{"id":3159,"date":"2014-12-14T13:27:13","date_gmt":"2014-12-14T20:27:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3159"},"modified":"2014-12-14T13:30:55","modified_gmt":"2014-12-14T20:30:55","slug":"faust-as-estrategias-do-diabo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2014\/12\/14\/faust-as-estrategias-do-diabo\/","title":{"rendered":"Faust &#8211; As Estrat\u00e9gias do Diabo"},"content":{"rendered":"<p>Blitz<\/p>\n<p>17.10.89<br \/>\nVALORES SELADOS<\/p>\n<p>FAUST<br \/>\nAS ESTRAT\u00c9GIAS DO DIABO<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/faust.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/faust-300x294.jpg\" alt=\"faust\" width=\"300\" height=\"294\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3160\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/faust-300x294.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/faust-100x98.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/faust.jpg 499w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Se h\u00e1 grupo que nos \u00faltimos 30 anos de m\u00fasica popular, soube guardar ciosamente os seus segredos, esse grupo foi certamente o dos Faust. Os seus membros sempre se esconderam num secretismo cerrado, ficando para a Hist\u00f3ria os discos e as raras apari\u00e7\u00f5es ao vivo. Nestas \u00faltimas, conta quem viu, costumavam tocar na penumbra e rodeados de televisores ligados. Para se entreterem enquanto tocavam, diziam. Se a sua pr\u00f3pria actua\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhes agradava especialmente, limitavam-se pura e simplesmente a abandonar os instrumentos e a ver calmamente os seus programas preferidos.<br \/>\nMas a lenda foi constru\u00edda gra\u00e7as aos discos que gravaram. Em todos eles os Faust deixaram bem impressa a marca do g\u00e9nio. Entre 71 e 73 editaram quatro \u00e1lbuns, correspondendo a outras tantas obras-primas. 16 anos depois da sa\u00edda de \u00abFaust IV\u00bb, com que encerraram a sua exist\u00eancia oficial, poucos grupos de poder\u00e3o orgulhar de terem alcan\u00e7ado os n\u00edveis de qualidade absoluta e originalidade radical que estes germ\u00e2nicos lograram atingir.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>A Torre de Babel<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil definir a sua m\u00fasica. A audi\u00e7\u00e3o de cada um dos discos revela-nos uma s\u00edntese de influ\u00eancias t\u00e3o diversas como a can\u00e7\u00e3o pop, a m\u00fasica concreta, o free jazz, as sonoridades cl\u00e1ssicas ou um humor corrosivo filiado na tradi\u00e7\u00e3o Zappa. Todos estes registos s\u00e3o unificados e filtrados por uma abordagem espec\u00edfica e \u00fanica para a \u00e9poca, traduzida numa utiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria das t\u00e9cnicas de mistura e grava\u00e7\u00e3o. Os Faust foram o primeiro grupo a utilizar o est\u00fadio como instrumento musical. A sua m\u00fasica \u00e9 uma gigantesca colagem de sons desmontados e voltados a montar as vezes necess\u00e1rias at\u00e9 se atingir o resultado pretendido: uma m\u00fasica extremamente diversificada e complexa e, no entanto, perfeitamente coerente. O segredo dos Faust est\u00e1 na arte de juntar e harmonizar sons e palavras aparentemente irreconcili\u00e1veis. O 1.\u00ba \u00e1lbum chamava-se simplesmente \u00abFaust\u00bb. Foi editado em 71 e provocou a perplexidade total. A come\u00e7ar pela capa e terminando na m\u00fasica, tudo era diferente do que at\u00e9 ent\u00e3o era suposto um grupo pop fazer. A capa e o vinil eram totalmente transparentes, sobre os quais aparecia a radiografia de um punho fechado. Esta 1.\u00aa edi\u00e7\u00e3o esgotou rapidamente sendo a capa das edi\u00e7\u00f5es seguintes j\u00e1 em cart\u00e3o. Anos mais tarde a Recommended Records reeditava o disco com a capa original. Mas se a capa era original, que dizer da m\u00fasica? Era a grande pedrada no charco. O que os nossos ouvidos escutaram n\u00e3o se parecia com nada a que estiv\u00e9ssemos habituados. Era o 1.