{"id":356,"date":"2009-05-02T13:05:48","date_gmt":"2009-05-02T20:05:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=356"},"modified":"2017-10-31T11:07:24","modified_gmt":"2017-10-31T18:07:24","slug":"maire-brennan-whisper-to-the-wild-water","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2009\/05\/02\/maire-brennan-whisper-to-the-wild-water\/","title":{"rendered":"Maire Br\u00e9nnan &#8211; Whisper To The Wild Water (conj.)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>21.04.2000<br \/>\nWorld<br \/>\nEm Abril, \u00c1guas Milladoiro<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/mbrenan_whisper.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/mbrenan_whisper.jpg\" alt=\"mbrenan_whisper\" title=\"mbrenan_whisper\" width=\"500\" height=\"500\" class=\"alignnone size-full wp-image-357\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/mbrenan_whisper.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/mbrenan_whisper-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/mbrenan_whisper-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/lix.in\/f5a011\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p>Bem bonita a capa de \u201cWhisper to the Wild Water\u201d, toda c\u00e9ltica, toda m\u00edstica, rochas, azul e verde da cor do mar. E Maire Br\u00e9nnan, a cantora dos Clannad, muito distinta, disfar\u00e7ada da mana Enya com as mesmas roupas e a mesma voz. E a mesma m\u00fasica, j\u00e1 agora. O mercado de world music criou este tipo de suced\u00e2neo que de m\u00fasica tradicional n\u00e3o tem rigorosamente nada, embora tente fazer-se passar por tal. Adivinha-se teledisco a condizer. Para quem se deleita em decorar a sala de audi\u00e7\u00f5es com este imagin\u00e1rio plastificado e recauchutado de new age, \u201cWhisper to the Wild Water\u201d pode constituir uma op\u00e7\u00e3o. Uma op\u00e7\u00e3o pimba, mas uma op\u00e7\u00e3o. Para os que, simplesmente, gostam de m\u00fasica, trata-se de um objecto a evitar (Word, distri. Universal, 2\/10).<\/p>\n<p>Falemos, ent\u00e3o, de coisas s\u00e9rias. Do novo \u00e1lbum dos Milladoiro, por exemplo, mais do que um grupo, a orquestra-folk por excel\u00eancia da Galiza. Chama-se \u201cAuga de Maio\u201d, um belo t\u00edtulo, com m\u00fasica apropriada para o m\u00eas que se avizinha. O que espanta nos Milladoiro, mais ainda do que nos irlandeses Chieftains, com quem t\u00eam v\u00e1rios pontos em comum, \u00e9 a fidelidade a uma linha de conduta sem concess\u00f5es e a capacidade renovada de a alimentarem com elementos musicais enriquecedores, como a m\u00fasica de c\u00e2mara e, por vezes, um certo classicismo. Tamb\u00e9m neste caso j\u00e1 n\u00e3o far\u00e1 muito sentido falar de maior ou menor proximidade das ra\u00edzes tradicionais de tal forma os arranjos se tornaram sofisticados e o grau de execu\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos do grupo se aproxima de um apuro formal onde a improvisa\u00e7\u00e3o e o toque \u201crural\u201d h\u00e1 muito desapareceram. E, todavia, no lugar da fonte nasceu uma \u00e1rvore de ramagem frondosa sob a qual os amantes da folk se podem abrigar.<br \/>\nAqui est\u00e3o, depurados como cristais, os alal\u00e1s e muineras, as polcas e as marchas processionais, mas j\u00e1 suscept\u00edveis de provocar no auditor um tipo de est\u00edmulos que n\u00e3o se compadece com a pureza das origens. A harpa, a gaita e a sanfona, a voz suave da convidada Olga Cerpa foram polidas, como o diamante que necessita de ser lapidado para melhor brilhar. Folk de c\u00e2mara, nobre e envolvido em roupagens de luxo, \u201cAuga de Maio\u201d destina-se a gostos epicuristas, amantes do requinte, longe, muito longe da for\u00e7a m\u00e1gica dos primeiros e fabulosos \u201cO Berro Seco\u201d e \u201cGalicia de Maeloc\u201d. Mais ainda do que o recente \u201cCabo do Mundo\u201d, dos Luar na Lubre, um \u00e1lbum que introduz a m\u00fasica galega nos sal\u00f5es elegantes da academia, como sempre pela m\u00e3o e com a classe de Ant\u00f3n Seoane e Rodrogo Romani, os velhos mestres dos Milladoiro (Discmedi, distri., Letra e M\u00fasica, 8\/10).<\/p>\n<p>Os apreciadores de sonoridades menos c\u00e9lticas t\u00eam com que se entreter com os dois \u00e1lbuns do grupo basco Hiru Truku, \u201cHiru Truku\u201d e \u201cII\u201d. O primeiro tem um som mais popular, de baile, como alguns dos trabalhos dos seus compatriotas Oskorri. O segundo d\u00e1 um enorme salto em frente, primando pela riqueza e originalidade dos arranjos e pelas not\u00e1veis vocaliza\u00e7\u00f5es \u2013 num registo que por vezes faz lembrar bandas italianas como os La Ciapa Rusa e Barab\u00e1n e noutras os gasc\u00f5es Perlinpinpin Folc e Verd e Blu \u2013 de Ruper Ordonika. \u00c9 nas baladas, de resto, como nas \u00e9picas \u201cHasi durangon eta\u201d ou \u201cSolora nindoala\u201d, que os Hiru Truku se mostram excepcionais, denotando