{"id":3301,"date":"2015-01-31T15:23:44","date_gmt":"2015-01-31T22:23:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3301"},"modified":"2015-01-31T15:26:09","modified_gmt":"2015-01-31T22:26:09","slug":"diamanda-galas-a-flor-do-mal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/01\/31\/diamanda-galas-a-flor-do-mal\/","title":{"rendered":"Diamanda Gal\u00e0s &#8211; A Flor Do Mal"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>15 MAIO 1991<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A FLOR DO MAL<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Chamam-lhe vampira, bruxa ou coisas piores. Tem uma obsess\u00e3o sombria pela morte e pelas trevas. Basta escutar uma vez a sua voz para se perceber que sim. Diamanda Galas canta e comp\u00f5e como se de uma vingan\u00e7a se tratasse. Gravou litanias a Sat\u00e3 e uma trilogia sobre a praga do s\u00e9culo, a sida. Mistura religi\u00e3o com pervers\u00f5es v\u00e1rias. Finalmente, registou uma missa negra integral, num duplo \u00e1lbum gravado ao vivo numa catedral cat\u00f3lica. Sinais do fim. Diamanda Galas grita o estertor lancinante desse fim.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/diamanda-galas.png2_.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-3302\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/diamanda-galas.png2_-300x169.png\" alt=\"diamanda-galas.png2_\" width=\"557\" height=\"314\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/diamanda-galas.png2_-300x169.png 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/diamanda-galas.png2_-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/diamanda-galas.png2_-100x56.png 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/diamanda-galas.png2_.png 1334w\" sizes=\"auto, (max-width: 557px) 100vw, 557px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cPlague Mass\u201d, duplo ao vivo, representa o desafio total. A guerra global, de todos contra todos e cada um contra si pr\u00f3prio. Culminar de um percurso alucinante e de uma m\u00fasica e atitude desmesuradas, quase sobre-humanas na maneira como almejam superar todos os tabus, est\u00e9ticas e morais tradicionais, \u00e0 procura de uma sobre-realidade para al\u00e9m da alegria e da dor, do bem e do mal. Das \u201cLitanies of Satan\u201d \u00e0 actual missa negra celebrada no seio da pr\u00f3pria Igreja cat\u00f3lica, \u00e9 sempre a consagra\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o do homem \u201cnovo\u201d, cuja vontade de poder n\u00e3o carece dos deuses para se exercer. Afinal, mais uma das peri\u00f3dicas tentativas de destruir o sagrado. Mas, para melhor ajuizar sobre as inten\u00e7\u00f5es da senhora, nada melhor que contar a sua hist\u00f3ria. Deixa-se \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o o que fica por contar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>&nbsp;<\/p>\n<p>Da vida e da morte<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diamanda Galas nasceu americana, mas corre-lhe sangue grego nas veias. Xinogalas, o apelido paterno. Os pais, gregos de facto, pertencem \u00e0 casta dos Manatis, equivalente grega dos sicilianos. Como estes, a ideia de vingan\u00e7a desempenha um papel primordial no seu imagin\u00e1rio. A dor tamb\u00e9m. Diamanda, \u00e0 maneira das carpideiras, contratadas para chorar e lamentar a morte alheia, canta os males da humanidade, as suas doen\u00e7as, o desespero. \u201cChorar um ou dois dias \u00e9 uma coisa. Chorar por contrato, 15 ou 20, \u00e9 outra completamente diferente \u2013 torna-se um ritual ext\u00e1tico que transcende a banal piedade dos americanos.