{"id":3073,"date":"2012-03-16T11:33:18","date_gmt":"2012-03-16T18:33:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=3073"},"modified":"2012-03-16T11:37:44","modified_gmt":"2012-03-16T18:37:44","slug":"os-outros-nirvana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2012\/03\/16\/os-outros-nirvana\/","title":{"rendered":"Os Outros Nirvana"},"content":{"rendered":"<p><strong>30.01.2004<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os Outros Nirvana <\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Nirvana.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Nirvana.jpg\" alt=\"\" title=\"Nirvana\" width=\"500\" height=\"329\" class=\"alignnone size-full wp-image-3074\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Nirvana.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Nirvana-300x197.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>A hist\u00f3ria de um equ\u00edvoco que serviu para dar a conhecer uma das mais requintadas e ignoradas bandas da pop dos 60\u2019s. Os primeiros \u00e1lbuns est\u00e3o a\u00ed. O mito come\u00e7a a nascer.<\/p>\n<p>\u00c9 um dos equ\u00edvocos mais divertidos da pop \u2013 a confus\u00e3o que se instala sempre que um f\u00e3 declara a grande banda que foram os Nirvana e outro, mais velho, concorda, com um sorriso largo no rosto, acrescentando que sim, que foram uma deliciosa banda psicad\u00e9lica, respons\u00e1vel por magn\u00edficas can\u00e7\u00f5es a\u00e7ucaradas por cubos de LSD.<br \/>\n\u201cEst\u00e1s a gozar comigo!?\u201d, urra o primeiro, considerando a tirada ofensiva para a mem\u00f3ria do seu \u00eddolo, Kurt Cobain. \u201cDe modo nenhum!\u201d, insiste o segundo, alargando ainda mais o sorriso. Tal discuss\u00e3o termina com o segundo a explicar ao primeiro, num gesto magn\u00e2nimo, a causa de tamanha discrep\u00e2ncia, aplacando deste modo a estupefac\u00e7\u00e3o e, nalguns casos, a f\u00faria do ac\u00e9rrimo defensor dos her\u00f3is do \u201cgrunge\u201d.<br \/>\nPois bem, caros leitores, as enciclop\u00e9dias registam de facto duas bandas com o nome Nirvana, cada uma delas em ac\u00e7\u00e3o num per\u00edodo distinto. Os Nirvana de \u201cNevermind\u201d e do rock escavado como uma ferida n\u00e3o cicatrizada est\u00e3o bem documentados. N\u00e3o \u00e9 deles, por\u00e9m, mas dos outros que se come\u00e7a a falar, um pouco por todo o lado (discotecas l\u00e1 fora, por exemplo, passam a sua m\u00fasica nas colunas e enchem com elas os escaparates e muitas revistas da especialidade incluem recens\u00f5es aos discos nas respectivas p\u00e1ginas de reedi\u00e7\u00f5es).<br \/>\nA perplexidade causada pela exist\u00eancia de dois Nirvana estendeu-se \u00e0 pr\u00f3pria banda de Seattle, ao tomar conhecimento dos seus hom\u00f3nimos de tr\u00eas d\u00e9cadas antes, e da consequente proibi\u00e7\u00e3o legal em utilizar o nome. O \u201clit\u00edgio\u201d foi resolvido amigavelmente, com os Nirvana ingleses a abdicarem do uso exclusivo do nome. Melhor ainda: num gesto que aumentou ainda mais a confus\u00e3o, os Nirvana originais gravaram uma vers\u00e3o do \u201csingle\u201d \u201cLithium\u201d, dos Nirvana modernos, arrumando-a, ao lado de in\u00e9ditos de arquivo, na antologia de 1996, \u201cOrange and Blue\u201d.