{"id":3599,"date":"2015-04-27T10:12:41","date_gmt":"2015-04-27T17:12:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3599"},"modified":"2015-04-27T10:12:41","modified_gmt":"2015-04-27T17:12:41","slug":"herois-do-mar-levantai-hoje-de-novo-o-esplendor-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/04\/27\/herois-do-mar-levantai-hoje-de-novo-o-esplendor-de-portugal\/","title":{"rendered":"Her\u00f3is do Mar &#8211; Levantai Hoje De Novo O Esplendor De Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>8 JULHO 1992<\/p>\n<p><strong>LEVANTAI HOJE DE NOVO O ESPLENDOR DE PORTUGAL<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cerraram fileiras \u00e0 volta de um sonho. Defendiam e defendem a ideia \u2013 e o acto \u2013 de um Portugal maior que se confunda com o mundo inteiro. Os tr\u00eas, no tempo e fora dele, foram, cada um \u00e0 sua maneira, her\u00f3is do mar. Paulo Borges, Miguel Esteves Cardoso e Ant\u00f3nio Emiliano recordam os tempos da conspira\u00e7\u00e3o. Saudade do Futuro.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3600\" rel=\"attachment wp-att-3600\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/hm.jpg\" alt=\"hm\" width=\"250\" height=\"256\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3600\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/hm.jpg 250w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/hm-98x100.jpg 98w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Qual a import\u00e2ncia que tiveram os Her\u00f3is do Mar, enquanto ideia e enquanto grupo musical, na m\u00fasica popular portuguesa? Que mania era essa de transformar a tradi\u00e7\u00e3o em revolu\u00e7\u00e3o? Que mensagens se escondiam em can\u00e7\u00f5es como \u201cSaudade\u201d, \u201cAmor\u201d e \u201cPaix\u00e3o\u201d? Paulo Borges, fil\u00f3sofo, poeta e professor, Miguel Esteves Cardoso, cronista e director-adjunto do seman\u00e1rio \u201cO Independente\u201d, e Ant\u00f3nio Emiliano, m\u00fasico, s\u00e3o un\u00e2nimes: Os Her\u00f3is foram percursores de qualquer coisa de grande e de novo na m\u00fasica portuguesa. O mar, esse continua expectante e por navegar. Com uma ilha a centro onde Portugal inteiro h\u00e1-de aportar.<\/p>\n<p><strong>Pop \u00e0 portuguesa<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto banda pop, para Ant\u00f3nio Emiliano, autor de \u201cGavoreth\u201d e de v\u00e1rias bandas sonoras, actualmente envolvido na composi\u00e7\u00e3o de m\u00fasica ambiental, \u201cos Her\u00f3is do Mar surgiram num momento-chave da m\u00fasica e da cultura portuguesa\u201d, numa altura em que \u201cna pop pontificava uma deslumbrada e mal digerida subservi\u00eancia a modelos anglo-sax\u00f3nicos\u201d.<br \/>\n\u201cDeram express\u00e3o, com uma est\u00e9tica moderna, dirigida \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais novas, ao esp\u00edrito \u00e9pico-cavaleiresco e l\u00edrico da portugalidade, numa altura, em 1981, em que invocar os valores da nossa tradi\u00e7\u00e3o cultural era arriscar, como aconteceu, a ser-se confundido com um nacionalismo reaccion\u00e1rio\u201d \u2013 corrobora Paulo Borges, cujo \u00faltimo livro de poesia, \u201cRonda da Folia Adamantina\u201d, acaba de