{"id":3221,"date":"2015-01-06T11:50:16","date_gmt":"2015-01-06T18:50:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3221"},"modified":"2015-01-06T11:52:47","modified_gmt":"2015-01-06T18:52:47","slug":"a-leste-tudo-de-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2015\/01\/06\/a-leste-tudo-de-novo\/","title":{"rendered":"A Leste Tudo De Novo"},"content":{"rendered":"<p>BLITZ<\/p>\n<p>6.3.90<br \/>\nVALORES SELADOS<\/p>\n<p>A LESTE TUDO DE NOVO<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que novos ventos sopram do Leste. De fei\u00e7\u00e3o, no caso da m\u00fasica. Novos sons v\u00e3o invadindo o Ocidente, suscept\u00edveis de injectar sangue novo no panorama das m\u00fasicas alternativas independentes europeias. Os apaixonados pelos sons originais das \u00abOutras esferas\u00bb j\u00e1 n\u00e3o tinham m\u00e3os e ouvidos a medir, perdidos no meio das dezenas e dezenas de bons discos produzidos um pouco por todo o lado \u00e0 margem das estrat\u00e9gias comerciais. Se o ritmo j\u00e1 era dif\u00edcil de acompanhar, agora \u00e9 preciso contar tamb\u00e9m com a brigada (ex)vermellha.<\/p>\n<p>No princ\u00edpio eram os novos totalitaristas como os Laibach ou os Last Few Days, oper\u00e1rios, radicais, provocadores, subversivos e estimulantemente violentos. Os primeiros, depois de alguns desvios que deram mau resultado, regressaram \u00e0s trombetas e fanfarras militaristas iniciais, agora rotulados com o selo de qualidade de \u00abNovos cl\u00e1ssicos\u00bb. Em todo o caso, o mais recente \u00abMacBeth\u00bb n\u00e3o envergonha os seus autores quando comparado com o ponto m\u00e1ximo que foi o estreante \u00abNova Akropola\u00bb.<br \/>\nQuanto aos Last Few Days substitu\u00edram as sirenes, megafones e \u00abslogans\u00bb anarquistas pelos ritmos, pelo menos mais rent\u00e1veis, da dan\u00e7a. Mudam-se os tempos, mudam-se as subvers\u00f5es\u2026<br \/>\nDos Holy Toy, polacos mas liderados por um noruegu\u00eas (Lars Pedersen), nada mais se soube, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de bons \u00e1lbuns e a obra-prima \u00abdiferente de tudo\u00bb assinada por Lars, \u00abDeath in the Blue Lake\u00bb. E j\u00e1 que falamos de obras-primas convir\u00e1 n\u00e3o esquecer essa outra que \u00e9 \u00abInsect Culture\u00bb dos sovi\u00e9ticos Popular Mechanics, de Sergei Kuriokhin.<br \/>\nSali\u00eancia ainda, na \u00e1rea do jazz, para a obra dos Ganelin Trio e para os projectos, conotados com a m\u00fasica concreta e electroac\u00fastica, do grupo de percuss\u00e3o h\u00fangaro Amadinda, do checoslovaco Jaroslav Krcek (\u00abRaab\u00bb) e deste m\u00fasico juntamente com Georg Katzer (Alemanha Democr\u00e1tica) e Zygmunt Krause (Pol\u00f3nia) num mesmo \u00e1lbum gravado para a Recommended (\u00abAide M\u00e9moire\/Folk Music\/Sonaty Slavickove\u00bb).<br \/>\nRecommended Records que se mant\u00e9m, como habitualmente, atenta a todos os novos sons do Mundo e, neste caso particular, aos do leste europeu. Paralelamente \u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de uma revista de divulga\u00e7\u00e3o e apoio aos novos projectos e ideias oriundos daquelas regi\u00f5es, associou-se \u00e0 editora Points East, distribuindo para o Ocidente todos os seus discos. Os mais recentes valem todos a pena e estar\u00e3o brevemente dispon\u00edveis na discoteca Contraverso que, por sinal, acabou de receber nova remessa de maravilhas com a chancela de qualidade \u00abRecommended\u00bb. Aqui v\u00e3o entretanto algumas indica\u00e7\u00f5es sobre novos discos dos nossos amigos do Leste:<\/p>\n<p>BORIS KOVAK: Ritual Nova 2<\/p>\n<p>Segunda parte do dito ritual. M\u00fasica tradicional jugoslava, electr\u00f3nica, sopros, sons ambientais, c\u00e2ntico gregoriano e s\u00e9rvio, leituras do Cor\u00e3o (em fita ou sampladas). Ritual dividido em duas partes: \u00abDream of the Origine\u00bb e \u00abOrigine of the Dream\u00bb, com v\u00e1rias sec\u00e7\u00f5es de t\u00edtulos m\u00edsticos como \u00abAll under the Celestial Cap\u00bb, \u00abSacred Millstone\u00bb ou \u00abMandala\u00bb. Crescendos r\u00edtmicos e corais desembocando em epis\u00f3dios mais contemplativos, pr\u00f3ximos dos de John Surman ou Stephen Micus. Delicioso.<br \/>\nInstrumenta\u00e7\u00e3o: Sampler, Sax soprano, clarinete baixo, taragato (instr. Trad.), c\u00edtara (n\u00e3o confundir com a sitar indiana), percuss\u00e3o, violoncelo, fitas, vozes.<br \/>\nRefer\u00eancias: ECM (Micus, Surman), m\u00fasica \u00e9tnica, Musci\/Venosta, m\u00fasica religiosa medieval, Terry Riley, Laraaji.