<br \/>\nO resultado n\u00e3o se fez esperar. Alguns coment\u00e1rios afixados no site da Amazon, de compradores \u201cenganados\u201d, s\u00e3o hilariantes. Um exemplo: \u201co meu primo ofereceu-me este disco no meu anivers\u00e1rio, sem se dar conta de que n\u00e3o s\u00e3o os mesmos Nirvana, os que fazem boa m\u00fasica!\u201d. Outro: \u201cIsto \u00e9 mau! Realmente mau! Se gostam dos Nirvana de Seattle, n\u00e3o comprem este disco\u201d. Menos preconceituoso, DJ Shadow samplou o tema \u201cLove Suite\u201d (de \u201cTo Markos III\u201d) em \u201cStem\u201d, inclu\u00eddo no seu \u00e1lbum de estreia na Mo Wax, \u201cEntroducing\u201d.<br \/>\nOs Outros<br \/>\nMas quem s\u00e3o estes \u201coutros\u201d que desencadeiam tanto o \u00f3dio como a admira\u00e7\u00e3o? Eram uma banda de pop psicad\u00e9lica brit\u00e2nica que nos anos 60 gravou p\u00e9rolas pop de sonho, como \u201cTiny goddess\u201d, \u201cPentecost Hotel\u201d e \u201cRainbow Chaser\u201d, e tr\u00eas \u00e1lbuns cuja m\u00fasica tem o poder de transformar os admiradores dos Nirvana dos 90\u2019s em psic\u00f3ticos enraivecidos: \u201cThe Story of Simon Simopath\u201d (67), \u201cAll of us\u201d (68) e \u201cTo Markos III\u201d (70). Todos dispon\u00edveis nas lojas portuguesas, em novas vers\u00f5es remasterizadas e acrescidas de \u201cbonus tracks\u201d, substituindo as mais antigas da Edel dos dois primeiros, editados \u00e0 \u00e9poca pela Island.<br \/>\nPatrick Campbell-Lyons e Alex Spyropoulos, um irland\u00eas e um grego, formavam a dupla criativa dos Nirvana e desta aparente incompatibilidade de culturas ter\u00e1 resultado a originalidade da m\u00fasica \u2013 uma pop ornamentada por arranjos barrocos para melodias evanescentes. N\u00e3o \u00e9 um som t\u00edpico, nem da pop nem do psicadelismo, mas um h\u00edbrido dos dois.<br \/>\n\u201cThe Story of Simon Simopath\u201d \u00e9 um dos mais antigos \u201cconcept albums\u201d da pop brit\u00e2nica, a par de \u201cS.F. Sorrow\u201d, dos Pretty Things, e \u201cOgden\u2019s Nut Gone Flake\u201d, dos Small Faces. A hist\u00f3ria, inspirada na literatura de Fic\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica, descreve as aventuras do dito Simon e a sua aprendizagem no espa\u00e7o sideral (a hist\u00f3ria conta que no hospital psiqui\u00e1trico n\u00e3o lhe encontraram qualquer anomalia), o que, atendendo \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o do LSD na manufactura do \u00e1lbum, ter\u00e1 sido f\u00e1cil de conseguir.<br \/>\nAs can\u00e7\u00f5es s\u00e3o f\u00e1bulas \u00e0s cores, pintadas com violoncelos, glockenspiel e \u201cfrench horn\u201d, e t\u00edtulos como \u201cWings of love\u201d, \u201cSatellite jockey\u201d, \u201cIn the courtyard of the stars\u201d e \u201cPentecost hotel\u201d, este \u00faltimo uma das melodias memor\u00e1veis que fazem de \u201cThe Story of Simon Simopath\u201d um disco indispens\u00e1vel para quem gosta da pop psicad\u00e9lica inlesa, na sua vertente mais angelical, cultivada por grupos como os Zombies, The Association e Kaleidoscope\/Fairfield Parlour, ou da sua correspondente americana personificada pelos Millenium e Sagittarius. A nova reedi\u00e7\u00e3o apresenta o mesmo alinhamento nas vers\u00f5es stereo e mono, mais quatro in\u00e9ditos, incluindo um bizarro \u201cRequiem to John Coltrane\u201d em registo de \u201cfree pop\u201d.