\u201d<\/p>\n<p>Diamanda Galas passou os primeiros anos de vida a congeminar vingan\u00e7a. Contra os ricos, os poderosos, os vil\u00f5es da humanidade. Comunista? Nem tanto. Tem mais a ver com um mau feitio cong\u00e9nito, que ela pr\u00f3pria, de resto, reconhece. Escreveu um manifesto em defesa dos Black Leather Beavers, associa\u00e7\u00e3o de \u201ccar\u00e1cter humanit\u00e1rio\u201d, de vigilantes da rua, decididos a acabar com os violadores de mulheres. \u201cAcabar\u201d mesmo, o que passa pela castra\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os viris dos prevaricadores. \u201cCom os violadores, o problema reside nos \u2018tomates\u2019. Removidos estes, est\u00e1 resolvido o problema.\u201d H\u00e1 um paralelo evidente entre esta atitude e a m\u00fasica da senhora. Mas o \u00f3dio e a viol\u00eancia radicam finalmente numa autodescoberta. No reconhecimento da pr\u00f3pria morte, inadi\u00e1vel. Diamanda n\u00e3o consegue suportar o peso desta evid\u00eancia, que considera \u201cinsultuosa\u201d. A morte n\u00e3o h\u00e1-de ficar a rir-se \u2013 assegura. \u201cQuando o momento chegar, serei eu a tomar conta da situa\u00e7\u00e3o. Quando os deuses decidirem levar-me, rir-me-ei na cara deles. H\u00e1-de haver uma seringa espetada no meu bra\u00e7o, t\u00e3o rapidamente que eles nem chegar\u00e3o a perceber o que se passou.\u201d Diz estas coisas com o ar mais natural do mundo. S\u00f3 pede a todos os santinhos que a m\u00e3e nunca venha a saber. A personalidade da \u201cdiva de negro\u201d ficou completa numa ocasi\u00e3o em que viu e ouviu Jimi Hendrix. Antes, queria estudar bioqu\u00edmica. A partir desse momento crucial pretendeu ser a pr\u00f3pria bioqu\u00edmica. Para ela, homens e mulheres como Hendrix, Antonin Artaud, Maria Callas ou Charlie Parker possuem um poder especial, uma forma de energia sacrificial intens\u00edssima que tudo inflama e consome na sua chama abrasadora. O problema \u00e9 que as pessoas possuidoras de tal dom geralmente n\u00e3o duram muito. Como forma de preven\u00e7\u00e3o contra eventualidades desagrad\u00e1veis, Galas n\u00e3o desdenha a hip\u00f3tese de uma transfus\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o total do sangue, \u00e0 maneira da famosa condessa Bathory, vampira l\u00e9sbica que prolongava a vida e a juventude \u00e0 custa de beber o sangue de raparigas virgens que ela pr\u00f3pria seduzia. Como \u00e9 que Diamanda faz para manter a voz e a energia \u00e9 l\u00e1 com ela. De resto, virgens j\u00e1 h\u00e1 poucas. Sangue, ainda vai havendo. Recorde-se, a prop\u00f3sito, que em recentes espect\u00e1culos ao vivo apareceu em palco com o corpo completamente encharcado do l\u00edquido vital. Paran\u00f3ia do sangue e da sua contamina\u00e7\u00e3o, a sida, a agonia, o lento envenenamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O teatro da crueldade<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O termo, inventou-o Artaud, surrealista escorra\u00e7ado por Breton, em nome da ortodoxia. O teatro insepar\u00e1vel da vida, confundidos na voragem e vertigem de uma encena\u00e7\u00e3o \u00fanica. Os espect\u00e1culos, melhor dizendo, as \u201cperformances\u201d de Diamanda Galas estendem o conceito aos limites da loucura religiosa. Rituais de auto-imola\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia desmedida. Diamanda Galas, feiticeira do s\u00e9culo XX, na consuma\u00e7\u00e3o de missas negras em louvor de Sat\u00e3, o \u201cgrande acusador\u201d. A raiva. O fogo, simultaneamente devorador e purificador. Sempre que actua ao vivo, pensa inevitavelmente em \u201cdeitar fogo \u00e0 audi\u00eancia\u201d. Sobre o palco, transfigura-se. As fronteiras sexuais s\u00e3o abolidas. \u201cTodos os grandes \u2018performers\u2019\u201d \u2013 diz \u2013 \u201ct\u00eam de ser for\u00e7osamente travestis, no sentido de deixarem de ser homens ou mulheres para passarem a animais, r\u00e9pteis ou insectos.