada com a mobilidade pode captar o quadro inteiro.\u201d Planifica\u00e7\u00e3o e estudo pr\u00e9vio dos locais onde actuam fazem parte da estrat\u00e9gia dos Urban Sax. Tudo assenta no espa\u00e7o, num ambiente particular, em que a m\u00fasica se insere de forma harmoniosa, se o termo \u201charmonia\u201d \u00e9 l\u00edcito neste caso. Os Urban Sax s\u00e3o a voz desse espa\u00e7o, a tradu\u00e7\u00e3o amplificada dos res\u00edduos sonoros acumulados pela Hist\u00f3ria e pela polui\u00e7\u00e3o no cimento e no metal, parafraseando a ideia de um conto do escritor de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, J. G. Ballard. Artman organiza esse caos de som residual em sinfonia, ordena mil pequenas ansiedades num grito imenso e maior, potencia o medo em p\u00e2nico, a fogueira em holocausto, o espect\u00e1culo projecta-se, planet\u00e1rio, por dentro do cosmo do inconsciente. Comparados com a orquestra\u00e7\u00e3o totalit\u00e1ria a quatro dimens\u00f5es dos Urban Sax, o assalto aos sentidos dos La Fura dels Baus reduz-se ao espalhafato de saltimbancos. Os saxofones e as m\u00e1scaras dos franceses (devem ser franceses\u2026) atingem-nos mais fundo e de forma mais subtil, subliminar. Nietzsche seria sens\u00edvel a esta forma de poder.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5j2uDj8gcJI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 27 MAIO 1992 OS SAXOFONES DO APOCALIPSE As Festas da Cidade come\u00e7am ao ritmo do Fim, do Apocalipse. 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