{"id":3546,"date":"2015-04-13T11:01:33","date_gmt":"2015-04-13T18:01:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3546"},"modified":"2015-04-13T11:01:33","modified_gmt":"2015-04-13T18:01:33","slug":"van-morrison-hymns-to-the-silence","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/04\/13\/van-morrison-hymns-to-the-silence\/","title":{"rendered":"Van Morrison &#8211; &#8220;Hymns To The Silence&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>25 SETEMBRO 1991<\/p>\n<p>LP\u2019S<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O SIL\u00caNCIO DA MEM\u00d3RIA<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>VAN MORRISON<\/strong><\/p>\n<p><strong>Hymns To The Silence<\/strong><\/p>\n<p>LP duplo\/CD, Polydor, distri. Polygram<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=3547\" rel=\"attachment wp-att-3547\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3547\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/vm-300x299.jpg\" alt=\"vm\" width=\"300\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/vm-300x299.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/vm-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/vm-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/vm.jpg 301w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nestas idades \u00e9 t\u00edpico: a confronta\u00e7\u00e3o do homem e do artista consigo mesmo e com aquilo em que acredita ou passou a acreditar. Ser\u00e1 que vale a pena fazer m\u00fasica? Onde est\u00e1 a felicidade? A guitarra ter\u00e1 sido afinada correctamente? A conta do g\u00e1s j\u00e1 est\u00e1 paga? Quem sou eu? (Eu n\u00e3o, ele, Van Morrison.) Onde est\u00e1 Deus, que n\u00e3o me liga nenhuma? Que \u00e9 feito das \u201croyalties\u201d atrasadas? Eis algumas das quest\u00f5es usuais colocadas pelo artista em crise existencial que, por vezes, resultam em obras artisticamente v\u00e1lidas e noutras numa indiscri\u00e7\u00e3o imposta ao ouvinte, nas tintas para o casamento fracassado ou as fracas vendas do disco anterior.<\/p>\n<p>Geralmente o que se passa \u00e9 o arrependimento pelos excessos e pecados da juventude e uma convers\u00e3o tardia \u00e0 divindade mais pr\u00f3xima. Foi assim por exemplo, com Patti Smith. Foi assim com Nick Cave. Ser\u00e1 assim enquanto houver um cigarro suspeito, uma garrafa por abrir ou uma \u201cgroupie\u201d apetitosa \u00e0 espera. E uma igreja ao fundo da rua ou uma editora disposta a vender as confiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Com Van Morrison \u00e9 um pouco diferente. N\u00e3o se trata tanto de uma introspec\u00e7\u00e3o culpabilizadora e da consequente necessidade de autopuni\u00e7\u00e3o, mas de uma confronta\u00e7\u00e3o com o tempo passado em que se era feliz e de um desfiar de ladainhas em louvor ao \u201cLord\u201d, bem como a evoca\u00e7\u00e3o obsessiva e nost\u00e1lgica do para\u00edso perdido. S\u00e3o constantes alus\u00f5es directas a \u201cGod\u201d, a \u201cLord Jesus\u201d, a \u201cheavens\u201d distantes, \u201cmissions\u201d a cumprir, e \u201cgraces\u201d a alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Todo o segundo disco \u00e9, neste aspecto, como que um missal, um testamento espiritual do autor na sua busca incans\u00e1vel de melhores dias. H\u00e1 grandes ensinamentos: \u201cBy his grace\u201d assegura-nos de que o para\u00edso n\u00e3o fica ao virar da esquina e que \u00e9 preciso viver a religi\u00e3o \u201cpor dentro\u201d.