{"id":3077,"date":"2012-03-17T09:26:46","date_gmt":"2012-03-17T16:26:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3077"},"modified":"2012-03-17T09:29:04","modified_gmt":"2012-03-17T16:29:04","slug":"bernardo-devlin-sonhos-no-salao-preto-e-prata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2012\/03\/17\/bernardo-devlin-sonhos-no-salao-preto-e-prata\/","title":{"rendered":"Bernardo Devlin &#8211; Sonhos No Sal\u00e3o Preto e Prata"},"content":{"rendered":"<p><strong>06.02.2004<\/strong><br \/>\n<strong><br \/>\nBernardo Devlin<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sonhos No Sal\u00e3o Preto e Prata<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/bDevlin1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/bDevlin1.jpeg\" alt=\"\" title=\"bDevlin\" width=\"500\" height=\"359\" class=\"alignnone size-full wp-image-3079\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/bDevlin1.jpeg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/bDevlin1-300x215.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ld2YWdQpL7o\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Nas nove implos\u00f5es de \u201cCirca 1999\u201d, Bernardo Devlin pinta telas da mente para observar com a luz baixa. Quem j\u00e1 ouviu \u201cTilt\u201d, de Scott Walker, deve munir-se da mesma lanterna.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/bDevlin.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/bDevlin.jpeg\" alt=\"\" title=\"bDevlin\" width=\"171\" height=\"150\" class=\"alignnone size-full wp-image-3078\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cCirca 1999 (9 implos\u00f5es)\u201d \u00e9 um disco estranho. O seu autor, Bernardo Devlin, antigo elemento dos Osso Ex\u00f3tico, n\u00e3o lhe fica atr\u00e1s. \u201cCirca 1999\u201d \u00e9 o seu terceiro trabalho a solo, depois de \u201cWorld Freehold\u201d e \u201cAlbedo\u201d. A capa \u00e9 prateada, como um espelho, e o livrete inclui um caderno de folhas coloridas, sem qualquer texto \u2013 as cores, explica Devlin, correspondem a estados de esp\u00edrito, a sua sequ\u00eancia aludindo \u00e8 estrutura completa do disco.<br \/>\nA m\u00fasica \u00e9 uma tape\u00e7aria densa de texturas electr\u00f3nicas e elementos ac\u00fasticos que contaram com a participa\u00e7\u00e3o dos convidados Jos\u00e9 Ernesto Rodrigues (violino), Nuno Le\u00e3o e Pedro Louren\u00e7o (guitarras adaptadas), Lu\u00eds Filipe Valentim (piano), Lu\u00edsa Gon\u00e7alves (sintetizador), Miguel Sintra (percuss\u00e3o), Oliver Vogt (saxofone tenor), Damiano Tonegutti (obo\u00e9) e o quarteto de cordas Opus 4. V\u00edtor Rua, dos Telectu, responsabilizou-se pelos arranjos e direc\u00e7\u00e3o de cordas. Soa a m\u00fasica de c\u00e2mara de fantasmas (ou fantasias?), acentuada pelas vocaliza\u00e7\u00f5es semi-declamadas de Devlin, de textos nalguns casos impenetr\u00e1veis que falam de luzes, vis\u00f5es e paix\u00f5es geladas. Do tempo e da comunica\u00e7\u00e3o\/incomunica\u00e7\u00e3o com o outro. E com o espelho.<br \/>\nOlhos v\u00edtreos, cortados por uma tesoura, como no filme de Bunuel, em \u201cUn Chien Andalou\u201d. A luz das estrelas e da morgue. Do espa\u00e7o sideral e de um quarto onde \u00e9 imposs\u00edvel dormir. Um faroleiro aparece misteriosamente num dos temas&#8230; Como se fosse \u201cA plague of lighthouse keepers\u201d, \u201ca praga dos faroleiros\u201d, o \u00e9pico de Peter Hammill, m\u00fasico com quem Devlin mant\u00e9m afinidades estticas. E \u201cTilt\u201d, outra refer\u00eancia de \u201cCirca\u201d, do Scott Walker inating\u00edvel&#8230; Devlin fala \u201c\u00e0 altura dos olhos\u201d, t\u00edtulo de uma das can\u00e7\u00f5es de \u201cCirca 1999\u201d.<br \/>\n\u201cCirca 1999\u201d convoca as mem\u00f3rias desse ano, 1999, \u201cem que a maioria das can\u00e7\u00f5es foram escritas\u201d mas tamb\u00e9m marcado por \u201cuma s\u00e9rie de adversidades que tiveram de ser superadas\u201d. As \u201cnove implos\u00f5es\u201d do subt\u00edtulo indicam essa viagem para dentro. \u201cO disco preenche um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o de uma atitude mais rom\u00e2ntica, ou ultra-rom\u00e2ntica, para um estado de esp\u00edrito diferente, mais racional\u201d.<\/p>\n<p>Para Ouvir No Escuro<br \/>\nMergulha-se na m\u00fasica de \u201cCirca\u201d como numa tina de merc\u00fario congelado. Os movimentos tornam-se dif\u00edceis, a b\u00fassola deixa de funcionar. \u201cA diferen\u00e7a entre o exterior e o interior \u00e9 muito t\u00e9nue\u201d. E pode ser \u201ccomplicado entrar\u201d, diz Devlin pausadamente, \u201cmuito complicado&#8230;\u201d.