a enorme evolu\u00e7\u00e3o do primeiro para o segundo trabalho. Mas talvez o facto se deva \u00e0 presen\u00e7a tutelar e \u00e0 influ\u00eancia em \u201cII\u201d de um convidado muito especial, o papa ingl\u00eas Martin Carthy, que aqui toca guitarra ac\u00fastica e cujas afinidades com a m\u00fasica basca j\u00e1 tinham sido exercitadas antes atrav\u00e9s da presen\u00e7a no \u00e1lbum do 25\u00ba anivers\u00e1rio dos Oskorri. \u00c9 verdade, tamb\u00e9m participa, como convidada, em \u201cHiru Truku\u201d e \u201cII\u201d, a violinista Nancy Kerr, no primeiro ao lado da sua parceira habitual no violino, Eliza Carthy. Com convidados deste quilate era imposs\u00edvel falhar. Os Hiru Truku foram mais longe e, ao segundo \u00e1lbum, arreigando-se apenas ao essencial, assinaram um cl\u00e1ssico da m\u00fasica tradicional basca (Nuevos Medios, distri. Farol M\u00fasica, 7\/10 e 8\/10).<\/p>\n<p>Regressemos ao celtismo \u2013 com dois novos \u00e1lbuns especialmente indicados para os viciados na gaita-de-foles. \u201cShouting at Magpies\u201d apresenta uma excepcional executante das \u201cHighland bagpipes\u201d, \u201csmallpipes\u201d e \u201cshuttle pipes\u201d escocesas e do \u201coverton whistle\u201d: Ann Gray. Um \u201cpunch\u201d demolidor, uma expressividade demonstrativa de um conhecimento profundo das fontes e uma digita\u00e7\u00e3o de grande recorte revelam-na como uma gaiteira de primeira \u00e1gua, fiel ao estilo e ao report\u00f3rio tradicionais. Rodeada de convidados que acrescentam ao fogo das \u201cpipes\u201d os timbres da harpa c\u00e9ltica, violoncelo, guitarra de flamenco, teclados e um didgeridoo, Ann Gray percorre a tradi\u00e7\u00e3o da Esc\u00f3cia sem grandes rasgos de ousadia, mas com um rigor a toda a prova. Saboreie-se o ardor das suas \u201cpipes\u201d, sentindo na cara o vento e as neblinas das terras altas (Lochshore, distri. Distrim\u00fasica, 7\/10).<\/p>\n<p>O outro \u00e1lbum com a gaita-de-foles como rainha \u00e9 \u201cThe Sound of the Sun\u201d, de Fred Morrison, dos ga\u00e9licos Ceolas e antigo elemento dos Clan Alba. Tamb\u00e9m neste caso se assiste \u00e0 fidelidade total \u00e0 ortodoxia \u2013 da regi\u00e3o do Uist e do estilo \u201cstepdance\u201d das ilhas H\u00e9bridas \u2013 e a um espect\u00e1culo na arte de bem tocar, al\u00e9m das \u201cborder pipes\u201d escocesas, aquela que \u00e9 a mais completa e complexa de todas as gaitas-de-foles, as \u201cuillean pipes\u201d irlandesas. E como a m\u00fasica e o \u201cpiping\u201d irlandeses possuem um swing e uma flu\u00eancia que diferem do tom mais guerreiro e explosivo do \u201cpiping\u201d escoc\u00eas, tamb\u00e9m o grau de excita\u00e7\u00e3o provocado pela m\u00fasica sobre um degrau na escala do prazer sempre que a \u201crainha\u201d entra em cena. Fred Morrison, apesar de escoc\u00eas, trata as \u201cuillean pipes\u201d por tu, soando totalmente convincente um \u201creel\u201d irland\u00eas como \u201cSandy Cameron\u2019s\u201d. Conv\u00e9m elucidar que Fred \u00e9 disc\u00edpulo do grande Paddy Keenan, que, se bem se lembram, era o gaiteiro no \u00e1lbum de estreia dos The Bothy Band (Lochshore, distri. Distrim\u00fasica, 7\/10).<\/p>\n<p>Terminemos este p\u00e9riplo pela \u201cceltic music\u201d com um \u00e1lbum onde esta m\u00fasica encontra aquele que ter\u00e1 sido o seu ramo primordial, localizado a oriente, \u201cTouch Me Like the Sun\u201d, da harpista Savourna Stevenson. Desde \u201cTickeld Pink\u201d que Savourna vem desenvolvendo um estilo na harpa c\u00e9ltica no qual a experimenta\u00e7\u00e3o de novas linguagens coloca a sua m\u00fasica no limiar da folk, do jazz e de um classicismo neste \u00e1lbum t\u00e3o pr\u00f3ximo da m\u00fasica indiana (os glissandos do tema de abertura, \u201cEmily\u2019s calling\u201d, num \u201cjazzy air\u201d minimalista num compasso dos Penguin Caf\u00e9 Orchestra), como da new age de c\u00e2mara de Roger Eno (nos tr\u00eas movimentos da longa pe\u00e7a para quinteto de cordas) ou do esteticismo orientalizante de um Ryuichi Sakamoto. O t\u00edtulo tema \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o pop vocalizada por Eddi Reader, que recentemente actuou ao vivo num concerto da harpista em que tamb\u00e9m esteve presente June Tabor. \u00c1lbum terap\u00eautico, de uma beleza fria, ideal para abrir uma nova s\u00e9rie, de \u201cjazz folk de c\u00e2mara\u201d, da editora ECM\u2026 (Cooking Vinyl, distri. Megam\u00fasica, 6\/10).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>21.04.2000 World Em Abril, \u00c1guas Milladoiro LINK Bem bonita a capa de \u201cWhisper to the Wild Water\u201d, toda c\u00e9ltica, toda m\u00edstica, rochas, azul e verde da cor do mar. E Maire Br\u00e9nnan, a cantora dos Clannad, muito distinta, disfar\u00e7ada da mana Enya com as mesmas roupas e a mesma voz. 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