<\/p>\n<p>\u201cHymns to the Silence\u201d rivaliza com os Yes, juntando de uma penada, em \u201cClose to the One\u201d, \u201cGoing for the One\u201d com \u201cClose to the edge\u201d. \u201cBe thou my vision\u201d poderia ser solene e convencer-nos a comprar os panfletos. Infelizmente, as impress\u00f5es de um esmagamento m\u00edstico, que as alus\u00f5es ao \u201cgreat father\u201d ou \u201chigh king of heaven\u201d (e outras de tal forma profundas que nem sequer as podemos mencionar, sob pena da abalarmos os alicerces interior do leitor) poderiam provocar, s\u00e3o irremediavelmente anuladas pelo \u201cda da da da da\u201d final.<\/p>\n<p>Musicalmente falando, o disco n\u00e3o traz novidades, em rela\u00e7\u00e3o ao anterior \u201cEnlightment\u201d \u2013 os \u201crhythm\u2019n\u2019blues\u201d continuam a constituir a principal fonte onde Van Morrison vai beber inspira\u00e7\u00e3o, aqui ainda mais acentuados pelo recrutamento do antigo colega Georgie Fame, omnipresente nas colabora\u00e7\u00f5es \u201cgospel\u201d do \u00f3rg\u00e3o e do piano.<\/p>\n<p>\u201cHymns to the Silence\u201d estende-se em demasia por esse tom de introspec\u00e7\u00e3o religiosa, alternando com as t\u00edpicas baladas amorosas ou as inevit\u00e1veis concess\u00f5es \u00e0s origens irlandesas, traduzidas nas entoa\u00e7\u00f5es da voz e no acompanhamento orquestral dos \u201chabitu\u00e9s\u201d Chieftains, em temas como o j\u00e1 citado \u201cBe thou my vision\u201d e \u201cI can\u2019t stop loving you\u201d. Curiosamente, Derek Bell, harpista dos Chieftains, toca sintetizador num pare de temas.<\/p>\n<p>Sobressaem do naipe de can\u00e7\u00f5es \u201cOn Hyndford street\u201d e \u201cSo complicated\u201d. O primeiro, um mergulho no Passado, em que as palavras, estranhamente declamadas, num registo vocal pr\u00f3ximo do de William Burroughs, sobre um sintetizador a imitar um long\u00ednquo \u00f3rg\u00e3o de igreja, nos transportam at\u00e9 lugares e a uma \u00e9poca perdidos para sempre. Farrapos de um tempo em que se ouvia a R\u00e1dio Luxemburgo, os \u201cblues\u201d e Debussy no terceiro programa, se lia Kerouak, se passeava de autocarro at\u00e9 Hollywood e as tardes \u00e0 beira do rio eram eternas. Nos tempos anteriores ao rock\u2019n\u2019roll, quando se vivia sem dar conta de se estar a sonhar. Aqui sim, o sil\u00eancio invade-nos a mem\u00f3ria, e a presen\u00e7a de Deus, que \u201ctransporta e ilumina\u201d, torna-se realidade. No registo oposto, \u201cSo complicated\u201d evoca o ambiente das \u201cbig bands\u201d dos anos 40, de Benny Goodman, Duke Ellington e Woody Herman, servindo de contraponto ao despojamento euf\u00f3rico do texto. Por vezes, a voz de Van Morrison soa rouca e etilizada, \u00e0 maneira de Tom Waits, como em \u201cPagan streams\u201d. O espectro de Bob Dylan assoma em \u201cWhy must I always explain?\u201d. No c\u00f4mputo geral, \u201cHymns to the Silence\u201d sugere uma melancolia que ami\u00fade se confunde com monotonia. Como diria David Byrne: \u201cHeaven is a place where nothing ever happens.\u201d ***<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/bitsnoop.dotpirate.me\/search\/all\/Van+Morrison+-+%22Hymns+To+The+Silence%22\/c\/d\/1\/\" target=\"_blank\">torrent<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tiFc5DHvaxo\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock &nbsp; 25 SETEMBRO 1991 LP\u2019S &nbsp; O SIL\u00caNCIO DA MEM\u00d3RIA \u00a0 VAN MORRISON Hymns To The Silence LP duplo\/CD, Polydor, distri. Polygram Nestas idades \u00e9 t\u00edpico: a confronta\u00e7\u00e3o do homem e do artista consigo mesmo e com aquilo em que acredita ou passou a acreditar. Ser\u00e1 que vale a pena fazer m\u00fasica? 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