<br \/>\nResta ao ouvinte inventar as suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias a partir das palavras do disco que a raz\u00e3o disseca, ou n\u00e3o, conforme o tipo de viagem que pretenda seguir. A cabe\u00e7a encarregar-se-\u00e1 de escolher o itiner\u00e1rio mais conveniente. \u201cGosto de dar espa\u00e7o \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o\u201d. Liberdade por vezes mais aparente do que real, pois \u201cCirca 1999\u201d esconde armadilhas e outros perigos. \u201cHavia verdade na luz\/ Quando me protegi\/Operam mar\u00e9s na clausura\/ Que do alto vi\/ Foi impress\u00e3o\/ Ou algo acenou\/ Em gesto t\u00e3o real\/ Se elevou\/ Vig\u00edlia\/ De mundo de est\u00e1tua\/ E \u00eaxtases\/ De vision\u00e1rios\/ Em convix\u00e3o\/ Chama de mist\u00e9rios\/ Sem convers\u00e3o\u201d, canta em \u201cNovo alvor\u201d. \u201cVis\u00f5es\u201d que, segundo o seu autor\u201d n\u00e3o fazem necessariamente parte do quotidiano, fora do momento da grande interioriza\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nDevlin fala em \u201cfornecer pistas\u201d e em \u201crefer\u00eancias\u201d. Umas e outras s\u00e3o o que n\u00e3o faltam em \u201cCirca 1999\u201d. \u201cA explica\u00e7\u00e3o \u00e9 muito complicada. \u00c9 mais como uma pessoa quando se lembra de um sonho&#8230; Quando se descreve um determinado sonho a algu\u00e9m est\u00e1-se a dar uma pista extremamente diminuta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que estava contida no momento\u201d. Pistas \u201cverbais\u201d, sem \u201cprinc\u00edpio nem fim\u201d. Num pa\u00eds, Portugal, onde \u201cas pessoas est\u00e3o pouco habituadas a ouvir can\u00e7\u00f5es que tenham um trabalho liter\u00e1rio mais aprofundado\u201d.<br \/>\nAs can\u00e7\u00f5es de \u201cCirca 1999\u201d s\u00e3o como as cores. Dos v\u00e1rios tons de azul ao branco, com choque brusco com o negro e passagem ulterior para o castanho. Do c\u00e9u para a terra. S\u00edmbolos de \u201cum percurso crom\u00e1tico\u201d \u2013 \u201cquase um \u2018travelling\u2019 muito lento\u201d, entre o claro e o escuro. Ou um \u201cp\u00f4r-do-sol\u201d, provavelmente o \u00faltimo antes do \u201cnovo alvor\u201d de que fala a can\u00e7\u00e3o.<br \/>\nScott Walker, Peter Hammill, Syd Barrett, Edward Ka\u2019Spel, dos Legendary Pink Dots. Arautos da alucina\u00e7\u00e3o. Devlin conhece bem a sua obra. \u201cTilt\u201d \u00e9 uma refer\u00eancia, certamente, mas n\u00e3o o vou assumir como um \u00e1lbum-modelo. Percebo a compara\u00e7\u00e3o mas, por outro lado, s\u00e3o coisas distintas, n\u00e3o h\u00e1, de modo algum, qualquer tentativa de recria\u00e7\u00e3o da mesma atmosfera&#8230;\u201d. Psicadelismo? Um dos  temas de \u201cCirca 19992 tem como t\u00edtulo \u201cCirros\u201d. Os Pink Floyd gravaram \u201cCirrus minor\u201d. As nuvens. \u201cn\u00e3o sabia, \u00e9 fant\u00e1stico! Os Floyd, do Syd Barrett, fizeram um disco fant\u00e1stico, \u2018The Piper at the Gates of Dawn\u2019. \u201cHoje em dia j\u00e1 n\u00e3o consigo ficar deslumbrado pelo universo do rock e da pop, mas acredito que se for metido num saco, \u00e9 nesse saco\u201d. Hoje em dia, Bernardo Devlin prefere ouvir m\u00fasica cl\u00e1ssica, \u201cem casa, sozinho\u201d. Rock, sobretudo, \u201cem casa dos amigos\u201d. Pere Ubu e Roxy Music, por exemplo, actualmente at\u00e9 \u201cmais inspiradores\u201d do que Peter Hammill ou Scott Walker.<br \/>\nExiste um lado m\u00e1gico no disco. \u201cO concretizar de algo faz parte de um processo de depura\u00e7\u00e3o extremamente pessoal. A energia \u00e9 posta na concretiza\u00e7\u00e3o dos conceitos em causa. No decorrer desse trabalho h\u00e1 uma simbologia que se vai criando a ela pr\u00f3pria\u201d. As cores? \u201cTamb\u00e9m as cores. Mas n\u00e3o pretendo pintar a mesma tela repetidamente. Interessa-me fazer m\u00fasica que tenha v\u00e1rios n\u00edveis de escuta\u201d.<br \/>\n\u201cCirca 1999 (9 implos\u00f5es)\u201d \u00e9 para se ouvir no escuro. Ou, no m\u00ednimo, \u201ccom as luzes baixas\u201d. Na cabe\u00e7a de Bernardo Devlin agitam-se j\u00e1 outros projectos: Um \u201cno formato 5.1 [som \u201csurround\u201d], chamado \u2018Agio\u2019, de can\u00e7\u00f5es electr\u00f3nicas e, em paralelo, um \u00e1lbum duplo que se chamar\u00e1 \u201cVol.3: As Duas Antenas do Caracol\u201d. Risos. Fica a garantia: \u201cEstou mesmo a falar a s\u00e9rio&#8230;\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>06.02.2004 Bernardo Devlin Sonhos No Sal\u00e3o Preto e Prata Nas nove implos\u00f5es de \u201cCirca 1999\u201d, Bernardo Devlin pinta telas da mente para observar com a luz baixa. Quem j\u00e1 ouviu \u201cTilt\u201d, de Scott Walker, deve munir-se da mesma lanterna. \u201cCirca 1999 (9 implos\u00f5es)\u201d \u00e9 um disco estranho. 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