{"id":2788,"date":"2011-07-19T08:25:01","date_gmt":"2011-07-19T15:25:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2788"},"modified":"2011-07-19T08:25:01","modified_gmt":"2011-07-19T15:25:01","slug":"radiohead-%e2%80%93-para-acabar-de-vez-com-a-amnesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2011\/07\/19\/radiohead-%e2%80%93-para-acabar-de-vez-com-a-amnesia\/","title":{"rendered":"Radiohead \u2013 Para Acabar De Vez Com A Amn\u00e9sia"},"content":{"rendered":"<p>19.07.2002<\/p>\n<p>Radiohead \u2013 Para Acabar De Vez Com A Amn\u00e9sia <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Radiohead.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Radiohead.jpg\" alt=\"\" title=\"Radiohead\" width=\"425\" height=\"884\" class=\"alignnone size-full wp-image-2789\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Radiohead.jpg 425w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Radiohead-144x300.jpg 144w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Trazem o rock progressivo de novo \u00e0 ribalta. 20 minutos voltou a ser o tempo de uma can\u00e7\u00e3o. \u201cKid A\u201d e \u201cAmnesiac\u201d s\u00e3o pretensiosos? Ainda bem. Divaga\u00e7\u00f5es, na vinda da banda a Portugal.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/radiohead_Amnesiac.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/radiohead_Amnesiac.jpg\" alt=\"\" title=\"radiohead_Amnesiac\" width=\"400\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-2790\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/radiohead_Amnesiac.jpg 400w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/radiohead_Amnesiac-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/radiohead_Amnesiac-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.megaupload.com\/?d=FCJSCORA\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"286\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/Lj-WUu0eXBM\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Uma mentira mil vezes repetida acaba por redundar em \u201cverdade\u201d. Vilipendiado por muitos, acossado por uma cr\u00edtica que n\u00e3o viu nem ouviu, o Progressivo tornou-se no saco de levar porrada da pop, o bode expiat\u00f3rio de quem apenas consegue abarcar a faixa compreendida entre os quinze minutos de fama de Warhol e a \u201cnext big thing\u201d, eternamente adiada, contida nos tr\u00eas minutos de paixoneta adolescente. Pop produto , querida da Ind\u00fastria, encaixada nas \u201cplay lists\u201d da mediocridade e na negociata dos tops. Vit\u00f3ria da amn\u00e9sia. Se n\u00e3o \u00e9 l\u00edquido que a vinda a Portugal dos Radiohead \u2013 cinco concertos, 22, 23 e 24 em Lisboa, 26 e 27 no Porto -, e o culto que lhes \u00e9 votado tenham como consequ\u00eancia a revaloriza\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica por demais maltratada, n\u00e3o deixar\u00e1 de provocar perplexidades e reacender d\u00favidas.<br \/>\nAt\u00e9 porque a vingan\u00e7a, como se sabe, \u00e9 um prato que se serve frio. Hoje, \u201cprogressivo\u201d volta a ser politicamente correcto e os Radiohead (e Flaming Lips, Air, Elbow, Gorky\u2019s Zygotic Mynci&#8230;) recuperaram-no para o l\u00e9xico da pop. A prolifera\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o na net e de reedi\u00e7\u00f5es tem contribu\u00eddo para a descoberta de muitos tesouros escondidos do Progressivo e para a altera\u00e7\u00e3o do gosto do p\u00fablico.