{"id":2820,"date":"2011-09-05T10:21:39","date_gmt":"2011-09-05T17:21:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2820"},"modified":"2011-09-05T10:23:46","modified_gmt":"2011-09-05T17:23:46","slug":"bowery-electric-beat","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2011\/09\/05\/bowery-electric-beat\/","title":{"rendered":"Bowery Electric &#8211; &#8220;Beat&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>28.05.1997<\/p>\n<p>Bowery Electric<br \/>\nBeat (8)<br \/>\nKranky, distri. MVM<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/boweryElectric_Beat.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/boweryElectric_Beat.jpg\" alt=\"\" title=\"boweryElectric_Beat\" width=\"500\" height=\"500\" class=\"alignnone size-full wp-image-2821\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/boweryElectric_Beat.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/boweryElectric_Beat-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/boweryElectric_Beat-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mediafire.com\/?j4romqyittn\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"345\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/v7eJfQA-7w4\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Rel\u00e2mpagos no Nevoeiro<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que existe uma rela\u00e7\u00e3o estreita entre dois movimentos separados quase trinta anos no tempo, o Krautrock, que eclodiu na Alemanha no final dos anos 60, e a actual vaga p\u00f3s-rock, localizada principalmente em Chicago, mas tamb\u00e9m em Inglaterra e na Alemanha.<br \/>\nQualquer dos termos come\u00e7a por ser uma designa\u00e7\u00e3o geral que pouco esclarece quanto ao conte\u00fado. O p\u00f3s-rock, como o Krautrock, n\u00e3o se podem confundir com estilos musicais, mas antes designam concep\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas gerais e uma atitude global relativa ao som e a uma ideologiza\u00e7\u00e3o da sua pr\u00e1tica. Em 1970, os grupos alem\u00e3es renegavam o rock \u2018n\u2019 roll e os blues, ra\u00edzes comuns ao rock nas suas formas mais ou menos convencionais, para recuperarem a heran\u00e7a rom\u00e2ntica, a tecnologia electr\u00f3nica e a m\u00fasica contempor\u00e2nea, do serialismo ao minimalismo. Trinta anos depois, no seio do p\u00f3s-rock, assiste-se a id~entica recusa, mas agora em rela\u00e7\u00e3o aos referenciais new wave e grunge.<br \/>\n\u00c9 ent\u00e3o ao Krautrock que bandas como os Trans AM, Tortoise, F\u00fcxa, Rome, Kreidler ou To Rococo Rot (para mencionar apenas algumas das mais radicais e que mais se afastam dos par\u00e2metros vulgares do rock) v\u00e3o buscar o cimento e os alicerces, partindo para novas (re)constru\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se trata, pois, de partir da estaca zero ou de relegar o rock para o ba\u00fa das inutilidades, mas de voltar a contextualiz\u00e1-lo, fora das suas balizas tradicionais, abrindo-o \u00e0s novas realidades musicais e sociais que permeiam o final do s\u00e9culo. Neste leque ficaram de fora v\u00e1rias modalidades de dance music, entrando para o seu lugar a ambient, a m\u00fasica industrial e, em geral, o g\u00e9nero de experimentalismo abstracto que caracterizava as bandas germ\u00e2nicas dos anos 70.<br \/>\nClaro que, neste processo, h\u00e1 uns mais avan\u00e7ados do que outros. Grupos h\u00e1 que romperam em definitivo com a estrutura \u201cnormal\u201d da can\u00e7\u00e3o, a favor de concep\u00e7\u00f5es que visam em primeiro lugar a entidade sonora em si, tomando como material de base quer as guitarras (Doldrums, Satisfact ou estes Bowery Electric), quer os sintetizadores, preferencialmente anal\u00f3gicos, aqueles de sonoridade mais org\u00e2nica e de manuseamento mais f\u00edsico (Kreidler, To Rococo Rot, Rome), quer ainda uma solu\u00e7\u00e3o mista (Tortoise, Trans AM, Gastr del Sol). Outros n\u00e3o cortaram com o passado da mesma maneira, ainda que a postura seja, do mesmo modo, a de conferir ao rock uma din\u00e2mica de reconvers\u00e3o. Est\u00e3o neste caso grupos como os Eleventh Dream Day (com \u201cEight\u201d) ou Red Krayola (com \u201cHazel\u201d), os quais, pela sua maior antiguidade, est\u00e3o a fazer a transi\u00e7\u00e3o com mais lentid\u00e3o, enfeitando estruturas que s\u00e3o ainda as t\u00edpicas do rock com efeitos electr\u00f3nicos de toda a esp\u00e9cie. John McEntire (dos Tortoise, produtor, baterista, manipulador de electr\u00f3nica e emin\u00eancia parda de todo o movimento) est\u00e1 atento e a trabalhar para que as coisas acelerem.<br \/>\nTudo isto se prende com a edi\u00e7\u00e3o de \u201cBeat\u201d, segundo \u00e1lbum dos Bowery Electric, mais uma investida (outras est\u00e3o em fila de espera, como Modest Mouse, Fridge, Satisfact, The Ladybug Transistor, Portastatic, com distribui\u00e7\u00e3o nacional para breve) do p\u00f3s-rock. Come\u00e7a por ser um desvio e uma transgress\u00e3o, nos temas \u201cBeat\u201d e \u201cFear of Flying\u201d, em que os Bowery Electric se concentram na sabotagem de batidas e linhas de baixo que simulam o \u201cbeat\u201d do hip-hop, esvaziando-o progressivamente at\u00e9 chegar a uma paisagem desolada, atravessada por rel\u00e2mpagos de electricidade est\u00e1tica. Digamos que o hip hop passou a \u201cR.I.P. hop\u201d (R.I.P.: \u201cRest in Peace\u201d, \u201cdescanse em paz\u201d).<br \/>\nConsumado o \u201ccrime\u201d, os Bowery Electric envolvem-se no seu nevoeiro de guitarras saturadas e vozes perdidas entre a bruma, onde o sinal mais forte de orienta\u00e7\u00e3o nasce da pulsa\u00e7\u00e3o metron\u00f3mica do baixo de Martha Schwendener. Sente-se colar-se \u00e0 pele a humidade de uma noite mar\u00edtima, varada pela luz morti\u00e7a de um farol fantasma, em \u201cLooped\u201d. Os espectros arrastam-se em \u201cBlack light\u201d, com guitarras e bateria alucinadas pelo enjoo, tentando equilibrar-se na escurid\u00e3o. \u201cInside out\u201d \u00e9 pura suspens\u00e3o dos pratos de bateria e cordas em \u201ccontinuum\u201d. No auge da trovoada, nos dois derradeiros temas de \u201cBeat\u201d, os Bowery Electric libertam, enfim, a electr\u00f3nica (ainda guitarras \u201cinfinitas\u201d, processadas e posteriormente sampladas) nos 17 minutos ambientais de \u201cPostscript\u201d e em \u201cLow Density\u201d, largas ondula\u00e7\u00f5es de merc\u00fario onde o pr\u00f3prio Brian Eno naufragaria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>28.05.1997 Bowery Electric Beat (8) Kranky, distri. 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