{"id":3305,"date":"2015-02-01T12:48:40","date_gmt":"2015-02-01T19:48:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3305"},"modified":"2015-02-01T12:50:51","modified_gmt":"2015-02-01T19:50:51","slug":"brian-eno-o-escultor-do-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/02\/01\/brian-eno-o-escultor-do-silencio\/","title":{"rendered":"Brian Eno &#8211; O Escultor do Sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5 JUNHO 1991<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O ESCULTOR DO SIL\u00caNCIO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Com o lan\u00e7amento de oito t\u00edtulos em CD, nos pr\u00f3ximos dois meses, completa-se entre n\u00f3s a reedi\u00e7\u00e3o da discografia de Brian Eno \u2013 um dos poucos g\u00e9nios verdadeiros da m\u00fasica das duas \u00faltimas d\u00e9cadas. Entre as plumas e o sil\u00eancio, fica tra\u00e7ado o percurso fascinante de um cultista da perfei\u00e7\u00e3o, em constante demanda do segredo que existe para al\u00e9m da m\u00fasica.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/be.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/be-241x300.jpg\" alt=\"be\" width=\"241\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3306\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/be-241x300.jpg 241w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/be-80x100.jpg 80w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/be.jpg 380w\" sizes=\"auto, (max-width: 241px) 100vw, 241px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A dial\u00e9ctica pressup\u00f5e a exist\u00eancia de opostos. Afirmar algo \u00e9 afirmar sempre em oposi\u00e7\u00e3o a qualquer coisa. Todo o pensamento ocidental obedece aos ditames da dial\u00e9ctica. E, por conseguinte, a m\u00fasica \u2013 linear, escravizada pela Hist\u00f3ria. No rock e na pop \u00e9 o imp\u00e9rio da can\u00e7\u00e3o. Brian Eno come\u00e7ou por escrever can\u00e7\u00f5es em que parodiava a banda onde ganhara notoriedade, os Roxy Music, mas cedo desistiu \u2013 \u201cn\u00e3o tinha nada para dizer, nenhuma mensagem para transmitir.\u201d Se \u201cHere Come the warm Jets\u201d n\u00e3o diz nada, \u00e9 genial na forma como o faz.<\/p>\n<p>Anulada a oposi\u00e7\u00e3o e a contradi\u00e7\u00e3o, desaparece o conflito e, logicamente, o discurso. O pr\u00f3prio imobiliza-se, aprisionado na cruz dessa cessa\u00e7\u00e3o. No centro da cruz, emerge, glorioso, o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Toda a m\u00fasica de Brian Eno, da fase dita \u201cambiental\u201d, representa essa anula\u00e7\u00e3o da dial\u00e9ctica, recuperando o sil\u00eancio como matriz geradora de uma nova realidade, eterna e instant\u00e2nea, que radica na reencontrada pureza do olhar e do ouvir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M\u00fasica espacial<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, a palavra foi progressivamente abolida dos seus discos (\u201cQuando canto, penetro na m\u00fasica e impregno-a da minha personalidade. A partir desse momento o ouvinte passa a observar-me e esquece o resto, provocando o contr\u00e1rio do efeito pretendido \u2013 projectar quem ouve na m\u00fasica.\u201d), ou ent\u00e3o despojada de qualquer racionalidade, seguindo o devir aleat\u00f3rio das cartas, como em \u201cTaking Tiger Mountain (By Strategy)\u201d (1974), ou \u201cAnother Green World\u201d (1975).