<br \/>\nE os m\u00fasicos tamb\u00e9m crescem. Sabe-se como \u00e9. Banda nova n\u00e3o sabe tocar pelo que ter\u00e1 que arremessar pedras ao virtuosismo. Ao terceiro \u00e1lbum, quando o dom\u00ednio instrumental j\u00e1 atingiu patamares mais elevados, a banda j\u00e1 sorri com bonomia do passado e anuncia, com pompa e circunst\u00e2ncia, o pr\u00f3ximo disco, que ser\u00e1 conceptual e se orgulhar\u00e1 de ostentar cita\u00e7\u00f5es aos Pink Floyd, Can e Soft Machine.<br \/>\nCome\u00e7ando como grupo pop que n\u00e3o escondia a sua filia\u00e7\u00e3o nos Pink Floyd, os Radiohead trocaram a can\u00e7\u00e3o pop de \u201cO.K. Computer\u201d pelas actuais abstrac\u00e7\u00f5es que tanto emanam a mesma anti-mat\u00e9ria de \u201cTilt\u201d, de Scott Walker, como exploram o conceptualismo do Progressivo e o contragroove do krautrock. Num dos milh\u00f5es de sites da Net que lhes s\u00e3o dedicados, s\u00e3o apontados como influ\u00eancias da banda de Thom Yorke os Can (2Tago mago\u201d, \u201cFuture Days\u201d e \u201cUnlimited Edition\u201d), Faust (\u201cFaust\u201d, \u201cSo Far\u201d e \u201cThe Faust Tapes\u201d), Neu! (\u201cNeu!\u201d e \u201cNeu!\u201975\u201d) e Tangerine Dream (\u201cPheadra\u201d e \u201cStratosfear\u201d9. O que diz muito da dimens\u00e3o espacial dos \u00faltimos \u00e1lbuns, os g\u00e9meos \u201cKid A\u201d e \u201cAmnesiac\u201d.<br \/>\nA emerg\u00eancia do p\u00f3s-rock, na d\u00e9cada passada, fez o resto. Subitamente, palavras proibidas como \u201cc\u00f3smico\u201d, \u201cambiental\u201d, \u201cconceptual\u201d e \u201cminimalista\u201d ganharam nova visibilidade, n\u00e3o s\u00f3 nos Radiohead como nos Tortoise, To Rococo Rot, Tarwater, Mouse on Mars, Trans Am, Stereolab ou Godspeed You Black Emperor. Quando, em pleno ataque punk, alguns julgaram ter sido desferido o golpe mortal no Progressivo, Johnny Rotten, dos Sex Pistols, incluiu nas suas influ\u00eancias Peter Hammill e os Neu!&#8230;<\/p>\n<p>Apanhar O Comboio Errado<\/p>\n<p>Compreende-se que, para o \u201cstatus quo\u201d, moldado na explora\u00e7\u00e3o do lugar-comum, o Progressivo fosse um bicho-pap\u00e3o. Faixas com 20 minutos, uma cornuc\u00f3pia de sonhos (lis\u00e9rgicos ou n\u00e3o&#8230;) e toneladas de loucura s\u00e3o factores de dif\u00edcil controlo. Era disso \u2013 e do desejo genu\u00edno de fazer m\u00fasica pela m\u00fasica \u2013 que se construiu o Progressivo nos anos \u00e1ureos, entre 1969 e 1975.<br \/>\nVeio o Punk mas o Progressivo resistiu, assumindo a nova nomenclatura \u201cart rock\u201d. E foi nessa encruzilhada que a maior parte da cr\u00edtica encalhou, ao apanhar o comboio do Progressivo dos anos 70 na esta\u00e7\u00e3o terminal e, no transbordo, ao procurar na linha errada o ponto de partida para a viagem seguinte \u2013 a do rock sinf\u00f3nico, que estiolava em bandas americanas, como Boston ou Kansas, e, em Inglaterra, a do malfadado \u201cneo prog\u201d, personificada pelos Marillion, Pendragon, I.Q., Pallas e quejandos.<br \/>\nOs primeiros eram criaturas balofas que retiraram do Progressivo apenas o formalismo \u201csinf\u00f3nico\u201d. Os segundos tentaram remoer a teatralidade dos grupos originais, cujo estilo se tornara imagem de marca, sendo por esse motivo mais facilmente copi\u00e1veis, como os Jethro Tull, Yes e Genesis.