{"id":2768,"date":"2011-07-07T07:10:53","date_gmt":"2011-07-07T14:10:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2768"},"modified":"2011-07-07T07:10:53","modified_gmt":"2011-07-07T14:10:53","slug":"amelia-muge-%e2%80%93-as-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2011\/07\/07\/amelia-muge-%e2%80%93-as-palavras\/","title":{"rendered":"Am\u00e9lia Muge \u2013 As Palavras"},"content":{"rendered":"<p>14.06.2002<\/p>\n<p>Am\u00e9lia Muge \u2013 As Palavras<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/ameliaMuge_aMonte.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/ameliaMuge_aMonte.jpeg\" alt=\"\" title=\"ameliaMuge_aMonte\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-2769\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/ameliaMuge_aMonte.jpeg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/ameliaMuge_aMonte-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"425\" height=\"349\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/Qs3TKJYrwyU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u201cEncontros\u201d, alguns arriscados, \u00e9 a palavra chave que usa para caracterizar o seu novo \u00e1lbum, aMonte. Jos\u00e9 Afonso, S\u00e9rgio Godinho e Pessoa s\u00e3o alguns dos interlocutores.<\/p>\n<p>Am\u00e9lia Muge fala com entusiasmo de tudo o que sente, pensa, faz e a preocupa. Se pudesse, diz, \u201cexplicava tudo\u201d. Artista multifacetada, autora de marcos discogr\u00e1ficos da m\u00fasica popular portuguesa como \u201cM\u00fagica\u201d, \u201ctodos os Dias\u201d e \u201cTaco-a-Taco\u201d, fez desta vez tamb\u00e9m os desenhos que preenchem a capa do novo CD, \u201caMonte\u201d, bem como a realiza\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo tirado da faixa \u201cSonos do ser\u201d, sobre poema de Fernando Pessoa.<br \/>\nNum espect\u00e1culo realizado h\u00e1 poucas semanas no Audit\u00f3rio Fernando Lopes Gra\u00e7a, em Almada, utilizou projec\u00e7\u00f5es sobre bal\u00f5es, obtendo, com o recurso a uma t\u00e9cnica simples, efeitos visuais que considera \u201cespectaculares\u201d.<br \/>\n\u201cA multiplicidade de usos \u00e9 o lado mais interessante dos multim\u00e9dia. A possibilidade de uma vis\u00e3o de conjunto , sem perder a vis\u00e3o individual de cada elemento. Um bocado como as sociedades humanas&#8230;\u201d. \u201caMonte\u201d, diz, \u00e9 um \u201cdisco de encontros\u201d. E \u201cum mapa de percursos que proporciona esses encontros, com pessoas e com ideias. De mesti\u00e7agens culturais e duplas leituras\u201d.<br \/>\n\u201caMonte\u201d n\u00e3o segue um conceito, \u00e9 um olhar como o da mosca. Multifacetado. Descobridor de dimens\u00f5es insuspeitas do som e da palavra. Intui\u00e7\u00f5es ligam-se a maquinismos m\u00e1gicos, o Inconsciente torna-se poema, a palavra cantada dan\u00e7a numa gir\u00e2ndola de tons que reproduzem as imagens do c\u00e9u e do mar.<br \/>\n\u201cO primeiro disco, dediquei-o \u00e0s leis da atrac\u00e7\u00e3o universal. \u00c9 um bocado isso. Estes desenhos (NR: da capa), estas mat\u00e9rias, s\u00e3o todos feitos por mim, mas depois acabo por ser interrogada por eles. Os animais, os p\u00e1ssaros, que pertencem ao mundo do c\u00e9u, mas tamb\u00e9m as sereias, ou melhor, os sereios&#8230; d\u00e3o uma outra profundidade ao que \u00e9 a voz, como algo que voa, que se esconde, que n\u00e3o se desvenda facilmente. S\u00e3o, no fundo, uma met\u00e1fora duma ideia de voz\u201d.<br \/>\nQuem anda a monte. Quem amonte \u2013 Amante, anda? \u201cE, se se tirar o \u2018n\u2019 dica \u2018amo-te\u20192. \u00c9 assim o jogo, a entrega e a demanda de quem n\u00e3o se confina ao instante da moda ou \u00e0s tend\u00eancias em voga. \u201cTem duas interpreta\u00e7\u00f5es: a de andar a descobrir caminhos e a de algu\u00e9m que anda acossado, porque transgrediu em alguma coisa. As vozes que persigo s\u00e3o vozes que transgridem, as modas, os lugares-comuns, os papas das modernidades. Cada vez mais me apetece andar em persegui\u00e7\u00e3o destas vozes misteriosas, da m\u00fasica, do teatro, da literatura. \u00c0s vezes, quanto mais a gente as l\u00ea e julga perceb\u00ea-las, \u00e9 quando n\u00e3o percebeu nada&#8230;\u201d.