\u201d No seu caso, afirma-se mais pr\u00f3xima da condi\u00e7\u00e3o de insecto. N\u00e3o surpreende por isso que provoque frequentemente nas audi\u00eancias um temor supersticioso. As pessoas chamam-lhe \u201cbruxa\u201d, para exorcizar o medo. \u201c\u00c9 uma reac\u00e7\u00e3o sobretudo masculina. Tem que ver com uma certa forma de energia que, se apropriada e irradiada por uma mulher, \u00e9 considerada errada.\u201d Assim, muitos homens v\u00eaem nela como que um sexo com dentes, s\u00edndrome da \u201cvagina dentatta\u201d, castradora da virilidade, f\u00edsica mas sobretudo ps\u00edquica, do macho dominador. Anos antes dos actuais rituais sat\u00e2nicos, Diamanda Galas n\u00e3o sabia como destilar toda a raiva que sentia e \u201cn\u00e3o sabia explicar\u201d. Come\u00e7ou por actuar nas ruas. Mais tarde, alguns \u201cradicais\u201d do Living Theatre, mais assustados com as suas proezas e faculdades catalisadoras, aconselharam-na a cantar em institutos de doentes mentais, insinuando mesmo a possibilidade dela pr\u00f3pria ficar internada por uns tempos. Diamanda aceitou o conselho, contribuindo assim para o aumento da popula\u00e7\u00e3o esquizofr\u00e9nica americana. Mas avisou logo que a sua m\u00fasica n\u00e3o podia considerar-se propriamente terap\u00eautica. Tinha mais que ver com as \u201cschrei-performance\u201d, caracter\u00edsticas do teatro expressionista alem\u00e3o, que pretendiam alargar as fronteiras da personalidade humana. Diamanda queria ir mais longe \u2013 estender esses limites ao ponto de transformar a personalidade \u201cnuma esp\u00e9cie de entidade-s\u00edntese entre a \u2018besta\u2019 e a m\u00e1quina\u201d. Sobre o assunto tem uma teoria. Acredita que todos os problemas surgiram quando as pessoas \u201ccome\u00e7aram a fazer separa\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias entre os hemisf\u00e9rios esquerdo e direito do c\u00e9rebro\u201d. A solu\u00e7\u00e3o? \u201cSer capaz de articular as pequenas \u2018nuances\u2019 mal\u00e9volas da personalidade, mostrar a natureza humana para al\u00e9m do bem e do mal, de que falavam Nietzsche, Sade, Poe e Baudelaire, uma esp\u00e9cie de protoplasma contradit\u00f3rio, eminentemente esquizofr\u00e9nico.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Praga<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A praga \u00e9 a sida. Diamanda Galas invectiva-a nos \u00e1lbuns: \u201cThe Divine Punishment\u201d, \u201cSaint of the Pit\u201d (ambos de 1986) e \u201cYou Must be Certain of the Devil\u201d (1988), as tr\u00eas partes da trilogia \u201cMasque of the Red Death\u201d, t\u00edtulo inspirado num conto sobre a peste de Edgar Allan Poe. V\u00e1rias pessoas das suas rela\u00e7\u00f5es morreram da doen\u00e7a, incluindo o irm\u00e3o e a sua melhor amiga. N\u00e3o espanta pois a revolta e a obsess\u00e3o. Espantoso \u00e9 o modo como Diamanda Galas consegue alargar o significado e as implica\u00e7\u00f5es morais do problema, conferindo-lhe uma dimens\u00e3o global e apocal\u00edptica. Recorrendo a textos de poetas simbolistas como Charles