<br \/>\n\u00c0 entrada na segunda metade da d\u00e9cada de 70, a primeira gera\u00e7\u00e3o do Progressivo agonizava. Os Yes e os Genesis apagavam os feitos hist\u00f3ricos do passado com simulacros cansados onde a vis\u00e3o j\u00e1 pouco alcan\u00e7ava para al\u00e9m do formalismo. O krautrock deixara marcas, mas seria necess\u00e1rio duas d\u00e9cadas para a sua influ\u00eancia se voltar a fazer sentir. Cluster, Faust, Can, Neu!, Harmonia, Amon D\u00fcll II, Klaus Schulze, Agitation Free, Guru Guru, Embryo, Wallenstein, Ash Ra Tempel, Kraftwerk, Tangerine Dream. A lenda propagou-se na medida inversa ao desconhecimento a que a sua m\u00fasica foi votada entre 1975 e 1995, excep\u00e7\u00e3o feita aos Kraftwerk, tornados gurus da tecno, e dos Tangerine Dream, colados ao calend\u00e1rio da \u201cnew age\u201d. Houve, no entanto, quem n\u00e3o se esquecesse. Holger Hiller e Kurt Dahlke (Pyrolator) transportaram o facho durante a dif\u00edcil travessia.<br \/>\nForam tr\u00eas os m\u00fasicos que lhe fizeram justi\u00e7a e recuperaram n\u00e3o s\u00f3 o seu bom-nome como a import\u00e2ncia musical que hoje \u00e9 facto assente, j\u00e1 n\u00e3o somente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s bandas do p\u00f3s-rock, mas tamb\u00e9m para o rock e pop tradicionais. Os tr\u00eas paladinos chamam-se Julian Cope, John McEntire e Jim O\u2019Rourke. Cope \u00e9 o \u201chippie\u201d da idade do junk, lun\u00e1tico de g\u00e9nio, a quem se deve a publica\u00e7\u00e3o do livro \u201cKrautrocksampler\u201d e de \u00e1lbuns magistrais. McEntire e O\u2019Rourke s\u00e3o os papas do p\u00f3s-rock de Chicago. Colheram da cultura do Progressivo e do Krautrock as ra\u00edzes de um futuro onde as m\u00e1quinas, a acidez e as estrelas se entrela\u00e7am.<br \/>\nEm Inglaterra a revolu\u00e7\u00e3o esteve a cargo de uma combo chamado Henry Cow. Tr\u00eas \u00e1lbuns t\u00e3o importantes para o rock como Bartok foi importante para a m\u00fasica erudita do s\u00e9c. XX deram origem ao novo mundo do Progressivo: \u201cThe Henry Cow Leg End\u201d, \u201cUnrest\u201d, \u201cDesperarte Straights\u201d, \u201cIn Praise of Learning\u201d e \u201cWestern Culture\u201d. Quatro obras-primas que formularam as bases do \u201cart rock\u201d e do \u201cchamber rock\u201d que se disseminaria pela Europa e EUA.<br \/>\nO Progressivo depois do Progressivo n\u00e3o tinha por nome os Marillion mas estranhas designa\u00e7\u00f5es como Art Zoyd, Univers Zero, Etron Fou Leloublan, Samla Mannas Mama, Picchio Dal Pozzo, D\u00e9bile Menthol, Muffins, Present, Miriodor, Biota, ZNR, Officer, ou Birdsongs of the Mezosoic, prosseguindo na actualidade nos 5 Uu\u2019s, Motor Totemist Guild, Thinking Plague e U-Totem, dignos sucessores do que na d\u00e9cada de 70 passou pelos Gong, Magma, Gentle Giant, Caravan, Matching Mole, Khan, White Noise, Second Hand, Red Noise, Curved Air, Gryphon, Moving Gelatine Plates, T.2, Premiata Forneria Marconi, Comus&#8230;<br \/>\nOs Radiohead acabaram por chegar l\u00e1. \u201cKid A\u201d e \u201cAmnesiac\u201d foram considerados \u201cpretensiosos\u201d \u2013 o que \u00e9 indicativo de intelig\u00eancia em ac\u00e7\u00e3o&#8230; -, \u201cesot\u00e9ricos\u201d. E at\u00e9 h\u00e1 quem ache a voz de Thom Yorke t\u00e3o irritante como a de Jon Anderson, dos Yes&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>19.07.2002 Radiohead \u2013 Para Acabar De Vez Com A Amn\u00e9sia Trazem o rock progressivo de novo \u00e0 ribalta. 20 minutos voltou a ser o tempo de uma can\u00e7\u00e3o. \u201cKid A\u201d e \u201cAmnesiac\u201d s\u00e3o pretensiosos? Ainda bem. Divaga\u00e7\u00f5es, na vinda da banda a Portugal. LINK Uma mentira mil vezes repetida acaba por redundar em \u201cverdade\u201d. 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