ser publicado e para quem \u201cos Her\u00f3is do Mar foram uma lufada de ar fresco, precursora n\u00e3o s\u00f3 do mais superficial estar na moda mas tamb\u00e9m da redescoberta do Portugal profundo que em muitos dom\u00ednios culturais desde ent\u00e3o se vem procurando\u201d. Miguel Esteves Cardoso faz a s\u00edntese numa \u201chist\u00f3ria instant\u00e2nea\u201d: \u201cOs Her\u00f3is do Mar n\u00e3o podiam ter tido import\u00e2ncia. Juntaram a m\u00fasica portuguesa \u00e0 m\u00fasica pop e a Portugal\u201d, algo que, na opini\u00e3o do autor de \u201cA Causa das Coisas\u201d, nunca tinha sido feito. Nem ao mesmo tempo nem com tanto talento\u201d.<\/p>\n<p><strong>C\u00famplices<\/strong><\/p>\n<p>Como aconteceu o envolvimento de cada um deles com o projecto? Uma quest\u00e3o de amizade. Ou de ideologia. Talvez por simpatia. \u201cO Pedro Ayres \u00e9, cada vez mais, um grande amigo meu\u201d \u2013 assegura o director da \u201cK\u201d \u2013 \u201cconheci-o como f\u00e3 dos Her\u00f3is do Mar. mais tarde tornei-me colega, s\u00f3cio e correligion\u00e1rio\u201d. Mais activo foi o papel desempenhado por Paulo Borges na g\u00e9nese dos Her\u00f3is do Mar. A sua amizade com Pedro Ayres e Paulo Gon\u00e7alves remonta a 1978, quando eram \u201cc\u00famplices num projecto de desinquieta\u00e7\u00e3o geral e antitudo que teve express\u00e3o musical na banda de rock\u2019n\u2019roll punk Fa\u00edscas, e express\u00e3o liter\u00e1ria no fanzine \u201cEstado de S\u00edtio\u201d. Impulsionados pela \u201cenergia niilista da descida aos infernos\u201d, a mesma que animava a banda \u201cMinas &#038; Armadilhas\u201d, de que Paulo Borges fez parte antes de leccionar Filosofia em Portugal na Universidade Cl\u00e1ssica de Lisboa, e da \u201cvis\u00e3o inici\u00e1tica do que \u00e9 eterno\u201d. Vis\u00e3o que o levou, juntamente com Pedro Ayres, a conceber um grupo musical \u201cque exprimisse o sonho portugu\u00eas de infinito e de universalidade, fundindo o rock\u2019n\u2019roll com sonoridades mais arcaicas e assumindo os espect\u00e1culos como celebra\u00e7\u00f5es m\u00e1gico-rituais\u201d.<br \/>\nPaulo Borges escreveu com Pedro Ayres, parte das letras para as primeiras can\u00e7\u00f5es dos Her\u00f3is do Mar, letras que, \u201cna sua pureza e radicalidade, viriam a ser contestadas pelos restantes m\u00fasicos\u201d. Ficou a cumplicidade com o Pedro, na aspira\u00e7\u00e3o comum a um Portugal e a um mundo mais aut\u00eanticos\u201d, e alguns versos do tema \u201cAmantes furiosos\u201d.<br \/>\nJ\u00e1 com Ant\u00f3nio Emiliano, em per\u00edodo de pausa ap\u00f3s a composi\u00e7\u00e3o de m\u00fasica para os bailados \u201cTreze Gestos de um Corpo\u201d e \u201cCavaleiros da Noite\u201d, de Olga Roriz, o filme \u201cAo Fim da Noite\u201d, de Joaquim Leit\u00e3o, e a \u00f3pera \u201cAmor de Perdi\u00e7\u00e3o\u201d, a aproxima\u00e7\u00e3o aos Her\u00f3is do Mar processou-se pelo lado das ideias, numa \u201crela\u00e7\u00e3o de cumplicidade t\u00e1ctica e t\u00e1cita, de partilha muda de valores, a que n\u00e3o foi alheio o surgimento do \u2018AXO\u2019 e da \u2018Liga do Encoberto\u2019.