<\/p>\n<p>DER EXPANDER DES FORTSCHRITTS (Alemanha Democr\u00e1tica): \u00c1lbum estreia com o mesmo nome<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/HWONHbUcdLA\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Oriundos de Berlim e destinados a espantar muita gente. M\u00fasicos fabulosos combinam todos os seus talentos na constru\u00e7\u00e3o de labirintos sonoros com m\u00faltiplas entradas\/sa\u00eddas. S\u00edntese de esquisitas manipula\u00e7\u00f5es electr\u00f3nicas com a decad\u00eancia do cabar\u00e9 berlinense, o free-jazz, vozes parasit\u00e1rias e can\u00e7\u00f5es \u00e0 beira da dem\u00eancia. A heterogeneidade completamente assumida e assimilada resultando numa m\u00fasica excitante e verdadeiramente original. A letra de um dos temas \u00e9 retirada de um texto do fil\u00f3sofo Friedrich Nietzsche.<br \/>\nInstrumenta\u00e7\u00e3o: Vozes, fitas, percuss\u00e3o, piano, saxofones, flauta, teclas\/electr\u00f3nica, baixo e guitarra.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias: Cassiber, Goebbels &#038; Harth, Fred Frith, Cabar\u00e9, Dada.<\/p>\n<p>ISTVAN MARTHA (Hungria): T\u00e1mad Asz\u00e9l<\/p>\n<p>Obra de grande f\u00f4lego denominada \u00abDi\u00e1rio de som electr\u00f3nico\u00bb pelo pr\u00f3prio compositor. Longa suite subdividida em v\u00e1rias partes, contando com a participa\u00e7\u00e3o de Marta Sebesty\u00e9n e dos \u00abAmadinda\u00bb, entre dezenas de outros m\u00fasicos importantes da cena underground magiar. \u00c0 semelhan\u00e7a de Boris Kovak, o ponto de partida \u00e9 a m\u00fasica tradicional (neste caso a h\u00fangara), reinterpretada e inserida num contexto actual. Polifonias vocais complexas e grandiosas e um aproveitamento de todos os sons planet\u00e1rios dispon\u00edveis, contribuem para a constru\u00e7\u00e3o de um monumental edif\u00edcio sonoro onde, mais uma vez, imperam as s\u00ednteses de estilos e \u00e9pocas diversificados.<\/p>\n<p>Instrumenta\u00e7\u00e3o: Saxofones, flauta, trompa, shawn (instr. medieval de sopro), vocoder, bateria, guitarra, sintetizadores, trombone, \u00f3rg\u00e3o, violoncelo, sanfona, gaita-de-foles e harpa, mais o quarteto de cordas \u00abMandel\u00bb e o grupo de percuss\u00e3o \u00abAmadinda\u00bb.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias: Toda a m\u00fasica, desde a Idade M\u00e9dia at\u00e9 \u00e0 Idade Digital.<\/p>\n<p>PLASTIC PEOPLE (Checoslov\u00e1quia): Midnight Mouse<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/4xmxX5jlMRQ\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conhecidos pelo nome completo Plastic People of the Universe. J\u00e1 existem e gravam discos h\u00e1 uns bons aninhos. Politicamente empenhados e praticantes de um \u00abjazz\u00bb h\u00edbrido constru\u00eddo \u00e0 base dos sopros e de um velhinho sintetizador anal\u00f3gico \u00abKorg\u00bb. Superam todas as limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas com a originalidade dos arranjos, algures entre Carla Bley e os Henry Cow.<\/p>\n<p>Instrumenta\u00e7\u00e3o: bateria, trombone, baixo, vozes, sintetizador \u00abKorg\u00bb, violino e viola-de-arco electrificados, guitarra, clarinete, clarinete baixo, flauta.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias: Fanfarras, m\u00fasica de feira, Carla Bley, Henry Cow.<\/p>\n<p>KGA (URSS): ZGA<\/p>\n<p>O voc\u00e1bulo \u00abZGA\u00bb s\u00f3 existe na l\u00edngua russa na forma negativa. Num sentido mais lato pode significar \u00abver\u00bb. Os ZGA s\u00e3o niilistas at\u00e9 dizer chega, impenetr\u00e1veis e inc\u00f3modos. O \u00e1lbum foi gravado ao vivo num apartamento na cidade de Riga e consta basicamente de ru\u00eddo mais ou menos controlado com incurs\u00f5es na m\u00fasica dita industrial. Improvisa\u00e7\u00f5es corrosivas e tortuosas levam a experimenta\u00e7\u00e3o electroac\u00fastica aos limites do intoler\u00e1vel.<\/p>\n<p>Instrumenta\u00e7\u00e3o: Clarinete, Ring Modulator, teclas, objectos de metal, percuss\u00e3o, baixo, bateria, vozes.<\/p>\n<p>Influ\u00eancias assumidas: Biota\/Mnemonists, Cassiber, John Zorn, Nurse With Wound, Henry Kaiser, John Cage, Ned Rothenberg, Luciano Berio.<\/p>\n<p>Glasnost, Perestroika, Gorbachev, Vodka, at\u00e9 para a semana com os Kraftwerk.<\/p>\n<p>Der Expander Des Fortschritts &#8211; Ad Acta (1990), <a href=\"http:\/\/dfiles.eu\/files\/9mx2ugtsm\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/IILSFCOQ7Ss\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BLITZ 6.3.90 VALORES SELADOS A LESTE TUDO DE NOVO N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que novos ventos sopram do Leste. 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