{"id":2709,"date":"2011-04-15T08:54:12","date_gmt":"2011-04-15T15:54:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=2709"},"modified":"2011-04-15T08:54:12","modified_gmt":"2011-04-15T15:54:12","slug":"dark-side-of-the-moon-o-monstro-que-saiu-dos-pink-floyd","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2011\/04\/15\/dark-side-of-the-moon-o-monstro-que-saiu-dos-pink-floyd\/","title":{"rendered":"Dark Side of the Moon &#8211; O Monstro Que Saiu Dos Pink Floyd"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>28.03.2003<\/p>\n<p>O Monstro Que Saiu Dos Pink Floyd<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/PinkFloyd.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/PinkFloyd.jpg\" alt=\"\" title=\"PinkFloyd\" width=\"425\" height=\"272\" class=\"alignnone size-full wp-image-2710\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/PinkFloyd.jpg 425w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/PinkFloyd-300x192.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O lado escuro da Lua deixou de ser negro para passar a ser azul. \u201cDark Side of the Moon\u201d, no original de 1973, e a presente reedi\u00e7\u00e3o em Super \u00c1udio CD, s\u00e3o como a noite e o dia. Um som perfeito para uma m\u00fasica que alguns teimam em n\u00e3o aceitar como tal. De que lado da Lua est\u00e1 a raz\u00e3o, afinal?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/pinkFloyd_darkSideoftheMoon.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/pinkFloyd_darkSideoftheMoon.jpg\" alt=\"\" title=\"pinkFloyd_darkSideoftheMoon\" width=\"400\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-2711\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/pinkFloyd_darkSideoftheMoon.jpg 400w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/pinkFloyd_darkSideoftheMoon-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/pinkFloyd_darkSideoftheMoon-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.4shared.com\/file\/50598174\/c89d6fd5\/1973_-_The_Dark_Side_Of_The_Mo.html\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/player.vimeo.com\/video\/18477600?title=0&amp;byline=0&amp;portrait=0\" width=\"400\" height=\"300\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/vimeo.com\/18477600\">Pink Floyd- Money Video<\/a> from <a href=\"http:\/\/vimeo.com\/user1994771\">steve<\/a> on <a href=\"http:\/\/vimeo.com\">Vimeo<\/a>.<\/p>\n<p>Se, no imagin\u00e1rio da m\u00fasica popular do \u00faltimo s\u00e9culo, os Beatles foram condecorados com a ins\u00edgnia mais nobre da pop e os Rolling Stones se assumem de bom grado como a mais perene das maldi\u00e7\u00f5es rock, pertence aos Pink Floyd o estatuto de representantes oficiais de todas as outras m\u00fasicas situadas no territ\u00f3rio indefinido onde as mais variadas tend\u00eancias, cores, estilos e estrat\u00e9gias servem para, precisamente, retirar ao termos \u201cm\u00fasica popular\u201d o adjectivo \u201cpopular\u201d. \u201cDark Side of the Moon\u201d, editado pela primeira vez em 1973, tem suscitado desde sempre um sem-n\u00famero de diverg\u00eancias, n\u00e3o sendo poss\u00edvel chegar-se a uma unanimidade quanto \u00e0 sua dimens\u00e3o e import\u00e2ncia reais, quer no interior da discografia dos Floyd quer relativamente ao papel desempenhado por esta obra no desenvolvimento do rock progressivo dos anos 70.<br \/>\nA extrema exposi\u00e7\u00e3o a que, logo nesse ano e at\u00e9 hoje, foi sujeito faz deste disco um objecto apetec\u00edvel mas tamb\u00e9m uma presa f\u00e1cil para os que t\u00eam o h\u00e1bito de coleccionar \u00f3dios de estima\u00e7\u00e3o. Como \u201cSgt. Pepper\u2019s\u201d dos Beatles, \u201cDark Side of the Moon\u201d come\u00e7a por ser um triunfo da produ\u00e7\u00e3o. Um disco fechado em si mesmo que parece existir suspenso num universo aut\u00f3nomo, quer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fase anterior, psicad\u00e9lica e \u201cspace rock\u201d, do grupo, personificado pelos \u00e1lbuns \u201cThe