\u201d<\/p>\n<p><strong>Novos descobridores<\/strong><\/p>\n<p>Consumada a queda e \u201ca total descaracteriza\u00e7\u00e3o\u201d da banda, provocada, segundo Paulo Borges, pela \u201cced\u00eancia aos gostos do grande p\u00fablico e \u00e0s exig\u00eancia do mercado discogr\u00e1fico, patente sobretudo depois dos dois primeiros \u00e1lbuns [\u201cHer\u00f3is do Mar\u201d, \u201cM\u00e3e\u201d]\u201d, resta procurar os novos her\u00f3is, continuadores da saga, prosseguida em novos mares.<br \/>\nN\u00e3o tem d\u00favidas Ant\u00f3nio Emiliano: \u201ca m\u00fasica portuguesa tem ainda que dobrar o seu Cabo das Tormentas e inventar os seus her\u00f3is \u2013 os que, pela m\u00fasica, se integram numa cadeia ininterrupta de seres que garantam a sobreviv\u00eancia de Portugal, apesar do advento de cat\u00e1strofes modernas como o constitucionalismo, o parlamentarismo, a rep\u00fablica, a democracia e a CE\u201d. \u00c9 que h\u00e1 uma estirpe de \u201chomens e mulheres que lutam, sobrevivem e at\u00e9 morrem para que Portugal n\u00e3o pere\u00e7a (\u2026) o \u201cPlus Ultra\u201d perene e permanente que faz de Portugal uma na\u00e7\u00e3o virada para fora de si pr\u00f3pria. Uma na\u00e7\u00e3o espiritualmente imperial\u201d. Bom, mas como tal n\u00e3o deve ser poss\u00edvel para j\u00e1, fiquemo-nos com os Madredeus e a S\u00e9tima Legi\u00e3o, \u201cexcep\u00e7\u00f5es\u201d musicais num \u201cdeserto total\u201d.<br \/>\nMiguel Esteves Cardoso \u00e9 um tradicionalista ferrenho: \u201cOs novos Her\u00f3is do Mar s\u00e3o os antigos, seja o g\u00e9nio de Pedro Ayres Magalh\u00e3es, actualmente incorporado nos grupos Madredeus e Resist\u00eancia, sejam Paulo Pedro Gon\u00e7alves e Rui Cunha no grupo LX-90, seja Carlos Maria Trindade no grupo Polygram\u201d<br \/>\nAcaba-se a filosofar com Paulo Borges, que, citando Pessoa, defende que her\u00f3is do mar \u00e9 \u201ctodo aquele que, \u2018bem alto e bem no auge, na barra do Tejo, de costas voltadas para a Europa, bra\u00e7os erguidos, fitando o Atl\u00e2ntico e saudando\u2026 (o Infinito)\u2019, saiba dizer com o poeta: \u201cMerda.\u201d E o orgulho: \u201cEu, da ra\u00e7a dos descobridores, desprezo que seja menos que descobrir um Novo Mundo.\u201d Apesar de ser preciso, avisa Paulo Borges, nessa descoberta, esquecer o \u201ceu\u201d e a \u201cra\u00e7a\u201d. Her\u00f3is, s\u00e3o-no \u201cporque possu\u00eddos pelo \u2018eros\u2019, de modo a eternamente bailar com as ninfas na Ilha dos Amores, libertos de todos os Adamastores e mares da ilus\u00e3o de haver finito.\u201d Com tamanha responsabilidade sobre os ombros, n\u00e3o admira que a banda acabasse. Que fazer ent\u00e3o? O melhor \u00e9 seguir o exemplo de Miguel Esteves Cardoso e voltar a ouvir os discos dos Her\u00f3is do Mar.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vdtcfiwobl.1fichier.com\/\" target=\"_blank\">discografia<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZfsJSA9Zb6c\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 8 JULHO 1992 LEVANTAI HOJE DE NOVO O ESPLENDOR DE PORTUGAL Cerraram fileiras \u00e0 volta de um sonho. Defendiam e defendem a ideia \u2013 e o acto \u2013 de um Portugal maior que se confunda com o mundo inteiro. 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