{"id":311,"date":"2009-04-25T08:33:14","date_gmt":"2009-04-25T15:33:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=311"},"modified":"2009-04-25T08:33:14","modified_gmt":"2009-04-25T15:33:14","slug":"amancio-prada-a-proposito-da-edicao-de-%e2%80%9cde-mar-e-terra%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2009\/04\/25\/amancio-prada-a-proposito-da-edicao-de-%e2%80%9cde-mar-e-terra%e2%80%9d\/","title":{"rendered":"Amancio Prada, a Prop\u00f3sito da Edi\u00e7\u00e3o de \u201cDe Mar E Terra\u201d"},"content":{"rendered":"<p>07.07.2000<br \/>\nAmancio Prada, a Prop\u00f3sito da Edi\u00e7\u00e3o de \u201cDe Mar E Terra\u201d<br \/>\n\u201cCantar \u00c9 Uma Forma de Oferecer A Alma\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/amancioprada_demar.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/amancioprada_demar.jpg\" alt=\"amancioprada_demar\" title=\"amancioprada_demar\" width=\"232\" height=\"230\" class=\"alignnone size-full wp-image-312\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/amancioprada_demar.jpg 232w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/amancioprada_demar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 232px) 100vw, 232px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/126649951\/Amancio_Prada_-_Canciones_de_amor_y_celda__1987_.rar\" target=\"_blank\">LINK<\/a> (Canciones de Amor y Celda)<\/p>\n<p>Amancio Prada, trovador do mil\u00e9nio, voz m\u00edtica do canto na Galiza. \u201cCanto os poemas que dizem o que eu sinto e o que penso\u201d. O novo \u00e1lbum, \u201cDe Mar e Terra\u201d \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o, 23 anos depois, do imortal \u201cCaravel de Caraveles\u201d, um dos emblemas da alma galega.<\/p>\n<p>\u201cUma noite no moinho, uma noite n\u00e3o \u00e9 nada. Uma semana inteira, isso sim \u00e9 moinhada.\u201d O verso, aqui traduzido para portugu\u00eas, do tema \u201cUna noite no muino\u201d, de \u201cCaravel de Caraveles\u201d, perdura na mem\u00f3ria dos que verdadeiramente amam a m\u00fasica tradicional da Galiza. Fala de um tempo e de costumes antigos. Da tradi\u00e7\u00e3o oral com a qual Amancio Prada nunca perdeu inteiramente o contacto, apesar da sua discografia posterior o confirmar como um compositor-int\u00e9rprete para quem, acima de tudo, importa a fo\u00e7a e a beleza da palavra po\u00e9tica. \u201cO meu trabalho consiste essencialmente em compor m\u00fasica sobre as palavras, n\u00e3o s\u00f3 de poetas galegos como castelhanos\u201d, declarou o m\u00fasico ao P\u00daBLICO por ocasi\u00e3o da sua \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o em Portugal, h\u00e1 pouco mais de uma semana, no castelo de S. Jorge, num espect\u00e1culo intitulado segundo um poema do trovador galaico-portugu\u00eas Jo\u00e3o Zorro, \u201cEm Lisboa sobre o Mar\u201d, comparando o seu estatuto ao de outros cantores espanh\u00f3is como Paco Ibanez e Joaqu\u00edn Diaz. Trovador, sim, mas \u201cafastado das gelosias e dos castelos antigos\u201d.<br \/>\n\u201cCanto os poemas que dizem o que eu sinto, o que eu penso, e que n\u00e3o saiba como dizer\u201d, explica, apontando um processo de \u201capropria\u00e7\u00e3o\u201d, este cantor e compositor para quem \u201ccantar \u00e9 uma forma de oferecer a alma\u201d. \u201cNo fundo, a poesia n\u00e3o \u00e9 dos poetas, os poetas s\u00e3o instrumentos da poesia, como a voz ou uma guitarra s\u00e3o instrumentos da m\u00fasica\u201d, diz Amancio Prada, ao mesmo tempo que confessa a sua admira\u00e7\u00e3o pelos poetas portugueses Antero de Quental e, sobretudo, Florbela Espanca, que o cantor ouviu pela primeira vez recitada por Eunice Munoz.