Baudelaire, G\u00e9rard de Nerval e Tristan Corbi\u00e8re ou a textos b\u00edblicos do Antigo Testamento (aquele em que emerge a figura do Deus castigador), Diamanda Galas procede a um meticuloso trabalho de inser\u00e7\u00e3o dos mesmos num diferente e perturbante contexto. Invertem-se os valores fundamentais do cristianismo. Satan\u00e1s passa a ser o justiceiro, o \u201cacusador\u201d (segundo a terminologia hebraica), aquele que aponta o dedo ao \u201cinimigo\u201d, o poder institu\u00eddo, a indiferen\u00e7a, o medo, o ostracismo. O sofrimento dos condenados pela sida \u00e9 comparado \u00e0 agonia de Jesus crucificado.<\/p>\n<p>A revolta de \u201cThe Divine Punishment\u201d \u00e9 a mesma de L\u00facifer, contra a autoridade divina. A m\u00fasica assume contornos lit\u00fargicos, nos c\u00e2nticos salm\u00f3dicos, nas lamenta\u00e7\u00f5es de \u201cFree among the dead\u201d e \u201cDeliver me from my enemies\u201d. O super-homem \u00e9 o homem condenado, o est\u00f3ico absoluto, mitificado no anticristo que a pr\u00f3pria Galas encarna em \u201cSono l\u2019antichristo\u201d \u2013 a \u201cprova\u00e7\u00e3o\u201d, a \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d, a \u201ccarne martirizada\u201d, o \u201csacrif\u00edcio\u201d, o \u201clouco sagrado\u201d, a \u201cmerda de Deus\u201d. \u201cSaint of the Pit\u201d prossegue pelas mesmas vias demenciais. Textos de Nerval e Corbi\u00e8re. \u201cL\u2019 Heautontimouroumenos\u201d (o autotorturador), extra\u00eddo das \u201cFlores do Mal\u201d, de Baudelaire, insuport\u00e1vel: \u201cSou o espelho onde se rev\u00ea a pr\u00f3pria f\u00faria\/ a faca e a ferida revolvida\/ o carrasco e a v\u00edtima\/ o vampiro das minhas pr\u00f3prias veias\/ perten\u00e7o \u00e0 grande legi\u00e3o dos perdidos.\u201d Talvez devido \u00e0 crescente aceita\u00e7\u00e3o das massas, a terceira e derradeira invoca\u00e7\u00e3o da trilogia \u00e9 assumidamente mais suave que as anteriores, po\u00e9tica e musicalmente falando. Suprema ironia, h\u00e1 espa\u00e7o para dan\u00e7ar. Ao ritmo da dor alheia. Convida-se ou empurra-se quem ouve para o papel de inquisidor. Sofrimento e prazer misturam-se na fase terminal da doen\u00e7a e da ra\u00e7a humana tal como a conhecemos. \u201cGospels\u201d de v\u00e9speras de finados. Diamanda canta \u201cSwing low sweet chariot\u201d escondendo as facas e as cicatrizes na penumbra. \u201cThe Lord is my shepherd\u201d \u2013 o Senhor \u00e9 o pastor que conduzir\u00e1 e libertar\u00e1 as almas. Mas que senhor \u00e9 este que traz consigo as chaves do c\u00e9u e do inferno? \u201cMaldi\u00e7\u00e3o!\u201d \u2013 gritam os condenados, os proscritos do medo, tra\u00eddos e aliciados por uma terra prometida que n\u00e3o puderam escolher. O grande grito, a confronta\u00e7\u00e3o final haveria de ter lugar no interior do pr\u00f3prio templo, na celebra\u00e7\u00e3o do sangue contaminado \u2013 eucaristia invertida de um mundo sem luz.<\/p>\n<p>diamanda gal\u00e0s &#8211; plague mass &#8211; <a href=\"http:\/\/www.4shared.com\/rar\/1t4gQFul\/Rock_1991__Diamanda_Galas_-_Pl.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LEKuX8arORc\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock &nbsp; 15 MAIO 1991 &nbsp; A FLOR DO MAL &nbsp; Chamam-lhe vampira, bruxa ou coisas piores. Tem uma obsess\u00e3o sombria pela morte e pelas trevas. Basta escutar uma vez a sua voz para se perceber que sim. Diamanda Galas canta e comp\u00f5e como se de uma vingan\u00e7a se tratasse. 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