\u00ba grande golpe desferido nas conven\u00e7\u00f5es e tabus do Rock. O \u00e1lbum abre com \u00abWhy don\u2019t you eat carrots\u00bb: sobre uma massa electr\u00f3nica zunindo de canal em canal, soavam os estertores finais de \u00abAll you need is love\u00bb e \u00abSatisfaction\u00bb, dos dois grandes mitos da \u00e9poca, os Beatles e os Stones. Sucediam-se rapidamente um solo de piano desafinado, gritos, sons de motorizada ou algo parecido, at\u00e9 o tema entrar em for\u00e7a de forma n\u00e3o menos esquisita. O 2.\u00ba tema, \u00abMeadow Meal\u00bb, cheio de reverbera\u00e7\u00f5es e jogos de palavras, passava por um rock ultra pesado, terminando com um \u00f3rg\u00e3o de pedais soando melancolicamente sobre sons de trovoada. O 2.\u00ba lado \u00e9 ocupado na \u00edntegra por \u00abMiss Fortune\u00bb, tocado ao vivo em est\u00fadio e absolutamente indescrit\u00edvel. A ideia geral \u00e9 a de que todos os m\u00fasicos se encontravam em adiantado estado de embriaguez. Pelo meio aparecem algumas melodias dos Beach Boys, tocadas em serra el\u00e9ctrica. Um espanto e um directo bem dirigido aos preconceitos reinantes na \u00e9poca dos sinfonismos e progressismos v\u00e1rios. Em 72 \u00e9 editado o \u00e1lbum seguinte \u00abSo Far\u00bb. Desta vez \u00e9 tudo em negro: capa, disco e r\u00f3tulo central, sem qualquer informa\u00e7\u00e3o. A vers\u00e3o original continha uma s\u00e9rie de gravuras alusivas a cada um dos temas. \u00abSo Far\u00bb \u00e9 ainda mais estranho e diversificado que o seu antecessor. Sucedem-se temas magn\u00edficos como \u00abIt\u2019s a Rainy Day, Sunshine Girl\u00bb de uma viol\u00eancia obsessiva, \u00abSo Far\u00bb, mais industrial e amea\u00e7ador que todos os actuais industrialismos juntos, a beleza ac\u00fastica de \u00abOn the Way to Albamae\u00bb, as delirantes par\u00f3dias de \u00abMamie is Blue\u00bb e \u00abI\u2019ve got my car and my TV\u00bb ou o blues degenerado de \u00abIn the Spirit\u00bb. Em 89, \u00abSo Far\u00bb continua \u00e0 frente de quase tudo. Descubram-no, ou\u00e7am-no e pasmem.<\/p>\n<p>Os anos da virgindade<\/p>\n<p>O grupo assina entretanto pela Virgin, com Richard Branson, nessa \u00e9poca, apenas preocupado em contratar todos os nomes importantes da m\u00fasica vanguardista europeia. O 1.\u00ba trabalho editado j\u00e1 com o novo selo \u00e9 \u00abThe Faust Tapes\u00bb, como o nome indica, uma recolha de material original n\u00e3o inclu\u00eddo nos dois primeiros \u00e1lbuns. \u00c9 uma colagem sonora nonstop, 42 minutos de inspirad\u00edssima loucura, exemplo paradigm\u00e1tico do estilo e do g\u00e9nio do grupo. Os g\u00e9neros mais heterog\u00e9neos sucedem-se numa cad\u00eancia delirante, fazendo deste disco um precursor das t\u00e9cnicas posteriormente utilizadas, em novo contexto, por John Zorn. Experimentalismo radical, truques de grava\u00e7\u00e3o e mistura espantosos e melodias do outro mundo tornam \u00abThe Faust Tapes\u00bb numa pe\u00e7a fundamental da m\u00fasica do nosso s\u00e9culo. O disco termina com a recita\u00e7\u00e3o, em franc\u00eas e alem\u00e3o de um texto surrealista, acompanhado unicamente por uma guitarra ac\u00fastica. Parece simples? Escutem o resultado e abram a boca de espanto. Os Faust faziam maravilhas com os meios mais ex\u00edguos.<br \/>\n\u00abFaust IV\u00bb \u00e9 editado em 73, de novo pela Virgin. A forma\u00e7\u00e3o original do grupo, at\u00e9 ent\u00e3o constitu\u00edda por Jean-Herv\u00e9 Peron, Werner Diermaier, Joachim Irmler, Arnulf Meifert, Rudolf Sosna e Gunther Wusthoff, dissolve-se, saindo Diermaier, Meifert e Sosna, substitu\u00eddos por Uli Trepte, vindo dos Amon Duul II e Peter Blegvad que viria posteriormente a formar os Slapp Happy.