<\/p>\n<p>\u201cDiscreet Music\u201d (1975), \u201cMusic for Films\u201d (1976), e toda a obra posterior a solo (\u201cMusic for Airports, 1978, \u201cOn Land\u201d, 1982, \u201cApollo Atmospheres and Soundtracks\u201d, 1983, e \u201cThursday Afternoon\u201d, 1985), funcionavam como \u201cespa\u00e7os\u201d, habit\u00e1veis pelo ouvinte, actualizando finalmente, em termos medi\u00e1ticos, o conceito anteriormente enunciado por LaMonte Young com o seu \u201cteatro da m\u00fasica eterna\u201d. O relevo desde ent\u00e3o concedido \u00e0s \u201cinstala\u00e7\u00f5es\u201d (musicais, escult\u00f3ricas, v\u00eddeo \u2013 \u201cIn Harmonic Space\u201d, 1987, Floren\u00e7a, \u201cSpaces\u201d 1 a 20, \u201cRelics, Charms &amp; Living Rooms from the recent past found hidden among strange Trees\u201d, 1988, Berlim, \u201cTropical Rainforest Sound Installation\u201d, 1989, Nova Iorque, etc.) ou ao \u201cmuzak\u201d aprofundam e reorientam ainda essa no\u00e7\u00e3o da \u201cobra de arte\u201d como espa\u00e7o intemporal que permite uma rela\u00e7\u00e3o interactiva entre o indiv\u00edduo e o ambiente.<\/p>\n<p>Espa\u00e7o de ordem\/desordem (de uma harmonia natural, primordial), \u00e0 semelhan\u00e7a de um jardim Zen. Nele, o artista j\u00e1 n\u00e3o cria, no sentido tradicional do termo (e neste aspecto frequentemente se alude ao facto de Brian Eno \u201capenas\u201d desenvolver ideias alheias), antes desempenha o papel de ajudante, daquele que auxilia o movimento natural das coisas, a sua manifesta\u00e7\u00e3o. Como um jardineiro que apara as sebes e ajuda as plantas a crescer. Em \u201cOn Land\u201d (dos discos preferidos pelo autor) a natureza torna-se aut\u00f3noma, ideal \u2013 \u201ca grande liberta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 quando os humanos se tornarem insignificantes e o mundo girar sem precisar deles.\u201d<\/p>\n<p>Desaparecido o sujeito, altera-se o ritmo do real e da arte. No v\u00eddeo em formato vertical, \u201cThursday Afternoon\u201d, a c\u00e2mara filam a passagem das nuvens pelo c\u00e9u de Nova Iorque, limitando-se o artista a um trabalho de filtragem e enquadramento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estados hipnog\u00f3gicos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Elucidativas s\u00e3o as notas impressas na contracapa de \u201cDiscreet Music\u201d, onde Brian Eno descreve todo o processo que, na imobilidade de uma cama de hospital, o levou \u00e0 \u201cdescoberta\u201d de uma \u201cnova maneira de ouvir m\u00fasica \u2013 como parte integrante do ambiente circundante, tal qual as tonalidades da luz ou o som da chuva\u201d. As dualidades emissor-m\u00fasico\/receptor-ouvinte, exterior\/interior anulam-se nessa \u201cm\u00fasica discreta\u201d, que tudo unifica e apazigua. Para Brian Eno, compositor, o rock e a pop ficavam enterrados para sempre, pelo menos at\u00e9 John Cale, anos mais tarde, o convencer do contr\u00e1rio, a ponto de gravarem juntos \u201cWrong Way up\u201d, ou de, em entrevista recente, se declarar rendido \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o do ru\u00eddo.<\/p>\n<p>Nos tempos que correm, a m\u00fasica e atitudes de Brian Eno acabam por revelar-se revolucion\u00e1rias, na medida em que se assumem como alternativa radical ao paradigma do rock\u2019n\u2019roll \u2013 \u201co rock\u2019n\u2019roll n\u00e3o passa de neg\u00f3cio\u201d \u2013 dizia em 1983 \u2013 \u201cj\u00e1 n\u00e3o se bate contra nada\u201d, ou \u201cquando toda a gente grita, s\u00e3o aqueles que murmuram que s\u00e3o subversivos.\u201d Para Eno, acaba por ser \u201cmais interessante incitar os jovens a sentarem-se e a reflectir do que a reagirem de forma prim\u00e1ria ao m\u00ednimo est\u00edmulo\u201d. Refere-se a este estado de relaxamento interior como \u201chipnog\u00f3gico\u201d, entre o sonho e a vig\u00edlia. \u201cNo Pussyfootin\u2019\u201d (1973) e \u201cEvening Star\u201d (1975), de parceria com Robert Fripp, s\u00e3o duas obras-primas da m\u00fasica hipnog\u00f3gica, com o diabo \u00e0 espreita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Viagem infinita<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas para este diletante da arte, que uma vez se autodefiniu como \u201cn\u00e3o-m\u00fasico\u201d, talvez o mais importante seja a constante descoberta, novas maneiras de olhar e de interpretar o