<br \/>\n\u201cAll of us\u201d \u00e9 um manjar de melodias requintadas. \u201cRainbow chaser\u201d, enfeitado com cravo e luxuriantes arranjos orquestrais, \u00e9 um cl\u00e1ssico do \u201cacid rock\u201d buc\u00f3lica, ao n\u00edvel do melhor que se fez em Inglaterra nos anos 60. \u201cTiny goddess\u201d, outro exemplo da veia mel\u00f3dica da dupla Lyons\/Spyropoulos, evoca tanto os Beatles, como os Beach Boys de \u201cPet Sounds\u201d e os Bee Gees (n\u00e3o fujam j\u00e1 aos gritos) do per\u00edodo psicad\u00e9lico dos quatro primeiros \u00e1lbuns (\u201cFirst\u201d, \u201cHorizontal\u201d, \u201cIdea\u201d e \u201cOdessa\u201d). Bem, \u00e9 verdade que o refr\u00e3o de \u201cMelanie blue\u201d imita os Bee Gees naquilo que estes tinham de mais pind\u00e9rico. Mas \u201cTrapeze\u201d \u2013 ao mais puro estilo dos Fairfield Parlour de \u201cFrom Home to Home\u201d \u2013 consegue falar de Camelot e de trap\u00e9zios voadores sem cair no rid\u00edculo e a flauta de bisel e o violoncelo conferem a \u201cThe snow must go on\u201d um ambiente de pop de c\u00e2mara semelhante ao dos Fuchsia (outra banda obscura da folk-g\u00f3tica-psicad\u00e9lica inglesa). \u201cGirl in the park\u201d fulge como um cristal cuja melodia os Kinks n\u00e3o desdenhariam, \u201cYou can try\u201d poderia trazer a assinatura de Brian Wilson e \u201cSt John\u2019s wood affair\u201d \u00e9 Paul Mccartney a rodar num caleidosc\u00f3pio, can\u00e7\u00e3o-camale\u00e3o onde cabe uma m\u00e3o cheia de viagens de LSD. \u201cThe touchables\u201d, por sua vez, \u00e9 a can\u00e7\u00e3o-tema do filme com o mesmo nome realizado por Robert Freeman. E assim sucessivamente, cada can\u00e7\u00e3o com a capacidade de prender o ouvido atrav\u00e9s de um arranjo ou de uma volta especiais, quais mini-sinfonias cuidadosamente esculpidas mas que a cada momento amea\u00e7am levantar voo e desaparecer.<br \/>\nEm compara\u00e7\u00e3o com \u201cThe Story of Simon Simopath\u201d e \u201cAll of Us\u201d, \u201cTo Markos III\u201d, gravado quando o desentendimento entre Lyons e Spyropoulos j\u00e1 se fazia sentir muda para um tom que raia o pat\u00e9tico em temas como \u201cAline cherie\u201d e \u201cLove suite\u201d. O equil\u00edbrio das vozes desfaz-se no exagero, caindo no \u201cmusic hall\u201d e em sugest\u00f5es de \u201cglam\u201d, sobrando do delicado psicadelismo dos primeiros \u00e1lbuns apenas \u201cIt happened two Sundays ago\u201d e \u201cChristopher Lucifer\u201d.<br \/>\nConsumada a sa\u00edda do grupo de Spyropoulos, Campbell-Lyosn faria sozinho a transi\u00e7\u00e3o dos Nirvana para o rock progressivo, em \u201cLocal Anaesthetic\u201d, \u00e1lbum de 1971 composto por apenas dois longos temas (\u201cModus operandi\u201d e \u201cHome\u201d) para a Vertigo, editora lend\u00e1ria do Progressivo da qual Lyons se tornou um dos principais produtores. Apesar de altamente coleccion\u00e1vel na edi\u00e7\u00e3o original em vinilo (o CD saiu pela Repertoire) a m\u00fasica alterna boas \u201cjams\u201d progressivas com o horr\u00edvel. A magia, essa desaparecera nas asas de Sim\u00e3o Simopath.<\/p>\n<p>Nirvana<br \/>\nThe Story of Simon Simopath<br \/>\n8\/10<\/p>\n<p>All of Us<br \/>\n9\/10<\/p>\n<p>To Markos III<br \/>\n6\/10<\/p>\n<p>Island, distri. Universal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>30.01.2004 Os Outros Nirvana A hist\u00f3ria de um equ\u00edvoco que serviu para dar a conhecer uma das mais requintadas e ignoradas bandas da pop dos 60\u2019s. Os primeiros \u00e1lbuns est\u00e3o a\u00ed. 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