Piper at the Gates of Dawn\u201d (ainda com Syd Barrett), \u201cA Saucerful of Secrets\u201d, \u201cUmmagumma\u201d, \u201cAtom Heart Mother\u201d e \u201cMeddle\u201d, quer enquanto an\u00fancio da fase mais pop que haveria de seguir-se com \u201cWish You Were Here\u201d, \u201cAnimals\u201d e \u201cThe Wall\u201d. O impacte das can\u00e7\u00f5es esfuma-se perante a opul\u00eancia dos efeitos \u2013 que v\u00e3o do barulho de passos a um despertador, de uma caixa registadora a vozes perdidas -, a grandiloqu\u00eancia dos coros e solos de saxofone perigosamente colados \u00e0 est\u00e9tica MOR (\u201cmiddle of the road\u201d).<br \/>\nSe a totalidade dos \u00e1lbuns atr\u00e1s referidos valem por uma m\u00fasica aberta que n\u00e3o se esgota nos meios de produ\u00e7\u00e3o utilizados, \u201cDark Side of the Moon\u201d, pelo contr\u00e1rio, soa como cristaliza\u00e7\u00e3o. O que para alguns \u00e9 perfei\u00e7\u00e3o tem, para outros, a configura\u00e7\u00e3o da morte, mumifica\u00e7\u00e3o de uma linguagem tornada autof\u00e1gica, como a serpente que a si pr\u00f3pria se completa e se devora. Claro que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel comparar as pequenas e iluminadas \u201ccomptines\u201d alucinadas de Syd Barrett, como \u201cArnold Layne\u201d ou \u201cSee Emily Play\u201d, ou navega\u00e7\u00f5es gal\u00e1cticas como \u201cSet the controls for the heart of the sun\u201d, com as melodias, t\u00e3o exactas como redundantes, de \u201cDark Side of the Moon\u201d. S\u00e3o naturezas diferentes e isso ser\u00e1 o que mais chocar\u00e1 os admiradores dos Pink Floyd at\u00e9 ao aparecimento do \u201cmonstro\u201d. O que, em contrapartida, levou a m\u00fasica do grupo a um outro tipo de auditores, mais vasto, e, como consequ\u00eancia, a ser abocanhada pela hidra do \u201cmainstream\u201d.<\/p>\n<p>O Mesmo E O Outro<\/p>\n<p>\u201cDark Side of the Moon\u201d, apesar de poder orgulhar-se de ser um dos discos mais vendidos de todos os tempos (25 milh\u00f5es de c\u00f3pias, um n\u00famero assombroso que n\u00e3o p\u00e1ra de crescer) e de ter permanecido durante uma d\u00e9cada, sem interrup\u00e7\u00f5es, no Top da \u201cBillboard\u201d, continua, por\u00e9m, a provocar tanto ades\u00f5es entusiastas como a mais profunda das avers\u00f5es. A verdade \u00e9 que, ame-se ou odeie-se, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que n\u00e3o tenha entranhadas nos ouvidos as melodias de can\u00e7\u00f5es como \u201cTime\u201d, \u201cMoney\u201d ou \u201cUs and Them\u201d, o que, temos que admitir, tamb\u00e9m contribuir\u00e1 para que, de tempos a tempos, algu\u00e9m sinta vontade de partir o disco em peda\u00e7os (as edi\u00e7\u00f5es em vinilo) ou, no caso dos CD, o submeter a um banho de \u00e1cido sulf\u00farico concentrado.<br \/>\nNuma \u00faltima tentativa de restituir ao dito cujo uma frescura que parecia definitivamente perdida, eis que a reedi\u00e7\u00e3o em formato de Super \u00c1udio CD \u201ch\u00edbrido\u201d, ou seja, pass\u00edvel de ser tocado tanto num leitor de CD espec\u00edfico como num convencional, vem de novo recordar-nos que \u201cDark Side of the Moon\u201d nunca esteve, afinal, longe de n\u00f3s.<br \/>\n\u00c9 o mesmo e outro disco, aquele que chega \u00e0s bancas na pr\u00f3xima 2\u00aa feira. A capa, apesar de levar a assinatura de Storm Thorgerson, o mesmo que, integrado no projecto Hipgnosis, desenhou o original, sofreu altera\u00e7\u00f5es de pormenor. O prisma que refracta a luz branca no espectro do arco-\u00edris tornou-se mais branda, abandonando o negro do fundo. A noite tornou-se, mais do que penumbra, azul do dia, traindo a ess\u00eancia nocturna que o pr\u00f3prio t\u00edtulo do \u00e1lbum cont\u00e9m. Mas o mais importante \u00e9 que esta m\u00fasica, que pens\u00e1vamos n\u00e3o ter j\u00e1 reservada qualquer surpresa para oferecer, soar\u00e1 agora como nunca soou antes, numa gloriosa submiss\u00e3o \u00e0 audiofilia que finalmente justificar\u00e1 o esfor\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o posto na edi\u00e7\u00e3o original de 1973. \u201cDark Side of the Moon\u201d ser\u00e1, afinal, uma pot\u00eancia dispon\u00edvel at\u00e9 ao infinito, mat\u00e9ria de actualiza\u00e7\u00e3o dos permanentes avan\u00e7os da tecnologia, um livro em branco atrav\u00e9s do qual sucessivas gera\u00e7\u00f5es encontrar\u00e3o algo de fe\u00e9rico mas que pouco ou nada ter\u00e1 j\u00e1 a ver com o contexto hist\u00f3rico que esteve na sua origem. Mas talvez fa\u00e7a sentido: \u201cDark Side of the Moon\u201d nunca teve verdadeiras sombras.