{"id":3155,"date":"2014-12-13T08:59:38","date_gmt":"2014-12-13T15:59:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3155"},"modified":"2014-12-13T09:01:53","modified_gmt":"2014-12-13T16:01:53","slug":"magma-a-musica-do-fogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2014\/12\/13\/magma-a-musica-do-fogo\/","title":{"rendered":"Magma &#8211; A M\u00fasica Do Fogo"},"content":{"rendered":"<p>Blitz<\/p>\n<p>10.10.89<br \/>\nVALORES SELADOS<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>MAGMA<br \/>\nA M\u00daSICA DO FOGO<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/magma.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/magma-300x227.jpg\" alt=\"magma\" width=\"300\" height=\"227\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3156\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/magma-300x227.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/magma-100x75.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/magma.jpg 404w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da m\u00fasica popular contempor\u00e2nea est\u00e1 repleta de mitos. Uns para sempre irradiando gl\u00f3ria do alto dos seus pedestais, erigidos pelas multid\u00f5es. \u00c9 o pante\u00e3o oficial dos consagrados. Depois h\u00e1 os outros, t\u00e3o ou mais importantes do que aqueles; os malditos, sempre incompreendidos, sempre mais \u00e0 frente dos restantes. As massas passam ao seu lado sem os verem, exceptuando uma minoria mais atenta que sabe distinguir a marca dos eleitos. Dos deuses, n\u00e3o dos humanos.<br \/>\nOs Magma pertencem a esta categoria. S\u00e3o obscuros e grandiosos. Christian Vander, o seu l\u00edder e mentor espiritual de sempre, \u00e9 das figuras mais importantes e enigm\u00e1ticas que t\u00eam atravessado o universo musical do nosso s\u00e9culo. G\u00e9nio para uns, louco para outros, \u00e9 talvez ambas as coisas. A sua obra ergue-se num monumento definitivo \u2013 Constru\u00e7\u00e3o musical e ideol\u00f3gica perfeitamente homog\u00e9nea e coerente. A m\u00fasica de Vander \u00e9 UNA e UMA. Hist\u00f3ria intemporal com v\u00e1rios cap\u00edtulos correspondentes a outros tantos discos. Hist\u00f3ria da Luz e das Trevas. Da guerra e da serenidade. De todas as lutas e contradi\u00e7\u00f5es. Se h\u00e1 uma m\u00fasica que reflecte na perfei\u00e7\u00e3o esta dial\u00e9ctica entre pares de opostos tem\u00e1ticos, est\u00e9ticos e ideol\u00f3gicos, ela \u00e9 a dos Magma. E a prova de que a Utopia \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>DOS DEUSES E DOS HOMENS<\/p>\n<p>Mas comecemos pelo princ\u00edpio. Christian Vander \u00e9 franc\u00eas e Kabaiano. Confusos? Eu explico. Para Vander as linguagens convencionais n\u00e3o chegam. A sua \u00fanica linguagem \u00e9 a da desmesura, do hero\u00edsmo exacerbado, da demanda do Absoluto. Assim, inventou um mundo, um universo, com a sua l\u00edngua pr\u00f3pria, a sua hist\u00f3ria, os seus \u00f3dios e amores. O mundo de Kobaia, em cuja l\u00edngua (inventada por Vander) s\u00e3o cantados todos os discos dos Magma. Vander chegou mesmo a pensar escrever um dicion\u00e1rio Franc\u00eas-Kobaiano. N\u00e3o sei se o chegou a fazer.<br \/>\nE os discos, estar\u00e3o \u00e0 altura da personagem? Absolutamente. Poderemos compreend\u00ea-los melhor se conhecermos os seus her\u00f3is. S\u00e3o eles Nietzsche, Wagner, Hammill e Coltrane. Aos dois primeiros deve as concep\u00e7\u00f5es totalit\u00e1rias e o paganismo presentes em toda a sua obra. De Nietzsche em particular as suas teorias sobre o super-homem. De Wagner ret\u00e9m as suas no\u00e7\u00f5es oper\u00e1ticas. De Hammill e Coltrane o lirismo apaixonante e a dimens\u00e3o vision\u00e1ria. Tudo isto junto valeu-lhe o apelido de fascista. O s\u00edmbolo que escolheu para os Magma e sobretudo para a capa do seu primeiro \u00e1lbum, tamb\u00e9m n\u00e3o ajudaram. O s\u00edmbolo representava uma esp\u00e9cie de garra, a mesma que na capa esmaga uma multid\u00e3o em p\u00e2nico. No interior, um desenho dos membros do grupo fazendo estranhas sauda\u00e7\u00f5es a um sol negro.