{"id":3239,"date":"2015-01-12T12:31:47","date_gmt":"2015-01-12T19:31:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3239"},"modified":"2015-01-12T12:34:16","modified_gmt":"2015-01-12T19:34:16","slug":"natalia-correia-alma-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/01\/12\/natalia-correia-alma-do-mundo\/","title":{"rendered":"Nat\u00e1lia Correia &#8211; Alma Do Mundo"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>20 FEVEREIRO 1991<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ALMA DO MUNDO<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Nat\u00e1lia-Correia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3241\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Nat\u00e1lia-Correia-300x245.jpg\" alt=\"Nat\u00e1lia Correia\" width=\"300\" height=\"245\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Nat\u00e1lia-Correia-300x245.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Nat\u00e1lia-Correia-100x82.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Nat\u00e1lia-Correia.jpg 313w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vozes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3240\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vozes-300x300.jpg\" alt=\"vozes\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vozes-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vozes-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vozes-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/vozes.jpg 391w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cVozes da Terra\u201d. Vozes femininas, do grupo de cantares do Manhouce, equivalentes \u00e0s daquelas misteriosas b\u00falgaras que \u201cfalam com Deus\u201d. A editora procurou a semelhan\u00e7a, na mistura das imagens, na apropria\u00e7\u00e3o mercantil do que \u00e9 por natureza divino. Como se a eternidade estivesse na moda.<\/p>\n<p>Nat\u00e1lia Correia escreveu o texto de apresenta\u00e7\u00e3o do disco, impresso na contracapa, ponto de partida para uma conversa ao sabor dos ventos e das mar\u00e9s. Das Beiras, os s\u00edmbolos correram at\u00e9 desaguarem no infinito. De Portugal se partiu e parte sempre para mundos mais al\u00e9m. A alma prateada e gran\u00edtica da Serra confundida com a mat\u00e9ria mais antiga do mundo primordial. Seriam duas, se a dist\u00e2ncia existisse.<\/p>\n<p>Nat\u00e1lia Correia det\u00e9m segredos e deles fala e escreve livremente, como uma pomba astral, voando entre a noite e o dia, a Lua e o Sol, dizendo aquilo que \u00c9 e urge ser dito. Noutras esferas chamar-lhe-iam sacerdotisa. As palavras flu\u00edram, reais, esculpidas em som e luz. Quiseram-se caminhos para as fontes e barcas para navegar o mar. E assim foi.<\/p>\n<p>Hoje discute-se, com redobrada energia, a religi\u00e3o (e o ritual), no sentido original de \u201cre-liga\u00e7\u00e3o\u201d: \u201cH\u00e1 muito que falo na revitaliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o sagrado. O sentimento religioso tem que ser conduzido numa direc\u00e7\u00e3o que abranja o reencontro daquilo que j\u00e1 foi a totalidade, ou seja: a fus\u00e3o das duas polaridades, masculino\/feminino, Fogo\/\u00c1gua, Yang\/Yin.\u201d Falou-se de alquimia.<\/p>\n<p>Falou-se de m\u00fasica e das for\u00e7as que a conduzem: \u201cPor detr\u00e1s de toda a express\u00e3o art\u00edstica, h\u00e1 esse fluir de energias, dirigidas para a procura da beleza que exprime a perfei\u00e7\u00e3o.\u201d Energia que magos negros utilizam, invertendo valores e polaridades. \u201cPara muitos ser\u00e1 um \u00e1libi para adiar o encontro com a Verdade. Para outros \u00e9 um agir inconsciente expresso no t\u00f3pico \u2018o mundo \u00e1s avessas\u2019, ou seja, na invers\u00e3o dos valores para procurar a sua verdadeira coloca\u00e7\u00e3o numa ordem perdida ou, se quisermos, esquecida.\u201d Sinais do Apocalipse? \u201cVivemos tempos de ilumina\u00e7\u00e3o, tempos de revela\u00e7\u00e3o (\u00e9 esse o significado da palavra) e, precisamente nessa perspectiva, h\u00e1 aqueles que se aliam aos dem\u00f3nios que est\u00e3o \u00e0 solta e os que procuram a Luz que jorra da outra face.\u201d<\/p>\n<p>Raymond Abellio, autor incontorn\u00e1vel dos tempos actuais (quem o conhece, apesar de j\u00e1 nos ter visitado, nos finais da d\u00e9cada de 70, pela m\u00e3o, for\u00e7a e esclarecimento do pintor Lima de Freitas e da pr\u00f3pria Nat\u00e1lia Correia?), refere-se ao papel de L\u00facifer no mundo moderno. \u201cN\u00e3o falo em L\u00facifer porque isso me coloca numa vis\u00e3o institucionalizada da religi\u00e3o. Prefiro remontar ou recuar aos gn\u00f3sticos, cuja posi\u00e7\u00e3o, em muitos aspectos, \u00e9 para mim cada vez mais significativa, no sentido de denunciarem na humanidade uma extrac\u00e7\u00e3o daquilo a que eles chamam os \u2018pseudo-antropos\u2019. H\u00e1 uma hist\u00f3ria que ajuda a compreender o significado do termo, de um frade franciscano para quem o Ju\u00edzo Final n\u00e3o era mais do que um grande esclarecimento, porque nele se distinguiriam os verdadeiros humanos daqueles que passavam por humanos, sendo na realidade sapos, lagartos, escorpi\u00f5es\u2026 Verifico que estamos precisamente num per\u00edodo hist\u00f3rico em que uma guerra despudoradamente demencial vem dar raz\u00e3o ao meu velho amigo franciscano. O pseudo-antropo \u00e9 um ser mascarado de humano. A sua energia \u00e9 t\u00e3o poderosamente mal\u00e9fica que governa os destinos do mundo. A m\u00fasica \u00e9 um dos instrumentos destes magos negros. N\u00e3o s\u00f3 a m\u00fasica. A nocividade da sua ac\u00e7\u00e3o est\u00e3o a atingir a cultura em geral que, n\u00e3o por acaso, se deixa absorver pela m\u00e1quina da ind\u00fastria.