<\/p>\n<p>De Ambos Os Lados Da Lua<\/p>\n<p>O melhor ou o mais irritante \u00e1lbum dos Pink Floyd, hoje, como h\u00e1 30 anos, continua a dividir as opini\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 a obra-prima dos Pink Floyd. Dizem uns. \u00c9 uma desilus\u00e3o, o \u00e1lbum dos efeitos gratuitos, dizem outros. Poucos discos ter\u00e3o causado tanta disc\u00f3rdia no seio dos apreciadores do Rock Progressivo como esta \u201cmonstruosidade\u201d de efeitos especiais e produ\u00e7\u00e3o \u201cover the top\u201d, que ainda hoje divide as opini\u00f5es.<br \/>\nEduardo Mota, 45 anos, professor, \u201cmel\u00f3mano militante\u201d, s\u00f3cio-fundador da Associa\u00e7\u00e3o Cultutal \u201cPortugal Progressivo\u201d, criador dos portais das bandas Amazing Blondel e Gryphon, e de outros como os de Maddy Prior e Van Der Graaf Generator, e ainda o generalista Portugal Progressivo, e \u00c1lvaro Silveira, 38 anos, economista, \u201cmaluco por m\u00fasica, especialmente progressiva\u201d est\u00e3o de acordo que os Pink Floyd foram uma das bandas mais importantes do Progressivo. Mas, quando toca a \u201cDark Side of the Moon\u201d, posicionam-se em lados contr\u00e1rios da barricada.<br \/>\n\u00c1lvaro chegou ao Progressivo quando j\u00e1 se agitavam as bandeiras negras do \u201cpunk\u201d. \u201cQuem iniciava a sua adolesc\u00eancia na segunda metade dos anos 70 tinha duas alternativas. Ou alinhava com o processo revolucion\u00e1rio em curso que chegava de Londres e pendurava alfinetes na roupa e na face, gritando \u2018no future\u2019, ou assumia a nostalgia de um passado imediato e embarcava no mundo do progressivo e do sinf\u00f3nico.\u201d Optou pela segunda hip\u00f3tese, juntando-se a uma tert\u00falia de amigos para quem os Yes, os Led Zeppelin ou os Genesis representavam o \u201ccr\u00e8me de la cr\u00e8me\u201d do Progressivo. \u201cHavia uma coisa que nos unia, o \u2018Dark Side of the Moon\u2019. Era o disco que tinha mais audi\u00e7\u00f5es. Individuais e colectivas. S\u00f3 para ouvir ou tamb\u00e9m para dan\u00e7ar. Para confirmar um detalhe ou como evento conceptual. Com ou sem apoio de subst\u00e2ncias proibidas. Com namoradas ou sem elas. Em casa ou no liceu. Qual \u2018The Lamb Lies Down on Broadway\u2019, qual \u2018Close to the Edge\u2019, qual \u2018Houses of the Holly\u2019, \u2018The Dark Side\u2019 era o denominador comum.\u201d<br \/>\nJ\u00e1 Eduardo Mota, dez anos mais velho, contextualiza de outra forma o seu contacto com o pomo da disc\u00f3rdia. \u201cChegado de v\u00e9spera ao admir\u00e1vel universo sonoro do Rock Progressivo, num momento em que procurava consolidar os meus valores musicais, o disco dos Pink Floyd, para al\u00e9m de desiludir, veio confundir a selec\u00e7\u00e3o em ecurso. Para um lado ficavam os Beatles, Stones, Deep Purple, Grand Funk, Black Sabbath e quejandos, os rejeitados. Para o outro, os fascinantes Gentle Giant, Van Der Graaf Generator, Genesis, Yes, Tangerine Dream, Renaissance, Soft Machine, Caravan e os&#8230; Pink Floyd.\u201d \u201cDark Side of the Moon\u201d, contudo, provocou-lhe uma profunda decep\u00e7\u00e3o. Os Pink Floyd, que antes \u201csurpreendiam com \u00e1lbuns arrojados como \u2018Atom Heart Mother\u2019, \u2018Meddle\u2019 ou \u2018Ummagumma\u2019, os mesmos \u201cque meia d\u00fazia de anos antes, em pleno psicadelismo, ousavam assinar \u2018Astronomy Domine\u2019, uma pe\u00e7a premonit\u00f3ria do pr\u00f3prio Progressivo\u201d, eram agora os Pink Floyd que \u201cn\u00e3o ousavam nada, apenas alindavam\u201d. \u201cN\u00e3o aprofundavam, preferiam simplificar. N\u00e3o surpreendiam, preocupavam-se em agradar. N\u00e3o experimentavam, optavam por investir com retorno mais que garantido.