<br \/>\n\u00abFaust IV\u00bb \u00e9 o \u00e1lbum da sedimenta\u00e7\u00e3o de um estilo j\u00e1 ent\u00e3o reconhecido nos meios mais vanguardistas. O som apresenta-se mais limado, a sequ\u00eancia das faixas \u00e9 mais cl\u00e1ssica, o choque \u00e9 menor, em todos os aspectos. \u00abKrautrock\u00bb, uma divertida cr\u00edtica ao ent\u00e3o designado \u00abRock Alem\u00e3o\u00bb ou \u00abThe Sad Skinhead\u00bb, mais uma melodia perfeita das muitas que o grupo comp\u00f4s, s\u00e3o dois momentos significativos de um \u00e1lbum \u00e0 altura dos anteriores.<\/p>\n<p>A lenda de Fausto<\/p>\n<p>Com \u00abFaust IV\u00bb fechava-se um cap\u00edtulo de ouro, escrito em apenas tr\u00eas anos por um grupo inesquec\u00edvel. Nesses tr\u00eas anos os Faust tinham revolucionado toda a m\u00fasica popular. Os motivos da dissolu\u00e7\u00e3o nunca foram tornados p\u00fablicos. O mist\u00e9rio mantinha-se at\u00e9 ao fim. Ficaram a lenda e algumas colabora\u00e7\u00f5es dispersas de alguns dos seus membros. \u00abOutside the Dream Syndicate\u00bb do radical Tony Conrad ou a grava\u00e7\u00e3o original do 1.\u00ba \u00e1lbum dos Slapp Happy s\u00e3o as que merecem maior destaque. A partir de a\u00ed foi o sil\u00eancio.<br \/>\nFoi necess\u00e1rio esperar at\u00e9 1986, ano em que a Recommended edita \u00abReturn of a Legend-Music &#038; Elsewhere\u00bb, com material in\u00e9dito gravado j\u00e1 ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o do grupo. Finalmente, em 88, a mesma Recommended edita ainda \u00abThe Last LP\u00bb tamb\u00e9m conhecido como \u00abThe Party Album\u00bb, com honras de vers\u00e3o em CD. Este derradeiro testemunho dos lend\u00e1rios germ\u00e2nicos cont\u00e9m ainda alguns originais al\u00e9m de novas misturas de temas antigos. Ambos os discos s\u00e3o indispens\u00e1veis para a compreens\u00e3o o alcance e da influ\u00eancia decisiva que os Faust exerceram na m\u00fasica do nosso tempo.<br \/>\nHoje t\u00eam dignos continuadores nos Residents e nos Negativland. O canadiano Jocelyn Robert tamb\u00e9m se pode considerar como um dos seus mais brilhantes disc\u00edpulos, levando \u00e1s \u00faltimas consequ\u00eancias a arte da colagem sonora. Ainda uma refer\u00eancia para os Biota e a sua est\u00e9tica do ru\u00eddo harmonioso. Foi pois a Am\u00e9rica quem melhor soube compreender a li\u00e7\u00e3o dos mestres. Os comp\u00eandios est\u00e3o dispon\u00edveis para todos os interessados.<br \/>\nPara a semana Daevid Allen e o seu planeta Gong.<\/p>\n<p>The Faust Tapes: <a href=\"https:\/\/yadi.sk\/d\/oLMnSYNZcuKQH\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/BrnBIMJhvnA\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blitz 17.10.89 VALORES SELADOS FAUST AS ESTRAT\u00c9GIAS DO DIABO Se h\u00e1 grupo que nos \u00faltimos 30 anos de m\u00fasica popular, soube guardar ciosamente os seus segredos, esse grupo foi certamente o dos Faust. Os seus membros sempre se esconderam num secretismo cerrado, ficando para a Hist\u00f3ria os discos e as raras apari\u00e7\u00f5es ao vivo. Nestas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[231,836,835,65,16],"tags":[470],"class_list":["post-3159","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-alemaes","category-artigos-1989","category-blitz","category-krautrock","category-progressivo","tag-faust"],"views":2635,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3159","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3159"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3159\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3161,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3159\/revisions\/3161"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3159"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3159"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3159"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}