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>O UNIVERSO DE KOBAIA<\/p>\n<p>\u00abMagma\u00bb de 1970 \u00e9 tamb\u00e9m o t\u00edtulo deste 1.\u00ba \u00e1lbum, um duplo magistral, obra \u00edmpar da d\u00e9cada que n\u00e3o se iniciava. Sons oper\u00e1ticos, jazz-rock sem concess\u00f5es e ritmos militaristas aliam-se a uma energia inesgot\u00e1vel. Num dos temas, Vander discursa \u00e0 maneira de Hitler, num dia de maior histeria. A tem\u00e1tica do \u00e1lbum refere-se \u00e0 odisseia do povo de Kobaia, o planeta da Beleza, Bondade e Sabedoria, amea\u00e7ado por mil perigos. \u00abThaud Zaia\u00bb, \u00abAurae\u00bb ou \u00abSckxyss\u00bb s\u00e3o nomes belos e estranhos para uma m\u00fasica ainda mais bela e totalmente fora do vulgar. Acompanham Vander, nesta aventura, alguns excelentes m\u00fasicos, com destaque para o pianista Fran\u00e7ois Cahen, o saxofonista Teddy Lasry, o baixista Francis Moze e o vocalista Klaus Blasquiz. Em 1971 \u00e9 editado o \u00e1lbum seguinte, \u00ab1001.\u00ba centigrades\u00bb &#8211; temperatura a que o magma vulc\u00e2nico s\u00e3o do interior da Terra. Vulc\u00e2nico \u00e9 tamb\u00e9m \u00abRiah Sahiltaahk\u00bb, tema que ocupa todo o lado A, r\u00e9plica de Vander ao fabuloso \u00abA Plague of Lighthouse Keepers\u00bb, composto por Peter Hammill para a obra-prima \u00abPawn Hearts\u00bb, dos Van Der Graaf Generator, editada nesse mesmo ano. Onde nos Van Der Graaf a energia \u00e9 inerente e subjugada pela palavra po\u00e9tica de Hammill, nos Magma \u00e9 o vulc\u00e3o em plena actividade. Juntaram-se ao colectivo mais um saxofonista, Jeff Seffer e um trompetista. Os metais sempre foram, de resto, fundamentais na estrutura sonora do grupo, constituindo-se como um dos principais destacamentos do ex\u00e9rcito comandado por Vander.<\/p>\n<p>OS COMANDOS DA DESTRUI\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/magma2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/magma2-300x294.jpg\" alt=\"magma2\" width=\"300\" height=\"294\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3157\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/magma2-300x294.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/magma2-100x98.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/magma2.jpg 502w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 73 \u00e9 editado \u00abMekanik Destruktiw Kommandoh\u00bb, o \u00e1lbum mais conhecido do grupo, primeiro editado em Inglaterra, com o selo A&#038;M. \u00c9 o 3.\u00ba movimento da trilogia \u00abTheusz Hamtaahk\u00bb &#8211; o julgamento da humanidade, culpada dos crimes de crueldade, desonestidade, inutilidade e falta de humanidade, segundo a palavra do profeta Nebehr Gudahtt, inspirado pelo esp\u00edrito do Universo. Vem-nos \u00e0lembran\u00e7a \u00abDune\u00bb, obra ali\u00e1s cuja vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica realizada por David Lynch esteve para ser musicada por Vander. O \u00e1lbum assinala a entrada no grupo da sua mulher Stella, com a sua voz soprano de diva alucinada. Stella \u00e9 a estrela deste disco. Sozinha ou acompanhada, em longas invoca\u00e7\u00f5es culminando numa histeria colectiva. Imaginem Diamanda Galas integrada num coro, invocando estranhos deuses. \u00c9 mais ou menos isso. A grande falha do disco est\u00e1 nu defeito das grava\u00e7\u00f5es originais, problema que Vander, na altura, se viu impossibilitado de solucionar. A sec\u00e7\u00e3o r\u00edtmica formada pelo baixo e bateria \u00e9, em algumas partes, praticamente inaud\u00edvel. Conv\u00e9m aqui esclarecer que Christian Vander, al\u00e9m de grande compositor \u00e9 um fenomenal baterista, aliando uma t\u00e9cnica perfeita a uma energia quase desumana.