\u201d Eduardo n\u00e3o lhes perdoou. \u201cN\u00e3o comprei o disco. Nem desejei que algu\u00e9m mo oferecesse numa ocasi\u00e3o festiva. Irritei-me at\u00e9, sempre que o ouvia passar na telefonia, na discoteca, no intervalo de uma sess\u00e3o cinematogr\u00e1fica, ou ao ser \u2018tocado\u2019 num baile provinciano pelo \u2018jazz\u2019 de servi\u00e7o.\u201d<br \/>\n\u00c1lvaro Silveira n\u00e3o poderia estar mais em desacordo: \u201cDark Side of the Moon\u201d, na altura, \u201cera o supra-sumo da m\u00fasica\u201d. \u201cCada faixa tinha o seu detalhe que nos fazia delirar, permitindo que o classific\u00e1ssemos como lago que naquela idade nos parecia altamente de vanguarda. Eram os rel\u00f3gios de \u2018Time\u2019, a caixa registadora de \u2018Money\u2019, o roso louco de \u2018Brain Damage\u2019, o solo vocal de \u2018The Great gig in the sky\u2019&#8230;\u201d. Recorda ainda que \u201cesses eram os tempos em que as dan\u00e7as se faziam ao som do \u2018Money\u2019 e os slows ao som de \u2018The great gig in the sky\u2019 (e de \u2018Carpet Crawl\u2019 dos Genesis e \u2018Child in time\u2019 dos Deep Purple)\u201d.<br \/>\n\u201cDepois havia aquela capa com a luz a multiplicar-se nas cores do arco-\u00edris e que era a embalagem perfeita do psicadelismo c\u00f3smico\u201d, acrescenta. A mesma capa a que, quase 30 anos depois, nem mesmo Eduardo Mota conseguiu resistir, acabando por adquirir \u201cum LP miniatura japon\u00eas que reproduzia fielmente a capa, \u2018poster\u2019 e autocolante da edi\u00e7\u00e3o original, tudo na escala reduzida de um CD\u201d. \u201cUm encantador objecto de colec\u00e7\u00e3o. Mais para guardar que para ouvir.\u201d<br \/>\nHoje, \u00c1lvaro Silveira, apesar de manter intacto o seu fasc\u00ednio pelo disco, reflecte de outro modo: \u201cH\u00e1 quem associe o \u2018Dark Side&#8230;\u2019 ao fim do per\u00edodo de ouro dos Pink Floyd. Penso que h\u00e1 um exagero. \u2018Dark Side\u2019 \u00e9 o disco mais importante de toda a obra dos Pink Floyd, por in\u00fameras raz\u00f5es. \u00c9 a s\u00edntese na modernidade dos v\u00e1rios caminhos experimentados na primeira metade da sua discografia. \u00c9 o abrir para a nova sonoridade que ir\u00e1 estender-se pela grande produ\u00e7\u00e3o que \u00e9 o \u2018Wish You Were Here\u2019. Em termos musicais foi a catarse da heran\u00e7a Syd Barrett e a passagem de testemunho a Roger Waters como novo timoneiro. Sem ceder ao facilitismo comercial, trouxe os Pink Floyd para o grande palco universal. Ao fim de tantos anos continua a ser refer\u00eancia hist\u00f3rica e est\u00e9tica.\u201d E personaliza: \u201c\u2019Dark Side of the Moon\u2019 j\u00e1 me acompanhou nas descidas aceleradas das pistas de esqui da Serra Nevada. Nas estradas poeirentas e des\u00e9rticas de Marrocos. No calor das praias das Cara\u00edbas. Nas tempestades tropicais africanas.\u201d Porque, explica: \u201cDark Side of the Moon\u201d \u00e9 \u201cuma das poucas obras que, ao fim de 30 anos, continuam a exigir uma meia d\u00fazia anual de audi\u00e7\u00f5es e que afzem parte da nossa lista de discos para levar para a tal ilha deserta.\u201d Eduardo Mota encolhe os ombros. Afinal, ser\u00e1 apenas o \u00e1lbum que \u201costenta o t\u00edtulo de \u2018o mais vendido de todo o Progressivo\u2019\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>28.03.2003 O Monstro Que Saiu Dos Pink Floyd O lado escuro da Lua deixou de ser negro para passar a ser azul. \u201cDark Side of the Moon\u201d, no original de 1973, e a presente reedi\u00e7\u00e3o em Super \u00c1udio CD, s\u00e3o como a noite e o dia. 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