mundo. Desde as estrat\u00e9gias obl\u00edquas da fase p\u00f3s-Roxy Music (\u201cTaking Tiger Mountain\u201d, \u201cAnother Green World\u201d, \u201cBefore and after Science\u201d) \u00e0s imagens v\u00eddeo verticais; da produ\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas \u201cobscuras\u201d de Michael Nyman, John Cage ou Gavin Bryars \u00e0 modernidade pop dos Devo, Talking Heads, Carmel e U2; das desafina\u00e7\u00f5es controladas dos Portsmouth Sinfonia aos espasmos niilistas de \u201cNo New York\u201d; das m\u00fasicas imagin\u00e1rias do \u201cquarto mundo\u201d de Jon Hassel e Laraaji ao manifesto cibern\u00e9tico da trilogia com Bowie \u201cLow\u201d\/\u201dHeroes\u201d\/\u201dLodger\u201d; das cintila\u00e7\u00f5es luminosas da Harold Budd, Michael Brook e o irm\u00e3o Roger ao som abrasivo dos Neville Brothers e \u00e0s colagens infernais de \u201cMy Life in the Bush of Ghosts\u201d (1981, com David Byrne), \u00e9 sempre a mesma busca do novo e de novas formas de o representar.<\/p>\n<p>Viagem intermin\u00e1vel, pelas formas de que h\u00e3o de vir \u2013 \u201ca imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 exactamente isso: pegar em factos e ideias e organiz\u00e1-los para exprimirem algo. Quando era crian\u00e7a, havia um canto debaixo da escada que, conforme os nossos jogos, podia ser o centro de controlo de uma base militar ou o esconderijo secreto de um bando de piratas. Cada ideia nova era uma nova maneira de olhar a mesma coisa.\u201d Eis o segredo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Discreet Music (1975) <\/em><strong>****<\/strong><\/p>\n<p>Brian Eno estava de baixa, numa cama de hospital. Na \u00e9poca, alimentava-se mal e dormia pouco, procurando cultivar uma imagem de rom\u00e2ntico, t\u00edsico e iluminado. Uma amiga ofereceu-lhe um disco, para o entreter. Acontece que a aparelhagem tinha um defeito num dos canais, para al\u00e9m do volume reduzido ao m\u00ednimo. Fraco de mais para se levantar e aumentar o som, Eno foi obrigado a apurar o ouvido. Ent\u00e3o, no seu esp\u00edrito febril, fez-se luz. A m\u00fasica, no limite da audibilidade, confundia-se perfeitamente com os sons do ambiente, formando um todo sonoro coerente e, para os seus ouvidos treinados, extremamente musical. Acabava de ser inventado o conceito de \u201cm\u00fasica discreta\u201d. Mais tarde, no est\u00fadio, talvez por se sentir ainda demasiado fraco para pegar num instrumento, acoplou dois gravadores, juntou-lhes um equalizador e uma unidade de eco e alimentou todo o sistema com um sintetizador. Ao m\u00fasico bastava, de vez em quando, carregar num bot\u00e3o. No papel, parece simples, mas, na pr\u00e1tica, nunca as \u201cThree variations on the canon in D major\u201d, de Pachelbel, haviam soado t\u00e3o fantasmag\u00f3ricas. Quanto a Eno, nunca mais voltou a ser o mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Music for Films (1978)<\/em> <strong>*****<\/strong><\/p>\n<p>Recolha de fragmentos compostos previamente para bandas sonoras e n\u00e3o s\u00f3. Da m\u00fasica discreta, Eno passava a um expressionismo que, mais que no cinema, buscava na pintura a sua inspira\u00e7\u00e3o. Cada tema configura-se como esbo\u00e7o sonoro que exige do ouvinte a cria\u00e7\u00e3o de enredos ou sonhos paralelos. Faixas ambientais alternam com miniaturas r\u00edtmicas talhadas a cinzel, construindo estruturas delicadas prontas a habitar. Como o pal\u00e1cio vazio, num filme de Duras. Uma lista de nomes que inclui Phil Collins, Bill MacCormick, Dave Mattacks, Fred Frith, Robert Fripp e John Cale ajuda a tornar \u201cMusic for Films\u201d um cl\u00e1ssico de antologia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Plateaux of Mirror (1982) <\/em><strong>*****<\/strong><\/p>\n<p>Primeira colabora\u00e7\u00e3o com o pianista Harold Budd e a que se seguiria, dois anos depois, \u201cThe