<\/p>\n<p>MUNDOS VULC\u00c2NICOS<\/p>\n<p>\u00abKohntarkosz\u00bb de 1974 \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o, mais instrumental, de \u00abMekanik\u00bb. \u00c9 tamb\u00e9m o titulo da composi\u00e7\u00e3o-chave, meia-hora orgi\u00e1stica, com todos os instrumentos contribuindo para a cria\u00e7\u00e3o de um clima grandioso e angustiante. A m\u00fasica e intensidade opressiva ergue-se a alturas talvez s\u00f3 atingidas novamente por Hammill em \u00abIn Camera\u00bb, na sequ\u00eancia \u00abGog\/Magog\u00bb. Jannik Top entrara entretanto para os Magma e seria o \u00fanico a aguentar at\u00e9 ao fim a pedalada de Vander. As sonoridades convulsivas do seu baixo e violoncelo e a entusi\u00e1stica ades\u00e3o \u00e0s ideias do mestre tornaram de imediato Top numa pe\u00e7a fundamental para a m\u00fasica do grupo. Por esta altura Top e Vander formavam a Uniweria Zekt, associa\u00e7\u00e3o global, aglutinadora de todos os pressupostos est\u00e9ticos e ideol\u00f3gicos do universo constru\u00eddo pelo m\u00fasico franc\u00eas. O \u00e1lbum inclu\u00eda ainda \u00abOrk Alarm\u00bb, da autoria de Top, descrevendo o combate entre os povos de Kobaia e Ork, o planeta cujos habitantes estavam para as m\u00e1quinas como estas est\u00e3o para os humanos. O tema \u00e9 literalmente arrasador. O \u00e1lbum termina com \u00abColtrane Sundia\u00bb, pungente homenagem de Vander a um dos seus mestres espirituais.<br \/>\n\u00c9 editado entretanto o duplo ao vivo \u00abMagma Live\u00bb, demonstra\u00e7\u00e3o exemplar da energia libertada pelo grupo nas suas presta\u00e7\u00f5es em palco, em actua\u00e7\u00f5es que chegavam a durar perto de oito horas.<br \/>\n1976 v\u00ea surgir \u00abUdu Wudu\u00bb. O 1.\u00ba lado \u00e9 totalmente ocupado pela suite \u00abDe Futura\u00bb com os Magma reduzidos ao trio Vander\/Top\/Blasquiz. \u00c9 um tour de force r\u00edtmico, em cont\u00ednuo crescendo. 18 minutos de lava sonora a transbordar culminando num \u00eaxtase absolutamente indescrit\u00edvel. Neste disco eram utilizados pela 1.\u00aa vez os sintetizadores. A electr\u00f3nica predominava j\u00e1 no \u00e1lbum seguinte \u00abAttahk\u00bb que nada adiantava em rela\u00e7\u00e3o a obras anteriores.<\/p>\n<p>O CREP\u00daSCULO DO HER\u00d3I<\/p>\n<p>A partir daqui Vander perde-se em misticismos insond\u00e1veis. \u00abMerci\u00bb e \u00abOffering\u00bb apontam decididamente para direc\u00e7\u00f5es mais jazz\u00edsticas e contemplativas. Vander trocava progressivamente a bateria pelo piano, dando especial \u00eanfase ao trabalho de orquestra\u00e7\u00e3o. Gravou ainda tr\u00eas \u00e1lbuns a solo: \u00abTristan et Iseult\u00bb, ainda no tempo \u00e1ureo dos Magma, \u00abFiesta in Drums\u00bb e o recente \u00abTo Love\u00bb, aut\u00eantica anedota, com o antigo baterista cantando esgani\u00e7adamente baladas de uma espiritualidade balofa, acompanhadas ao piano. O resultado \u00e9, no m\u00ednimo, confrangedor.<br \/>\nFicam um passado glorioso e as funda\u00e7\u00f5es de uma escola que n\u00e3o tem parado de formar novos disc\u00edpulos, dos quais os mais brilhantes s\u00e3o hoje os franceses Art Zoyd e os belgas Univers Zero.<br \/>\nPara a semana ficaremos na Alemanha, com os Faust.<\/p>\n<p>Magma &#8211; Kobaia (1970) &#8211; <a href=\"http:\/\/www.mediafire.com\/download\/nznwthmvjvu\/Koba%C3%AFa.rar\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/Lo0FxtTceTI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blitz 10.10.89 VALORES SELADOS MAGMA A M\u00daSICA DO FOGO A hist\u00f3ria da m\u00fasica popular contempor\u00e2nea est\u00e1 repleta de mitos. 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