<br \/>\n\u201cDe Mar e Terra\u201d recupera de novo as \u201ccoplas de tradic\u00edon oral\u201d, desta feita recriadas e adaptadas por Amancio Prada na companhia de Luis Delgado. O \u00e1lbum \u00e9 dedicado a Te\u00f3filo Caamano, \u201cviajero errante y perpetuo, gallego hasta la m\u00e9dula, marinero, idealista, rojo, rebelde y noble\u201d. Um \u00e1lbum belo e comovente, em que a voz e a sanfona (cuja t\u00e9cnica lhe foi ensinada por Alejandro Mass\u00f3, um dos m\u00fasicos presentes em \u201cCaravel de Caraveles\u201d) de novo se casam com as profundezas, a luz e a simplicidade da poesia popular.<br \/>\nA mesma poesia popular que Amancio Prada encontra em Rosalia de Castro: \u201cEla escrevia com base em versos tradicionais de cantares populares, uma poesia escrita num galego muito simples e sens\u00edvel, coloquial, nada rebuscado, uma poesia impregnada da paisagem, tamb\u00e9m, de certa forma, m\u00edstica, pante\u00edsta.\u201d<br \/>\nAmancio Prada encontra em si pr\u00f3prio essa mesma faceta m\u00edstica, embora a par de uma costela \u201cpicaresca\u201d, como confessa com um sorriso, e de ter o \u201ccora\u00e7\u00e3o na esquerda\u201d. \u201cA ideologia \u00e9 apenas um entre v\u00e1rios aspectos que abordo de forma n\u00e3o obsessiva, talvez o meu disco mais politizado seja o primeiro, \u2018Vida e Morte\u2019 (1974), que, inclusive, tinha uma can\u00e7\u00e3o que foi censurada em Espanha.<br \/>\nFaz suas as palavras de Ant\u00f3nio Machado: \u201cA p\u00e1tria \u00e9 a terra que se pisa, a terra que se trabalha.\u201d E \u201ccantar numa determinada l\u00edngua\u201d, diz, \u201cpode ser mais patri\u00f3tico do que muitas declara\u00e7\u00f5es de princ\u00edpio e, com certeza, muito mais do que a for\u00e7a das pistolas.\u201d<br \/>\nRosalia de Castro, poetisa nacional da Galiza, que Amancio Prada cantou em \u201cRosas a Rosalia\u201d (1998, com participa\u00e7\u00f5es vocais de Maria Del Mar Bonnet e da portuguesa Am\u00e9lia Muge), o autor medieval S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz (em \u201cC\u00e2ntico Espiritual\u201d, \u201co mais formoso poema, sobre o amor divino ou humano, que se escreveu em espanhol\u201d, nas palavras do cantor), Alvaro Cunqueiro (em \u201cA Dama e o Cabaleiro\u201d, de 1987), Augustin Garc\u00eda Calvo (em \u201cCanciones y Soliloquios\u201d, 1982) e Manuel Vicent (em \u201cNavegando la Noche\u201d, 1988) s\u00e3o alguns dos poetas presentes na obra gravada deste cantor natural de Le\u00e3o que a Galiza adoptou como seu filho.<br \/>\nE Antonio Machado, por quem Amancio Prada nutre especial admira\u00e7\u00e3o, apesar de ter cantado apenas dois poemas da sua autoria, um inclu\u00eddo em \u201cCanciones de Amor y Celda\u201d e \u201cSonei que tu me levavas\u201d. \u201c\u00c9 como Fernando Pessoa, a sua poesia est\u00e1 impregnada de pensamento.\u201d<br \/>\n\u201cCanta-se aquilo que se perde, escreveu Antonio Machado. Amancio Prada cita-a a prop\u00f3sito da sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica tradicional. \u201cTanto \u2018Caravel de Caraveles\u2019 como \u2018De Mar e Terra\u2019 n\u00e3o s\u00e3o fruto de uma investiga\u00e7\u00e3o, mas retratos da minha vida, da minha lama. Hoje em dia, canta-se cada vez menos, apear de estarmos rodeados de m\u00fasica por todos os lados. Para mim, o importante \u00e9 o espa\u00e7o, a luz e o sil\u00eancio, tr\u00eas coisas cada vez mais dif\u00edceis de encontrar, sobretudo o sil\u00eancio\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>07.07.2000 Amancio Prada, a Prop\u00f3sito da Edi\u00e7\u00e3o de \u201cDe Mar E Terra\u201d \u201cCantar \u00c9 Uma Forma de Oferecer A Alma\u201d LINK (Canciones de Amor y Celda) Amancio Prada, trovador do mil\u00e9nio, voz m\u00edtica do canto na Galiza. \u201cCanto os poemas que dizem o que eu sinto e o que penso\u201d. 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