\u201d<\/p>\n<p>O diabo aparece ami\u00fade com a forma de mulher. Para a autora de \u201cM\u00e1tria\u201d, \u201cO Dil\u00favio e a Pomba\u201d e \u201cO Encoberto\u201d, entre outras obras, tal facto, como (quase) tudo, tem uma explica\u00e7\u00e3o: \u201cOnde alguns l\u00eaem Eva, outros l\u00eaem Lilith, para acentuarem o demon\u00edaco no feminino, dentro de um enquadramento da atrac\u00e7\u00e3o que leva Ad\u00e3o a comer o fruto proibido e consequentemente \u00e0 expuls\u00e3o do casal do Para\u00edso. \u00c9 preciso n\u00e3o esquecer que no Antigo Testamento se cruzam duas influ\u00eancias: uma que acata o velho princ\u00edpio da bissexualidade do hermafroditismo divino, expresso na senten\u00e7a \u2018e Deus criou Ad\u00e3o, fazendo-o macho e f\u00eamea, \u00e0 sua semelhan\u00e7a\u2019; outra, aquela que poderemos classificar de reformismo patriarcal, que concentra todo o odioso sobre a mulher, convertendo-a num ser demon\u00edaco (Lilith). Cabe aqui acentuar que a serpente, sendo na met\u00e1fora genes\u00edaca considerada um animal diab\u00f3lico, segundo as concep\u00e7\u00f5es da tal revolu\u00e7\u00e3o patriarcal que lan\u00e7a o estigma sobre o grande emblema da ginecocracia, \u00e9, neste caso (testemunha-o ainda a nossa civiliza\u00e7\u00e3o dolm\u00e9nica), sinal de uma tradi\u00e7\u00e3o em que, ao lado da polaridade masculina, avultava o aspecto feminino da divindade.\u201d<\/p>\n<p>Ser e conhecer. Como se manifestam ent\u00e3o, ao n\u00edvel gnoseol\u00f3gico, essas duas polaridades complementares, cuja atrac\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, amorosa, Nat\u00e1lia Correia nomeia na conjun\u00e7\u00e3o da \u201cAlma mater saudosa do p\u00f3lo celeste como que consumava o todo (\u2026) nas n\u00fapcias do c\u00e9u e da Terra\u201d? \u201cA intui\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento do s\u00f3fico feminino (a \u2018sofia\u2019, como os gn\u00f3sticos diziam e sabiam). A penetra\u00e7\u00e3o, a demanda masculina, \u00e9 o caminho para o s\u00f3fico. Por isso a mentalidade masculina \u00e9 mais filos\u00f3fica. Ningu\u00e9m percebeu isso melhor que os nossos trovadores. \u2018Philo\u2019 significa afecto, amor. O amor pela mulher (ou atrav\u00e9s dela), na qual viam reflectida a face divina. O s\u00f3fico feminino revela-se no saber natural da alma m\u00e3e.\u201d<\/p>\n<p>A poetisa afirma-se \u201cdecepcionada\u201d quando algumas das mulheres que conhece e considera \u201cde grande responsabilidade intelectual\u201d v\u00eaem na adora\u00e7\u00e3o da dama (a mulher) de que falavam os surrealistas, \u201cuma forma de a aprisionar e manter acorrentada a uma situa\u00e7\u00e3o tradicional\u201d. \u201cFazer-se amar e venerar pelo homem\u201d, afirma convictamente Nat\u00e1lia Correia, \u201c\u00e9 hoje a obriga\u00e7\u00e3o mais imperiosa da mulher\u201d. Que cada um perceba do que l\u00ea aquilo que for capaz de perceber.<\/p>\n<p>Lentamente o mundo material reconstruiu-se de novo, na voz e na figura de Isabel Silvestre, solista do grupo de cantares do Manhouce. M\u00fasica representativa da tal \u201cteologia do feminino provectamente anterior \u00e0 religi\u00e3o patriarcal dos hebreus\u201d, a que Nat\u00e1lia Correia alude, de que \u201cem Espanha, o vascuense \u00e9 testemunho lingu\u00edstico e que em Portugal, se mant\u00e9m perseverantemente enraizada sobretudo na Beiras\u201d. Por isso as vozes da Terra, e em particular a de Isabel Silvestre, lhe provocam, quando ao ouve, \u201cum fr\u00e9mito maior do que aquele causado pela m\u00fasica erudita\u201d: \u201cQuando se ergue o coral de Manhouce, ou\u00e7o a voz dessa Mulher que nos chega do fundo dos s\u00e9culos que formaram a nossa natureza cultural.\u201d Assim se cumpriu o tempo certo, desdobrado nas curvas espiraladas do destino.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/egu82VfAwN0\" width=\"420\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock &nbsp; 20 FEVEREIRO 1991 &nbsp; ALMA DO MUNDO \u201cVozes da Terra\u201d. Vozes femininas, do grupo de cantares do Manhouce, equivalentes \u00e0s daquelas misteriosas b\u00falgaras que \u201cfalam com Deus\u201d. 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