Pearl\u201d. Transposi\u00e7\u00e3o das teorias de Eno para o cen\u00e1rio rom\u00e2ntico, meticulosamente encenado pelas filigranas pian\u00edsticas de Budd, que alia pequenas parcelas de emo\u00e7\u00f5es e fragmentos de sonhos \u00e0 m\u00fasica microsc\u00f3pica, aprendida com mestre Satie. \u201cPlateaux of Mirror\u201d exemplifica de forma brilhante as mil maneiras de a sensibilidade escapar \u00e0s malhas da raz\u00e3o. Discurso aqu\u00e1tico, palaciano, intemporal. Gotas de orvalho atravessadas pelo primeiro raio de sol da madrugada. Um piano ao centro da sala, sem outra mob\u00edlia. A janela aberta. Cortinas enfunadas pelo vento. Imagens de uma arquitectura sonora como sin\u00f3nimo de espa\u00e7o, neste disco, infinito, banhado por intensa claridade. Casamento perfeito do rigor formal e t\u00e9cnica pian\u00edstica apurada de Harold Budd com a intui\u00e7\u00e3o e os tratamentos de est\u00fadio, de Brian Eno. Deste cruzamento resultou uma obra-prima \u2013 transparente e, como todas as obras-primas, vitoriosa sobre o tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>On Land (1982) <\/em><strong>*****<\/strong><\/p>\n<p>Aprofundamento do conceito espacial, entretanto tornado quase obsess\u00e3o, ao n\u00edvel das estrat\u00e9gias de composi\u00e7\u00e3o, cujo ponto de partida radica, segundo o seu autor, em \u201cAnother green world\u201d. Neste, a cada pe\u00e7a corresponde um ambiente ou uma paisagem particular, que ir\u00e1 determinar \u201co tipo de actividades que possam eventualmente ocorrer\u201d. Trata-se, ainda nas palavras do autor, de \u201cexagerar\u201d ou de \u201cinventar\u201d espa\u00e7os musicais, em vez de os \u201creproduzir\u201d ou \u201cimitar\u201d. A m\u00fasica de \u201cOn Land\u201d nasce a partir da escuta atenta n\u00e3o das \u201cm\u00fasicas do mundo\u201d, mas do \u201cpr\u00f3prio mundo\u201d. No Gana, Eno pretendia gravar o canto dos ind\u00edgenas. Acabou por apontar o microfone ao c\u00e9u, deliciar-se de gravar os sons do pr\u00f3prio ar e da sua m\u00fasica, quase imaterial. \u201cOn Land\u201d constitui um universo \u00e0 parte, terra de ningu\u00e9m aberta \u00e0 intui\u00e7\u00e3o de cada um. Bill Laswell, Michael Beinhorn, Jon Hassel e Michael Brook ajudam a delinear o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Thursday Afternoon (1985) <\/em><strong>***<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro disco editado exclusivamente no formato compacto. Para muitos representa o culminar sublime das premissas est\u00e9ticas anteriormente enunciadas; para outros, o supra-sumo, pela negativa, da m\u00fasica hipnog\u00f3gica. Uma hora inteira de sons constantemente \u00e0 beira do sil\u00eancio, capazes de fazer adormecer a cafe\u00edna. Eno descreve-os como paradigma daquilo a que chama \u201cm\u00fasica hologr\u00e1fica\u201d, em que cada parte \u00e9 representativa do todo. Refere como exemplo o acto, excitante, de observar a passagem das nuvens no c\u00e9u. Diz ele tratar-se uma experi\u00eancia \u201cconsistente no seu todo\u201d, mas de \u201cdetalhes imprevis\u00edveis\u201d. Para aqueles, ent\u00e3o, que gostam de observar as nuvens, de contar formigas ou de m\u00fasica minimal repetitiva, \u201cThursday Afternoon\u201d \u00e9 o disco (e v\u00eddeo) ideal.<\/p>\n<p>brian eno &#8211; ambient 1 &#8211; muisc for airports: <a href=\"http:\/\/www.4shared.com\/file\/DkwtYYtq\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5KGMo9yOaSU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock &nbsp; 5 JUNHO 1991 &nbsp; O ESCULTOR DO SIL\u00caNCIO &nbsp; Com o lan\u00e7amento de oito t\u00edtulos em CD, nos pr\u00f3ximos dois meses, completa-se entre n\u00f3s a reedi\u00e7\u00e3o da discografia de Brian Eno \u2013 um dos poucos g\u00e9nios verdadeiros da m\u00fasica das duas \u00faltimas d\u00e9cadas. 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