<br \/>\nN\u00e3o, ningu\u00e9m pensa terem sido essas as raz\u00f5es que levaram a que \u201caMonte\u201d n\u00e3o tivesse edi\u00e7\u00e3o por nenhuma multinacional, sempre dispostas a apostar no risco e na ousadia. Am\u00e9lia defende que \u201ccada vez mais, a \u00fanica maneira de lutar contra a massifica\u00e7\u00e3o excessiva \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o independente\u201d. Trata-se, ent\u00e3o, de uma edi\u00e7\u00e3o de autor, isto \u00e9, de um objecto feito com amor, do todo ao pormenor. Da apresenta\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica \u00e0 constru\u00e7\u00e3o minuciosa de cada uma das 18 can\u00e7\u00f5es, \u201caMonte\u201d leva o r\u00f3tulo \u2013 mais uma pintura \u2013 a dizer: \u201cAm\u00e9lia Muge\u201d.<\/p>\n<p>A Garra Do Macaco<\/p>\n<p>De can\u00e7\u00f5es (ainda) de sabor tradicional, como os dois momentos de \u201caMonte\u201d ou o repique de sinos da aldeia que introduz \u201cN\u00aa Sra. Da Azenha\u201d, \u00e0 recria\u00e7\u00e3o mnem\u00f3nica de \u201cA Garra do macaco\u201d, constru\u00edda a partir de um poema de Laurie Anderson, \u201cMonkey\u2019s Paw\u201d (do \u00e1lbum \u201cStrange Angels\u201d, traduzido para portugu\u00eas por Jo\u00e3o Lisboa, passando pelo mimetismo das batidas tecno em \u201cA Irmandade dos Sonhos\u201d (onde tamb\u00e9m espreita a autora de \u201cStrange Angels\u201d) e pela declama\u00e7\u00e3o de um poema de Jos\u00e9 Eduardo Agualusa em glosa ir\u00f3nica a Jorge Lu\u00eds Borges, \u201caMonte\u201d estende-se por uma intemporalidade que recusa cataloga\u00e7\u00f5es redutoras.<br \/>\n\u201cN\u00e3o interessa o \u2018antigo\u2019 ou o \u2018moderno\u2019, nem a tecnologia. Tem a ver com uma outra coisa que sinto naturalmente em mim, a consci\u00eancia de um certo Universal que est\u00e1 para l\u00e1 do pr\u00f3prio ser humano e acaba por nos unir \u00e0s mat\u00e9rias de base do Universo e \u00e0s maneiras como n\u00f3s as sentimos\u201d. Ou, como diz a letra de \u201cA Garra do Macaco\u201d, \u201cA Natureza tem regras e se a enganamos, cuidado vem logo a\u00ed a a garra do macaco\u201d.<br \/>\nLaurie Anderson, como F\u00e1tima Miranda, que Am\u00e9lia tamb\u00e9m cita no rol das suas admira\u00e7\u00f5es, \u201cna forma de ligar as palavras \u00e0 m\u00fasica, ao som\u201d, \u00e9 um exemplo de liberdade que cultiva e persegue na sua obra. \u201cFui directamente ao texto, sem ouvir a m\u00fasica. O importante era descobrir a maneira de fazer a liga\u00e7\u00e3o com ela e \u00e0 forma como ela liga a m\u00fasica ao ingl\u00eas. Achei que era poss\u00edvel fazer o mesmo com o portugu\u00eas. O clima era o ideal para trazer para este mundo esta especificidade dos encontros que t\u00eam a ver com a tradu\u00e7\u00e3o. \u2018A garra do macaco\u2019 fala ainda dos perigos e dos avisos de alguns encontros&#8230;\u201d.<br \/>\nJ\u00e1 \u201cA Irmandade dos sonhos\u201d \u00e9 \u201ctoda uma grande piada\u201d. A todas \u201cas outras quest\u00f5es que t\u00eam a ver com as audi\u00eancias, com o gosto do que \u00e9 ou n\u00e3o popular, da massifica\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nMas estar\u00e1 Am\u00e9lia Muge absolutamente imune \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de fazer um disco de m\u00fasica de dan\u00e7a, \u00e0 semelhan\u00e7a do que em breve acontecer\u00e1 com os Madredeus? \u201cPor acaso ainda n\u00e3o o fiz, mas houve um trabalho de remistura muito bem feito com um tema meu, pelos Underground Sound-System of Lisbon&#8230; Mas uma das coisas que n\u00e3o aprecio na \u2018dance music\u2019 \u00e9 logo a imposi\u00e7\u00e3o de uma marca r\u00edtmica empobrecedora. Agora, mais depressa farei, como tenciono, um projecto ligado \u00e0 dan\u00e7a, mas \u00e0 dan\u00e7a mesmo, como discurso, para perceber como \u00e9 que h\u00e1 margens, fronteiras entre a dan\u00e7a, a m\u00fasica e a palavra. A palavra-dan\u00e7a\u201d.<br \/>\n\u201caMonte\u201d \u00e9, precisamente isso: palavras que dan\u00e7am.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>14.06.2002 Am\u00e9lia Muge \u2013 As Palavras \u201cEncontros\u201d, alguns arriscados, \u00e9 a palavra chave que usa para caracterizar o seu novo \u00e1lbum, aMonte. Jos\u00e9 Afonso, S\u00e9rgio Godinho e Pessoa s\u00e3o alguns dos interlocutores. Am\u00e9lia Muge fala com entusiasmo de tudo o que sente, pensa, faz e a preocupa. Se pudesse, diz, \u201cexplicava tudo\u201d. 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